quinta-feira, 10 de abril de 2014

MICHAEL SULLIVAN E A MÚSICA POPULAR DE BEZERRINHOS


É vergonhoso ver que tanta gente está agora aceitando Michael Sullivan como se fosse um "gênio da MPB", e se mostrou pouco preocupada com as denúncias de Alceu Valença contra o esquema que Sullivan e comparsas montaram para promover o jabaculê e destruir a MPB.

No mais típico estilo "morde e assopra", Michael Sullivan agora se passa por "bom moço" da MPB. Como um político em campanha, que abraça todo mundo que encontrar pela frente, Sullivan cortejou até o exigente Sérgio Ricardo, que nunca teve um lugar no mainstream da música brasileira tocada nas rádios.

Só que isso tem nome: DEMAGOGIA. Sullivan comandava com mão de ferro um esquema perverso de degradação da música brasileira. Impôs um comercialismo feroz que fazia com que os artistas envolvidos abrissem mão de sua personalidade artística para adotar fórmulas musicais inspiradas no hit-parade norte-americano.

Alceu Valença denunciou o esquema, sem dizer nomes. E lamenta que hoje ninguém mais tem capacidade de criticar a decadência da música brasileira, aceitando de bom grado e com preocupante submissão qualquer coisa que faça sucesso sob o rótulo de "música brasileira", até mesmo as piores breguices.

Michael Sullivan impunha seu "estilo" - quer dizer, suas regras de mercado - para os artistas subordinados a ele. Queria transformar artistas de MPB em pastiches do que se fazia no comercialismo musical dos EUA, pasteurizando as gravações com arranjos piegas e sem criatividade.

De repente, Michael Sullivan sumiu e, esperto, agora volta como "gênio injustiçado". É rir da cara de nós mesmos. Ele agora corteja todo mundo, de Ana Carolina a Sérgio Ricardo, de Roberta Sá a Fernanda Takai, como se ele fosse o articulador maior da MPB. Sullivan agora bajula de bossanovistas a roqueiros. Grande balela.

Daí a comparação com um político em campanha, que abraça criança, abraça velhinho, abraça açougueiro, abraça headbanger, tudo para querer ser eleito com um número maior de votos. E é constrangedor ver que as músicas de Michael Sullivan agora tocam em rádios de MPB e adulto contemporâneo, assim, impunemente.

No Brasil estamos nesse clima comparável ao de alguém que mata um inocente para depois os familiares da vítima lhe oferecerem um almoço de boas vindas. Hoje poucas pessoas entendem realmente de MPB, umas pensam que "verdadeira MPB" é coisa de quem lota plateias com facilidade, outros pensam que MPB é meramente o cuverte artístico que se toca nos restaurantes.

Numa época em que a antiga unanimidade musical, Roberto Carlos, começa a ter divulgados aspectos sombrios de sua carreira, é incoerente que Michael Sullivan saia ileso nos dias atuais. Afinal, Sullivan nada seria se não fosse Roberto Carlos naqueles tempos em que apoiava a ditadura, e os dois foram até parceiros nas aventuras mais mercantilistas dos anos 80. Vide "Amor Perfeito" e "Meu Ciúme".

A memória curta das pessoas e a mania de condescendência de muitos é que faz com que os picaretas de outrora voltem como se fossem "gênios brilhantes". A música de Michael Sullivan não melhorou com o tempo, nem sua reputação. Ele continua tão medíocre e tosco quanto antes.

O problema é que o brega do qual ele foi um dos chefões teve esperteza e marketing suficiente para ressurgirem diante de uma plateia de gente carneirinha. Gente que mais parece ver a MPB como Música Popular de Bezerrinhos, que aceitam qualquer porcaria comodamente. Mas isso não é perder o preconceito, é ser ainda mais preconceituoso na aceitação de tudo sem verificação.

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