segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

TURISMO TRANS1000 SAI DE CIRCULAÇÃO. RECUPERAÇÃO SERÁ DIFÍCIL


Na última quinta-feira, a Turismo Trans1000 sofreu intervenção do DETRO, órgão que controla as linhas intermunicipais no Estado do Rio de Janeiro, perdendo o direito de operar linhas com destino Nova Iguaçu e Mesquita.

É a segunda intervenção em um ano. A Transmil, como é conhecida, havia perdido, no ano passado, o direito de explorar as linhas do setor Nilópolis. Em 2009, ela havia perdido linhas de Queimados e Japeri, embora, nos últimos anos, a empresa tenha emplacado seus carros neste último município.

Conhecida por sua frota velha - os mais novos eram fabricados em 2006 - , pelos serviços irregulares e pelo não cumprimento de obrigações trabalhistas, a Transmil está completamente fora de circulação, depois de tanta pressão da sociedade contra os abusos da empresa, até pouco tempo atrás tolerado pelas autoridades.

No setor Nova Iguaçu, as linhas 133 Nova Iguaçu / Central (via Deodoro) e 479I Nova Iguaçu / Parada de Lucas, foram transferidas para outra empresa de Mesquita, a Viação Nossa Senhora da Penha, de perfil extremamente oposto ao da Transmil, e uma das que renovam mais rápido suas frotas na Baixada Fluminense.

Já o setor Mesquita foi passado para a Auto Viação Vera Cruz (RJ 112), de Belford Roxo, que irá comprar carros com ar condicionado. Por enquanto, ela reforçou suas frotas com carros semi-novos (comprados da Viação Pendotiba, de Niterói) ou pela redistribuição de carros novos da empresa, além de usar o estoque de carros que "descansa" nas garagens neste período.

A Transmil ainda tem um prazo de até janeiro próximo para se adaptar às determinações do Termo de Compromisso que assinou com o DETRO. Neste documento, existem exigências como renovação de frotas com carros 0 km, aumento dos carros em circulação e cumprimento rigoroso dos horários de serviço nas linhas.

Todavia, a Transmil acumula uma dívida gigantesca. Só em multas do DETRO, são cerca de R$ 4 milhões. Mas a empresa acumula também pendências trabalhistas imensas, de mais de cinco anos, o que pode superar um valor de R$ 15 milhões, incluindo salários atrasados, indenizações por acidentes e encargos.

Além disso, a irregularidade da documentação em muitos ônibus da Transmil fez a empresa ficar desmoralizada no mercado. Há muito a empresa não é autorizada a comprar carros 0 km, sendo obrigada a comprar carros de terceira mão ou muito curtos. Daí que as chances de recuperação da empresa são muito difíceis, podendo até admitir que são praticamente impossíveis.

Outro aspecto a ressaltar é que os serviços de outras empresas passarão a habituar mais os passageiros, que nunca desejariam a volta da desmoralizada empresa. Portanto, é muito mais provável que a Transmil seja definitivamente extinta.

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