segunda-feira, 21 de abril de 2014

FECHAMOS O KYLOCYCLO.


Depois de cinco anos e pouco mais de 40 dias, O Kylocyclo fecha seu ciclo, ou melhor, seu kylocyclo, parando por aqui. O blogue que fez a diferença, há cinco anos, em relação à antiga mediocridade da blogosfera mais convencional, foi um dos que mudaram a linguagem dos blogues, com um conteúdo diferenciado e até controverso.

Nem todos gostavam de O Kylocyclo e não entendiam sequer o nome, que era inspirado numa antiga unidade de medição do rádio AM, o "kylocyclo". Hoje praticamente o rádio AM está em estado terminal, mas isso é uma outra história. E não foi esse motivo que fez o blogue parar por aqui.

Em virtude de muitos compromissos pessoais, estarei largando a blogosfera. Terei que cuidar de mim mesmo, criar um novo ciclo, encerrar este blogue que já era homônimo a um antigo zine que havia feito em 2000.

O que já foi produzido continua no ar, e quem se interessar que leia os textos que foram produzidos ao longo desses anos. Agradeço ao apoio de vocês, e que continuem lendo este blogue, que já não terá mais novas postagens.

A gente se vê por aí.

domingo, 20 de abril de 2014

EMMY ROSSUM É UM EXEMPLO DE MULHER


Emmy Rossum, atriz do seriado Shameless, sucesso da TV norte-americana já no fim de sua quarta temporada, é um exemplo de mulher. Culta, bem humorada, de beleza sofisticada e voz sexy de fala ágil, a atriz não faz o tipo festeira, dessas que são viciadas em noitadas, nem é daquele tipo que apronta escândalos.

Discreta, comunicativa e simples, Emmy Rossum é também uma cantora de um pop mais sofisticado, surpreendentemente talentosa para seus 28 anos, se compararmos que ela é cinco anos mais nova que Britney Spears e esta faz um pop mais comercial com voz robotizada e qualidade musical discutível.

Ávida leitora de livros, Emmy recentemente foi a um salão de beleza fazer as unhas lendo um livro do historiador e jornalista Robert Katz (!). Em seguida, Emmy estava lendo uma coletânea de contos de Roald Dahl, escritor conhecido pela obra A Fantástica Fábrica de Chocolate.

A gente fica indagando, no Brasil medíocre de hoje, sobreo sentido de garotas ficarem se "achando" por não terem que ler livros, ou então outras que, quando os leem, é por pura obrigação ou então por inclinação a obras consideradas best sellers, não raro de qualidade muito duvidosa e às vezes de temáticas supérfluas para merecerem qualquer leitura.

Sonhamos com Emmy Rossum, com sua beleza deslumbrante, sua formosura, sua sensualidade, sua desenvoltura admirável, sua simpatia, seu talento, sua inteligência, seu jeito de ser, próprio, atraente, sedutor e apaixonante. Quem dera se as brasileiras fossem como Emmy Rossum.

sábado, 19 de abril de 2014

SMITHS COMEMORAM 30 ANOS DE DOIS LPS


Há trinta anos, uma banda chamou bastante a atenção quando ouvia pelas ondas da Rádio Fluminense FM, de Niterói. A música era "This Charming Man", e não era exatamente a gravação original, mas a versão remix, intitulada New York Mix, apesar de ter sido feita pelo francês François Kevorkian.

Nem tinha ideia do grupo nem de seu cantor, Morrissey, cujas informações só comecei a obter em 1985. Mas também não era a primeira vez que ouvi algo dos Smiths, porque em 1983 já ouvia "How Soon is Now?" pela Melodia FM, só que quase passou despercebido.

Há trinta anos, os Smiths lançaram dois álbuns, sendo o primeiro de estúdio, apenas intitulado The Smiths, que descobri que originalmente não incluiu a faixa "This Charming Man" e que na verdade é uma regravação corrigida do repertório que chegou a ser gravado com Troy Tate (ex-Teardrop Explodes, outro grupo tocado pela Flu FM), mas depois teve que ser todo gravado novamente sob a produção de John Porter.

Outro disco é uma coletânea, que incluiu alguns primeiros compactos - como "How Soon is Now?" e "Hand in Glove" - e sessões de programas da BBC Radio One, de Londres, intitulada Hatful of Hollow. No entanto, a força das músicas e o fato de várias serem inéditas em LP, pelo menos nas versões aí lançadas, que a coletânea praticamente tem status de disco oficial.

Mal sabia que os Smiths, banda da cidade industrial de Manchester, Inglaterra, se tornaria uma das mais importantes da década de 1980 e o quanto as composições de Johnny Marr, guitarrista, que fazia as melodias, e Morrissey, o cantor, que fazia as letras, marcaram bastante minha vida.

Se a música brasileira não falava sobre coisas de minha vida - e muito menos o brega naquela época, como o brega-popularesco de hoje nada diz para mim - , os Smiths falavam. Quantas coisas que Morrissey escreveu pareciam se relacionar com minha vida, como a ilusão das noitadas, advertida por ele em "How Soon is Now?".

Imagine alguém cantar sobre a desilusão de alguém que imaginava que iria encontrar seu grande amor numa casa noturna, e quando vai lá fica sozinho, e volta para casa igualmente só, chorando e querendo se matar. Não há como fazer uma música dessas numa axé-music ou "sertanejo universitário", por exemplo.

Foram uns quatro anos de músicas brilhantes, uma atrás da outra. Que eu conhecia nas ondas da Fluminense FM. Os Smiths acabaram em 1987, depois de uma pequena coleção de LPs de excelente qualidade. Deixam muitas saudades, mas não sei como ficaria a banda hoje se voltasse. Em todo caso, Morrissey e Johnny Marr solo estão excelentes, e já possuem um público cativo, que inclui muita gente que não vivenciou os tempos dos Smiths.

Pena que, em tempos medíocres de hoje, os Smiths são subestimados no Brasil. Até um DJ resolveu avacalhar o grupo juntando a voz de Morrissey com o som de "pagodão baiano". Muito triste. Afinal, os Smiths me consolaram em meus momentos de muita tristeza, e me ensinaram a repudiar esse mundo idiotizado que o "pagodão baiano" e o "funk" representam com fidelidade.

Obrigado, Morrissey e Johnny Marr pelas belas composições. E obrigado Andy Rourke, Mike Joyce e Craig Gannon pela contribuição instrumental nesta banda que fez História.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

O 'MARKETING' OPORTUNISTA E ATÉ CHATO DO "FUNK"

TEQUILEIRAS DO FUNK E OS CURADORES DE UMA EXPOSIÇÃO NO MUSEU DE ARTE DO RIO DE JANEIRO.

Oportunista, marqueteiro e até chato. O "funk" é só apelação e autopromoção, mas conta com um lobby de intelectuais e ativistas tão grande que até assusta. Isso, sem dúvida alguma, não irá dar ao "funk" a verdadeira reputação de cultura de verdade, embora faça o ritmo ampliar suas reservas de mercado.

