segunda-feira, 14 de abril de 2014

RÁDIO CIDADE NÃO TEM O SUCESSO ESPERADO

RÁDIO CIDADE ALIMENTA SUA PUBLICIDADE COM SINTONIAS COMBINADAS EM APARELHOS DE SOM DE LOJAS DE DEPARTAMENTOS.

Num contexto em que o rádio FM acompanha a queda de público da imprensa escrita e da TV aberta, a Rádio Cidade do Rio de Janeiro, a exemplo da 89 FM de São Paulo, obteve um sucesso abaixo das expectativas, depois que as duas retomaram o formato "pop-rock" eliminado em 2006.

A 89 FM tem até um desempenho expressivo em audiência, mas não na forma exagerada que os institutos de medição de audiência registram. Já a Rádio Cidade, por sua vez, é pouco ouvida nas ruas e se limita a ter sintonias em lojas de departamentos ou em academias de ginásticas.

O que chama a atenção também é que a receptividade das duas rádios para o público roqueiro também se torna baixíssima. A maior parte de sua audiência se deve a fãs de pop convencional que apreciam algum rock mais convencional - sobretudo Charlie Brown Jr., Guns N'Roses e Raimundos, além de outros como Linkin Park, Coldplay e Offspring - e considerado "acessível".

São ouvintes que estão muito mais interessados em ouvir piadas de locutor e ganhar ingressos para ver festivais de música. Mas não é um público que queira realmente ouvir um rock mais alternativo ou mais antigo, até porque começa a reagir esculhambando, nas mídias sociais, contra os verdadeiros nomes da História do Rock, de Beatles a Smiths.

RÁDIO CIDADE TENTA PRIORIZAR ALTERNATIVOS. EM VÃO

A Rádio Cidade, na carona de eventos como o Lollapalooza, tenta colocar como carro-chefe aquilo que seus produtores entendem como "rock alternativo". Além da abordagem ser bastante superficial, restrita às chamadas "canções de trabalho" ou aos "grandes sucessos", a emissora também não está tendo receptividade pelos alternativos, mas pelos chamados "descolados" (espécie de versão "domesticada" do público alternativo).

A exemplo da 89 FM, que ignorou a existência do Beady Eye - a banda que os integrantes do Oasis formaram depois da saída de Noel Gallagher - a Cidade também fez o mesmo. E também não deu a atenção devida, por exemplo, a Johnny Marr, ex-guitarrista dos Smiths que trabalha uma consistente carreira solo, agora também como cantor. Marr fez muito sucesso no último Lollapalooza brasileiro.

Nas mídias sociais, o que mais se nota na página da Rádio Cidade é a ênfase nos eventos promocionais e nos locutores. Nada de "bandeira roqueira" levada a sério, embora sempre haja alguém com aquela postura "jaquetão" de se achar o "roqueirão radical" às custas de suas bandinhas preferidas.

Mas agora que tem a concorrência com a Kiss FM - ainda em fase experimental e com sérios problemas técnicos de sintonia - e a promessa da volta da "Maldita" através da Fluminense AM 540, a Rádio Cidade, mesmo com a volta do histórico nome, mais parece uma rádio perdida como foi nos últimos 30 anos. E não falamos da tal "Hora dos Perdidos".

Desde que a Rádio Cidade se ressentiu de não ter o mesmo carisma da Fluminense FM, ela persegue um perfil roqueiro sem ter a vocação natural para isso. E, agora, com a força da Internet, das rádios concorrentes e das emissoras digitais por aí afora, a Cidade parece não ter muita força entre os roqueiros. E não tem mesmo.

Se o rock rola solto até nos arquivos de áudio do You Tube, com LPs inteiros de bandas seminais, artistas alternativos e obscuridades musicais, por que os fãs de rock em geral e de cultura alternativa perderão tempo dando ouvidos a uma rádio POP se passando por "roqueira" às custas de uns poucos hits? O público hoje está mais exigente, queiram ou não queiram os mercadores da mídia brasileira.

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