sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

PESSOAS DE IDADE ÀS VEZES NÃO RECONHECEM SEUS REAIS LIMITES


Quem tem mais de 45 anos, ou está perto disso, mais precisamente entre as pessoas nascidas entre 1950 e 1974, não sabem mesmo os limites verdadeiros para suas vidas. Às vezes, zelam demais pelas limitações de humor e energia física, quando não deve, mas em outras, ultrapassam as limitações quando não se é adequado ultrapassar.

Não falo daqueles "coroas" que procuram ser joviais, à sua maneira. Eles existem e não são poucos, mas são exceção à regra de uma fase em que o comportamento extremamente formal, um tanto desanimado e preguiçoso, chegam a atingir principalmente as pessoas consideradas privilegiadas.

Vejo os chamados "coroas" muitas vezes com muita má vontade de reassumir meios de diversão juvenis, mas mantém neuroses e tensões ou mesmo vícios dignos de pessoas imaturas, em muitos casos evitando aproveitar o melhor que tinham da juventude, enquanto não largem o pior que adquiriram nessa fase da vida.

Muitos "coroas" evitam o recreio relaxante de se distraírem com brincadeiras e jogos da forma como faziam quando tinham cerca de 22 anos de idade. Acham que estão muito exaustos e indispostos para assumir novamente tais recreações.

Em compensação, sobrecarregam suas mentes para conversas entre amigos durante o fim de semana, mesmo em festas de crianças, tentando provar que são inteligentes e têm bom caráter apenas pelo mero relato exaustivo de acontecimentos de seu cotidiano ou o que viram em telejornais ou na imprensa da semana em geral.

Mulheres já em torno dos 45 anos se sentem envergonhadas de serem beijadas na rua por seus companheiros, um ato que elas encarariam com naturalidade aos 15 anos, embora sejam atos nada obscenos, independente da faixa etária.

Em compensação, são as mesmas mulheres que, se puderem, agrediriam e espancariam desafetas, mesmo em ruas de grande movimento, sem qualquer receio de causarem qualquer tipo de vergonha ou escândalo.

Homens deixam de tomar sucos de frutas, refrescos ou mesmo refrigerantes (ou só o tomam ao lado de filhos caçulas, só para agradá-los, ou na obrigação de almoços ou refeições em workwhops), achando que tais bebidas são "doces demais", engordam ou são apenas bebidinhas tolas de crianças imaturas.

No entanto, eles não acham imaturo, mesmo na faixa dos 55 a 60 anos, encher a cara de álcool em rodadas viciadas nos bares de seu meio. Se sentem incomodados quando têm que abrir mão da cerveja do fim de semana, ou do vinho e uísque nas horas românticas, porque acreditam que esse é o "único prazer da vida" que precisam manter.

E isso se fala sobretudo nas pessoas mais abastadas, que mantém completamente tais vícios. É constrangedor ver mulheres de 55, 60 anos que, franzinas aos 21 anos, tornam-se quase obesas na meia-idade. Para piorar, elas eram mais formosas e atraentes quando eram casadas, e, quando se tornam solteiras definitivas, estão "irremediavelmente" fora de forma!!

Homens e mulheres são traídos pela "racionalidade" profissional que os faz ao mesmo tempo preguiçosos e imprevidentes. Quantos homens e mulheres deixam de tomar um refresco, porque acham "coisa de infância", mas são capazes, na "tenra meia-idade", de sofrerem overdose no consumo de drogas!!

Quantos homens deixam de rir alto, de se animarem ruidosamente, mas são capazes de agredir alguém e gritar feito uns loucos ferozes quando há uma festa de jovens na vizinhança? Esses "coroas" se recusam a dançar músicas agitadas, porque "não têm força nem interesse para tal", mas quando é uma briga de trânsito, são capazes de partir para cima de um outro feito feras ensandecidas.

O adulto emburrece e até agora eu vejo na maioria dos "coroas" - desconto as honrosas e respeitáveis exceções - uma multidão de pessoas transtornadas, como se sobre seus cabelos grisalhos tivesse um ponto de interrogação flutuando em cima, sem se afastar dessas cabeças.

E eu fico percebendo que cabelos grisalhos não são garantia de sabedoria. Mesmo advogados, médicos, economistas, e outras pessoas dotadas de nível superior, na sua maioria esmagadora, não apresentam um só exemplo de vida senão seus razoáveis sucessos profissionais, obtidos na casa dos 30, 35 anos.

Até para justificarem sua reputação, se limitam às glórias passadas. Daí que essas pessoas "maduras" se tornam desesperadamente chatas e insuportáveis. Gente sem sensibilidade alguma, que vive de alguns sucessos profissionais do passado. Gente muito mais imatura que muito rapagão entrando nos 20 anos.

Daí que eu, a poucas semanas de completar 43 anos, não achei a "minha turma". As pessoas de minha idade não passam, em sua maioria, de "múmias" discutindo política com um copo de bebida alcoólica na mão, nos fins de semana. Onde estão aqueles caras legais que se divertiam nos tempos do segundo grau (atual ensino médio) e da faculdade? Quero ter aquelas pessoas legais de volta!!

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