Depois do "mico" do professor Antônio Kubitschek, que todo feliz da vida achou que derrotaria os "urubus da mídia" - quando apenas ofereceu subsídios para a demagogia "social" dessa patota reacionária - , agora é o Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR), que, de maneira surreal, usa o "funk" para "ilustrar" uma exposição sobre Josephine Baker.

O tema da exposição é Josephine Baker e Le Corbusier no Rio - Um Caso Transatlântico, que ocorre no museu situado na Zona Portuária, defronte ao antigo porto da Praça Mauá (prestes a ser revitalizado), referente à cantora, dançarina e atriz de jazz e o famoso arquiteto suíço-francês que participou da elaboração do Palácio Gustavo Capanema, a alguns metros dali.

O grande problema é que os curadores do evento, metidos a "engraçadinhos" - como nosso conhecido professor Antônio Kubitschek - , resolveram escolher um grupo de funqueiras, as Tequileiras do Funk, do tenebroso sucesso "Surra de Bunda", para abrir a exposição. Vejam só a "pérola" da explicação dos tranquilos curadores, o colombiano Carlos Maria Romero:

"Em sua época, Josephine subverteu questões ao lidar com o jeito que percebemos gêneros, orientação sexual, classe e especificamente raça. O convite às Tequileiras para o evento de abertura ocorreu porque, no contexto brasileiro atual, vemos um espírito similar na manifestação delas".

Então tá. Como se os contextos da época antiga fossem iguais aos de agora. Mas não são. Naqueles tempos o moralismo era muito mais rígido. O "funk" é rejeitado por pessoas moralmente mais abertas, mas que não podem aceitar o grotesco. Não há liberdade absoluta, porque na complexidade da vida humana, a liberdade de uns termina quando começa a dos outros.

Coerente foi uma participante, da página do MAR no Facebook, que disse que, se quisesse ver uma coisa dessas, iria a um "baile funk". Que interesse tem o "funk" de ampliar seus espaços? Ele tem os dele. Nada de invadir espaços de artes plásticas, sobretudo intervindo num tema que envolve o moderno Le Corbusier, o mestre do mestre Oscar Niemeyer.

Não. O "funk" não é cultura, não é arte, não é moderno. E não pode se achar na liberdade de "provocar" assim a toda hora - mal deu uma semana que houve o caso da "pensadora Popozuda" - , porque a liberdade absoluta não existe, o "funk" tem que respeitar quem não o aprecia e não pode ficar ampliando espaços nem mercados. O "funk" que fique com os que já lhe são seus.

O jornalista do Diário do Centro do Mundo, Paulo Nogueira, citando o caso de um juiz norte-americano, nos falou a respeito da relativização da liberdade humana. O juiz comentou a respeito de um cinema lotado, sobre a possibilidade de alguém, de repente, simplesmente gritar "fogo" e a plateia sair correndo apavorada, criando um caos com consequências imprevisíveis e até trágicas.

Se a sociedade pede restrições a uma Rachel Sheherazade, que não pode sair por aí dizendo que um grupo de justiceiros agiu certo por espancar um jovem adolescente acusado de pequenos roubos, por que temos que aplaudir as "provocações" gratuitas do "funk"?

O "funk" não é moderno porque ele aposta no grotesco. Ele apenas tem um senso de marketing que o faz se travestir ora de "ativismo político", ora de "fenômeno fashion", sempre com a desculpa de que está "rompendo com os preconceitos sociais há muito tempo vigentes". Grande falácia.

Isso porque quem rejeita o "funk" conhece mais o seu som do que quem adora. Os que defendem e apoiam o "funk" só conhecem a polêmica, as histórias "tristes" de alguns de seus intérpretes, a fúria social contra os funqueiros. Música, mesmo, eles não ouvem.

Mas isso não importa: a maioria dos pró-funqueiros, para encarar os tenebrosos sucessos que anualmente são despejados pelo gênero, basta tomar uns copos de cerveja ou se entupir de "baseado". Isso os pró-funqueiros sabem fazer com muito prazer.

Por outro lado, o Brasil não tem tradição de ouvir música com atenção. Na boa, que os "moderninhos" de hoje se esperneiem em recusar o óbvio, mas a verdade é que Josephine Baker e Le Corbusier combinariam mais com Alaíde Costa (negra como Josephine Baker), Carlinhos Lyra e Roberto Menescal, por terem mais o estado de espírito da exposição, queiram ou não queiram os curadores.

Infelizmente, no entanto, as gerações atuais acham que a idiotização cultural é "mais divertida", "mais provocativa" e, portanto, "mais importante". Hoje virou moda esculhambarmos nossos mestres e gênios.

Pior, essa desordem toda parte de gente adulta, com nível universitário e até com pós-graduação, que mexe com arte e cultura e se julga dona do nosso futuro. É uma intelectualidade que se acha "bacana", mas tem um discurso "cabeça" chato até para peidos de mulheres-frutas.

Daí que esse discurso a favor do "funk" tornou-se extremamente chato, assim como suas "provocações" gratuitas. A intelectualidade "bacana" festeja feliz com a "bagunça", enquanto entrega, mesmo sem querer, a missão de "arrumar a casa" para gente como Rodrigo Constantino e Rachel Sheherazade.

Daí o maniqueísmo sem muita diferença dos "liberais" e "conservadores" no contexto do "funk".

quarta-feira, 16 de abril de 2014

PROF ANTÔNIO KUBITSCHEK NÃO DERROTOU OS "URUBUS DA MÍDIA". ELES É QUE O DERROTARAM


No episódio da "pensadora Valesca Popozuda", o professor de uma escola pública de Brasília, Antônio Kubitschek (sem relação com o falecido ex-presidente que ordenou a construção da cidade), tentou se sair melhor julgando que derrotou os "urubus da mídia", como são conhecidos os jornalistas e comentaristas mais reacionários.

O professor Antônio tentou justificar a gafe como uma atitude proposital de "provocação", como se chamar uma funqueira de "grande pensadora contemporânea" fosse dizer algo em prol da educação pública e da cultura popular. E, de fato, não diz.

Se o professor Antônio queria apavorar a sociedade elitista, oferecendo a "carniça" para ser "devorada" pelos "urubus da mídia", o tiro saiu pela culatra. Em vez de derrotá-los, os fortaleceu, na medida em que ofereceu subsídios para que eles reagissem com seu verniz de "conscientização social".

Nomes como Rodrigo Constantino e Rachel Sheherazade, só para citar os mais pretensiosos dessa leva "urubóloga" das corporações midiáticas, representam o pensamento obscurantista das elites, são a visão das classes dominantes, e portanto naturalmente desprovidas de qualquer consciência ou compromisso com as classes populares.

Mas com a complacência de uma outra intelectualidade, a que aposta na bregalização do país e adota matizes "progressistas" - embora sabemos que, por exemplo, nomes como Pedro Alexandre Sanches e até o mineiro Eugênio Arantes Raggi foram educados nos "porões" político-acadêmicos do PSDB - , à imbecilização cultural do "funk", os "urubus da mídia" saem fortalecidos e não enfraquecidos.

Vide as reações nas mídias sociais e nas mensagens públicas divulgadas na Internet, algumas até com orientação ideológica para a direita, nota-se que o episódio que Antônio Kubitschek narra como se fosse uma vitória sua, na verdade acabou sendo uma vitória àqueles que o professor quis combater ao chamar Valesca Popozuda de "pensadora".

