domingo, 30 de março de 2014

NA ALTA SOCIEDADE, CASAIS SEM AFINIDADE TÊM "JOGO DE CINTURA" PARA DURAR RELAÇÃO


Por que muitos casais sem afinidade, na alta sociedade ou mesmo entre boa parte dos famosos, conseguem ter uma relação duradoura, mesmo não significando uma relação de verdadeira cumplicidade e integração conjugal?

Enquanto é mais fácil ver casais que se unem com afinidade se separarem por este ou aquele detalhe - em muitos casos é a sobrecarga profissional, outros é o desgaste natural da paixão, outros é por alguma mudança por parte de um dos cônjuges - , é muito mais difícil ver casais sem afinidade se separarem, em que pesem suas profundas diferenças.

É aquela famosa atraente, de personalidade bastante moderna, que está casada com um empresário, executivo ou profissional liberal de personalidade mais antiquada, apegado a formalidades e pouco à vontade ao mesmo lazer que sua esposa vive com desenvoltura.

Por que isso ocorre? Seria muito ingênuo dizer que se trata de uma afinidade natural ou de uma grande cumplicidade, até porque, fora a formalidades ou alguns hábitos em comum - como tomar vinhos e frequentar os mesmos lugares chiques, pouco existe de afim por parte desse casal.

O que se percebe, aliás, é um "jogo de cintura" feito para manter a relação, muitas vezes frágil como um castelo de areia diante de um mar revolto. Isso porque o casal não fica o tempo todo junto e talvez quase nem fique, já que o maridão fica o tempo todo nos negócios profissionais e a esposa circula sozinha em boa parte dos eventos.

O que se observa é que a moça tem suas "horas de solteira", em tese para apreciar seus gostos pessoais ou conversar com as amigas. São muitas horas curtindo algo que o "elegante" maridão, que deixou de se interessar por "certas coisas" - na boa, ele hoje mais parece um "boneco" de terno e gravata que gosta de vinhos - e não curte as mesmas diversões da esposa.

Com isso, o casamento que não é lá grande coisa consegue se sustentar pelas férias conjugais de maridos e mulheres do gênero. Não se está aí levando em conta se há amantes ou não, isso é outra história. Aqui o que se leva em conta é que o casal mantém a relação pela capacidade dos cônjuges poderem viver constantemente longe um do outro.

sexta-feira, 28 de março de 2014

RÁDIO CIDADE SOFRE DA SÍNDROME DE MICHAEL JACKSON


A Rádio Cidade 102,9 mhz está um tanto confusa. Querendo rever parcialmente sua história, a emissora do Rio de Janeiro insiste num perfil "roqueiro" caricato, estereotipado e forçado, que não soa convincente nem supre as necessidades básicas da cultura rock, mesmo para iniciantes.

A Rádio Cidade força a barra porque, mesmo sendo uma rádio que fez história transformando a linguagem do rádio FM, sofreu da frustração de não ter o carisma da Rádio Fluminense FM entre os roqueiros.

A Cidade já tentou por quatro vezes se projetar como "rádio de rock": uma, de forma tímida, entre 1985 e 1989, na carona do Rock In Rio e como laboratório para a 89 FM de São Paulo. Depois veio a experiência de 1995 a 2000, mais pretensiosa mas menos escancarada. Aí veio a rede da 89 FM entre 2000 e 2006. Já a quarta tentativa é a atual, desde o último dia 10.

A Rádio Cidade sofre da síndrome de Michael Jackson. O falecido astro pop surgiu como um simpático cantor soul, que impressionava quando era criança, à frente dos irmãos músicos do grupo Jackson Five. Depois iniciou uma carreira solo de bons momentos, dentro da boa escola soul e embarcou com segurança na disco music e no funk autêntico, sob a ajuda de Quincy Jones.

Tudo estava bem até que, no disco de maior sucesso, Thriller, de 1982, um dos sucessos de Michael foi "Beat It", tocada em arranjo "pesado" com a participação de Eddie Van Halen na guitarra. Foi aí que Michael iniciou seu caminho perigoso, que em parte influiu na sua tragédia.

O cantor passou a sentir uma obsessão em ser "branco" e "roqueiro". Nos discos seguintes sempre colocava uma faixa com guitarrista. Bad, de 1987, "Dirty Diana", teve Steve Stevens, parceiro de Billy Idol. Em Dangerous, de 1991, "Give It To Me" teve a participação de Slash, do Guns N'Roses.

É de Dangerous também a música de trabalho, "Black or White", um "roquinho" cujo videoclipe mostrava Macaulay Culkin fazendo o papel estereotipado da criancinha rebelde cheia de clichês roqueiros, como ouvir som alto e fazer "air guitar" (gestos manuais simulando solo de guitarra).

Michael teve tanta obsessão em ser "roqueiro" que chegou a comprar os direitos autorais do repertório dos Beatles, se valendo da confiança de Paul McCartney, que duetou com ele na música "The Girl is Mine", de Thriller.

E isso influiu até no vocal, que passou a ser berrado, em vez da bela voz soul que marcou canções como "Rock With You", "Human Nature", "One Day in Your Life" e "Off The Wall", além do falsete da música "Don't Stop Til' You Get Enough".

Michael passou a ter uma desesperada mania de parecer "roqueiro" - uma forma de soar como "artista branco" que fez o cantor tomar remédios para clarear a pele - que se casou com a filha de Elvis Presley, Lisa Marie, e passou a imitar o então sogro vestindo um macacão semelhante ao que o falecido roqueiro usava nos últimos anos de carreira.

Temos depois, Michael passou a se vestir e a gesticular como Mick Jagger. Com o cantor dos Rolling Stones, Michael duetou na música "State of Shock" gravada com a banda dos irmãos, que havia sido rebatizada The Jacksons, no álbum Victory, de 1984.

A música, no entanto, teria dueto com Freddie Mercury, o finado cantor do Queen, para o álbum Thriller, mas problemas de agenda impediram o lançamento deste dueto. Composto com o guitarrista Randy Hansen, Michael havia bolado um arranjo "roqueiro" para a canção.

Mesmo em músicas não roqueiras, como em "They Don't Care About Us" e "Scream", esta em dueto com a irmã Janet Jackson, Michael tinha obsessão pela "atitude", o que fez com que ele se preocupasse com factoides e com uma personalidade esquisita, um tanto infantiloide, outro tanto pretensamente rebelde.

Curiosamente, Michael Jackson foi um dos nomes da música pop mais tocados pela Rádio Cidade, que já em 1979 dava alta rotação a músicas como "Don't Stop Til' You Get Enough", "Rock With You" e "Off The Wall". A rádio também deu todo o acompanhamento do sucesso de Thriller e mesmo na tímida fase "roqueira" de 1985-1988 não deixava de tocar as faixas do álbum Bad.

A obsessão "roqueira" matou Michael Jackson. Nem todo mundo tem vocação para ser roqueiro. Perseguir a rebeldia como um fim em si mesmo, bancar o "malvado", o "radical", não traz muita vantagem e o que se vê, na Rádio Cidade, é a mesma paranoia da falsa rebeldia adotada por Michael Jackson e uma obsessão forçada pela atitude roqueira.

Mesclando linguagem pop, a Rádio Cidade virou mera rádio de locutores e promoções. Tem departamento comercial enxuto, aumentou seu sinal de transmissão etc etc etc. Com fraca programação musical, a rádio não convence sequer quando tenta tocar bandas "alternativas", até porque, ironicamente, elas seriam muito melhor tratadas por uma OI FM.

Com rádios realmente roqueiras botando para ferver frequências afora - como a Kiss FM e Fluminense AM - , a Rádio Cidade ainda fica colada, no dial, com a emissora pop Mix FM e, ao lado desta, tem a similar Transamérica FM. As duas nem de longe acreditam que se livraram da concorrência da Rádio Cidade, até porque, em matéria de QI, a Rádio Cidade está MAIS POP do que nunca.

Nenhum alternativo e nenhum roqueiro exigente irá ouvir a Rádio Cidade. Também não cairão mais nesse papo cansativo que mais parece disco riscado que diz "pelo menos a Cidade é muito melhor que muita rádio aí...", porque esse papo de se contentar com pouco cansa com a paciência de qualquer um. Da mesma forma que os roqueiros não querem ficar ouvindo somente os "sucessos da Cidade".

quinta-feira, 27 de março de 2014

HOMENS "DE SUCESSO" FICAM BITOLADOS DEPOIS DOS 40 ANOS


Algo está muito errado entre os homens com mais de 45 anos. Empresários, profissionais liberais e executivos que nasceram sobretudo entre 1950 e 1974 estão com o comportamento completamente bitolado, apesar de não indicarem qualquer fracasso em suas vidas sociais.

À maneira de uma comida ruim que só vale pelo bom tempero, eles mostram suas personalidades monótonas, ficam pouco à vontade na hora do lazer e seu apego a formalidades e clichês de elegância e sofisticação os fazem menos "legais" e mais uns "chatos" que tentam parecer "agradáveis".

