quinta-feira, 3 de abril de 2014

QUEM NASCEU NOS ANOS 50 VAI AO LOLLAPALOOZA


Você (eu falei "você", não "o senhor" ou "a senhora") nasceu na década de 1950, sobretudo na primeira metade, e pretende ir a um festival de música. Certamente você pensará em bailes de gala no Copacabana Palace ou em concertos eruditos no Parque do Ibirapuera, por exemplo, correto?

Se a inclinação pessoal se volta a tais eventos, tudo bem. Mas se é para o típico sessentão de primeira viagem se afirmar culturalmente, está errado. Pois o "coroa" de hoje não vive mais em 1973 e, portanto, também terá que ir ao Lollapalooza.

É claro que as pessoas com mais de 45 anos perdem um pouco a fluência de se divertirem, dependendo sempre da companhia de seus filhos e outros moleques para entender o que é o lazer, apesar da vivência toda do lazer, sobretudo durante a adolescência e os tempos de faculdade.

Mas aqui se fala sobre o "rapagão" ou a "garotona" do começo dos 60, nascidos principalmente entre 1950 e 1955, que ainda tem o cacoete de tentarem parecer como pessoas nascidas nos anos 40, falando de coisas que, no seu tempo, eram muito pequenos ou nem eram nascidos para compreender e que, salvo exceções, não têm o natural interesse em entender profundamente.

São pessoas que tentam nos fazer crer que "viram" Glenn Miller - impossível, porque ele morreu uma década antes - , que seguem Jacinto de Thormes (o colunista social "careta" dos fifties) ou que acompanharam a trajetória da revista Senhor (só mesmo riscando os exemplares dos papais), ou então que procuram o prazer perdido na Roma pré-Mussolini ou na Nova York dos anos 1940.

Só que os tempos são outros e, principalmente, aqueles que possuem cônjuges mais jovens precisam ralar e tirar a ferrugem de suas mentes. Não se é mais "coroa" como se era nos anos 1970, hoje os "coroas" dançam músicas mais agitadas, têm uma vida mais ativa, se vestem de forma mais descontraída e alguns praticam até esportes radicais.

Portanto, vale esquecer aquele glamour que hoje não faz sentido, jogar fora aquela aura paternal que era o must dos anos 1970, ou inventar para os mais jovens que conheceu pessoalmente a Nova York de 1947, a Roma de 1910, a Paris de 1895, frequentou o colunismo de Jacinto de Thormes e ainda dançou num concerto de Glenn Miller.

Deixem de preguiça!! O festival certo para essa geração é o Lollapalooza. Não se incomodem com os cabelos grisalhos ou com o fato de terem filhos adultos. Vistam as camisetas de algodão, usem bermudões e saias e calcem um par de tênis e vão se descontrair.

Além disso, grisalhos e grisalhas não precisam vir acompanhados dos filhos para curtirem sons mais joviais. A ideia é o "coroa" ir sozinho, mesmo, sentir na própria pele e nos neurônios os novos sons que virão às suas mentes. A ordem é arejar as mentes, e se encontrar com a juventude que se perdeu dentro desses "coroas". Podem comprar os ingressos para o Lollapalooza e curtam sem medo.

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