segunda-feira, 3 de março de 2014

MAIOR HIT DO CARNAVAL BAIANO É UMA MÚSICA "CANSADA" DO PSIRICO


Só mesmo o marketing midiático para definir a música "Lepo Lepo", do grupo baiano Psirico, como o maior hit do verão brasileiro, e uma das músicas mais executadas do país. Os comentários aparentemente elogiosos não condizem com o que realmente representa esse sucesso.

Tive uma oportunidade de passar por uma loja de departamentos que estava tocando a tal "canção" e fiquei estarrecido com o que realmente é esse sucesso: uma música "cansada", sem qualquer vigor, uma composição forçada que está muito mais para réquiem do Carnaval baiano, já em franca decadência.

O Psirico sempre foi muito ruim, e eu pude conferir isso passando por locais onde seus sucessos eram lançados, desde a tal da "Sambadinha". Mas poderia-se admitir que o Psirico, por pior que fosse, ainda tinha energia, tinha algum pique.

Já "Lepo Lepo" mais parece um sucesso de um ídolo em fim de carreira, uma música cansativa, entediante, que só se torna "vibrante" sob a combinação de persuasão midiática com consumo de álcool, para não dizer outras "merendas".

Que o "pagodão" sempre foi ruim, isso é verdade. Desde o É O Tchan. E muitos sucessos do "pagodão" baiano se baseavam no "conflito" entre vocal e ritmo, com o vocal tentando ser mais rápido num ritmo que parece ir mais devagar.

Mas é impressionante, no pior sentido do termo, que o Psirico pareça cansado e melancólico com seu "Lepo Lepo", pelo menos a gravação de estúdio que virou música de trabalho nas FMs de brega-popularesco do país, e o pessoal não perceber isso de forma alguma.

A impressão que se tem, ouvindo "Lepo Lepo" sem estar "alto" ou "ligadão", é que a música mais parece um hino de despedida da axé-music, e atualmente é a derradeira aposta do ritmo baiano que já perdeu a supremacia brasileira - um dos símbolos da Era FHC, com Antônio Carlos Magalhães como "co-piloto" no governo tucano - e agora se desgasta até mesmo na própria Bahia.

É até irônico que, na Bahia, o grupo de Márcio Victor parece desgastado fora da órbita popularesca, enquanto o cantor Raul Seixas, falecido há 25 anos, se revigora no gosto de pessoas mais jovens - muitas delas nunca conheceram o roqueiro baiano enquanto vivo - que cada vez mais lotam o Palco do Rock de Salvador.

Se o Psirico já parece muito cansado e decadente, imagine então os medalhões Ivete Sangalo, Durval Lélis e Bell Marques, ou então a impopular Cláudia Leitte, todos voltando sua axé-music apenas para um bando de riquinhos deslumbrados.

A Bahia segue a tendência do Norte e Nordeste em geral, que começa a reagir ao brega-popularesco que em nada acrescentou às suas tradições culturais, e só produziu um engodo de sucessos comerciais com temas voltados ao sexo abusivo e à bebedeira, feitos com vocalistas, músicos e composições ruins.

Só mesmo o Sul e Sudeste, que passa a "conhecer" as maravilhas do coronelismo midiático - vide a ascensão midiática do "funk" - , é que não percebe a decadência da axé-music em Salvador. Da mesma forma, os barões da grande mídia lutam para dar a falsa impressão que a axé-music continua sempre no auge. Propaganda puramente enganosa, apesar de verossímil.

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