É só verificar eles na hora do lazer. No trabalho, eles são exemplares. Bons economistas, bons empresários, bons publicitários, bons médicos, bons engenheiros, bons advogados, bons chefes de jornalismo. São sinônimo de sucesso, liderança, organização e idealismo, embora na atualidade eles tenham se reduzido a meras sombras de suas primeiras aventuras profissionais.

Quando fazem palestras, isso se torna claro. Eles são apenas testemunhas dos grandes feitos que hoje não são mais capazes de fazer. Eles hoje vivem apenas para reafirmar ou sustentar o idealismo que eles deixaram para trás entre seus breves períodos, geralmente de 25 a 34 anos, de grandes façanhas.

E hoje, o que eles são? Eles tentam se justificar com clichês de elegância. Personalidade nenhuma eles têm, porque o que eles fazem é tão rotineiro e padronizado que não há um diferencial a expressar, a não ser as tais glórias passadas dos primeiros empreendimentos, das primeiras profissões, das primeiras conquistas.

Hoje eles tentam se afirmar das coisas mais triviais e, sem saber, acabam se coisificando, se tornando escravos das etiquetas, das formalidades e do dito "bom gosto". Por exemplo, um empresário deixa de ser o homem que ele é para ser apenas um paletó, um par de sapatos de verniz, uma coleção de bebidas alcoólicas, umas viagens a lugares antigos na Europa, umas festas de gala.

Quem começa a ter 60 anos torna-se mais grave ainda. Eles passam a ter um pedantismo tentando dar a impressão de que eles possuem uma vivência de gente mais velha do que eles. Além disso, boa parte deles têm um vestuário que continua preso à sisudez dos anos 70, sobretudo na insistência de usar sapatos de verniz ou de couro a qualquer situação, mesmo sacrificando seus próprios pés.

Esses homens mais velhos não conseguem ter a sabedoria de outros sessentões de outras gerações. A geração de Millôr Fernandes, Otto Maria Carpeaux, Carlos Drummond de Andrade, Oscar Niemeyer e Tom Jobim tinha sua sabedoria, suas lições, enquanto os sessentões de hoje são apenas meras imitações, pálidas e fajutas, dos sessentões de outrora.

São pré-idosos que querem se autoafirmar com uma viagem à Roma, com um conhecimento de vinhos, com normas de etiqueta, com poses paternais, com os noticiários políticos de véspera, com paletós, sapatos de verniz, com sucessos de Frank Sinatra, ou mesmo com as revistas Senhor que, sinceramente, eles só conheceram rabiscando, na tenra infância, os exemplares comprados pelos pais.

Mas os quarentões - gente de minha geração já que, acredite, tenho 43 anos - também sucumbem a esse bitolamento. Já começam a deixar de ser homens com alguma personalidade para "terem personalidade" às custas dos vinhos que consomem, das viagens a Nova York, dos grandes edifícios modernos que frequentaram, das grifes dos paletós que usam etc etc etc.

Não dá para entender por que eles ainda são desejados pelas mulheres, porque esses homens, dos 40 aos 64 anos, são extremamente superficiais. Eles apenas possuem a habilidade de se passarem por homens refinados, fazendo-nos convencer de seu pedantismo e dos referenciais culturais que dizem apreciar, enquanto por trás disso se tornam "coisas" num mundo de elegância e glamour.

Eles são apenas bons empresários, bons profissionais liberais e bons executivos. São sinônimo de iniciativa, sucesso e riqueza. Mas, fora do âmbito profissional, não passam de homens-objeto, escravos de signos de elegância como vinhos, uísques, champanhes, sapatos de verniz, ternos, noticiários políticos, que nada nos dizem de realmente importante em suas pessoas.

O que significa que o brilho desses homens se apaga quando eles encerram mais uma semana de trabalho. Mas, por enquanto, eles são capazes de conduzir, na hora do lazer, suas chatices de uma forma que pareçam comedidos, simpáticos e admiráveis.

terça-feira, 25 de março de 2014

GWYNETH PALTROW ESTÁ SOLTEIRA!!

A atriz norte-americana Gwyneth Paltrow se separou do músico inglês Chris Martin, líder do Coldplay, depois de pouco mais de dez anos casados. O casamento gerou dois filhos, Apple e Moses, e terminou de maneira amigável.

Tudo indica que compromissos profissionais sejam um dos motivos da separação, que foi amigável. A atriz e o músico eram muito discretos no seu cotidiano e poucas vezes eram fotografados juntos, mantendo sua privacidade. A notícia da separação ocorre na época em que o Coldplay se prepara para lançar novo disco.

Gwyneth é notável pela sua beleza simples e meio nerd, pela sua graciosidade e pela sua formosura.


segunda-feira, 24 de março de 2014

"FUNK" É USADO EM ASSÉDIO MORAL NO TRABALHO, NO RIO DE JANEIRO


O lobby do "funk" contagia tanto o mercado que já existe até mesmo uma forma de assédio moral nos ambientes de trabalho, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, que empurra rapazes considerados de personalidade "pouco convencional" para assistir a "bailes funk" ou para conhecer funqueiras, sobretudo aquelas de corpo siliconado.

Embora seja uma atitude "descontraída", que muita gente vê como "sadia", ela consiste num bullying na medida em que, sob ameaças diversas - desde a gozação de colegas até a demissão do emprego - , força a barra para qualquer um gostar do "funk" e aceitar as funqueiras.

O assédio moral nos ambientes de trabalho ocorre constantemente no Grande Rio, quando colegas impõem seus pontos de vista para o colega mais "esquisito" e "quietinho". O fanatismo do futebol, por exemplo, é um dos temas de muitos assédios morais, como se houvesse uma obrigação a qualquer um de ter que torcer por algum time ou assistir a uma partida esportiva.

Mas o "funk" torna-se cada vez mais um outro tema desses assédios, o que se torna pior, vide a aura de grosserias e estupidez associadas ao gênero, e que são jogadas justamente para aqueles que nunca iriam participar de tais ciladas.

O alvo da "brincadeira" são funcionários emergentes, geralmente de personalidade mais reservada, solitários e solteiros, de um comportamento pouco convencional. Não são muito extrovertidos, desses que chegam nos ambientes de trabalho falando como animadores de programas de auditório, e às vezes dão a impressão de que são tristonhos e infelizes, devido ao semblante constantemente taciturno.

A "brincadeira" tem o mesmo sentido dos trotes universitários. Joga-se o infeliz do colega pouco comunicativo para uma situação constrangedora, ir para um evento que ele não curte, que toca um estilo que ele não gosta e vai conhecer mulheres que ele nunca estaria a fim.

É, como nos trotes, uma situação constrangedora. Ele faz o que não gosta, como suposta prova de "trabalho em equipe", "espírito social" e "adaptação ao meio em que vive". Se aceitar tudo de bom grado, pouco importando as consequências que terá, será bem aceito no ambiente de trabalho.

Caso o rapaz não entrar no "espírito da brincadeira" ele corre o risco de ser hostilizado sutilmente pelos colegas, com aquela indiferença preconceituosa de outros que demonstram uma aversão secreta a um colega tido como "antissocial". Isso para não dizer que ele será colocado na primeira fila de supostos demitidos na hipótese de algum "enxugamento" financeiro da instituição.

Não adianta dizer que respeita o "funk" mas quer manter distância dele. Os colegas querem é que ele participe, que ele, não gostando, mesmo assim prove quantas vezes quiser, mesmo que sinta nojo, constrangimento, tristeza ou irritação. A imposição dos colegas o torna refém de um processo de ascensão sócio-profissional condicionado por tais humilhações.

Isso é muito grave. O rapaz não curte "funk", mas seus colegas o levam para um "baile funk". Ele nem está a fim de pegar funqueiras, mas ele vai ao camarim da intérprete de "funk" e é "estimulado" pelos colegas, sob risos, a beijar o traseiro da moça.

A funqueira apoia porque ela trabalha essa imagem mesmo, e tudo o que o rapazinho terá que fazer é aceitar pagar mico para ser aceito pelos colegas de trabalho. Tudo para tentar mostrar que é "social", "está de bem com a vida" e "não tem preconceitos". E isso pegando carona na ideia clichê que diz que "não é preciso gostar de 'funk', mas é preciso aceitá-lo".

DEFENSORIA PÚBLICA - A solução para funcionários que são obrigados a esse constrangimento é procurar um defensor público. É necessário ter argumentos firmes, como o próprio direito à personalidade e que não é obrigado a seguir as imposições e posturas de outros.

Dizer apenas que não se sente à vontade ou se sentiu constrangido é insuficiente para que a representação - recurso jurídico que dá entrada ao processo - seja aceita pelo advogado, porque ele entenderá que não caberá processar colegas de trabalho por causa de uma "saudável brincadeira".