Afinal, o professor fez com que pessoas comprometidas apenas com uma visão privatista de mercado, com um capitalismo doentio e obsessivo, passassem a fingir estarem a favor das classes populares, do ensino público e da qualidade de vida para as classes trabalhadoras.

Em outras palavras, Antônio Kubitschek fez os "urubus da mídia" forjarem uma "consciência social" que não têm. E se a classe "bacaninha" do professor Antônio, a mesma de Sanches, Raggi, Paulo César Araújo, Regina Casé e tantos outros, aposta na imbecilização cultural do brega-popularesco, a classe de Constantino e Sheherazade sonha com soluções paternalistas falsamente cidadãs.

São dois lados de uma mesma moeda, que nada contribuem com o verdadeiro progresso popular. Uns querem ver o povo "direitinho" e amestrado pelo capitalismo neoliberal. Outros querem ver o povo "domesticado" e amestrado por políticas estatais do PT. Em nenhum dos lados há a verdadeira consciência social.

A batalha em geral resultou num empate. Mas, no episódio da questão da prova do professor Antônio, ele acabou sendo derrotado pelos "urubus da mídia", que agora posam de "sabedores" de uma consciência popular que dificilmente entendem.

terça-feira, 15 de abril de 2014

A FLU FM QUE TOCAVA ALTERNATIVOS EM 1986 NÃO SERIA PIOR DO QUE A RÁDIO CIDADE QUE SÓ TOCAVA 'HITS' EM 1996. MUITO PELO CONTRÁRIO


Oficialmente, a Rádio Fluminense FM teve sua fase áurea entre março de 1982, quando entrou no ar, e abril de 1985, quando seu diretor artístico Luiz Antônio Mello saiu da rádio. No entanto, o que poucas pessoas conseguem admitir é que a Fluminense, mesmo com seus erros, conseguiu manter sua qualidade até março de 1990, quando "descarrilou" de vez.

A memória curta de muitas pessoas, junto ao fato de que gerações recentes não vivenciaram muitas coisas importantes, além das distorções que a grande mídia faz da realidade em seus diversos aspectos, fazem com que a fase 1986-1990 da Fluminense FM seja injustiçada, pois é nela que várias pérolas alternativas foram tocadas sem que a maioria das pessoas se lembre.

Até pouco tempo atrás, houve até uma visão oficial de que uma Rádio Cidade metida a "rádio rock" era "melhor" que a Fluminense FM que, até suas homenagens de 2012 pelo projeto Maldita 3.0, havia ganho uma repercussão bastante negativa pelos erros cometidos entre 1991 e 1994.

Só que a Rádio Cidade, entre 1995 e 2006, e novamente desde março último, comete os mesmos erros que a Fluminense FM de 1991-1994 cometeu, até de forma bastante piorada. Só que a Cidade teve um departamento comercial forte o suficiente para "institucionalizar" seus erros e criar até um suposto "consenso" quanto à sua volta recente.

O vício que o público roqueiro de hoje tem de só valorizar o básico ignora que a cultura rock não vive só de "grandes sucessos" ou de "clássicos conhecidos" e mesmo o chamado "lado B" vai muito mais além daqueles semi-hits perdidos em algum playlist já descartado ou em faixas "difíceis" de algum LP menos conhecido.

Daí ignorar que a Fluminense FM tocou bandas alternativas que, se surgidas nos anos 60, estariam tranquilamente na coletânea de bandas de garagem Nuggets, que o guitarrista dos Wings (banda de Paul McCartney), Lennie Kaye, cuidadosamente produziu para a posteridade.

A Fluminense FM teve a ousadia de valorizar mais o repertório do Fellini e do Violeta de Outono do que uma 89 FM que rompeu com os independentes já em 1988. E tocou mais músicas do Camisa de Vênus do que a fake 96 FM, de Salvador, que havia empregado Marcelo Nova para apresentar um de seus programas.

Foi na fase 1986-1990 que a Fluminense FM radicalizou na divulgação dos independentes e alternativos, tocando bandas até hoje pouco conhecidas e sem qualquer promessa de lançamento no Brasil. E mergulhou fundo tocando também os alternativos que eram lançados no Brasil, seja pelas gravadoras "maiores", seja por selos como a Stiletto.

Nomes como Weather Prophets, Rose Of Avalanche, Big Dish (que recentemente lotou uma apresentação na Escócia) e Monochrome Set eram tocados diariamente na Fluminense FM, em qualquer hora do dia. Hoje acessíveis no You Tube, esses nomes eram irradiados constantemente nos 94,9 mhz de Niterói, numa façanha que nem a 89 FM, tão festejada na época, teria coragem de fazer.

Daí ser uma incoerência dizer, lá pelos anos 90 e até uns dez anos atrás, que a Fluminense FM de 1986 era pior que a Rádio Cidade de 1996. A Fluminense FM tinha coragem de tocar um Monochrome Set (grupo citado até no livro Mozipédia, disponível no mercado brasileiro, já que o cantor da banda é amigo de Morrissey), mesmo sem promessa de lançamento.

Já a Rádio Cidade de 1996, tão "elogiada" como rádio supostamente "alternativa" (menos, menos, rapaziada!!), não tinha coragem sequer para tocar Beck Hansen, mesmo com suas músicas tocadas o tempo todo na MTV da época, como "Loser" e "Devil's Haircut".

Pior: nesta época, a Rádio Cidade deu maior cobertura à tragédia dos Mamonas Assassinas do que do falecimento de Renato Russo, da Legião Urbana. A tragédia com Chico Science, então, foi passada quase despercebida, e só muito tardiamente a Cidade capitalizou em cima das mortes de Russo e Science, quando viu que poderia ter lucro e Ibope com elas.

Hoje a Rádio Cidade tenta avançar, mas mesmo assim de forma bastante tímida, castrada e sem a menor espontaneidade. Se a banda vem ao Brasil tocar num evento patrocinado por uma grande empresa de eventos, ótimo. Mas se ela vem ao Brasil para um evento gratuito de porte menor, nem com rezas.

A Rádio Cidade nada tem a ver com cultura alternativa nem com rock underground. Vamos cair na real.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

RÁDIO CIDADE NÃO TEM O SUCESSO ESPERADO

RÁDIO CIDADE ALIMENTA SUA PUBLICIDADE COM SINTONIAS COMBINADAS EM APARELHOS DE SOM DE LOJAS DE DEPARTAMENTOS.

Num contexto em que o rádio FM acompanha a queda de público da imprensa escrita e da TV aberta, a Rádio Cidade do Rio de Janeiro, a exemplo da 89 FM de São Paulo, obteve um sucesso abaixo das expectativas, depois que as duas retomaram o formato "pop-rock" eliminado em 2006.

A 89 FM tem até um desempenho expressivo em audiência, mas não na forma exagerada que os institutos de medição de audiência registram. Já a Rádio Cidade, por sua vez, é pouco ouvida nas ruas e se limita a ter sintonias em lojas de departamentos ou em academias de ginásticas.

