domingo, 9 de fevereiro de 2014

LOCUTORES ESPORTIVOS ESTÃO FICANDO MAIS "MUSICAIS"


Diante da concorrência violenta da televisão, uma nova estratégia pode estar sendo adotada pelas emissoras FM que transmitem jornadas e partidas esportivas: a mudança de entonação dos locutores esportivos.

Aparentemente, a mudança é discreta, mas nota-se uma certa musicalidade que atinge as vozes dos locutores ultimamente. Até mesmo o veterano José Carlos Araújo entrou na onda e já começa a "cantar".

Não, não se trata de piada nem de ironia. A observação é verdadeira, séria e certeira. Os locutores esportivos já começam a mudar sua entonação, tornando-se mais "musicais", já que hoje eles se inserem num meio, o rádio FM, de um público bastante diferente.

Não é mais aquela entonação que os antigos comunicadores de AM tinham, porque não se trata somente de dramatizar e dar emoção na fala. A entonação agora é quase um canto, mesmo. É uma tendência que se observa em quase todas as rádios FM que transmitem futebol, da Rádio Globo à Transamérica.

O motivo disso tudo é que, por mais que os radiófilos tentem dizer o contrário, o rádio AM não pode se manter "puro" ao migrar para o FM. Isso já ocorre desde os anos 70 e ultimamente provocou queda de audiência em muitas emissoras, custando o emprego até de muito locutor antes considerado "rei do Ibope".

Sem ironia: daqui a pouco, os locutores esportivos vão ter que rimar e as transmissões de partidas terão que ter até bandas de apoio - tal como acontecem em talk shows televisivos - , uma vez que será preciso quebrar a mesmice reinante nesse tipo de transmissões.

A não-ironia se deve ao fato de que isso terá que ser feito para as jornadas esportivas se reinventarem, já que a concorrência da TV - que ganha do rádio por exibir imagens - é muito pesada. Para cada rádio FM sintonizada durante as transmissões esportivas, com audiência de uma só pessoa, existem mais de 100 TVs sintonizadas com um número de espectadores cem vezes maior em cada.

Daqui a pouco haverá até DJ - uma especialidade da Transamérica - acompanhando as equipes esportivas. Hoje pode parecer uma piada, mas daqui a pouco será uma tendência e, mais do que isso, uma questão de vida ou morte para as FMs.

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