Um bom argumento possível é a questão da diferença. O "funk" clama tanto pelo discurso de diversidade e pelo respeito às diferenças, mas não aceita que as diferenças sejam aceitas, no caso de pessoas que não querem ir a um "baile funk" nem se envolver num assédio a uma funqueira.

Além disso, é necessário também verificar leis trabalhistas, a Constituição Federal e outras leis, em artigos referentes a constrangimentos morais ou ao respeito à liberdade humana. O assédio moral também é considerado crime e existem recursos legais para que o processo seja bem sucedido.

E, além disso, é preciso perseverança, uma vez que em primeira instância os processos podem ser contestados, e aí é preciso uma série de recursos para que a causa seja ganha.

sábado, 22 de março de 2014

FRIENDLY FIRES, GRUPO DE ROCK ALTERNATIVO, ESNOBA "FUNK" EM ENTREVISTA


O grupo inglês de rock alternativo, Friendly Fires, deu um balde de água gelada para a imprensa brasileira que apostava em ver o "funk" reconhecido como "cultura alternativa" ou "movimento de vanguarda".

Numa entrevista dada ao canal pago Play TV, os integrantes do grupo foram perguntados pela repórter se eles conheciam o "funk". A repórter fez os habituais elogios a esse ritmo de qualidade bastante duvidosa, com todos os clichês discursivos bem conhecidos até na "choradeira" dos intelectuais "bacaninhas".

Simpático, o vocalista e baixista Ed MacFarlane respondeu à pergunta da repórter se ele sabia dançar alguns passos de "funk". Ele disse que só sabe dançar a sua música, e que deixa o assunto do "funk" para os "profissionais".

O comentário provavelmente é irônico, já que a reputação do "funk", lá no exterior, não é lá tão boa quanto se supõe. Ela só é cortejada por um establishment de intelectuais, artistas e turistas afinados com o mercadão popularesco, mas quem quer cultura séria lá fora vê com desconfiança todo o oba-oba em prol dos funqueiros.

Daí a lição de Ed MacFarlane que acabou com a festa da "galera descolada" que acharia que os alternativos de lá são trouxas para pagarem pau a um "baile funk". Mas tentaram até mesmo jogar Paul McCartney nessa arena, e a boataria não colou. Mais uma nota zero para os funqueiros e seus propagandistas.

quinta-feira, 20 de março de 2014

FMS DE SALVADOR "COMPRAVAM" ATÉ OUVINTES PARA FORÇAR "GRANDE AUDIÊNCIA"

EM SALVADOR, JÁ TEVE TÁXI COM JANELAS FECHADAS E O RÁDIO LIGADO...PARA NINGUÉM OUVIR.

O jabaculê não-musical das FMs brasileiras existe e não dá para desmentir. Em Salvador, então, ele se torna ainda mais escancarado, de acordo com denúncias que, nos últimos anos, envolvem o chamado "Aemão de FM" transmitido na capital baiana.

As rádios cometem diversas fraudes, inclusive aquela que utiliza falsas audiências coletivas, a partir das sintonias arranjadas mediante suborno em estabelecimentos comerciais. Uma única pessoa sintoniza uma emissora de rádio num estabelecimento comercial e a audiência é atribuída para o total de fregueses que não se dá conta do que está ouvindo da rádio sintonizada.

Isso anaboliza os pontos do Ibope em muitíssimos pontos. Um único gerente ouve a rádio que sintoniza numa loja. Às vezes nem ele ouve, o rádio é ligado só "para fazer barulho". Mas aí a loja atende uma média de, por exemplo, 50 mil fregueses e estes, somados ao gerente e seus funcionários, são atribuídos à audiência de determinada emissora.

Há rádios que não chegam a ser ouvidas por 50 pessoas numa única cidade que passam a registrar no Ibope e em outros institutos um índice de pelo menos 150 mil ouvintes, por causa da manipulação dos dados de audiências em sintonias coletivas. A audiência é calculada não pelas pessoas que ouvem, mas pelo alcance do som da rádio a qualquer pessoa numa área, independente do interesse pela sintonia.

Essa prática já começa a ser feita no rádio do Rio de Janeiro, incluindo emissoras "conceituadas" como Rádio Globo, Super Rádio Tupi, Band News Fluminense e Transamérica FM, incluindo até mesmo uma rede de supermercados cujos funcionários são obrigados a sintonizar a Rádio Globo. Bancas de jornais também estão sendo pagas para sintonizar a Band News Fluminense.

Mas, em Salvador, a prática é antiga. Rádios como Salvador FM, Piatã, Itaparica e Band FM (hoje Band News Salvador) eram conhecidas por subornar sindicatos de taxistas, porteiros de prédios, donos de botequins, entre outras práticas jabazeiras, só para forçar a audiência das emissoras.

Atualmente, a Rádio Metrópole FM "comprou" audiências em lojas de materiais de construção, vans escolares e até mesmo nas filiais das Lojas Americanas e da livraria Civilização Brasileira no Shopping Iguatemi. A Transamérica FM havia "arrendado" a sintonia de uma papelaria no Salvador Shopping, onde taxistas também foram "comprados" para sintonizar transmissões esportivas da Itapoan FM.

Não obstante, a poluição sonora das transmissões esportivas era uma estratégia comum, cometida por essas emissoras - e atualmente também por rádios como a Metrópole, Itapoan e Transamérica, entre outras - , ocorrendo até mesmo à noite, sem escrúpulos de perturbar o sono de muitos trabalhadores.

Existe até um acordo entre as emissoras de rádio e os jornais baianos de não denunciar esta prática, pois a imprensa baiana se limita a considerar como poluição sonora apenas os cultos evangélicos e as rodas de samba, deixando imunes as sintonias de transmissões esportivas, mesmo com a velocidade e o barulho incômocos do grito dos locutores esportivos.

Práticas constrangedoras chegam a serem feitas para forçar a "grande audiência" dessas emissoras. Há casos de produtores que vão para botequins subornar gerentes com pagamentos de contas de luz e de fornecimento de bebidas se tais estabelecimentos sintonizarem a FM tal durante as transmissões de partidas de futebol.

Além disso, há também casos de produtores ou outros "colaboradores" dessas FMs que, durante tais transmissões, circulam pelas ruas de Salvador e estacionam diante de shoppings fechados, observando as pessoas em volta para ver se há uma receptividade delas à sintonia radiofônica.

Mas o mais absurdo está no fato de pessoas que deixam seus carros com o rádio ligado, sem que alguém se interesse em ouvi-la, só pela "obrigação" de fazer barulho ou manter a sintonia, geralmente em "programas de locutor", "resenhas esportivas" ou as transmissões de futebol.

Um táxi nos Barris chegou a ser visto com as janelas fechadas, sem gente, mas com o rádio ligado num programa de noticiário esportivo de Salvador FM, durante o horário de almoço. No passado, o dono da rádio, Marcos Medrado, havia reservado a uma liderança taxista pelega um "informativo" para o sindicato de taxistas de Salvador.

Muitas dessas práticas - como o aluguel de sintonias em estabelecimentos comerciais - se serve sob o aparato de "permutas publicitárias", mas consistem numa prática de jabaculê visando forçar uma "grande audiência" que essas emissoras não têm. Pelo contrário, o "Aemão em FM" é o que mais perde audiência em todo o país, não fazendo sucesso sequer em estádios de futebol.

E sendo isso aliado à corrupção dos dirigentes esportivos de Salvador, famosos pelos seus conchavos com rádios como Metrópole, Itapoan, Salvador, Transamérica e Piatã, mostra o quanto decadente está o rádio na Bahia, há muito naufragado na politicagem e na manipulação dos dados de audiência, sob o consentimento da imprensa mas com o repúdio do povo baiano, que prefere desligar o rádio.

quarta-feira, 19 de março de 2014

BAHIA VIVE ESCÂNDALOS ENVOLVENDO MÍDIA E ENTRETENIMENTO

NEW HIT, MÁRIO KERTÈSZ, BELL MARQUES E ABRAKADABRA - A Bahia está fervendo... De tanto escândalo.

Uma série de escândalos está abalando vários setores da mídia e do entretenimento em Salvador, atingindo figuras antes consideradas de grande prestígio, e agora envolvidas em denúncias graves que somente tenderão a crescer nos próximos tempos.

Recentemente, uma entrevista com o atual presidente do Esporte Clube Bahia, Fernando Schmidt, ele denunciou o esquema de corrupção envolvendo dirigentes do Bahia na gestão anterior de Marcelo Guimarães Filho e jornalistas e radialistas esportivos, que incluiu desde pagamento de hospedagem e passagens aéreas até pagamento de custos de transmissões e programas esportivos.

Segundo Fernando, a sujeira que está por trás do esquema é "pesada". Não é a primeira denúncia sobre tal escândalo. Outras denúncias foram divulgadas antes, e uma delas, divulgada em dezembro de 2008, fez um dos denunciados, o locutor e dono da Rádio Metrópole FM, Mário Kertèsz, sofrer um infarto, abalado com a repercussão do escândalo.