O que chama a atenção também é que a receptividade das duas rádios para o público roqueiro também se torna baixíssima. A maior parte de sua audiência se deve a fãs de pop convencional que apreciam algum rock mais convencional - sobretudo Charlie Brown Jr., Guns N'Roses e Raimundos, além de outros como Linkin Park, Coldplay e Offspring - e considerado "acessível".

São ouvintes que estão muito mais interessados em ouvir piadas de locutor e ganhar ingressos para ver festivais de música. Mas não é um público que queira realmente ouvir um rock mais alternativo ou mais antigo, até porque começa a reagir esculhambando, nas mídias sociais, contra os verdadeiros nomes da História do Rock, de Beatles a Smiths.

RÁDIO CIDADE TENTA PRIORIZAR ALTERNATIVOS. EM VÃO

A Rádio Cidade, na carona de eventos como o Lollapalooza, tenta colocar como carro-chefe aquilo que seus produtores entendem como "rock alternativo". Além da abordagem ser bastante superficial, restrita às chamadas "canções de trabalho" ou aos "grandes sucessos", a emissora também não está tendo receptividade pelos alternativos, mas pelos chamados "descolados" (espécie de versão "domesticada" do público alternativo).

A exemplo da 89 FM, que ignorou a existência do Beady Eye - a banda que os integrantes do Oasis formaram depois da saída de Noel Gallagher - a Cidade também fez o mesmo. E também não deu a atenção devida, por exemplo, a Johnny Marr, ex-guitarrista dos Smiths que trabalha uma consistente carreira solo, agora também como cantor. Marr fez muito sucesso no último Lollapalooza brasileiro.

Nas mídias sociais, o que mais se nota na página da Rádio Cidade é a ênfase nos eventos promocionais e nos locutores. Nada de "bandeira roqueira" levada a sério, embora sempre haja alguém com aquela postura "jaquetão" de se achar o "roqueirão radical" às custas de suas bandinhas preferidas.

Mas agora que tem a concorrência com a Kiss FM - ainda em fase experimental e com sérios problemas técnicos de sintonia - e a promessa da volta da "Maldita" através da Fluminense AM 540, a Rádio Cidade, mesmo com a volta do histórico nome, mais parece uma rádio perdida como foi nos últimos 30 anos. E não falamos da tal "Hora dos Perdidos".

Desde que a Rádio Cidade se ressentiu de não ter o mesmo carisma da Fluminense FM, ela persegue um perfil roqueiro sem ter a vocação natural para isso. E, agora, com a força da Internet, das rádios concorrentes e das emissoras digitais por aí afora, a Cidade parece não ter muita força entre os roqueiros. E não tem mesmo.

Se o rock rola solto até nos arquivos de áudio do You Tube, com LPs inteiros de bandas seminais, artistas alternativos e obscuridades musicais, por que os fãs de rock em geral e de cultura alternativa perderão tempo dando ouvidos a uma rádio POP se passando por "roqueira" às custas de uns poucos hits? O público hoje está mais exigente, queiram ou não queiram os mercadores da mídia brasileira.

sábado, 12 de abril de 2014

TEATRO ABEL NÃO TEM ACESSO PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS


O Instituto Abel, localizado na Av. Roberto Silveira, em Niterói, precisa de obras para que melhore o acesso a portadores de necessidades especiais, como idosos, gestantes e deficientes físicos, pessoas que vivem seus momentos de fragilidade e precisam de ajuda para subirem as escadas que se dirigem ao último andar do teatro.

O único elevador que existe para tais pessoas é insuficiente e só vai até o segundo andar. A escadaria é muito cansativa e quando minha mãe vai assistir, junto com meu pai, a uma peça de teatro, volta sentindo dores, porque só tem a escadaria como opção.

É certo que o prédio do Instituto Abel é muitíssimo antigo, mas isso não impede que sejam feitas adaptações no seu interior para favorecer a chamada acessibilidade, porque os tempos são outros e hoje temos muito mais preocupações de caráter altruísta do que antes.

Por isso, é necessário que sejam feitas obras de reformas para que se permita que idosos, gestantes e deficientes possam ter acesso ao Teatro Abel, para curtirem o direito de assistirem aos espetáculos nele realizados.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

MICHAEL SULLIVAN E A MÚSICA POPULAR DE BEZERRINHOS


É vergonhoso ver que tanta gente está agora aceitando Michael Sullivan como se fosse um "gênio da MPB", e se mostrou pouco preocupada com as denúncias de Alceu Valença contra o esquema que Sullivan e comparsas montaram para promover o jabaculê e destruir a MPB.

No mais típico estilo "morde e assopra", Michael Sullivan agora se passa por "bom moço" da MPB. Como um político em campanha, que abraça todo mundo que encontrar pela frente, Sullivan cortejou até o exigente Sérgio Ricardo, que nunca teve um lugar no mainstream da música brasileira tocada nas rádios.

Só que isso tem nome: DEMAGOGIA. Sullivan comandava com mão de ferro um esquema perverso de degradação da música brasileira. Impôs um comercialismo feroz que fazia com que os artistas envolvidos abrissem mão de sua personalidade artística para adotar fórmulas musicais inspiradas no hit-parade norte-americano.

Alceu Valença denunciou o esquema, sem dizer nomes. E lamenta que hoje ninguém mais tem capacidade de criticar a decadência da música brasileira, aceitando de bom grado e com preocupante submissão qualquer coisa que faça sucesso sob o rótulo de "música brasileira", até mesmo as piores breguices.

Michael Sullivan impunha seu "estilo" - quer dizer, suas regras de mercado - para os artistas subordinados a ele. Queria transformar artistas de MPB em pastiches do que se fazia no comercialismo musical dos EUA, pasteurizando as gravações com arranjos piegas e sem criatividade.

De repente, Michael Sullivan sumiu e, esperto, agora volta como "gênio injustiçado". É rir da cara de nós mesmos. Ele agora corteja todo mundo, de Ana Carolina a Sérgio Ricardo, de Roberta Sá a Fernanda Takai, como se ele fosse o articulador maior da MPB. Sullivan agora bajula de bossanovistas a roqueiros. Grande balela.

Daí a comparação com um político em campanha, que abraça criança, abraça velhinho, abraça açougueiro, abraça headbanger, tudo para querer ser eleito com um número maior de votos. E é constrangedor ver que as músicas de Michael Sullivan agora tocam em rádios de MPB e adulto contemporâneo, assim, impunemente.

No Brasil estamos nesse clima comparável ao de alguém que mata um inocente para depois os familiares da vítima lhe oferecerem um almoço de boas vindas. Hoje poucas pessoas entendem realmente de MPB, umas pensam que "verdadeira MPB" é coisa de quem lota plateias com facilidade, outros pensam que MPB é meramente o cuverte artístico que se toca nos restaurantes.

Numa época em que a antiga unanimidade musical, Roberto Carlos, começa a ter divulgados aspectos sombrios de sua carreira, é incoerente que Michael Sullivan saia ileso nos dias atuais. Afinal, Sullivan nada seria se não fosse Roberto Carlos naqueles tempos em que apoiava a ditadura, e os dois foram até parceiros nas aventuras mais mercantilistas dos anos 80. Vide "Amor Perfeito" e "Meu Ciúme".

