quinta-feira, 27 de março de 2014

HOMENS "DE SUCESSO" FICAM BITOLADOS DEPOIS DOS 40 ANOS


Algo está muito errado entre os homens com mais de 45 anos. Empresários, profissionais liberais e executivos que nasceram sobretudo entre 1950 e 1974 estão com o comportamento completamente bitolado, apesar de não indicarem qualquer fracasso em suas vidas sociais.

À maneira de uma comida ruim que só vale pelo bom tempero, eles mostram suas personalidades monótonas, ficam pouco à vontade na hora do lazer e seu apego a formalidades e clichês de elegância e sofisticação os fazem menos "legais" e mais uns "chatos" que tentam parecer "agradáveis".

É só verificar eles na hora do lazer. No trabalho, eles são exemplares. Bons economistas, bons empresários, bons publicitários, bons médicos, bons engenheiros, bons advogados, bons chefes de jornalismo. São sinônimo de sucesso, liderança, organização e idealismo, embora na atualidade eles tenham se reduzido a meras sombras de suas primeiras aventuras profissionais.

Quando fazem palestras, isso se torna claro. Eles são apenas testemunhas dos grandes feitos que hoje não são mais capazes de fazer. Eles hoje vivem apenas para reafirmar ou sustentar o idealismo que eles deixaram para trás entre seus breves períodos, geralmente de 25 a 34 anos, de grandes façanhas.

E hoje, o que eles são? Eles tentam se justificar com clichês de elegância. Personalidade nenhuma eles têm, porque o que eles fazem é tão rotineiro e padronizado que não há um diferencial a expressar, a não ser as tais glórias passadas dos primeiros empreendimentos, das primeiras profissões, das primeiras conquistas.

Hoje eles tentam se afirmar das coisas mais triviais e, sem saber, acabam se coisificando, se tornando escravos das etiquetas, das formalidades e do dito "bom gosto". Por exemplo, um empresário deixa de ser o homem que ele é para ser apenas um paletó, um par de sapatos de verniz, uma coleção de bebidas alcoólicas, umas viagens a lugares antigos na Europa, umas festas de gala.

Quem começa a ter 60 anos torna-se mais grave ainda. Eles passam a ter um pedantismo tentando dar a impressão de que eles possuem uma vivência de gente mais velha do que eles. Além disso, boa parte deles têm um vestuário que continua preso à sisudez dos anos 70, sobretudo na insistência de usar sapatos de verniz ou de couro a qualquer situação, mesmo sacrificando seus próprios pés.

Esses homens mais velhos não conseguem ter a sabedoria de outros sessentões de outras gerações. A geração de Millôr Fernandes, Otto Maria Carpeaux, Carlos Drummond de Andrade, Oscar Niemeyer e Tom Jobim tinha sua sabedoria, suas lições, enquanto os sessentões de hoje são apenas meras imitações, pálidas e fajutas, dos sessentões de outrora.

São pré-idosos que querem se autoafirmar com uma viagem à Roma, com um conhecimento de vinhos, com normas de etiqueta, com poses paternais, com os noticiários políticos de véspera, com paletós, sapatos de verniz, com sucessos de Frank Sinatra, ou mesmo com as revistas Senhor que, sinceramente, eles só conheceram rabiscando, na tenra infância, os exemplares comprados pelos pais.

Mas os quarentões - gente de minha geração já que, acredite, tenho 43 anos - também sucumbem a esse bitolamento. Já começam a deixar de ser homens com alguma personalidade para "terem personalidade" às custas dos vinhos que consomem, das viagens a Nova York, dos grandes edifícios modernos que frequentaram, das grifes dos paletós que usam etc etc etc.

Não dá para entender por que eles ainda são desejados pelas mulheres, porque esses homens, dos 40 aos 64 anos, são extremamente superficiais. Eles apenas possuem a habilidade de se passarem por homens refinados, fazendo-nos convencer de seu pedantismo e dos referenciais culturais que dizem apreciar, enquanto por trás disso se tornam "coisas" num mundo de elegância e glamour.

Eles são apenas bons empresários, bons profissionais liberais e bons executivos. São sinônimo de iniciativa, sucesso e riqueza. Mas, fora do âmbito profissional, não passam de homens-objeto, escravos de signos de elegância como vinhos, uísques, champanhes, sapatos de verniz, ternos, noticiários políticos, que nada nos dizem de realmente importante em suas pessoas.

O que significa que o brilho desses homens se apaga quando eles encerram mais uma semana de trabalho. Mas, por enquanto, eles são capazes de conduzir, na hora do lazer, suas chatices de uma forma que pareçam comedidos, simpáticos e admiráveis.

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