terça-feira, 4 de março de 2014

CARNAVAL E AS FALSAS SOLTEIRAS "NA PISTA"


Uma das grandes mentiras do Carnaval é o marketing sexual sutil, aquele que não traz a pornografia escancarada, mas atiça as fantasias amorosas dos homens, e o evento é um bom momento para se lançar o mito das "mulheres encalhadas" e da suposta falta de homens na folia.

Recentemente, o portal Terra mostrou um grupo de moças que reclamou da "falta de homens" e até exagerou na carência, dizendo que "este ano está pior". A mentira, além de mantida, passa a ser exagerada, sobretudo na Bahia, onde o que falta não são homens, mas homens atraentes do tipo Reinaldo Giannechini e Rodrigo Santoro.

Se as moças dissessem que está faltando galã no Brasil, seria muito mais sincero. Talvez a gente até entenda o termo "está faltando homem" como um eufemismo, do tipo "eu não bebo", referente ao ato de beber álcool. Neste caso, "está faltando homem" não significa que falte realmente homem, mas falta certos tipos mais aceitáveis e interessantes de homens.

Para reforçar ainda mais a farsa, as funqueiras "solteiras" que na verdade são senhoras bem casadas já voltaram a dizer que "estão solteiras na pista". Tudo para manter seus maridões - muito "durões" demais para aparecer na mídia associados a suas fiéis esposas - na privacidade, à margem dos factoides que servem para a autopromoção das distintas senhoras.

Todo esse falso cenário de solteirice serve apenas para reforçar o sexo como mercadoria, em eventos específicos. Se existissem realmente mulheres solteiras, o assédio não se resumiria a eventos festivos, seja o Carnaval, sejam as noitadas do dia a dia, mas se ampliariam a ambientes diversos, inclusive universidades, bibliotecas, praças públicas.

Daí que estimular a fantasia é muito fácil. A fantasia é "mais realista", diz o incauto sonhador. Daí que podemos seguramente adaptar o ditado popular para o seguinte: "Quando a esmola é tanta, o santo desconfia, o brasileiro diz amém".

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