A memória curta das pessoas e a mania de condescendência de muitos é que faz com que os picaretas de outrora voltem como se fossem "gênios brilhantes". A música de Michael Sullivan não melhorou com o tempo, nem sua reputação. Ele continua tão medíocre e tosco quanto antes.

O problema é que o brega do qual ele foi um dos chefões teve esperteza e marketing suficiente para ressurgirem diante de uma plateia de gente carneirinha. Gente que mais parece ver a MPB como Música Popular de Bezerrinhos, que aceitam qualquer porcaria comodamente. Mas isso não é perder o preconceito, é ser ainda mais preconceituoso na aceitação de tudo sem verificação.

terça-feira, 8 de abril de 2014

WINDOWS XP (2001-2014)... R.I.P.


Hoje o Windows XP praticamente está aposentado. A Microsoft desativou definitivamente seus serviços de atualização e proteção contra vírus previstas nos Service Pacs 1 e 2, que eram destinados a essa versão do Windows. Na prática, é como se a Microsoft encerrasse de vez a trajetória do XP, mesmo na condição de versão alternativa do Windows.

Os usuários de computador podem continuar adotando o Windows XP - como eu mesmo - , pelo menos por enquanto, mas é bom nos prepararmos porque muitos dos aplicativos já se encontram incompatíveis para leitura pelo XP.

Atualmente, a Microsoft prefere apostar no Windows 7, lançada há cinco anos atrás e que reconfigurou todo o conteúdo dos aplicativos e outros aspectos que incluem janelas, operações etc. É a partir dele que a empresa de Bill Gates disponibiliza agora seus serviços de atualização, segurança e aperfeiçoamento técnico.

Quem utilizar o Windows XP depende unicamente de programas de proteção contra malwares, spywares e vírus disponíveis na rede. Existem vários gratuitos, como o Avast!, contra vírus. Isso porque a Microsoft não disponibiliza mais serviços de segurança para XP. Com isso, os computadores com o programa ficam mais vulneráveis.

Para quem quer substituir o Windows XP por Windows 7, terá que pagar cerca de R$ 260 por um CD de instalação. O jeito é poupar muito dinheiro ou então se contentar com o XP, com a consciência de que o uso do computador ficará cada vez mais precário e vulnerável.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

DJ BERTAZI DEVERIA TER PRESTADO ATENÇÃO EM "PANIC"


No brega-popularesco, funciona o seguinte. Existe a piada e existe o ridículo, que no entanto você é aconselhado a não rir. São expressões do ridículo e do patético, do grotesco e do piegas, que você tem que levar a sério, sob pena de ser visto como "preconceituoso".

É por isso que são preocupantes, por exemplo, iniciativas como o mashup reunindo É O Tchan com Smiths, duas coisas completamente antagônicas (em que pesem as imprudentes fãs do grupo baiano cismarem em paquerar fãs do grupo inglês, sem ter qualquer noção de falta de afinidade).

Se o "mexape" fosse uma piada, vá lá. Mas não é. O DJ Bertazi, o infeliz que realizou a montagem extraindo a voz de Morrissey em "This Charming Man" - numa iniciativa sem qualquer relação com o excelente remix que DJs novaiorquinos fizeram com a música, há 30 anos atrás, versão que foi bem tocada na Fluminense FM - , queria fazer algo "provocativo", mas "revolucionário".

É aquele papo. "Derrubar totens sagrados", "fazer provocação", "ousar de forma inusitada", "desafiar a supremacia do bom gosto" e outras besteiras que fazem com que a intelectualidade "bacaninha" de antropólogos, sociólogos, cineastas documentaristas, jornalistas culturais etc fiquem de queixo caído e água na boca.

Ninguém pode achar graça. A iniciativa não foi feita como "piada". Como em tudo no brega brasileiro. Expressa-se o ridículo e o patético, mas você tem que achar isso o máximo e achar que tais "expressões" são fruto de "muita luta" e "muito sofrimento", porque vieram de gente faminta, miserável e em busca de algum "espaço nobre" na cultura popular brasileira.

Blá, blá, blá. Só que o "provocativo" DJ e seu "maravilhoso" trabalho se esqueceu que os Smiths também lançaram uma música chamada "Panic", aquela que pede o enforcamento do DJ consagrado, porque a música tocada por ele e seus adeptos nada dizem sobre a vida de um homem comum (no caso o homem simples inglês, como Morrissey, autor da letra).

A história da música se deu quando Morrissey e Johnny Marr estavam ouvindo a programação de uma rádio da BBC. De repente, veio a notícia da tragédia com a usina nuclear de Chernobyl (então da União Soviética, hoje da Ucrânia) e o locutor, depois que deu a notícia, anunciou uma música do Wham!, inócua dupla pop que lançou o cantor George Michael.

Irritado, Morrissey decidiu escrever a letra, vendo que uma tola musiquinha pop foi tocada depois de uma notícia triste. Se Morrissey reagiu assim a isso, imagine se ele soubesse que um grupo ainda mais idiotizado, como o É O Tchan, se misturou à voz do cantor inglês numa montagem de um DJ (!).

Segue aqui, portanto, a letra da música "Panic", o resultado da indignação de Morrissey, que se tornou um poderoso hino de rock alternativo que, para desespero dos DJs das FMs comerciais (mesmo as ditas "roqueiras"), termina em fade out, termo técnico para música que se encerra com o volume abaixando e o andamento melódico aparentemente em continuidade. DJs costumam "mutilar" faixas quando começa o fade out.

Do contrário da postagem anterior, em que aproveitei uma tradução existente de "Angel, Angel, Down We Go Together", eu mesmo fiz uma tradução para "Panic", na letra que coloco aqui abaixo. Adapte a letra para cidades brasileiras, substitua disco (disco music) por "pagodão baiano" ou "funk" e teremos uma letra que corta feito uma faca afiada nas "provocações" de certos oportunistas engraçadinhos.

Panic

Letra de Morrissey - Música de Johnny Marr

Panic on the streets of London
Panic on the streets of Birmingham
I wonder to myself
Could life ever be sane again
On the Leeds side-streets that you slip down
I wonder to myself
Hopes may rise on the Grasmeres
But honey pie, you're not safe here
So you run down
To the safety of the town
But there's panic on the streets of Carlisle
Dublin, Dundee, Humberside
I wonder to myself

Burn down the disco
Hang the blessed d.j.
Because the music that they constantly play
It says nothing to me about my life
Hang the blessed d.j.
Because the music they constantly play

On the Leeds side-streets that you slip down
On the provincial towns that you jog'round
Hang the d.j., hang the d.j., hang the d.j.
Hang the d.j., hang the d.j., hang the d.j.
Hang the d.j., hang the d.j., hang the d.j.
Hang the d.j., hang the d.j.
Hang the d.j., hang the d.j

Pânico

Pânico nas ruas de Londres
Pânico nas ruas de Birmingham
Eu pergunto a mim mesmo
Poderia a vida se tornar sã novamente
Nas ruas de Leeds por onde você anda
Eu pergunto a mim mesmo
As esperanças podem surgir nos Grasmeres (*)
Mas minha querida, você não está segura
Você caminha
Para a segurança da cidade
Mas há pânico nas ruas de Carlisle,
Dublin, Dundee, Humberside
Eu pergunto a mim mesmo.

