sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

ROQUEIROS, ESQUEÇAM A RÁDIO CIDADE!!

EDIÇÃO DE IMAGEM COM O NOVO LOGOTIPO DA RÁDIO CIDADE - Historicamente, a emissora carioca está vinculada a nomes pop como Donna Summer, Bee Gees e Michael Jackson.

Daqui a uma semana, a Rádio Cidade volta a assumir seu nome nos 102,9 mhz do Rio de Janeiro, depois de oito anos. Nesse intervalo, a emissora se chamou OI FM, Jovem Pan 2 e apenas 102,9 FM. A emissora voltará com logotipo inédito e sem vínculo, ao menos profissional, com a 89 FM, como se imaginava antes que iria ocorrer.

Até agora, é um mistério o novo perfil da rádio. Mas seria muito melhor que o público roqueiro esquecesse de vez a Rádio Cidade e parasse de incluir a emissora em qualquer discussão de como o rock se revitalizará no rádio.

A cultura rock já está sendo abordada, com certa eficiência, pela Kiss FM, que anda equilibrando o repertório do rock contemporâneo com muitos clássicos antigos. E a programação roqueira voltou à Rádio Fluminense, desta vez sob a frequência 540 AM, esperando alguma frequência em FM para voltar.

Os tempos são outros. Quando a maioria dos internautas tinha uma mentalidade mais provinciana - devemos admitir, até boa parte de paulistas e cariocas sofrem de um certo bairrismo matuto - , a Rádio Cidade e a 89 FM eram as "maiorais" no segmento rock.

Enquanto grupos de rock clássico retomavam suas atividades ou eram apenas redescobertos por fãs mais jovens, lá no exterior, aqui produtores e ouvintes da Cidade e 89, de forma violenta e arrogante, preferiam acreditar que rock era sinônimo de Guns N'Roses, Offspring, Mamonas Assassinas e só um pouco além disso.

Tinha até um reacionário produtor da Cidade, que usou o codinome de Roger Strauss, que feito um Olavo de Carvalho roqueiro disse que as rádios de rock brasileiras não tinham a mesma responsabilidade que as rádios estrangeiras.

Pior: ele e seus asseclas acreditavam que radialista de rock não deveria gostar do gênero para ser "mais profissional". Atiraram nos próprios pés. Afinal, as mais comezinhas teorias ligadas ao mercado de trabalho sempre recomenda que um bom profissional é aquele que gosta daquilo que está fazendo, e não o contrário.

Em outras palavras, a competência não está no distanciamento da causa trabalhada, mas de sua maior proximidade. Daí que as rádios 89 e Cidade se queimaram, desmoralizadas pelo reacionarismo medieval de seus fanáticos defensores. Breganejos, sambregas e funqueiros estão muito felizes com gente tipo Roger Strauss.

A 89 FM voltou, mais como parceira da indústria de eventos internacionais liderada por Roberto Medina que como "rádio rock que fez história". Até porque o bom (mas não ótimo) desempenho de audiência da 89 se deve muito mais a não-roqueiros interessados em ouvir Guns N'Roses e Linkin Park do que de roqueiros que percebem que a 89 discrimina 99% do rock de verdade.

Até lá em São Paulo a Kiss FM dá um banho. E o roqueiro autêntico, bastante informado, não quer ouvir apenas o feijão-com-arroz de qualquer rádio e nem mesmo o pão-com-água da 89, porque ele não está aí para ouvir uns meros sucessinhos de pop-rock dez vezes ao dia nem para aceitar locutores que falam igualzinho os de qualquer rádio "poperó".

Daí que não faz sentido os roqueiros falarem em "volta da Rádio Cidade". Esqueçam a rádio. A rádio foi muito mais feliz quando abordava o rock. Nem todo mundo é competente para qualquer coisa, e a Cidade, como "rádio rock", foi um vergonhoso desastre, com locutores engraçadinhos e repertório musical bastante preconceituoso e caricato.

Quem conhece rock e radialismo rock é que sabe bem disso. Se a Cidade voltar como "roqueira", é só para atrair fãs de One Direction, Justin Bieber e Miley Cyrus. Eles é que, em São Paulo, estão botando a 89 em boa colocação no Ibope por ouvirem Linkin Park, Young Guns e CPM 22, que na essência não muito diferentes do pop dançante que rola nas FMs convencionais.

Portanto, vamos esquecer a Rádio Cidade. Acabou. Os 102,9 mhz não têm a menor serventia para a cultura rock. Vamos sepultar a Rádio Cidade de nossas mentes e partir para outra. Basta termos boa vontade, coragem e, acima de tudo, respeito com nós mesmos na busca de coisas melhores, sem submetermos ao que a grande mídia quer que a gente faça ou siga.

Sigamos nosso próprio caminho, desejando sempre o melhor para a cultura rock e riscando a Rádio Cidade de nossas mentes. Deixemos ela para lá.

Nenhum comentário: