sábado, 1 de março de 2014

PALCO DO ROCK DE SALVADOR CHEGA AOS 20 ANOS DE EXISTÊNCIA

O MAIOR MOTIVO DA PERMANÊNCIA DO PALCO DO ROCK - O PÚBLICO.

Nada de "Lepo Lepo" nem da choradeira de ver Bell Marques se despedindo do Chicletão. O que realmente faz sucesso em Salvador, numa axé-music que parece encerrar seus grandes dias, é o Palco do Rock de Salvador, evento paralelo e divergente ao Carnaval baiano, que celebra 20 anos de existência.

O Palco do Rock foi um dos primeiros lugares onde a cantora Pitty, então um nome emergente do cenário baiano, se apresentou. É também um lugar estratégico para divulgação de novas bandas de rock na Bahia e em outros Estados brasileiros, incluindo o Nordeste restante, que já não suporta mais a supremacia de "forró eletrônico", tecnobrega e similares.

Firmando a cena roqueira na cidade, o Palco do Rock é montado na praia de Plakafor, próxima a Itapuã, na orla marítima de Salvador. Eu e meu irmão já fomos a algumas edições do evento e era bem legal.

É verdade que, em algumas edições, alguns encrenqueiros, provavelmente "capangas" de blocos carnavalescos, tentaram invadir a plateia e causar tumultos, mas depois até isso acabou e o rock de várias bandas era tocado com o público em sua pacífica interação.

Eu mesmo vi, nas apresentações de bandas punk, que a "coreografia" de muitos fãs, simulando cotoveladas e chutes, na verdade era apenas encenação, e, quando um cara batia, de leve, um cotovelo no meu braço, ele pedia desculpas educadamente. Atitudes assim não se vê nos "pacíficos" eventos popularescos!

É claro que nem todas as bandas são boas. Às vezes aparecem aqueles grupos daquela linha pop-rock pseudo-punk, com um discurso confuso que só os leigos entendem como "conscientizado". Também o evento poderia sair um pouco da linha barulhenta do punk e do metal, sem exclui-los, é claro, porque eles também têm sua importância e seu público cativo. Deveria incluir também bandas mais melódicas.

Mas essas queixas são pequenas. O que se sabe é que a cultura rock se recupera aos poucos, tanto no Sudeste e no Sul quanto no Nordeste, numa clara reação à bregalização que chegou ao ponto de se autoproclamar como "vanguarda", só porque levava vaia da plateia. Só que ninguém vira gênio porque é vaiado.

Se a nova força do Rock Brasil ainda não mostrou um novo grande porta-voz como foram Raul Seixas, Cazuza e Renato Russo, é só uma questão de tempo. E o grande público que comparece ao Palco do Rock, bem mais pacífico enquanto há muitos encrenqueiros na "festa-família" da axé-music, mostra o que realmente tem força no cenário cultural de Salvador.

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