quarta-feira, 19 de março de 2014

BAHIA VIVE ESCÂNDALOS ENVOLVENDO MÍDIA E ENTRETENIMENTO

NEW HIT, MÁRIO KERTÈSZ, BELL MARQUES E ABRAKADABRA - A Bahia está fervendo... De tanto escândalo.

Uma série de escândalos está abalando vários setores da mídia e do entretenimento em Salvador, atingindo figuras antes consideradas de grande prestígio, e agora envolvidas em denúncias graves que somente tenderão a crescer nos próximos tempos.

Recentemente, uma entrevista com o atual presidente do Esporte Clube Bahia, Fernando Schmidt, ele denunciou o esquema de corrupção envolvendo dirigentes do Bahia na gestão anterior de Marcelo Guimarães Filho e jornalistas e radialistas esportivos, que incluiu desde pagamento de hospedagem e passagens aéreas até pagamento de custos de transmissões e programas esportivos.

Segundo Fernando, a sujeira que está por trás do esquema é "pesada". Não é a primeira denúncia sobre tal escândalo. Outras denúncias foram divulgadas antes, e uma delas, divulgada em dezembro de 2008, fez um dos denunciados, o locutor e dono da Rádio Metrópole FM, Mário Kertèsz, sofrer um infarto, abalado com a repercussão do escândalo.

Kertèsz já é historicamente conhecido pelo episódio do final dos anos 80, quando ele, então prefeito de Salvador, criou um esquema de corrupção que desviou o dinheiro público para a compra de rádios, TV e jornal. Kertèsz se desfez de parte desse patrimônio, mas foi através do roubo de verbas públicas que uma das rádios, a antiga Rádio Cidade de Salvador, virou a atual Rádio Metrópole.

Outro "amigo" dos dirigentes esportivos, Marcos Medrado, dono e dublê de radiojornalista da Salvador FM, havia sido envolvido por um esquema de extorsão movido pelo radialista Ivan Carlos, em 2011. Medrado também havia sido incluído entre os integrantes da bancada ruralista do Congresso Nacional, ou seja, como representante parlamentar dos interesses latifundiários.

Na música baiana, a denúncia de escândalos envolve desde os mais ricos astros da axé-music a ídolos "populares" do arrocha e do "pagodão". No "alto escalão", as denúncias se relacionam à exploração cruel que cantores de axé-music fazem com os chamados músicos de apoio, obrigados a criarem "empresas fantasmas" para ganhar mais salários para desviar os cantores das obrigações com o Imposto de Renda, observados em casos como o de Asa de Águia e Ivete Sangalo.

Um dos casos mais chocantes envolveu o cantor Bell Marques, que não deu a devida assistência financeira ao ex-guitarrista do Chiclete Com Banana, Cacique Jonny, que era tratado como "empregado" e não como músico da banda, só assistindo ele depois que o músico divulgou que sofria de uma grave doença.

Bell também se recusou a dar o devido apoio a uma jovem cantora que decidiu empresariar. Talvez por essas atitudes, juntamente com a prepotência de Bell sobre os demais integrantes da banda, que fez o vocalista sair do Chiclete Com Banana, que já arrumou outro cantor para a função.

No arrocha, recentemente houve o caso de Silvanno Salles (nova grafia usada por Silvano Sales), que tem apresentações agendadas no Rio de Janeiro, teve um carro seu, um Chevrolet Camaro, apreendido pela polícia por ter rodado em alta velocidade e estar com documentação irregular.

No "pagodão", ritmo popularizado nacionalmente pelo É O Tchan, Harmonia do Samba e, mais recentemente, por Parangolé ("Rebolation") e Psirico ("Lepo Lepo"), pelo menos dois grupos estiveram associados a escândalos sexuais.

O New Hit havia sido acusado de tentativa de estupro de duas jovens, numa apresentação no interior da Bahia. Os integrantes chegaram a serem presos. Já o Abrakadabra apresentou um clipe da música "Tigrão Gostoso" em que os integrantes perseguem uma jovem indefesa com a intenção de estuprá-la.

Em outros tempos, o É O Tchan havia lançado seu primeiro sucesso, "Segura o Tchan", com outra alusão ao estupro, através de versos como "Tudo que é perfeito agente pega pelo braço / Joga ela no meio / Mete em cima / Mete em baixo / Depois de nove meses / Você vê o resultado". Apesar disso, o grupo e sua estética "alegre" era impunemente exibido para o público infantil, com o apoio de muitos pais.

Junta-se a isso a crise de reputação de intelectuais locais, como os professores da UFBA Roberto Albergaria e Milton Moura, que defendiam a bregalização cultural bem antes dos delírios "provocativos" de Pedro Alexandre Sanches, Hermano Vianna, Paulo César Araújo e outros.

Albergaria repercutiu mal ao sair em defesa de um "pagodão" com letra machista, "Me Dá a Patinha", do grupo Black Style, definindo a letra como "uma brincadeira". Milton Moura, que havia defendido o "pagodão" com o ensaio "Esses Pagodes Impertinentes...", de 1996, ultimamente apareceu em situações melancólicas como fazer pálidos comentários sobre a roqueira Pitty.

Diante de tantos incidentes assim, Salvador está fervendo muito, já no fim desse verão. Só que está fervendo de escândalos, com a agonia de toda uma concepção de entretenimento e mídia que antes gozava de impunidade e alta reputação. E o pior é que esses escândalos só são o começo do que ainda está mais por vir.

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