Kertèsz já é historicamente conhecido pelo episódio do final dos anos 80, quando ele, então prefeito de Salvador, criou um esquema de corrupção que desviou o dinheiro público para a compra de rádios, TV e jornal. Kertèsz se desfez de parte desse patrimônio, mas foi através do roubo de verbas públicas que uma das rádios, a antiga Rádio Cidade de Salvador, virou a atual Rádio Metrópole.

Outro "amigo" dos dirigentes esportivos, Marcos Medrado, dono e dublê de radiojornalista da Salvador FM, havia sido envolvido por um esquema de extorsão movido pelo radialista Ivan Carlos, em 2011. Medrado também havia sido incluído entre os integrantes da bancada ruralista do Congresso Nacional, ou seja, como representante parlamentar dos interesses latifundiários.

Na música baiana, a denúncia de escândalos envolve desde os mais ricos astros da axé-music a ídolos "populares" do arrocha e do "pagodão". No "alto escalão", as denúncias se relacionam à exploração cruel que cantores de axé-music fazem com os chamados músicos de apoio, obrigados a criarem "empresas fantasmas" para ganhar mais salários para desviar os cantores das obrigações com o Imposto de Renda, observados em casos como o de Asa de Águia e Ivete Sangalo.

Um dos casos mais chocantes envolveu o cantor Bell Marques, que não deu a devida assistência financeira ao ex-guitarrista do Chiclete Com Banana, Cacique Jonny, que era tratado como "empregado" e não como músico da banda, só assistindo ele depois que o músico divulgou que sofria de uma grave doença.

Bell também se recusou a dar o devido apoio a uma jovem cantora que decidiu empresariar. Talvez por essas atitudes, juntamente com a prepotência de Bell sobre os demais integrantes da banda, que fez o vocalista sair do Chiclete Com Banana, que já arrumou outro cantor para a função.

No arrocha, recentemente houve o caso de Silvanno Salles (nova grafia usada por Silvano Sales), que tem apresentações agendadas no Rio de Janeiro, teve um carro seu, um Chevrolet Camaro, apreendido pela polícia por ter rodado em alta velocidade e estar com documentação irregular.

No "pagodão", ritmo popularizado nacionalmente pelo É O Tchan, Harmonia do Samba e, mais recentemente, por Parangolé ("Rebolation") e Psirico ("Lepo Lepo"), pelo menos dois grupos estiveram associados a escândalos sexuais.

O New Hit havia sido acusado de tentativa de estupro de duas jovens, numa apresentação no interior da Bahia. Os integrantes chegaram a serem presos. Já o Abrakadabra apresentou um clipe da música "Tigrão Gostoso" em que os integrantes perseguem uma jovem indefesa com a intenção de estuprá-la.

Em outros tempos, o É O Tchan havia lançado seu primeiro sucesso, "Segura o Tchan", com outra alusão ao estupro, através de versos como "Tudo que é perfeito agente pega pelo braço / Joga ela no meio / Mete em cima / Mete em baixo / Depois de nove meses / Você vê o resultado". Apesar disso, o grupo e sua estética "alegre" era impunemente exibido para o público infantil, com o apoio de muitos pais.

Junta-se a isso a crise de reputação de intelectuais locais, como os professores da UFBA Roberto Albergaria e Milton Moura, que defendiam a bregalização cultural bem antes dos delírios "provocativos" de Pedro Alexandre Sanches, Hermano Vianna, Paulo César Araújo e outros.

Albergaria repercutiu mal ao sair em defesa de um "pagodão" com letra machista, "Me Dá a Patinha", do grupo Black Style, definindo a letra como "uma brincadeira". Milton Moura, que havia defendido o "pagodão" com o ensaio "Esses Pagodes Impertinentes...", de 1996, ultimamente apareceu em situações melancólicas como fazer pálidos comentários sobre a roqueira Pitty.

Diante de tantos incidentes assim, Salvador está fervendo muito, já no fim desse verão. Só que está fervendo de escândalos, com a agonia de toda uma concepção de entretenimento e mídia que antes gozava de impunidade e alta reputação. E o pior é que esses escândalos só são o começo do que ainda está mais por vir.

segunda-feira, 17 de março de 2014

EM 25 ANOS, ROQUEIROS SE AFASTARAM DAS RÁDIOS COMERCIAIS "DE ROCK"

AGORA É A VEZ DOS FÃS DE FOO FIGHTERS E PEARL JAM SE AFASTAREM DAS DITAS "RÁDIOS ROCK" MAIS COMERCIAIS.

A realidade é um tabu para colunistas de rádio e pode ser considerada absurda para muitos internautas. Mas a verdade é que, nos últimos 25 anos, as rádios comerciais que usam o rótulo de "rádios rock", com todo o pretensiosismo de serem "para sempre roqueiras", só conseguiram afastar o público roqueiro ao longo dos anos.

Os retornos da 89 FM, em São Paulo, e da Rádio Cidade, no Rio de Janeiro, apesar do aparente sucesso, apontam para essa tendência. Seus ouvintes estão muito mais interessados em ouvir piadas, game shows e coisas que eles estavam acostumados a ouvir, tipo Charlie Brown Jr., Guns N'Roses, CPM 22, Offspring e Mamonas Assassinas do que os verdadeiros nomes do rock.

A maioria dos comentários daqueles que comemoraram a volta das duas rádios se voltava mais para a irreverência de programas como "Sobrinhos do Ataíde", "Hora dos Perdidos" e "Pressão Total" do que por alguma volta do repertório roqueiro.

Em compensação, a cada dia internautas que defendem a 89 FM e a Rádio Cidade passaram a esculhambar os clássicos do rock, como Beatles, Who e Led Zeppelin, usando a desculpa de que "preferem rock novinho" que não cola sequer em músicos contemporâneos como Dave Grohl, Eddie Vedder, Noel Gallagher e James Hetfield, admiradores confessos do rock mais antigo.

ÊXODO ENVOLVEU DO ROCK DA BARATOS AFINS AOS BEATLES

Desde 1989, quando veio a onda de rádios comerciais rotuladas de "rock", quando várias emissoras pop embarcaram na onda e, sem fazer qualquer adaptação de perfil nem de linguagem, mudaram a planilha musical para o rock, limitando-se aos sucessos empurrados pela indústria fonográfica.

A suposta disposição dessas rádios em tocar bandas alternativas ou mais seminais ou viscerais de rock se dissolveu quando o espaço ao rock que não faz sucesso nas paradas era restrito a programas semanais de uma hora,  afastou muitos fãs de rock que já se sentiram constrangidos com a linguagem pop adotada pelos locutores e pelas vinhetas das emissoras.

Em 1994, a debandada envolveu muitos fãs de rock alternativo mais acessível, como Sonic Youth, Jesus and Mary Chain e Dinosaur Jr., o que fez a 89 FM - que tentou ser um arremedo de college radio entre 1993 e 1994, devido ao auge do modismo grunge - mudar a orientação, sem largar o rótulo "roqueiro", preferindo um "rock mais pop", entre um Offspring e um Guns N'Roses.

A 89 FM já havia sofrido, em 1988, o êxodo dos fãs de rock independente - Violeta de Outono, Fellini, Mercenárias e Voluntários da Pátria - depois que a emissora rompeu o acordo de divulgação das gravadoras independentes, como a Baratos Afins, só trabalhando com as grandes distribuidoras fonográficas.

Foi a grande debandada sentida nas rádios comerciais, depois que várias delas que irradiavam pelo resto do país - como a 96 FM, de Salvador, a Atalaia FM, de Aracaju e a primeira afiliada da 89 FM, em Recife - abandonaram o gênero, devido à baixa audiência.

Depois, ao longo dos anos 90, foi a vez das bandas mais antigas, como Deep Purple, Doors, Jethro Tull e Led Zeppelin estarem envolvidas no êxodo de ouvintes, juntamente com nomes oitentistas como Smiths, Siousxie and The Banshees e, pouco depois, Cult.

A debandada ainda se avançou quando fãs de Beatles, Rolling Stones e Who também pularam fora. Isso já no começo dos anos 2000. Isso enfureceu os produtores da 89 e Cidade, que passaram, na Internet, a esculhambar os clássicos do rock e a brigar com o público roqueiro, o que custou os mais de cinco anos de "suspensão" da programação "roqueira" das duas rádios.

Atualmente as duas rádios voltaram como meras alimentadoras de concertos internacionais de rock, mais pelo departamento comercial e pelas boas relações de seus donos com Roberto Medina e outros chefões da indústria de promoção de eventos internacionais do que por algum valor que elas tinham para a cultura rock que, sinceramente, é nenhum.

Apesar do aparente sucesso - se bem que abaixo do noticiado, num contexto em que rádios FM só conseguem ter, no máximo, 1/5 da audiência declarada no Ibope e outros institutos - , a 89 e a Cidade só estão sendo conhecidas mais pelos seus programas de humor, pelas promoções e pelos programas de jogos e perguntas.

