sexta-feira, 7 de março de 2014

ALCEU VALENÇA DENUNCIA: MICHAEL SULLIVAN QUIS DESTRUIR A MPB


A entrevista se deu há alguns dias e, aparentemente, não foram dados nomes aos "bois". Mas a denúncia que Alceu Valença deu sobre o esquema de jabaculê das gravadoras e da rádio deixou pistas que levam seguramente a um de seus principais acusados: o compositor, cantor e produtor Michael Sullivan.

Na entrevista divulgada no último dia 04, Alceu acusava a RCA (selo da então BMG-Ariola, hoje integrante da Sony Music) de cooptar artistas para enfraquecê-los e abrir caminho para novos ídolos da música brega. O esquema de corrupção, segundo Alceu, estava ocorrendo em 1987, embora sabemos que ele era bem anterior.

Naquela época, era o auge da indústria de sucessos da dupla Michael Sullivan e Paulo Massadas. O diretor artístico da RCA era o também músico e produtor Miguel Plopschi, que, como Sullivan, fazia parte dos Fevers, grupo da Jovem Guarda que depois optou para o caminho da música brega e para a imitação de modelos impostos pelo pop comercial dos EUA.

Alceu reclamou que ele, Chico Buarque, Fafá de Belém e outros artistas - como Gal Costa, que numa entrevista disse que se arrependeu de ter gravado "Um Dia de Domingo" - eram contratados para "ir para a gaveta", apenas abrindo caminho para ídolos mais submissos ao esquema de produção de música brega.

O esquema funcionava da seguinte forma: os ídolos abriam mão de seus estilos para gravar canções mais comerciais, incluindo a possibilidade de gravar alguma composição de Sullivan e Massadas ou de ter Sullivan como produtor e arranjador - como no caso de Nando Cordel - , em troca de benefícios que incluíam hospedagem em hotel cinco estrelas e concessão de apartamentos de luxo.

Michael Sullivan havia cooptado outros artistas de MPB, como Raimundo Fagner, Roupa Nova e Alcione, que comodamente se tornaram sucesso quando se submeteram a gravar canções comerciais de molde norte-americano, dentro do modelo pasteurizado que ele comandava como produtor de discos.

A denúncia de Alceu é muito grave e é feita num momento em que Sullivan tenta se reabilitar e se passar por "gênio da MPB", tentando apagar o passado brega. Um tendencioso CD de tributo "emepebista" a Sullivan e Massadas foi produzido e lançado há alguns meses. Há também um lobby intelectual que tenta promover uma imagem "positiva" de Michael Sullivan nos dias atuais.

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