quarta-feira, 16 de abril de 2014

PROF ANTÔNIO KUBITSCHEK NÃO DERROTOU OS "URUBUS DA MÍDIA". ELES É QUE O DERROTARAM


No episódio da "pensadora Valesca Popozuda", o professor de uma escola pública de Brasília, Antônio Kubitschek (sem relação com o falecido ex-presidente que ordenou a construção da cidade), tentou se sair melhor julgando que derrotou os "urubus da mídia", como são conhecidos os jornalistas e comentaristas mais reacionários.

O professor Antônio tentou justificar a gafe como uma atitude proposital de "provocação", como se chamar uma funqueira de "grande pensadora contemporânea" fosse dizer algo em prol da educação pública e da cultura popular. E, de fato, não diz.

Se o professor Antônio queria apavorar a sociedade elitista, oferecendo a "carniça" para ser "devorada" pelos "urubus da mídia", o tiro saiu pela culatra. Em vez de derrotá-los, os fortaleceu, na medida em que ofereceu subsídios para que eles reagissem com seu verniz de "conscientização social".

Nomes como Rodrigo Constantino e Rachel Sheherazade, só para citar os mais pretensiosos dessa leva "urubóloga" das corporações midiáticas, representam o pensamento obscurantista das elites, são a visão das classes dominantes, e portanto naturalmente desprovidas de qualquer consciência ou compromisso com as classes populares.

Mas com a complacência de uma outra intelectualidade, a que aposta na bregalização do país e adota matizes "progressistas" - embora sabemos que, por exemplo, nomes como Pedro Alexandre Sanches e até o mineiro Eugênio Arantes Raggi foram educados nos "porões" político-acadêmicos do PSDB - , à imbecilização cultural do "funk", os "urubus da mídia" saem fortalecidos e não enfraquecidos.

Vide as reações nas mídias sociais e nas mensagens públicas divulgadas na Internet, algumas até com orientação ideológica para a direita, nota-se que o episódio que Antônio Kubitschek narra como se fosse uma vitória sua, na verdade acabou sendo uma vitória àqueles que o professor quis combater ao chamar Valesca Popozuda de "pensadora".

Afinal, o professor fez com que pessoas comprometidas apenas com uma visão privatista de mercado, com um capitalismo doentio e obsessivo, passassem a fingir estarem a favor das classes populares, do ensino público e da qualidade de vida para as classes trabalhadoras.

Em outras palavras, Antônio Kubitschek fez os "urubus da mídia" forjarem uma "consciência social" que não têm. E se a classe "bacaninha" do professor Antônio, a mesma de Sanches, Raggi, Paulo César Araújo, Regina Casé e tantos outros, aposta na imbecilização cultural do brega-popularesco, a classe de Constantino e Sheherazade sonha com soluções paternalistas falsamente cidadãs.

São dois lados de uma mesma moeda, que nada contribuem com o verdadeiro progresso popular. Uns querem ver o povo "direitinho" e amestrado pelo capitalismo neoliberal. Outros querem ver o povo "domesticado" e amestrado por políticas estatais do PT. Em nenhum dos lados há a verdadeira consciência social.

A batalha em geral resultou num empate. Mas, no episódio da questão da prova do professor Antônio, ele acabou sendo derrotado pelos "urubus da mídia", que agora posam de "sabedores" de uma consciência popular que dificilmente entendem.

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