Depois do alarde dado à reprise do programa "Invasão da Cidade", com a Legião Urbana, gravado em 1992, nada mais foi comentado de importante a respeito da volta da Rádio Cidade "roqueira". Em São Paulo, a 89 FM não consegue colocar o rock como principal referencial musical para a juventude, que continua mais voltada ao "funk ostentação" e ao "sertanejo universitário".

AGORA, O ÊXODO ATINGE OS FÃS DE NIRVANA, FOO FIGHTERS E PEARL JAM

E, agora, espera-se uma nova debandada. Além dos fãs de nomes como Iron Maiden, Metallica, Ramones, Clash e AC/DC saírem de fininho e romperem com as duas rádios, agora é a vez de fãs de bandas que eram carros-chefes das rádios comerciais "roqueiras" de 1989-1993, como Nirvana e Pearl Jam, caírem fora de vez.

Percebendo que o tempo comprovou a importância de grupos como Pearl Jam, Nirvana / Foo Fighters e Oasis, e pelo fato de que seus integrantes são admiradores de rock antigo e amigos de muitos veteranos - como a amizade de Dave Grohl com o ex-beatle Paul McCartney - , os fãs de rock dos anos 90 já começam a evitar as rádios comerciais "roqueiras".

Isso é tão certo que, certa vez, no Facebook, um engraçadinho lançou um "meme" - espécie de mensagem simplificada em arquivo de imagem - em que ficava surpreso com a semelhança entre o baterista do Nirvana e o cantor e guitarrista do Foo Fighters, ignorando o fato óbvio de que se trata exatamente da mesma pessoa.

Já dá para perceber que, daqui a cinco anos, até os fãs da Legião Urbana se esquecerão dessas rádios. Até porque o ouvinte-padrão da 89 e Cidade prefere o Charlie Brown Jr. que já tem seus mortos para admiração. E durante muito tempo os fãs de Charlie Brown Jr. esculhambaram a Legião Urbana, para só depois embarcar na saudade por Renato Russo.

E o Rock Brasil hoje migrou para rádios de MPB, coisa que só agora começa a ser parcialmente revertida com um programa sobre rock brasileiro veiculado pela Kiss FM, o programa BR 102, mas mesmo assim restrito aos nomes das grandes gravadoras.

Se os ouvintes da 89 e Cidade também acham que até Mamonas Assassinas é "puro rock'n'roll", já dá para perceber então qual será a próxima debandada. Só sobrará nos cardápios dessas "rádios rock" um Capital Inicial que atualmente está mais pop e se apresenta até em eventos com ídolos brega-popularescos.

sábado, 15 de março de 2014

ANTIGAMENTE GRUPO VOCAL ERA "CONJUNTO", NÃO "BANDA"


Preocupa a crescente estupidificação cultural brasileira, que se multiplica feito tumor maligno nas mídias sociais. E isso inclui tantas coisas, que só mesmo um jogo de cintura para combater todo tipo de irregularidade, aceitando o preço de sofrer "arranhões" pelo reacionarismo de muitos internautas.

Eu estava numa loja de discos de Copacabana e vi um disco de um grupo chamado The Diamonds, um grupo vocal dos anos 60. Não vou comentar aqui sobre o grupo, mas a verdade é que na capa do referido LP, fotografado pelo meu celular, há o termo escrito em destaque, em cor vermelha e caixa alta: "O mais estilizado conjunto vocal da América".


Nesta segunda imagem, eu fotografei o detalhe e, numa edição do Corel Photo Paint, destaquei a palavra "conjunto vocal", portanto o vendedor do disco não precisa se assustar com a marca, que só existe digitalmente aqui.

Hoje se chama conjunto vocal de "banda", numa grande amostra de bitolamento cultural de muitas pessoas. Se é um amontoado de pessoas envolvidas numa atividade musical, tudo virou "banda". Até um cantor e uns dançarinos que mal conseguem fazer um coro.

Isso, eu não canso de frisar, é um grande desrespeito às classes dos músicos, já que banda é, em português bem claro, coletivo de músicos, e portanto se refere a um conjunto musical que, pelo menos, tenha metade de seus integrantes como instrumentistas.

A burrice reinante que chama todo mundo de "banda", sobretudo por parte de pessoas que acham que todo coletivo de gente é "galera", cria verdadeiras aberrações, que se multiplicam em sítios consecutivos na Internet, vários deles bastante visitados por internautas.

Mesmo a deturpação do termo inglês band - que neste caso se refere a "bando", "grupo", num quase falso cognato, já que aqui o termo não se traduz como "banda" - parece desnortear muitos dos internautas metidos a sabichões mas cuja compreensão de inglês não vai além de um precário cursinho feito às pressas.

O vício de linguagem beneficiou até mesmo o Menudo, grupo vocal cujos integrantes não compunham, não arranjavam nem tocavam instrumentos. Fiquei estarrecido porque até um avoado crítico da revista de rock pesado Roadie Crew (?!) havia chamado o Menudo de "banda". Imagine então as Capricho e Atrevida da vida...

A falta de discernimento é generalizada, a gente reclama dessa situação grave e há quem não goste. Tem gente que acha que ser idiota é ser feliz. Em outros tempos, até o cidadão mais rasteiro sabia ter alguma capacidade de percepção. Hoje tem até universitário que comete burrices constrangedoras. Assim fica muito complicado viver neste país!!

quinta-feira, 13 de março de 2014

RÁDIO CIDADE NÃO TEM SERVENTIA PARA A CULTURA ROCK


Do contrário do que dizem as informações oficiais, a volta da Rádio Cidade ao rótulo "roqueiro" pouco diz ao fortalecimento da cultura rock, num contexto em que a 89 FM anda enfraquecida dentro do público roqueiro - ela só atrai fãs de pop juvenil que gostam de "rock mais comercial" - e não conseguiu colocar o rock acima sequer do "funk ostentação" no mercado jovem paulista.

Na verdade, a Rádio Cidade, hoje, não tem a menor serventia para a cultura rock. O retorno, ocorrido no dia 10 de março último, encontra uma situação muito diferente daquela de 1995 ou mesmo de 2006. E que está deixando a 89 FM, em São Paulo, com cara de rádio mofada e frouxa.

Em 2006, quando a Cidade e a 89 largaram o rock, a grande mídia ainda exercia sua supremacia sobre a opinião pública. Folha de São Paulo e Veja, já reacionários, ainda gozavam de alta reputação. A Internet estava incipiente e o mainstream da opinião pública estava nas mãos de internautas conservadores, muitos deles bastante reacionários, como os chamados troleiros (trollers).

Além disso, a redescoberta do rock mais antigo e mais alternativo na Internet era incipiente e praticamente restrita ao público estrangeiro. Hoje isso já se reflete muito mais no Brasil, e hoje até pessoas com menos de 25 anos são mais receptivas a nomes como Gentle Giant, Byrds e Seeds.

Naquela época, muitas pessoas não tinham exata noção do que era uma verdadeira rádio de rock e o que era uma falsa rádio de rock. Se tinha o rótulo "roqueiro", tudo era "verdadeiro". Além disso, a visão provinciana, que continua valendo hoje, era muito pior antes, porque qualquer questionamento ao "estabelecido" era alvo de represálias digitais.

Atualmente, o reacionarismo digital foi desmascarado, em boa parte se não por completo, e atualmente se tem mais liberdade para questionar o "estabelecido", até porque o possível reaça de plantão também tem mais risco de "levar uma surra" verbal de outros internautas.

Por isso, a Rádio Cidade volta sem o glamour esperado, apesar do "bom desempenho", como a 89 FM que joga sucessos do rock para fãs de Rihanna e Justin Bieber. Na Rádio Cidade, ocorrerá o mesmo de 1995, com a diferença que ela terá à frente a concorrência da Kiss FM que, em que pese algumas farofices do poser metal, se esforça em se aprofundar na cobertura do rock.

RÁDIO DE ROCK EXIGE PERSONALIDADE, NÃO SÓ "VITROLÃO"

Os tempos são tão outros que as fórmulas adotadas pelo rádio há muitos anos atrás, ainda lançadas como se fossem "novidade" e bajuladas até pelas colunas e portais de rádio do Brasil, são hoje mofadas. O "Aemão de FM", por exemplo, teria sua razão de ser há 40 anos, e hoje nem a linguagem "renovada" da Bradesco Esportes FM consegue atrair audiência.

A baixa audiência, ocultada por um Ibope que ainda mostra rádios com "100 mil ouvintes" - índice inalcançável no contexto de crise midiática de hoje - , já faz diversas rádios demitirem funcionários, o que já ocorreu, no Rio, com emissoras como Bradesco, Band News, Globo e Tupi, apesar de seus "excelentes" pontos de audiência oficiais.