Botem fogo na discoteca
Enforquem o consagrado DJ
Porque a música que eles constantemente tocam
Nada me diz a respeito de minha vida
Enforquem o consagrado DJ
Porque a música que eles constantemente tocam

Nas ruas de Leeds por onde você anda
Nas cidades interioranas por onde perambula
Enforquem o DJ, enforquem o DJ, enforquem o DJ
Enforquem o DJ, enforquem o DJ, enforquem o DJ
Enforquem o DJ, enforquem o DJ, enforquem o DJ
Enforquem o DJ, enforquem o DJ,
Enforquem o DJ, enforquem o DJ

(*) Grasmere é um conhecido vilarejo turístico inglês

sábado, 5 de abril de 2014

CONSTRANGEDOR JUNTAR SMITHS COM É O TCHAN. CONSTRANGEDOR, HUMILHANTE E OFENSIVO


Foi constrangedor, fora de contexto, e certamente humilhante e ofensivo. Um DJ engraçadinho, desses que adotam a "provocação" como um fim em si mesmo, provavelmente alguém que ODEIA os Smiths, incluiu a voz de Morrissey numa ridícula montagem.

Usando a voz de Morrissey em "This Charming Man" - grande música que eu conheci há 30 anos e me fez ser fã da banda e de seus membros solo até hoje - , o DJ Bertazi, talvez o maior morrisseyófobo do Brasil, detonou o cantor juntando à sua voz samples de "Tic, Tic, Tac", da Banda Eva, e "Toing", do É O Tchan.

Depois que, em 1991, o grupo inglês Warlock Pinchers fez a música "Morrissey Rides a Cockhorse", que não deixou grande marca e fez o grupo de pseudo-punk engraçadinho cair no limbo, não houve outra gozação grotesca contra o admirável cantor inglês.

Fico constrangido com isso. Sempre detestei o É O Tchan e já escrevi até texto ridicularizando a Carla Perez. Nunca quis namorar fãs de É O Tchan e ficava até revoltado se alguma delas me paquerasse em algum canto de Salvador.

Além disso, para que juntar um grupo cujo maior sucesso é uma música que defende o estupro com a voz de um cantor que considera o abatimento de animais um crime e compara os açougues ao holocausto nazi-fascista?

Fico pensando no comercial do portal de vendas Bom Negócio, em que o Compadre Washington aparece como um dos chatos - cada comercial aparece um, tem até Supla e Narcisa Tamborindeguy - , no caso com sua cabeça sobre um equipamento de som velho dizendo "Vem, Ordinária". Muito, muito chato.

Pois é. Mão na luva, o Sol nasce às nossas costas. Eu, que ouvia muito Smiths nos meus momentos de tristeza profunda, e que até a música "Ask" passou a ter um tom mais melancólico - já que a cantora participante Kirsty MacColl, amiga do grupo, foi morta em 2000 atropelada por uma lancha - , fico revoltado com a atitude do DJ Bertazi. Não é julgamento moralista, não. É revolta, mesmo.

Fico aqui bastante entristecido. O astral um tanto alegre demais e totalmente imbecilizado do É O Tchan não tem a ver com a melancolia sincera de Morrissey, que nunca aprovaria tal montagem. E vem à tona uma música de sua carreira solo, "Angel, Angel, Down We Go Together", gravada em 1988 no álbum Viva Hate!, que simboliza bem a minha reação ao saber dessa ridícula montagem.

Angel, Angel, Down We Go Together

Letra de Morrissey - Música de Stephen Street

Angel, Angel
Don't take your life tonight
I know they take
And that they take in turn
And they give you nothing real
For yourself in return
But when they've used you
And they've broken you
And they've wasted all your money
And cast your shell aside
And when they've bought you
And they've sold you
And they've billed you for the pleasure
And they've made your parents cry
I will be here
OH, BELIEVE ME
I will be here
...believe me

Angel, don't take your life
Some people have got no pride
They do not understand
The Urgency of life
But I love you more than life
I love you more than life
I love you more than life
I love you more than life.

Anjo, Anjo, Para Baixo Nós Vamos Juntos
Anjo, anjo
Não tire sua vida esta noite
Eu sei que eles tomam
E eles tomam de novo
E não te dão nada
De real em troca
E quando te usam
E te quebram
E desperdiçaram todo o seu dinheiro
E rejeitam sua carcaça
E quando eles te compram
E te vendem
E te faturam por puro prazer
E fazem seus pais chorar
Eu estarei aqui
OH, ACREDITE EM MIM
Eu estarei aqui
... acredite em mim

Anjo, não tire a sua vida
Algumas pessoas não tem orgulho nenhum
Elas não entendem
A urgência da vida
Mas eu te amo mais que à vida
Eu te amo mais que à vida
Eu te amo mais que à vida
Eu te amo mais que à vida.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

QUEM NASCEU NOS ANOS 50 VAI AO LOLLAPALOOZA


Você (eu falei "você", não "o senhor" ou "a senhora") nasceu na década de 1950, sobretudo na primeira metade, e pretende ir a um festival de música. Certamente você pensará em bailes de gala no Copacabana Palace ou em concertos eruditos no Parque do Ibirapuera, por exemplo, correto?

Se a inclinação pessoal se volta a tais eventos, tudo bem. Mas se é para o típico sessentão de primeira viagem se afirmar culturalmente, está errado. Pois o "coroa" de hoje não vive mais em 1973 e, portanto, também terá que ir ao Lollapalooza.

É claro que as pessoas com mais de 45 anos perdem um pouco a fluência de se divertirem, dependendo sempre da companhia de seus filhos e outros moleques para entender o que é o lazer, apesar da vivência toda do lazer, sobretudo durante a adolescência e os tempos de faculdade.

Mas aqui se fala sobre o "rapagão" ou a "garotona" do começo dos 60, nascidos principalmente entre 1950 e 1955, que ainda tem o cacoete de tentarem parecer como pessoas nascidas nos anos 40, falando de coisas que, no seu tempo, eram muito pequenos ou nem eram nascidos para compreender e que, salvo exceções, não têm o natural interesse em entender profundamente.

São pessoas que tentam nos fazer crer que "viram" Glenn Miller - impossível, porque ele morreu uma década antes - , que seguem Jacinto de Thormes (o colunista social "careta" dos fifties) ou que acompanharam a trajetória da revista Senhor (só mesmo riscando os exemplares dos papais), ou então que procuram o prazer perdido na Roma pré-Mussolini ou na Nova York dos anos 1940.

Só que os tempos são outros e, principalmente, aqueles que possuem cônjuges mais jovens precisam ralar e tirar a ferrugem de suas mentes. Não se é mais "coroa" como se era nos anos 1970, hoje os "coroas" dançam músicas mais agitadas, têm uma vida mais ativa, se vestem de forma mais descontraída e alguns praticam até esportes radicais.

