terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

GUITARRISTA DO DEVO, BOB CASALE MORRE AOS 61 ANOS POR PROBLEMA CARDÍACO



Triste notícia para os fãs de pós-punk, de tecnopop e muitos skatistas e nerds que curtem a banda Devo. Faleceu ontem, por problemas no coração, o guitarrista Robert Casale, conhecido como Bob Casale, do Devo, aos 61 anos.

Irmão do baixista e segundo vocalista do Devo, Gerald Casale, Bob era também chamado de Bob II porque o irmão do vocalista, guitarrista e tecladista do Devo, Mark Mothersbaugh, também se chama Robert e era conhecido como Bob I. Os quatro eram a formação chave do Devo, que já havia sofrido a morte de um ex-baterista, Alan Myers, no ano passado.

O Devo tem 40 anos de existência. Fazia um tecnopop com levada roqueira new wave e soa como uma resposta punk ao Kraftwerk. Originário de Ohio, o grupo foi formado quando seus membros eram universitários e a partir de seu nome eles apostavam numa tese que parece satírica, mas tem sua profunda seriedade.

Devo, para seus integrantes, se relaciona à "teoria da devolução", em que o progresso tecnológico desenfreado faz com que o ser humano regredisse e se tornasse mais primitivo. A princípio, eles levavam isso como uma piada satírica, mas numa vinda ao Brasil, nos anos 90, Mark Mothersbaugh se surpreendeu com a sociedade na época e viu que a "devolução" era coisa séria.


OS IRMÃOS CASALE (BOB À ESQUERDA), NUMA APRESENTAÇÃO EM ATLANTA, NA GEÓRGIA (EUA), EM 1978, ANO DA HILÁRIA VERSÃO DE "SATISFACTION", DOS ROLLING STONES.

O Devo é conhecido por versões hilárias de "Satisfaction", dos Rolling Stones - com aprovação do próprio Mick Jagger, que teria dançado alegremente ao ouvir a música pela primeira vez - e "Are You Experienced?", de Jimi Hendrix.

Mas também o grupo é conhecido por músicas como "Whip It", "Uncontrolable Urge", "Devo Corporate Anthem" (usada em vinheta da Fluminense FM), "Disco Dancer" (usada em comercial do programa de TV Realce), "Shout", "Here To Go" e "Time Out For Fun" (única música que as rádios comerciais "de rock" têm coragem de tocar).

O Devo segue em atividade, mesmo com a perda de Bob Casale, que também era engenheiro de som. Ficará a saudade das performances de Bob, mas com toda a certeza o irmão deste, Gerald, e Mark conduzirão a banda da melhor forma, até para homenagear o finado companheiro.

Desejamos boa sorte ao Devo nessa trajetória, e nos solidarizamos diante da triste perda, mas desejando muita paz a Bob, lá no mundo espiritual.

DEDICADA À MPB, RÁDIO INTERNA DA REDE HORTIFRUTI JÁ TOCA BREGA


Com tantas coisas legais para serem tocadas, sobretudo produzidas antes de 1967-1968 - o biênio considerado "marco" de uma concepção dominante de cultura brasileira defendido por intelectuais de hoje - , as rádios e outros espaços da MPB perdem tempo com a rendição ao brega.

Recentemente, a "reabilitação" de Michael Sullivan - o antigo chefão do brega que hoje posa de "coitadinho" e "vítima de preconceito" - tornou-se sintomática desse processo, embora ele chegue ao seu ponto extremo com o forte lobby em torno da defesa do "funk".

Ontem eu estava numa filial da rede de supermercados Hortifruti - especializada em alimentos, com ênfase em legumes e verduras - e estava tocando o hit brega "Mordida de Amor", do grupo Yahoo, um dos protegidos de Michael Sullivan. A música, por sua vez, é uma versão mais brega da intragável "Love Bites", dos farofeiros britânicos do Def Leppard.

Claro, eu não posso sentir estranheza porque, na visão da intelectualidade "bacaninha", eu seria "elitista", "moralista" e "preconceituoso" com os tais "sucessos populares". O grande problema, no entanto, é que esses "sucessos populares" se propagaram dentro de um contexto de manipulação midiática e politicagem grosseira nos meios de comunicação.

Sim, porque as pessoas se esquecem que Michael Sullivan era figurão das Organizações Globo, comandando o mercado de "sucessos musicais" com mão de ferro e feliz em servir a uma rede de televisão que ignorou a campanha das Diretas Já e se aliou às tramas políticas de gente como Antônio Carlos Magalhães, Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso.

Hoje ele é o "coitadinho" que "fazia coisas bonitas" e a choradeira promoveu Sullivan como um "gênio da MPB". Teve até tributo dotado de muita cosmética "emepebista" para embelezar os lixos produzidos pela dupla Sullivan & Massadas.

E tudo que for protegido seu agora "também é MPB". Yahoo, José Augusto ou mesmo canções duvidosas gravadas por gente da MPB, como a infame "Um Dia de Domingo", um dueto que encontrou Tim Maia e Gal Costa em fases menos inspiradas.

É lamentável que o brega, que já possui espaços demais na mídia e no circuito de apresentações ao vivo, queira obter mais e mais espaços. Sob o pretexto de "reconhecimento" e "conquista de seus próprios espaços", o brega toma os espaços dos outros e deixa a MPB privada de seus próprios espaços.

Que "ruptura de preconceito" é essa? Hoje o que se vê é mais preconceito contra a MPB, enquanto o brega sempre foi hegemônico, sempre foi establishment, do Oiapoque ao Chuí, e agora amplia suas reservas de mercado.

O maior temor é que as rádios de MPB, daqui a 20 anos, sejam meras reciclagens do que rádios como a 98 FM, Nativa FM, Band FM, O Dia FM e similares tocaram nos últimos 35 anos. Imagine ouvir até "Ilariê" nas rádios de MPB que se esqueceram de tantas coisas boas da nossa música?

Aí sim veremos quem é que sofre preconceito. O brega sempre se beneficiou com sua supremacia não-assumida, posando de falsa vítima para ampliar seus mercados. A MPB é que, escorraçada pela própria intelectualidade "bacaninha" (só ela ouvia as preciosidades emepebistas que o "povão" desconhece, e já começa a ficar cansada delas), sofrerá preconceitos cada vez piores.