Dentro desse quadro, se a Rádio Cidade e a 89 FM pareciam muito velhas em 2006, hoje parecem tão mofadas que o jeito é elas assumirem que adotam um perfil "mais comercial" e "jovem". Elas desistiram de serem consideradas emissoras "radicalmente rock", depois da gafe de um enfurecido "Roger Strauss", reacionário ex-produtor da Cidade, ter dito que odeia os clássicos do rock.

Mas o contexto em que as duas rádios se encontram é ainda mais distante do universo roqueiro do que se imagina, o que recomenda que elas não mais estejam vinculadas no contexto de rádios de rock, mas no de rádios de pop.

Isso se explica pelo fato de que a linguagem e a mentalidade da Cidade e 89 não diferem muito de uma Mix, Jovem Pan 2 e Transamérica (esta ainda mais decadente, voltada a atender interesses pessoais de DJs e dirigentes esportivos - seu dono e banqueiro Aloísio Faria é amigo de Ricardo Teixeira).

Rádio de rock não se faz só com "vitrolão roqueiro" ou coisa parecida. Também são insuficientes artifícios como vinhetas em que alguém fala a palavra "rock" como se estivesse arrotando, ou um logotipo esperto que coloca esta mesma palavrinha mágica de quatro letras em destaque. Do mesmo modo, são inúteis também declarações de locutores, produtores e gerentes artísticos neste sentido.

MICHAEL JACKSON, JONAS BROTHERS, PINK

O que a Rádio Cidade e a 89 FM têm que encarar e assumir é que seu contexto não tem mais a ver com radialismo rock, mas com o radialismo pop mais convencional. Elas estão num contexto em que Michael Jackson é consagrado na posteridade por ter gravado "Beat It" e "Black or White", e um sem-número de ídolos teen alternam popices dançantes com canções levemente roqueiras.

Hoje fãs de Iron Maiden, AC/DC, Van Halen e outros, mesmo nomes como Ramones e Clash, não querem mais ouvir rádios como a Cidade e a 89, porque elas só tocarão aquilo que já está mais manjado nos discos que esses fãs possuem há anos em suas coleções. Até fãs como os de Oasis, Pearl Jam, Blur e Foo Fighters, só para dizer os mais recentes, estão se afastando dessas rádios.

O que a Cidade e a 89 fazem é apenas tocar um roquinho "acessível" para fãs de pop. Isso é tão claro que, na volta da Cidade, pouco se falou fora a reprise do "Invasão da Cidade" com a Legião Urbana (programa que foi ao ar quando a Cidade ainda tocava Michael Jackson e Madonna na sua programação).

As duas rádios são uma espécie de "Restart radiofônico", e isso nada tem de calunioso. Vá ouvir programas como "Hora dos Perdidos", "Esquenta", "Pressão Total" ou mesmo o "Temos Vagas", e a analogia ideológica com a banda de Pe Lanza é exatamente a mesma.

Enquanto isso, é uma tendência mundial que essa abordagem das duas rádios reflita muito mais o que nomes como Demi Lovato, Jonas Brothers, Shakira, Pink, Kelly Clarkson, Avril Lavigne, o seriado Glee ou mesmo Britney Spears cantando "I Love Rock'n'roll".

Lá fora, existe um público que coloca Offspring e Limp Biskit e Jennifer Lopez e Beyoncé na mesma coleção de CDs e essa realidade já existe há um tempo. O próprio Jay Z que é marido e parceiro de Beyoncé também gravou disco com o Linkin Park, banda similar ao Limp Biskit.

Ninguém posa de roqueiro-jaquetão. Não faz mais sentido aquela atitude contraditória da Rádio Cidade alternar um astral "baixo Gávea" ensolarado e alegre e um mau humor muito mal copiado de gangues de motoqueiros heavy. Ninguém aguenta mais essa atitude barra-forçada, de um radicalismo roqueiro que na verdade não existe.

Portanto, se a Rádio Cidade queria ser conhecida como a rádio que fez história na cultura rock, é bom esquecer. Mesmo as posturas condescendentes com essa fantasia toda, ditas por muita gente boa, se apagarão ao longo do tempo. A verdade não está no que a publicidade do rádio, nem sempre verídica, diz ou quer nos fazer crer. Hoje temos posturas cada vez mais céticas e críticas sobre o setor.

A Rádio Cidade, pelo menos, não voltou com a palavra "rock" no logotipo. Melhor assim. Até porque o que voltou não foi uma rádio de rock, aliás uma coisa que a Cidade nunca foi realmente. O que voltou é novamente uma rádio pop que toca sucessos do rock. E que não supre sequer as necessidades básicas dos fãs de rock, mesmo os mais iniciantes.

terça-feira, 11 de março de 2014

NO PAÍS DAS CASADONAS, MITO DO "PAÍS DAS ENCALHADAS" CAUSA DESCONFIANÇA

CAROL CASTRO E FERNANDA MACHADO, DUAS DAS CASADONAS DE 2014.

2014 virou o ano das mulheres comprometidas, várias delas se casando de surpresa, que, pelo menos no caso do Brasil, o mito do "país das encalhadas" e das "musas" que "dão mole solteiras na pista" causa muita, muita desconfiança.

Isso pega tão mal nas "pobres mortais" que, nas badalações e festas da vida - do Carnaval à noitada numa boate - , recusam todo tipo de assédio masculino para depois posarem de "encalhadas" para a imprensa e para as mídias sociais, quanto às "musas" vulgares que arrogantemente se passam por solteiras geralmente escondendo o verdadeiro estado civil.

O jornal Extra, do Rio de Janeiro, recentemente falou de uma funqueira - uma "mulher-fruta" com "nome de carne" - que estava "solteira na pista". É a mesma que, pouco tempo atrás, trocava declarações apaixonadas para o marido, mas foi orientada pouco depois pelo seu empresário para "se separar dele", ao menos aos olhos da sociedade.

A relação, dizem, continua firme, do contrário de informações oficiais. A funqueira tem que trabalhar uma personagem "solteira", porque o marido foi preso por causa de uma encrenca e a relação prejudicaria a imagem publicitária da referida senhora.

É só um exemplo, para ver o que é o tendenciosismo das falsas solteiras. É pior do que o ditado popular da esmola ao santo. Folionas "encalhadas", "popozudas" supostamente "solteiras", tudo isso não passa de uma grande farsa, até mesmo o mito de que o Brasil terá "mais mulheres" e "cada vez mais solteiras", isso com uma crescente estatística de mulheres mortas por violência ou acidentes.

Quanto às pseudo-solteiras, nota-se até um comportamento estranhamente arrogante. Como uma mulher pode ficar feliz por ser "encalhada"? Como ela pode estar alegre porque "os homens fogem dela"?

É como uma pessoa que perdeu o trem e está feliz porque chegará atrasada ao trabalho. Simplesmente ridículo. E isso acaba pegando mal nas "boazudas" em geral, tanto que já existem paniquetes e "musas do Brasileirão" que foram liberadas namorarem. No país das casadonas, "boazuda" metida a "encalhada feliz" fica em baixa no "mercado" e o que encalha mesmo são as revistas com fotos "sensuais" dela.

KATHARINE MCPHEE E STACY KEIBLER.

Enquanto isso, a realidade mostra o contrário. Seja no Brasil e no exterior. No exterior, temos casos recentes como Stacy Keibler (esta ex-namorada de George Clooney), que se casou com um empresário de sobrenome esquisito - Jared Pobre - e Katharine McPhee, que engatou um casamento com um diretor que a fez separar de outro marido dela.

No Brasil das funqueiras que dão beijinho nos ombros dos fãs - porque na vida particular elas dão beijo na boca de seus maridos - as atrizes, modelos e jornalistas se casam com muita facilidade. Carol Castro e Fernanda Machado são alguns dos destaques deste ano, que teve também Giselle Itié e algumas outras.

Mesmo assim, também há a ressaca do atual casamento de Renata Vasconcellos, jornalista que atualmente apresenta o Fantástico da Rede Globo, ou da estabilização das relações de muitas casadas por aí, aqui e lá fora, incluindo Jessica Alba e Natalie Portman cujos estados civis atuais são de nos fazer chorar.

Portanto, é de desconfiar o mito do "país das encalhadas" atribuído ao Brasil. Primeiro, porque as famosas brasileiras seguem a tendência mundial das comprometidas. Segundo, porque o "mercado" no Brasil é muito mais fechado, mesmo.

Esse negócio de "muitas solteiras" e "muitas encalhadas", estranhamente felizes por estarem "sozinhas", não passa de armação publicitária para blocos carnavalescos, para o mercado hoteleiro e outras empresas que se alimentam das fantasias sensuais do turismo brasileiro.

Até o IBGE e seu método "Emílio Garrastazu Médici" de contar as pessoas - omitindo um cem número de homens "muito negros e muito pobres" e contabilizando mulheres que já morreram - segue esse mercado da ilusão que insiste em se impor à realidade. Até o momento em que a realidade, de tão cruel, não puder mais ser substituída pela fantasia.

segunda-feira, 10 de março de 2014

CINCO ANOS DE BLOGUE


Chegamos aos cinco anos de um blogue que surgiu para dar um diferencial à abordagem que outros blogues faziam na época, ainda acomodados com o status quo midiático e cultural.

