sábado, 19 de abril de 2014

SMITHS COMEMORAM 30 ANOS DE DOIS LPS


Há trinta anos, uma banda chamou bastante a atenção quando ouvia pelas ondas da Rádio Fluminense FM, de Niterói. A música era "This Charming Man", e não era exatamente a gravação original, mas a versão remix, intitulada New York Mix, apesar de ter sido feita pelo francês François Kevorkian.

Nem tinha ideia do grupo nem de seu cantor, Morrissey, cujas informações só comecei a obter em 1985. Mas também não era a primeira vez que ouvi algo dos Smiths, porque em 1983 já ouvia "How Soon is Now?" pela Melodia FM, só que quase passou despercebido.

Há trinta anos, os Smiths lançaram dois álbuns, sendo o primeiro de estúdio, apenas intitulado The Smiths, que descobri que originalmente não incluiu a faixa "This Charming Man" e que na verdade é uma regravação corrigida do repertório que chegou a ser gravado com Troy Tate (ex-Teardrop Explodes, outro grupo tocado pela Flu FM), mas depois teve que ser todo gravado novamente sob a produção de John Porter.

Outro disco é uma coletânea, que incluiu alguns primeiros compactos - como "How Soon is Now?" e "Hand in Glove" - e sessões de programas da BBC Radio One, de Londres, intitulada Hatful of Hollow. No entanto, a força das músicas e o fato de várias serem inéditas em LP, pelo menos nas versões aí lançadas, que a coletânea praticamente tem status de disco oficial.

Mal sabia que os Smiths, banda da cidade industrial de Manchester, Inglaterra, se tornaria uma das mais importantes da década de 1980 e o quanto as composições de Johnny Marr, guitarrista, que fazia as melodias, e Morrissey, o cantor, que fazia as letras, marcaram bastante minha vida.

Se a música brasileira não falava sobre coisas de minha vida - e muito menos o brega naquela época, como o brega-popularesco de hoje nada diz para mim - , os Smiths falavam. Quantas coisas que Morrissey escreveu pareciam se relacionar com minha vida, como a ilusão das noitadas, advertida por ele em "How Soon is Now?".

Imagine alguém cantar sobre a desilusão de alguém que imaginava que iria encontrar seu grande amor numa casa noturna, e quando vai lá fica sozinho, e volta para casa igualmente só, chorando e querendo se matar. Não há como fazer uma música dessas numa axé-music ou "sertanejo universitário", por exemplo.

Foram uns quatro anos de músicas brilhantes, uma atrás da outra. Que eu conhecia nas ondas da Fluminense FM. Os Smiths acabaram em 1987, depois de uma pequena coleção de LPs de excelente qualidade. Deixam muitas saudades, mas não sei como ficaria a banda hoje se voltasse. Em todo caso, Morrissey e Johnny Marr solo estão excelentes, e já possuem um público cativo, que inclui muita gente que não vivenciou os tempos dos Smiths.

Pena que, em tempos medíocres de hoje, os Smiths são subestimados no Brasil. Até um DJ resolveu avacalhar o grupo juntando a voz de Morrissey com o som de "pagodão baiano". Muito triste. Afinal, os Smiths me consolaram em meus momentos de muita tristeza, e me ensinaram a repudiar esse mundo idiotizado que o "pagodão baiano" e o "funk" representam com fidelidade.

Obrigado, Morrissey e Johnny Marr pelas belas composições. E obrigado Andy Rourke, Mike Joyce e Craig Gannon pela contribuição instrumental nesta banda que fez História.

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