Portanto, vale esquecer aquele glamour que hoje não faz sentido, jogar fora aquela aura paternal que era o must dos anos 1970, ou inventar para os mais jovens que conheceu pessoalmente a Nova York de 1947, a Roma de 1910, a Paris de 1895, frequentou o colunismo de Jacinto de Thormes e ainda dançou num concerto de Glenn Miller.

Deixem de preguiça!! O festival certo para essa geração é o Lollapalooza. Não se incomodem com os cabelos grisalhos ou com o fato de terem filhos adultos. Vistam as camisetas de algodão, usem bermudões e saias e calcem um par de tênis e vão se descontrair.

Além disso, grisalhos e grisalhas não precisam vir acompanhados dos filhos para curtirem sons mais joviais. A ideia é o "coroa" ir sozinho, mesmo, sentir na própria pele e nos neurônios os novos sons que virão às suas mentes. A ordem é arejar as mentes, e se encontrar com a juventude que se perdeu dentro desses "coroas". Podem comprar os ingressos para o Lollapalooza e curtam sem medo.

terça-feira, 1 de abril de 2014

JOÃO GOULART E AS PRESSÕES DO 1964


João Goulart pode ter cometido erros políticos, sim, como a tal anistia aos sargentos revoltosos comandados pelo suspeito Cabo Anselmo - depois revelado um direitista astucioso - , mas não era um político fraco nem hesitante, mas um líder popular que sabia que estava agindo sob violentas pressões de todos os lados.

Das esquerdas, Jango era acusado de não cumprir o que prometia das chamadas reformas de base. Neste caso, as pressões sociais e a atuação bem menos cúmplice do que parecia em relação ao PCB - que já em 1962 deixava o antigo nome "Partido Comunista do Brasil" para o nascedouro PC do B e passava a ser Partido Comunista Brasileiro - desmentiram o mito de que Jango era "comunista" e "manipulador de sindicatos".

Da direita, Jango era acusado de ser "comunista", mesmo quando as relações não eram assim tão ligadas e que o próprio PCB era duramente criticado pelos esquerdistas de 1961-1964, por conta de sua visão antiquada e extremamente pragmática. Depois do golpe, o PCB foi acusado de não ter firmeza, na época, para reagir contra a ação dos generais.

João Goulart era um líder nacionalista. Até o linguista e cientista político norte-americano Noam Chomsky não considerava Jango um "comunista". O que Jango representou foi um político reformista, que procurava ousar mais nas suas ideias políticas e nos seus projetos de governo, que infelizmente não teve condições de colocar em prática.

Jango não era hesitante. Ele tentava manter um equilíbrio político, já que governava um país grande e diferenciado que era o Brasil. A responsabilidade dele era grande, mas o preconceito que se havia na sociedade com projetos reformistas era bem pior.

Se trinta anos antes do Golpe de 1964 ainda se via as reivindicações dos trabalhadores como um "crime", em 1964 havia gente que se revoltava quando um governante prometia reformas sociais amplas, reforma agrária e redução das remessas de lucros para o exterior.

Jango melhorava as políticas salariais, e irritou a direita quando, no tempo em que era ministro do Trabalho de Getúlio Vargas, dobrou o valor do salário mínimo. Isso em 1954. A direita pressionou e os então coronéis que depois derrubaram o mesmo político, chegaram a divulgar um manifesto contra a medida.

A reforma agrária só era aceita pela direita quando os grandes proprietários de terra recebessem uma pesada indenização. Foram-se os tempos de antigos fazendeiros que transformavam antigas propriedades em bairros populares, a ganância dos fazendeiros nas últimas décadas motivou até mesmo a prepotência e a violência nas áreas rurais e nos subúrbios.

A redução da remessa de lucros para o exterior era uma forma de impedir que empresas e empresários estrangeiros levassem mais dinheiro para fora do país. Era um meio do Brasil segurar mais dinheiro no seu território, para ser aplicado em projetos de cunho social, sobretudo em favor da Saúde, da Educação e dos salários dos trabalhadores.

Jango irritava a direita por causa disso. Aliás, o Brasil queria andar para a frente. Mesmo culturalmente. Discutia-se até mesmo as marchinhas de carnaval, algo que parece insólito num país que, hoje, não quer que questionemos o "funk". Tínhamos projetos educacionais ousados, projetos de cultura musical polêmicos mas audaciosos, tínhamos programações de TV de qualidade.

Sim, porque naquela época mesmo apresentadores de auditório que depois mergulharam fundo na bregalização cultural - como Sílvio Santos e Raul Gil, que já eram bem conhecidos na época do governo Jango - não estavam comprometidos com a imbecilização das classes populares. E se hoje qualquer nulidade do Big Brother Brasil vira "celebridade", naqueles tempos um filósofo como Jean-Paul Sartre é que atraía mais audiência para a televisão já no começo de popularização.

Bibi Ferreira chamava personalidades brasileiras que tinham o que dizer e artistas de música brasileira de verdade para comporem as atrações do Brasil "Ano Tal" que havia feito então, na TV Excelsior, uma emissora de TV de perfil moderno na época. Com seu Brasil 60, Brasil 61, Brasil 62 e Brasil 63, Bibi fazia um programa de auditório sofisticado que nem as emissoras de TV paga hoje têm coragem nem interesse em fazer.

Era um Brasil que parecia antecipar até mesmo à Contracultura da Europa e dos EUA. A dos EUA de 1961-1964 parecia tímida, a da Grã-Bretanha incipiente, a da França criava fôlego, com outros países assistindo a tudo isso de camarote. O Brasil já tinha uma UNE discutindo cultura e querendo transformar as mentes populares de nosso país.

Mas aí veio a ditadura, e Jango mostrou-se, por incrível que pareça, equilibrado. Ele sabia que nada podia fazer, com um Congresso Nacional em maioria contra ele, com ameaças de golpe já divulgadas em rádio e TV, e tinha um Exército pouco preparado para reagir contra as ações golpistas.

O frágil dispositivo militar do ministro da Casa Militar, Argemiro Assis Brasil, e o fato do ministro da Guerra, Jair Dantas Ribeiro, estar doente, propiciaram a reação golpista, que ainda contou com a adesão dos poucos militares de Assis Brasil que rumaram em direção às tropas de Olímpio Mourão Filho.

Jango preferiu não investir na reação, e sua decisão foi controversa (ela irritou, sobretudo, o cunhado Leonel Brizola, que havia transferido seu domicílio político do Rio Grande do Sul para a Guanabara). Ele não queria criar um ambiente de guerra, primeiro por saber do que a rígida oposição seria capaz de fazer, segundo, porque não queria que se criem grandes tragédias para o povo brasileiro.

Mais tarde, revelou-se que os EUA já tinham pronto um plano de guerra contra o Brasil, a operação Brother Sam, não bastasse a grande soma de dinheiro que a CIA investiu aqui e ali no Brasil, de entidades "representativas" de estudantes e operários até "marchas da família", para não dizer o IPES-IBAD, na campanha para derrubar Jango.

Com a ditadura militar, o país regrediu a um conservadorismo reciclado que reflete até mesmo nos dias de hoje. Tanto que, quarenta anos depois, Lula tentava aplicar uma forma branda de "governo Jango" num contexto sócio-cultural parecido com o da Era Geisel.

