sábado, 18 de janeiro de 2014

"AEMÃO DE FM" TEVE PIOR DESEMPENHO EM 2013: COPA NÃO GARANTE RECUPERAÇÃO


Depois do anúncio da presidenta Dilma Rousseff e seu ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, de futura extinção do rádio AM, atendendo a um lobby de empresários de telefonia celular (que só sintonizam rádio FM), o "Aemão de FM", todavia, teve o desempenho muito abaixo do esperado em 2013.

Apesar dos "100 mil ouvintes" oficialmente atribuídos a essas emissoras em FM - que transmitem conteúdo típico de rádio AM, como noticiários prolongados, "programas de locutor", humorismo popularesco e jornadas esportivas (incluindo transmissão de partidas) - , o desempenho real chega a estar entre 15% e 40% em relação aos dados oficialmente divulgados a cada mês.

Nem mesmo a "histórica rivalidade" entre as emissoras cariocas Globo e Tupi, AMs que agora possuem espectro em FM, vai além de uma propaganda enganosa celebrada por colunistas de rádios.

Até porque, na Frequência Modulada, as duas emissoras têm um desempenho comparável ao das emissoras com MENOS audiência no dial da Amplitude Modulada, hoje à beira do fim. O que se observa na realidade é que a Globo e a Tupi, no dial FM, possuem tão somente 17% da audiência declarada nos institutos de medição de audiência.

As transmissões esportivas mostram sobretudo o massacre que as FMs, na ironia de mal poderem comemorar sua supremacia sobre as AMs, recebem da televisão e da Internet. Consta-se que, para cada FM sintonizada durante uma transmissão esportiva por uma única pessoa, existem mais de 500 televisões sintonizadas por, no mínimo, duas pessoas, podendo ser até centenas.

O desempenho do "Aemão em FM" nos últimos anos foi tão ruim que a Bradesco Esportes FM, só para citar a emissora "mais moderna" do setor, demitiu vários profissionais prestigiados e até mesmo José Carlos Araújo teve que sair do Grupo Bandeirantes.

Em Salvador, a baixa audiência da Rádio Metrópole FM foi comprovada quando não conseguiu influenciar na eleição de seu dono, Mário Kertèsz. Mesmo a desculpa oficial de que os ouvintes "preferem" que ele "fique no rádio" não procede, seu fracasso eleitoral só prova que a emissora não é esse Ibope todo.

A situação é tão séria que mesmo a euforia surreal com os dados do Ibope já é questionada por internautas que veem um quadro melancólico para um rádio FM que derrotou o rádio AM mas que sofre derrotas piores diante da televisão e da Internet.

O rádio, além disso, até pelo reacionarismo de muitas emissoras e pela predominância de fórmulas e procedimentos ultrapassados, acompanha o declínio da televisão e da mídia impressa, situação que tentou ser desmentida por radiófilos, mas não conseguiu convencer.

Em ano de copa do mundo, apesar de todo o oba-oba esportivo, não há garantia que o "Aemão em FM" possa se recuperar nos pontos de audiência. A concorrência agressiva com a televisão e a Internet mostra que o rádio FM só se tornou o "novo rádio AM" em relação à agonia que a Amplitude Modulada andou sofrendo nas últimas décadas.

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