É verdade que O Kylocyclo surgiu bem mais impulsivo do que antes, com uma pauta ainda mais polêmica. E, além disso, a própria noção de blogue ainda estava engatinhando, tanto que o termo nem era abrasileirado, sendo conhecido pelo inglês "blog", que até hoje vários utilizam.

A linha editorial de O Kylocyclo se transformou muito. Leal à sua filosofia, adotou uma linha mais realista com o passar do tempo, desvendando mais as armadilhas sócio-culturais traçadas pela mídia, e divulgando fatos relacionados à cultura popular e à cultura alternativa.

A trajetória não foi fácil, afinal durante tempos enfrentamos a trolagem, de alguns infelizes que defendiam o estabelecido na mídia, no entretenimento e na política, gente reacionária que se esconde em mensagens desrespeitosas e bastante agressivas. Tivemos que transferir o espaço de mensagens para o Twitter.

Mas como diz o ditado, os cães ladram e a caravana passa. A nossa caravana está passando, até quando for possível, e O Kylocyclo segue sua trajetória como um dos espaços em que o status quo social, cultural e midiático são questionados sem medo nem conveniências.

Agradecemos sobretudo a vocês, leitores, pelo sucesso do blogue e a força de amigos como Marcelo Delfino, Leonardo Ivo, Marcelo Pereira e Marcos Niemeyer que deram o total apoio. A eles e aos leitores deste blogue, muito obrigado!!

sábado, 8 de março de 2014

O GLOSSÁRIO DA FALSA SOLTEIRA


Muito cuidado. Tem muita pseudo-solteira por aí. Como foi provado no último Carnaval e ocorre também nos agitos noturnos e no "submundo" das "subcelebridades", inclusive algumas "musas" popularescas que estão por aí posando de pretensas solitárias por orientação de seus empresários.

Muitas dessas mulheres estranhamente se dizem "encalhadas" com um certo orgulho e alegria. Várias querendo esconder seus namorados ou até maridos - talvez por serem muito durões - e outras que ficam fazendo beicinho diante dos assédios masculinos, se passando por "difíceis" para depois reclamarem por aí (e também pelo Facebook) que "os homens têm medo delas".

Mas, aliando mensagem subliminar e pretensiosismo barato, vamos aqui mostrar um glossário das pseudo-solteiras, para que os homens que queiram comemorar o Dia Internacional da Mulher procurando alguma moça não caiam em armadilhas, desilusões ou, na "melhor" das hipóteses, tédio e aborrecimentos.

Note-se que muitas dessas pretensas solteiras não vão dizer, na cara dura, "sou solteira", salvo exceções. Na verdade, usam a expressão "estou solteira", mais momentânea, porque dizer "sou solteira" seria forçar a barra demais, embora realmente muitas pseudo-solteiras são de forçar a barra mesmo.

Portanto, aqui vão os jargões ditos pelas pretensas "solteironas" e o que realmente significam essas expressões, por trás da retórica. Muitos são eufemismos ou elipses que escondem o verdadeiro sentido que tais mulheres não querem dizer para não abrir o jogo e deixar a máscara cair:

"ESTOU SOLTEIRÍSSIMA" - O "refrão" dito até mesmo por muitas funqueiras significa, na verdade, que a mulher que diz essa frase teve alguma discussão com o namorado ou o marido, e que vai passar o fim de semana desacompanhada. "Solteiríssima" não quer dizer, do contrário que parece, estar "livre, leve e solta", mas simplesmente ir e vir sem a companhia de qualquer homem.

"ESTOU SOLTEIRA NA PISTA" - A mesma coisa que antes, só que num contexto mais específico. Significa que a mulher, que não está realmente solteira, apenas vai curtir a festa sozinha, dançar sem que viva alma masculina possa dar assédio ou acompanhá-la na volta para casa. Na prática, a frase quer na verdade dizer "estou fechada comigo mesma esta noite".

"ESTOU FAZENDO AMOR COM VIBRADOR" - A frase dá a falsa ideia de que a suposta "solteirona" não tem pretendentes e sua vida amorosa não acontece. Mas o sentido oculto da frase indica tão somente um estado de abstinência sexual, talvez porque a moça em questão está longe do marido ou do namorado. O comentário, aliás, é estúpido e grosseiro demais para uma mulher que realmente está solteira tenha coragem de dizer.

"SOLTEIRA E FELIZ" - A expressão é apenas um eufemismo para a pseudo-solteira dizer que está desacompanhada e alegre numa determinada ocasião. Nada de felicidade por estar solitária e sem qualquer parceiro. Às vezes é uma funqueira ou uma "boazuda" qualquer que segue seus compromissos profissionais longe de seus namorados e maridos, "guardados" no anonimato da pseudo-separação para que não se envolvam na exposição a factoides e outros sensacionalismos.

"ESTÁ FALTANDO HOMEM" - Declaração dada por muitas jovens moças nos agitos noturnos e eventos como micaretas, vaquejadas, Carnaval e "bailes funk". Mas a verdade é que essa frase é ao mesmo tempo um eufemismo e uma elipse. Sendo elipse, que é um recurso gramatical que esconde certos adjetivos, o termo tem o mesmo sentido de quem diz "eu não bebo" quando quer dizer que não bebe álcool.

O termo, portanto, quer dizer "está faltando homem elegante", e é dito por muitas moças que se passam por "encalhadas" mas são constantemente assediadas por rapazes que não lhes agradam. A questão não é realmente não haver homens, mas de não haver homens considerados educados e atraentes o bastante para alguma conquista amorosa.

sexta-feira, 7 de março de 2014

ALCEU VALENÇA DENUNCIA: MICHAEL SULLIVAN QUIS DESTRUIR A MPB


A entrevista se deu há alguns dias e, aparentemente, não foram dados nomes aos "bois". Mas a denúncia que Alceu Valença deu sobre o esquema de jabaculê das gravadoras e da rádio deixou pistas que levam seguramente a um de seus principais acusados: o compositor, cantor e produtor Michael Sullivan.

Na entrevista divulgada no último dia 04, Alceu acusava a RCA (selo da então BMG-Ariola, hoje integrante da Sony Music) de cooptar artistas para enfraquecê-los e abrir caminho para novos ídolos da música brega. O esquema de corrupção, segundo Alceu, estava ocorrendo em 1987, embora sabemos que ele era bem anterior.

Naquela época, era o auge da indústria de sucessos da dupla Michael Sullivan e Paulo Massadas. O diretor artístico da RCA era o também músico e produtor Miguel Plopschi, que, como Sullivan, fazia parte dos Fevers, grupo da Jovem Guarda que depois optou para o caminho da música brega e para a imitação de modelos impostos pelo pop comercial dos EUA.

Alceu reclamou que ele, Chico Buarque, Fafá de Belém e outros artistas - como Gal Costa, que numa entrevista disse que se arrependeu de ter gravado "Um Dia de Domingo" - eram contratados para "ir para a gaveta", apenas abrindo caminho para ídolos mais submissos ao esquema de produção de música brega.

O esquema funcionava da seguinte forma: os ídolos abriam mão de seus estilos para gravar canções mais comerciais, incluindo a possibilidade de gravar alguma composição de Sullivan e Massadas ou de ter Sullivan como produtor e arranjador - como no caso de Nando Cordel - , em troca de benefícios que incluíam hospedagem em hotel cinco estrelas e concessão de apartamentos de luxo.

Michael Sullivan havia cooptado outros artistas de MPB, como Raimundo Fagner, Roupa Nova e Alcione, que comodamente se tornaram sucesso quando se submeteram a gravar canções comerciais de molde norte-americano, dentro do modelo pasteurizado que ele comandava como produtor de discos.

A denúncia de Alceu é muito grave e é feita num momento em que Sullivan tenta se reabilitar e se passar por "gênio da MPB", tentando apagar o passado brega. Um tendencioso CD de tributo "emepebista" a Sullivan e Massadas foi produzido e lançado há alguns meses. Há também um lobby intelectual que tenta promover uma imagem "positiva" de Michael Sullivan nos dias atuais.

quinta-feira, 6 de março de 2014

ÍDOLO DO ARROCHA, KART LOVE ADMITE QUE CANÇÃO DE GUNS N'ROSES É BREGA


Que o arrocha é uma bosta, isso é verdade. Como todo ritmo do brega-popularesco que fica sempre entre o ruinzinho e o pior, embora haja gente que ache algumas tendências o máximo (inclusive algumas bem piores).

Mas neste caso vamos dar razão a Kart Love, o ídolo do arrocha baiano - que no âmbito nacional deixa de ser derivado da axé-music para ser parceiro do "sertanejo universitário" - , quando, ao saber das críticas às letras do arrocha, ele citou como exemplo de letra brega a música "November Rain", xaroposa balada do grupo norte-americano Guns N'Roses.

