quinta-feira, 20 de março de 2014

FMS DE SALVADOR "COMPRAVAM" ATÉ OUVINTES PARA FORÇAR "GRANDE AUDIÊNCIA"

EM SALVADOR, JÁ TEVE TÁXI COM JANELAS FECHADAS E O RÁDIO LIGADO...PARA NINGUÉM OUVIR.

O jabaculê não-musical das FMs brasileiras existe e não dá para desmentir. Em Salvador, então, ele se torna ainda mais escancarado, de acordo com denúncias que, nos últimos anos, envolvem o chamado "Aemão de FM" transmitido na capital baiana.

As rádios cometem diversas fraudes, inclusive aquela que utiliza falsas audiências coletivas, a partir das sintonias arranjadas mediante suborno em estabelecimentos comerciais. Uma única pessoa sintoniza uma emissora de rádio num estabelecimento comercial e a audiência é atribuída para o total de fregueses que não se dá conta do que está ouvindo da rádio sintonizada.

Isso anaboliza os pontos do Ibope em muitíssimos pontos. Um único gerente ouve a rádio que sintoniza numa loja. Às vezes nem ele ouve, o rádio é ligado só "para fazer barulho". Mas aí a loja atende uma média de, por exemplo, 50 mil fregueses e estes, somados ao gerente e seus funcionários, são atribuídos à audiência de determinada emissora.

Há rádios que não chegam a ser ouvidas por 50 pessoas numa única cidade que passam a registrar no Ibope e em outros institutos um índice de pelo menos 150 mil ouvintes, por causa da manipulação dos dados de audiências em sintonias coletivas. A audiência é calculada não pelas pessoas que ouvem, mas pelo alcance do som da rádio a qualquer pessoa numa área, independente do interesse pela sintonia.

Essa prática já começa a ser feita no rádio do Rio de Janeiro, incluindo emissoras "conceituadas" como Rádio Globo, Super Rádio Tupi, Band News Fluminense e Transamérica FM, incluindo até mesmo uma rede de supermercados cujos funcionários são obrigados a sintonizar a Rádio Globo. Bancas de jornais também estão sendo pagas para sintonizar a Band News Fluminense.

Mas, em Salvador, a prática é antiga. Rádios como Salvador FM, Piatã, Itaparica e Band FM (hoje Band News Salvador) eram conhecidas por subornar sindicatos de taxistas, porteiros de prédios, donos de botequins, entre outras práticas jabazeiras, só para forçar a audiência das emissoras.

Atualmente, a Rádio Metrópole FM "comprou" audiências em lojas de materiais de construção, vans escolares e até mesmo nas filiais das Lojas Americanas e da livraria Civilização Brasileira no Shopping Iguatemi. A Transamérica FM havia "arrendado" a sintonia de uma papelaria no Salvador Shopping, onde taxistas também foram "comprados" para sintonizar transmissões esportivas da Itapoan FM.

Não obstante, a poluição sonora das transmissões esportivas era uma estratégia comum, cometida por essas emissoras - e atualmente também por rádios como a Metrópole, Itapoan e Transamérica, entre outras - , ocorrendo até mesmo à noite, sem escrúpulos de perturbar o sono de muitos trabalhadores.

Existe até um acordo entre as emissoras de rádio e os jornais baianos de não denunciar esta prática, pois a imprensa baiana se limita a considerar como poluição sonora apenas os cultos evangélicos e as rodas de samba, deixando imunes as sintonias de transmissões esportivas, mesmo com a velocidade e o barulho incômocos do grito dos locutores esportivos.

Práticas constrangedoras chegam a serem feitas para forçar a "grande audiência" dessas emissoras. Há casos de produtores que vão para botequins subornar gerentes com pagamentos de contas de luz e de fornecimento de bebidas se tais estabelecimentos sintonizarem a FM tal durante as transmissões de partidas de futebol.

Além disso, há também casos de produtores ou outros "colaboradores" dessas FMs que, durante tais transmissões, circulam pelas ruas de Salvador e estacionam diante de shoppings fechados, observando as pessoas em volta para ver se há uma receptividade delas à sintonia radiofônica.

Mas o mais absurdo está no fato de pessoas que deixam seus carros com o rádio ligado, sem que alguém se interesse em ouvi-la, só pela "obrigação" de fazer barulho ou manter a sintonia, geralmente em "programas de locutor", "resenhas esportivas" ou as transmissões de futebol.

Um táxi nos Barris chegou a ser visto com as janelas fechadas, sem gente, mas com o rádio ligado num programa de noticiário esportivo de Salvador FM, durante o horário de almoço. No passado, o dono da rádio, Marcos Medrado, havia reservado a uma liderança taxista pelega um "informativo" para o sindicato de taxistas de Salvador.

Muitas dessas práticas - como o aluguel de sintonias em estabelecimentos comerciais - se serve sob o aparato de "permutas publicitárias", mas consistem numa prática de jabaculê visando forçar uma "grande audiência" que essas emissoras não têm. Pelo contrário, o "Aemão em FM" é o que mais perde audiência em todo o país, não fazendo sucesso sequer em estádios de futebol.

E sendo isso aliado à corrupção dos dirigentes esportivos de Salvador, famosos pelos seus conchavos com rádios como Metrópole, Itapoan, Salvador, Transamérica e Piatã, mostra o quanto decadente está o rádio na Bahia, há muito naufragado na politicagem e na manipulação dos dados de audiência, sob o consentimento da imprensa mas com o repúdio do povo baiano, que prefere desligar o rádio.

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