segunda-feira, 24 de março de 2014

"FUNK" É USADO EM ASSÉDIO MORAL NO TRABALHO, NO RIO DE JANEIRO


O lobby do "funk" contagia tanto o mercado que já existe até mesmo uma forma de assédio moral nos ambientes de trabalho, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, que empurra rapazes considerados de personalidade "pouco convencional" para assistir a "bailes funk" ou para conhecer funqueiras, sobretudo aquelas de corpo siliconado.

Embora seja uma atitude "descontraída", que muita gente vê como "sadia", ela consiste num bullying na medida em que, sob ameaças diversas - desde a gozação de colegas até a demissão do emprego - , força a barra para qualquer um gostar do "funk" e aceitar as funqueiras.

O assédio moral nos ambientes de trabalho ocorre constantemente no Grande Rio, quando colegas impõem seus pontos de vista para o colega mais "esquisito" e "quietinho". O fanatismo do futebol, por exemplo, é um dos temas de muitos assédios morais, como se houvesse uma obrigação a qualquer um de ter que torcer por algum time ou assistir a uma partida esportiva.

Mas o "funk" torna-se cada vez mais um outro tema desses assédios, o que se torna pior, vide a aura de grosserias e estupidez associadas ao gênero, e que são jogadas justamente para aqueles que nunca iriam participar de tais ciladas.

O alvo da "brincadeira" são funcionários emergentes, geralmente de personalidade mais reservada, solitários e solteiros, de um comportamento pouco convencional. Não são muito extrovertidos, desses que chegam nos ambientes de trabalho falando como animadores de programas de auditório, e às vezes dão a impressão de que são tristonhos e infelizes, devido ao semblante constantemente taciturno.

A "brincadeira" tem o mesmo sentido dos trotes universitários. Joga-se o infeliz do colega pouco comunicativo para uma situação constrangedora, ir para um evento que ele não curte, que toca um estilo que ele não gosta e vai conhecer mulheres que ele nunca estaria a fim.

É, como nos trotes, uma situação constrangedora. Ele faz o que não gosta, como suposta prova de "trabalho em equipe", "espírito social" e "adaptação ao meio em que vive". Se aceitar tudo de bom grado, pouco importando as consequências que terá, será bem aceito no ambiente de trabalho.

Caso o rapaz não entrar no "espírito da brincadeira" ele corre o risco de ser hostilizado sutilmente pelos colegas, com aquela indiferença preconceituosa de outros que demonstram uma aversão secreta a um colega tido como "antissocial". Isso para não dizer que ele será colocado na primeira fila de supostos demitidos na hipótese de algum "enxugamento" financeiro da instituição.

Não adianta dizer que respeita o "funk" mas quer manter distância dele. Os colegas querem é que ele participe, que ele, não gostando, mesmo assim prove quantas vezes quiser, mesmo que sinta nojo, constrangimento, tristeza ou irritação. A imposição dos colegas o torna refém de um processo de ascensão sócio-profissional condicionado por tais humilhações.

Isso é muito grave. O rapaz não curte "funk", mas seus colegas o levam para um "baile funk". Ele nem está a fim de pegar funqueiras, mas ele vai ao camarim da intérprete de "funk" e é "estimulado" pelos colegas, sob risos, a beijar o traseiro da moça.

A funqueira apoia porque ela trabalha essa imagem mesmo, e tudo o que o rapazinho terá que fazer é aceitar pagar mico para ser aceito pelos colegas de trabalho. Tudo para tentar mostrar que é "social", "está de bem com a vida" e "não tem preconceitos". E isso pegando carona na ideia clichê que diz que "não é preciso gostar de 'funk', mas é preciso aceitá-lo".

DEFENSORIA PÚBLICA - A solução para funcionários que são obrigados a esse constrangimento é procurar um defensor público. É necessário ter argumentos firmes, como o próprio direito à personalidade e que não é obrigado a seguir as imposições e posturas de outros.

Dizer apenas que não se sente à vontade ou se sentiu constrangido é insuficiente para que a representação - recurso jurídico que dá entrada ao processo - seja aceita pelo advogado, porque ele entenderá que não caberá processar colegas de trabalho por causa de uma "saudável brincadeira".

Um bom argumento possível é a questão da diferença. O "funk" clama tanto pelo discurso de diversidade e pelo respeito às diferenças, mas não aceita que as diferenças sejam aceitas, no caso de pessoas que não querem ir a um "baile funk" nem se envolver num assédio a uma funqueira.

Além disso, é necessário também verificar leis trabalhistas, a Constituição Federal e outras leis, em artigos referentes a constrangimentos morais ou ao respeito à liberdade humana. O assédio moral também é considerado crime e existem recursos legais para que o processo seja bem sucedido.

E, além disso, é preciso perseverança, uma vez que em primeira instância os processos podem ser contestados, e aí é preciso uma série de recursos para que a causa seja ganha.

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