Isso lembra o que eu e meu irmão sempre conversávamos, depois das zapeadas pelo rádio e quando, em Salvador, aquela rádio pseudo-roqueira 96 FM tocava "November Rain" no seu anoréxico playlist (só hit-parade da linha "pop rock").

"Parecia José Augusto", eu comentava, sem hesitar. O Guns N'Roses só é "rock clássico" para aqueles que ainda não tiraram as fraldas ainda, mesmo já com barba na cara. E "November Rain", francamente, é uma das mais xaroposas do grupo.

terça-feira, 4 de março de 2014

CARNAVAL E AS FALSAS SOLTEIRAS "NA PISTA"


Uma das grandes mentiras do Carnaval é o marketing sexual sutil, aquele que não traz a pornografia escancarada, mas atiça as fantasias amorosas dos homens, e o evento é um bom momento para se lançar o mito das "mulheres encalhadas" e da suposta falta de homens na folia.

Recentemente, o portal Terra mostrou um grupo de moças que reclamou da "falta de homens" e até exagerou na carência, dizendo que "este ano está pior". A mentira, além de mantida, passa a ser exagerada, sobretudo na Bahia, onde o que falta não são homens, mas homens atraentes do tipo Reinaldo Giannechini e Rodrigo Santoro.

Se as moças dissessem que está faltando galã no Brasil, seria muito mais sincero. Talvez a gente até entenda o termo "está faltando homem" como um eufemismo, do tipo "eu não bebo", referente ao ato de beber álcool. Neste caso, "está faltando homem" não significa que falte realmente homem, mas falta certos tipos mais aceitáveis e interessantes de homens.

Para reforçar ainda mais a farsa, as funqueiras "solteiras" que na verdade são senhoras bem casadas já voltaram a dizer que "estão solteiras na pista". Tudo para manter seus maridões - muito "durões" demais para aparecer na mídia associados a suas fiéis esposas - na privacidade, à margem dos factoides que servem para a autopromoção das distintas senhoras.

Todo esse falso cenário de solteirice serve apenas para reforçar o sexo como mercadoria, em eventos específicos. Se existissem realmente mulheres solteiras, o assédio não se resumiria a eventos festivos, seja o Carnaval, sejam as noitadas do dia a dia, mas se ampliariam a ambientes diversos, inclusive universidades, bibliotecas, praças públicas.

Daí que estimular a fantasia é muito fácil. A fantasia é "mais realista", diz o incauto sonhador. Daí que podemos seguramente adaptar o ditado popular para o seguinte: "Quando a esmola é tanta, o santo desconfia, o brasileiro diz amém".

segunda-feira, 3 de março de 2014

MAIOR HIT DO CARNAVAL BAIANO É UMA MÚSICA "CANSADA" DO PSIRICO


Só mesmo o marketing midiático para definir a música "Lepo Lepo", do grupo baiano Psirico, como o maior hit do verão brasileiro, e uma das músicas mais executadas do país. Os comentários aparentemente elogiosos não condizem com o que realmente representa esse sucesso.

Tive uma oportunidade de passar por uma loja de departamentos que estava tocando a tal "canção" e fiquei estarrecido com o que realmente é esse sucesso: uma música "cansada", sem qualquer vigor, uma composição forçada que está muito mais para réquiem do Carnaval baiano, já em franca decadência.

O Psirico sempre foi muito ruim, e eu pude conferir isso passando por locais onde seus sucessos eram lançados, desde a tal da "Sambadinha". Mas poderia-se admitir que o Psirico, por pior que fosse, ainda tinha energia, tinha algum pique.

Já "Lepo Lepo" mais parece um sucesso de um ídolo em fim de carreira, uma música cansativa, entediante, que só se torna "vibrante" sob a combinação de persuasão midiática com consumo de álcool, para não dizer outras "merendas".

Que o "pagodão" sempre foi ruim, isso é verdade. Desde o É O Tchan. E muitos sucessos do "pagodão" baiano se baseavam no "conflito" entre vocal e ritmo, com o vocal tentando ser mais rápido num ritmo que parece ir mais devagar.

Mas é impressionante, no pior sentido do termo, que o Psirico pareça cansado e melancólico com seu "Lepo Lepo", pelo menos a gravação de estúdio que virou música de trabalho nas FMs de brega-popularesco do país, e o pessoal não perceber isso de forma alguma.

A impressão que se tem, ouvindo "Lepo Lepo" sem estar "alto" ou "ligadão", é que a música mais parece um hino de despedida da axé-music, e atualmente é a derradeira aposta do ritmo baiano que já perdeu a supremacia brasileira - um dos símbolos da Era FHC, com Antônio Carlos Magalhães como "co-piloto" no governo tucano - e agora se desgasta até mesmo na própria Bahia.

É até irônico que, na Bahia, o grupo de Márcio Victor parece desgastado fora da órbita popularesca, enquanto o cantor Raul Seixas, falecido há 25 anos, se revigora no gosto de pessoas mais jovens - muitas delas nunca conheceram o roqueiro baiano enquanto vivo - que cada vez mais lotam o Palco do Rock de Salvador.

Se o Psirico já parece muito cansado e decadente, imagine então os medalhões Ivete Sangalo, Durval Lélis e Bell Marques, ou então a impopular Cláudia Leitte, todos voltando sua axé-music apenas para um bando de riquinhos deslumbrados.

A Bahia segue a tendência do Norte e Nordeste em geral, que começa a reagir ao brega-popularesco que em nada acrescentou às suas tradições culturais, e só produziu um engodo de sucessos comerciais com temas voltados ao sexo abusivo e à bebedeira, feitos com vocalistas, músicos e composições ruins.

Só mesmo o Sul e Sudeste, que passa a "conhecer" as maravilhas do coronelismo midiático - vide a ascensão midiática do "funk" - , é que não percebe a decadência da axé-music em Salvador. Da mesma forma, os barões da grande mídia lutam para dar a falsa impressão que a axé-music continua sempre no auge. Propaganda puramente enganosa, apesar de verossímil.

sábado, 1 de março de 2014

PALCO DO ROCK DE SALVADOR CHEGA AOS 20 ANOS DE EXISTÊNCIA

O MAIOR MOTIVO DA PERMANÊNCIA DO PALCO DO ROCK - O PÚBLICO.

Nada de "Lepo Lepo" nem da choradeira de ver Bell Marques se despedindo do Chicletão. O que realmente faz sucesso em Salvador, numa axé-music que parece encerrar seus grandes dias, é o Palco do Rock de Salvador, evento paralelo e divergente ao Carnaval baiano, que celebra 20 anos de existência.

O Palco do Rock foi um dos primeiros lugares onde a cantora Pitty, então um nome emergente do cenário baiano, se apresentou. É também um lugar estratégico para divulgação de novas bandas de rock na Bahia e em outros Estados brasileiros, incluindo o Nordeste restante, que já não suporta mais a supremacia de "forró eletrônico", tecnobrega e similares.

Firmando a cena roqueira na cidade, o Palco do Rock é montado na praia de Plakafor, próxima a Itapuã, na orla marítima de Salvador. Eu e meu irmão já fomos a algumas edições do evento e era bem legal.

É verdade que, em algumas edições, alguns encrenqueiros, provavelmente "capangas" de blocos carnavalescos, tentaram invadir a plateia e causar tumultos, mas depois até isso acabou e o rock de várias bandas era tocado com o público em sua pacífica interação.

Eu mesmo vi, nas apresentações de bandas punk, que a "coreografia" de muitos fãs, simulando cotoveladas e chutes, na verdade era apenas encenação, e, quando um cara batia, de leve, um cotovelo no meu braço, ele pedia desculpas educadamente. Atitudes assim não se vê nos "pacíficos" eventos popularescos!

É claro que nem todas as bandas são boas. Às vezes aparecem aqueles grupos daquela linha pop-rock pseudo-punk, com um discurso confuso que só os leigos entendem como "conscientizado". Também o evento poderia sair um pouco da linha barulhenta do punk e do metal, sem exclui-los, é claro, porque eles também têm sua importância e seu público cativo. Deveria incluir também bandas mais melódicas.

Mas essas queixas são pequenas. O que se sabe é que a cultura rock se recupera aos poucos, tanto no Sudeste e no Sul quanto no Nordeste, numa clara reação à bregalização que chegou ao ponto de se autoproclamar como "vanguarda", só porque levava vaia da plateia. Só que ninguém vira gênio porque é vaiado.

Se a nova força do Rock Brasil ainda não mostrou um novo grande porta-voz como foram Raul Seixas, Cazuza e Renato Russo, é só uma questão de tempo. E o grande público que comparece ao Palco do Rock, bem mais pacífico enquanto há muitos encrenqueiros na "festa-família" da axé-music, mostra o que realmente tem força no cenário cultural de Salvador.