terça-feira, 14 de janeiro de 2014

89 FM AINDA NÃO LANÇOU BANDA DE ROCK DE PROJEÇÃO NACIONAL

BANDA POLLO - O máximo que temos de "rock nacional" é uma banda de pop-reggae que rola em rádios de pop dançante e até nas popularescas.

Passado um ano e apesar do "sucesso", a rádio "roqueira" 89 FM até hoje não lançou sequer uma banda de rock que tivesse potencial para se projetar em caráter nacional. E isso com todo o Rock In Rio que se deu em 2013, que poderia ser o primeiro evento de ponta de algum de seus criados.

A 89 FM, na verdade, não está com tanto sucesso assim, apesar de um documentário ter passado na semana passada no canal pago Warner Brasil celebrando a volta "definitiva" da dita "A Rádio Rock", mais pela associação da rádio ao lobby do empresário Roberto Medina do que por qualquer compromisso aparente com a cultura rock.

Os concertos de rock acontecem como sempre acontecem, e os fãs nem precisam da rádio para saberem se tal grupo vem ao Brasil ou não, até porque sabem das informações com mais antecedência pelos sítios oficiais das bandas na Internet.

O público de rock autêntico continua tratando o rádio como se nunca tivesse emissora especializada em rock, preferindo a livre seleção musical de seus aparelhos de MP3 ou de sua coleção de discos do que ouvir os mesmos hits repetidamente tocados pela 89 FM, mesclados com bandas e cantores de gosto bastante duvidoso, sejam Mamonas Assassinas ou Bon Jovi.

É só fazer uma análise comparativa. Em seis meses após o surgimento, a Fluminense FM, de Niterói, já por volta de setembro de 1982, já era responsável pela projeção nacional de nomes como Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho e Kid Abelha (então acrescido da expressão "e os Abóboras Selvagens), nomes que representavam a nova cena roqueira da época.

Depois da volta "definitiva" de dezembro de 2012, a 89 FM não lançou uma banda sequer de expressão nacional, apesar de toda a ambição e de todo o oba-oba da mídia, incluindo uma TV Cultura que, contrapondo a 89 FM com uma webradio paulistana, rebaixou Elvis Presley - símbolo  maior do mainstream da cultura rock - a um "cantor alternativo" de menor projeção.

O que vemos no dito "cenário rock" brasileiro de projeção nacional é uma banda que nem foi lançada pela 89 FM, o grupo Pollo - que teve um vocalista que deu "um sumiço" por uns dias - , um sub-Natiruts que é tocado em rádios de pop dançante e até em parte do repertório não-brega das FMs popularescas.

Para piorar, a volta da 89 FM deu até azar, com dois integrantes de uma das bandas mais tocadas pela emissora, Charlie Brown Jr., falecidos, o vocalista Chorão e o baixista Champignon, que chegou a formar uma banda com os remanescentes, chamada A Banca. Agora os que ficaram estão estruturando uma outra banda, sem nome divulgado até agora.

LOCUTORES "PANACAS" E BESTEIROL ESPORTIVO

A 89 FM retomou a mesma mentalidade que derrubou a emissora em 2005, seja pela pressão da Internet estrangeira, que mostra um universo de rock mais vasto que aquele divulgado pela emissora, além de webradios roqueiras mais abrangentes, seja pelo reacionarismo intolerante de seus produtores e adeptos, que geraram brigas violentas nos fóruns sobre rádio na Internet.

Com locutores "engraçadinhos" - já chamados de "locutores panacas" pela analogia ao estilo adotado pela Jovem Pan 2 - , besteirol esportivo e outras coisas supérfluas que enfatizam mais as piadas do que qualquer atitude "roquenrol", a 89 FM nem de longe aproximou o público roqueiro de suas transmissões. Se até a boa Kiss FM encontra problemas em atrair os exigentes roqueiros...

Pelo contrário, boa parte dos ouvintes da 89 FM - bem abaixo dos "100 mil por minuto" oficialmente atribuídos pelo Ibope, num contexto radiofônico em que até José Carlos Araújo é linchado na audiência e o "ótimo desempenho" da Band News Fluminense se deve apenas a um pálido sucesso do programa de Ricardo Boechat - se deve ao mesmo público de pop dançante que quer "variar" ouvindo nomes como Charlie Brown Jr., Offspring e Guns N'Roses.

Daí que tudo ficou na mesma que 2005. Pior: com a grande mídia sendo questionada e com o reacionarismo midiático sendo mais denunciado do que há cerca de dez anos atrás, quando até a revista Veja, mesmo tomada de surtos obscurantistas, ainda gozava de alguma reputação e sucesso entre o público.

Se nomes do Rock Brasil ou da cultura jovem de hoje, como Lobão, Roger (Ultraje a Rigor), Soninha Francine e Marcelo Tas se alinham como reacionários ideológicos, quanto mais a abertamente reacionária 89 FM e seus adeptos que mais parecem versões juvenis de Reinaldo Azevedo? Enquanto isso, os roqueiros de São Paulo se mantém afastados do dial FM.

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