quinta-feira, 17 de abril de 2014

O 'MARKETING' OPORTUNISTA E ATÉ CHATO DO "FUNK"

TEQUILEIRAS DO FUNK E OS CURADORES DE UMA EXPOSIÇÃO NO MUSEU DE ARTE DO RIO DE JANEIRO.

Oportunista, marqueteiro e até chato. O "funk" é só apelação e autopromoção, mas conta com um lobby de intelectuais e ativistas tão grande que até assusta. Isso, sem dúvida alguma, não irá dar ao "funk" a verdadeira reputação de cultura de verdade, embora faça o ritmo ampliar suas reservas de mercado.

Depois do "mico" do professor Antônio Kubitschek, que todo feliz da vida achou que derrotaria os "urubus da mídia" - quando apenas ofereceu subsídios para a demagogia "social" dessa patota reacionária - , agora é o Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR), que, de maneira surreal, usa o "funk" para "ilustrar" uma exposição sobre Josephine Baker.

O tema da exposição é Josephine Baker e Le Corbusier no Rio - Um Caso Transatlântico, que ocorre no museu situado na Zona Portuária, defronte ao antigo porto da Praça Mauá (prestes a ser revitalizado), referente à cantora, dançarina e atriz de jazz e o famoso arquiteto suíço-francês que participou da elaboração do Palácio Gustavo Capanema, a alguns metros dali.

O grande problema é que os curadores do evento, metidos a "engraçadinhos" - como nosso conhecido professor Antônio Kubitschek - , resolveram escolher um grupo de funqueiras, as Tequileiras do Funk, do tenebroso sucesso "Surra de Bunda", para abrir a exposição. Vejam só a "pérola" da explicação dos tranquilos curadores, o colombiano Carlos Maria Romero:

"Em sua época, Josephine subverteu questões ao lidar com o jeito que percebemos gêneros, orientação sexual, classe e especificamente raça. O convite às Tequileiras para o evento de abertura ocorreu porque, no contexto brasileiro atual, vemos um espírito similar na manifestação delas".

Então tá. Como se os contextos da época antiga fossem iguais aos de agora. Mas não são. Naqueles tempos o moralismo era muito mais rígido. O "funk" é rejeitado por pessoas moralmente mais abertas, mas que não podem aceitar o grotesco. Não há liberdade absoluta, porque na complexidade da vida humana, a liberdade de uns termina quando começa a dos outros.

Coerente foi uma participante, da página do MAR no Facebook, que disse que, se quisesse ver uma coisa dessas, iria a um "baile funk". Que interesse tem o "funk" de ampliar seus espaços? Ele tem os dele. Nada de invadir espaços de artes plásticas, sobretudo intervindo num tema que envolve o moderno Le Corbusier, o mestre do mestre Oscar Niemeyer.

Não. O "funk" não é cultura, não é arte, não é moderno. E não pode se achar na liberdade de "provocar" assim a toda hora - mal deu uma semana que houve o caso da "pensadora Popozuda" - , porque a liberdade absoluta não existe, o "funk" tem que respeitar quem não o aprecia e não pode ficar ampliando espaços nem mercados. O "funk" que fique com os que já lhe são seus.

O jornalista do Diário do Centro do Mundo, Paulo Nogueira, citando o caso de um juiz norte-americano, nos falou a respeito da relativização da liberdade humana. O juiz comentou a respeito de um cinema lotado, sobre a possibilidade de alguém, de repente, simplesmente gritar "fogo" e a plateia sair correndo apavorada, criando um caos com consequências imprevisíveis e até trágicas.

Se a sociedade pede restrições a uma Rachel Sheherazade, que não pode sair por aí dizendo que um grupo de justiceiros agiu certo por espancar um jovem adolescente acusado de pequenos roubos, por que temos que aplaudir as "provocações" gratuitas do "funk"?

O "funk" não é moderno porque ele aposta no grotesco. Ele apenas tem um senso de marketing que o faz se travestir ora de "ativismo político", ora de "fenômeno fashion", sempre com a desculpa de que está "rompendo com os preconceitos sociais há muito tempo vigentes". Grande falácia.

Isso porque quem rejeita o "funk" conhece mais o seu som do que quem adora. Os que defendem e apoiam o "funk" só conhecem a polêmica, as histórias "tristes" de alguns de seus intérpretes, a fúria social contra os funqueiros. Música, mesmo, eles não ouvem.

Mas isso não importa: a maioria dos pró-funqueiros, para encarar os tenebrosos sucessos que anualmente são despejados pelo gênero, basta tomar uns copos de cerveja ou se entupir de "baseado". Isso os pró-funqueiros sabem fazer com muito prazer.

Por outro lado, o Brasil não tem tradição de ouvir música com atenção. Na boa, que os "moderninhos" de hoje se esperneiem em recusar o óbvio, mas a verdade é que Josephine Baker e Le Corbusier combinariam mais com Alaíde Costa (negra como Josephine Baker), Carlinhos Lyra e Roberto Menescal, por terem mais o estado de espírito da exposição, queiram ou não queiram os curadores.

Infelizmente, no entanto, as gerações atuais acham que a idiotização cultural é "mais divertida", "mais provocativa" e, portanto, "mais importante". Hoje virou moda esculhambarmos nossos mestres e gênios.

Pior, essa desordem toda parte de gente adulta, com nível universitário e até com pós-graduação, que mexe com arte e cultura e se julga dona do nosso futuro. É uma intelectualidade que se acha "bacana", mas tem um discurso "cabeça" chato até para peidos de mulheres-frutas.

Daí que esse discurso a favor do "funk" tornou-se extremamente chato, assim como suas "provocações" gratuitas. A intelectualidade "bacana" festeja feliz com a "bagunça", enquanto entrega, mesmo sem querer, a missão de "arrumar a casa" para gente como Rodrigo Constantino e Rachel Sheherazade.

Daí o maniqueísmo sem muita diferença dos "liberais" e "conservadores" no contexto do "funk".

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