terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

TATUAGEM E MAU GOSTO MUSICAL NÃO DEIXAM A QUARENTONA MAIS JOVIAL


As mulheres da minha geração estão quase todas com problema. Umas mantém a aparência, mas deixam de ser graciosas e sensíveis. Muitas não assumem a idade, envergonhadas com os estigmas da meia-idade.

Há outras que são até bem bacanas, a não ser na condição conjugal, em que arrastam seus casamentos de comercial de margarina com maridões sem graça, só porque eles possuem alguma posição de liderança, de diretor de TV a CEO (Chief Executive Officer) de uma empresa.

E lá estão eles, com seus ternos e gravatas de sempre, sua aparência insossa e seu pedantismo cultural, ao lado de suas esposas atraentes, nas rotinas que não têm graça e talvez não tenha muita serventia, mas mesmo assim se estabelecem firmemente numa aparente união estável.

Outras mulheres possuem uma aparência mais envelhecida, mas em compensação, são infantilizadas, como nesses contrastes comparáveis a de um refrigerador que, para ser congelado por dentro, precisa ser aquecido por fora. E são essas que, em maioria, sobram entre as solteiras acessíveis.

Mas, independente dessas mulheres serem fora de forma - quarentonas com "corpinho de 60" e "QI de 12" - ou não, quando há alguma aparência atraente mas algum aspecto desagradável por dentro da "boa embalagem", é este aspecto que ainda desagrada, sobretudo o mau gosto musical.

Essas mulheres acham que basta tatuar uma florzinha ou uma borboleta, geralmente no ombro ou na barriga, mas em qualquer outra parte do corpo (até nas partes íntimas), para parecer moderna e jovial, e muitas vezes isso soa extremamente o contrário, parecendo mais afetação do que modernidade.

Há também mulheres que, depois dos 40 anos, adquirem frescuras como o fanatismo religioso, o fanatismo esportivo, às vezes certos chiliques moralistas, que destoam das personalidades modernas e arrojadas que tinham na adolescência, e que as faziam muito, muito atraentes.

O pior aspecto, então, é o gosto musical. Imagine mulheres assim, que tiveram a oportunidade de conhecer U2 e Legião Urbana - só para dizer o trivial - e, de repente, "descobriram" Luan Santana, Exaltasamba e Bruno & Marrone, e assediam os rapazes desejados por elas (que possuem gosto musical mais apurado) ameaçando levá-los para apresentações de Psirico (argh!).

De repente, essas moças, que viveram plenamente a década de 80, só se lembram dela através das tolices recordadas pelo Ploc 80's, como Dr. Silvana & Cia, Absyntho / Silvinho Blau Blau, Dominó e Menudo, coisas que eram para quem era criança ou pré-adoelscente naqueles anos, não para pessoas que, com 15 anos, passavam a mergulhar fundo no Rock Brasil.

Será que ser jovial e moderno virou sinônimo de ser ridículo? Nos anos 80, eu, lendo a revista Bizz e ouvindo a Fluminense FM, sabia que havia uma MPB de qualidade e um rock de verdade, e hoje o pessoal acha até uma tolice tipo Mötley Crüe legal. Pode isso?

E aí nossas quarentonas seguem a onda, muito mal voltadas a uma jovialidade que é mais tola do que simpática e divertida. Antes fosse uma moça que curtisse Bossa Nova e jazz dos anos 50 e tivesse uma descontração da linha das "garotas do Alceu Penna", aquela seção de historietas que havia na revista O Cruzeiro.

Antes moças que prefiram ouvir uma cantora falecida há muito, muito tempo, como Silvinha Telles (1934-1966) do que uma Ivete Sangalo e seu repertório sem pé nem cabeça. Antes condenassem o "funk carioca" e preferissem músicas feitas por músicos, ou seja, que valorizassem os instrumentos musicais, os arranjos e melodias.

Seria muito bom encontrar moças da minha geração que, solteiras, disponíveis, receptivas e carinhosas, possam ao menos ter um gosto musical mais decente e curtam coisas interessantes, sem sucumbir a um beatismo religioso, a um fanatismo futebolístico ou outras frescuras e bobagens supérfluas.

Que sejam moças que leiam bons livros, vejam bons filmes, procurem cuidar de corpos e mentes, e que não se sintam desnorteadas pelos modismos de hoje. Que elas se lembrem de quando elas eram muito bacanas e apaixonantes quando eram adolescentes. Basta apenas atualizar e adaptar aos contextos atuais esse passado brilhante. Sem Ploc 80, rock farofa, brega, beatismo nem futebolices.

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