Em vários aspectos da vida social, cultural, política e econômica, o país passou a sofrer de um vazio ideológico e identitário muito grande. Para piorar, muitos dos intelectuais de hoje só querem analisar o passado retrocedendo, no máximo, até 1967. Eles têm medo de 1964, e de antes desse ano, porque iria expor contradições e equívocos que explicariam muitos erros ocultos de hoje.

Por isso ainda temos que analisar muito o que significou o Brasil até 01 de abril de 1964. A memória curta sofrerá muitas dores, e muitos "heróis" e "dogmas" serão postos em xeque, diante da redescoberta de um Brasil que os brasileiros de hoje pouco conhecem.

domingo, 30 de março de 2014

NA ALTA SOCIEDADE, CASAIS SEM AFINIDADE TÊM "JOGO DE CINTURA" PARA DURAR RELAÇÃO


Por que muitos casais sem afinidade, na alta sociedade ou mesmo entre boa parte dos famosos, conseguem ter uma relação duradoura, mesmo não significando uma relação de verdadeira cumplicidade e integração conjugal?

Enquanto é mais fácil ver casais que se unem com afinidade se separarem por este ou aquele detalhe - em muitos casos é a sobrecarga profissional, outros é o desgaste natural da paixão, outros é por alguma mudança por parte de um dos cônjuges - , é muito mais difícil ver casais sem afinidade se separarem, em que pesem suas profundas diferenças.

É aquela famosa atraente, de personalidade bastante moderna, que está casada com um empresário, executivo ou profissional liberal de personalidade mais antiquada, apegado a formalidades e pouco à vontade ao mesmo lazer que sua esposa vive com desenvoltura.

Por que isso ocorre? Seria muito ingênuo dizer que se trata de uma afinidade natural ou de uma grande cumplicidade, até porque, fora a formalidades ou alguns hábitos em comum - como tomar vinhos e frequentar os mesmos lugares chiques, pouco existe de afim por parte desse casal.

O que se percebe, aliás, é um "jogo de cintura" feito para manter a relação, muitas vezes frágil como um castelo de areia diante de um mar revolto. Isso porque o casal não fica o tempo todo junto e talvez quase nem fique, já que o maridão fica o tempo todo nos negócios profissionais e a esposa circula sozinha em boa parte dos eventos.

O que se observa é que a moça tem suas "horas de solteira", em tese para apreciar seus gostos pessoais ou conversar com as amigas. São muitas horas curtindo algo que o "elegante" maridão, que deixou de se interessar por "certas coisas" - na boa, ele hoje mais parece um "boneco" de terno e gravata que gosta de vinhos - e não curte as mesmas diversões da esposa.

Com isso, o casamento que não é lá grande coisa consegue se sustentar pelas férias conjugais de maridos e mulheres do gênero. Não se está aí levando em conta se há amantes ou não, isso é outra história. Aqui o que se leva em conta é que o casal mantém a relação pela capacidade dos cônjuges poderem viver constantemente longe um do outro.

sexta-feira, 28 de março de 2014

RÁDIO CIDADE SOFRE DA SÍNDROME DE MICHAEL JACKSON


A Rádio Cidade 102,9 mhz está um tanto confusa. Querendo rever parcialmente sua história, a emissora do Rio de Janeiro insiste num perfil "roqueiro" caricato, estereotipado e forçado, que não soa convincente nem supre as necessidades básicas da cultura rock, mesmo para iniciantes.

A Rádio Cidade força a barra porque, mesmo sendo uma rádio que fez história transformando a linguagem do rádio FM, sofreu da frustração de não ter o carisma da Rádio Fluminense FM entre os roqueiros.

A Cidade já tentou por quatro vezes se projetar como "rádio de rock": uma, de forma tímida, entre 1985 e 1989, na carona do Rock In Rio e como laboratório para a 89 FM de São Paulo. Depois veio a experiência de 1995 a 2000, mais pretensiosa mas menos escancarada. Aí veio a rede da 89 FM entre 2000 e 2006. Já a quarta tentativa é a atual, desde o último dia 10.

A Rádio Cidade sofre da síndrome de Michael Jackson. O falecido astro pop surgiu como um simpático cantor soul, que impressionava quando era criança, à frente dos irmãos músicos do grupo Jackson Five. Depois iniciou uma carreira solo de bons momentos, dentro da boa escola soul e embarcou com segurança na disco music e no funk autêntico, sob a ajuda de Quincy Jones.

Tudo estava bem até que, no disco de maior sucesso, Thriller, de 1982, um dos sucessos de Michael foi "Beat It", tocada em arranjo "pesado" com a participação de Eddie Van Halen na guitarra. Foi aí que Michael iniciou seu caminho perigoso, que em parte influiu na sua tragédia.

O cantor passou a sentir uma obsessão em ser "branco" e "roqueiro". Nos discos seguintes sempre colocava uma faixa com guitarrista. Bad, de 1987, "Dirty Diana", teve Steve Stevens, parceiro de Billy Idol. Em Dangerous, de 1991, "Give It To Me" teve a participação de Slash, do Guns N'Roses.

É de Dangerous também a música de trabalho, "Black or White", um "roquinho" cujo videoclipe mostrava Macaulay Culkin fazendo o papel estereotipado da criancinha rebelde cheia de clichês roqueiros, como ouvir som alto e fazer "air guitar" (gestos manuais simulando solo de guitarra).

Michael teve tanta obsessão em ser "roqueiro" que chegou a comprar os direitos autorais do repertório dos Beatles, se valendo da confiança de Paul McCartney, que duetou com ele na música "The Girl is Mine", de Thriller.

E isso influiu até no vocal, que passou a ser berrado, em vez da bela voz soul que marcou canções como "Rock With You", "Human Nature", "One Day in Your Life" e "Off The Wall", além do falsete da música "Don't Stop Til' You Get Enough".

Michael passou a ter uma desesperada mania de parecer "roqueiro" - uma forma de soar como "artista branco" que fez o cantor tomar remédios para clarear a pele - que se casou com a filha de Elvis Presley, Lisa Marie, e passou a imitar o então sogro vestindo um macacão semelhante ao que o falecido roqueiro usava nos últimos anos de carreira.

Temos depois, Michael passou a se vestir e a gesticular como Mick Jagger. Com o cantor dos Rolling Stones, Michael duetou na música "State of Shock" gravada com a banda dos irmãos, que havia sido rebatizada The Jacksons, no álbum Victory, de 1984.

A música, no entanto, teria dueto com Freddie Mercury, o finado cantor do Queen, para o álbum Thriller, mas problemas de agenda impediram o lançamento deste dueto. Composto com o guitarrista Randy Hansen, Michael havia bolado um arranjo "roqueiro" para a canção.

Mesmo em músicas não roqueiras, como em "They Don't Care About Us" e "Scream", esta em dueto com a irmã Janet Jackson, Michael tinha obsessão pela "atitude", o que fez com que ele se preocupasse com factoides e com uma personalidade esquisita, um tanto infantiloide, outro tanto pretensamente rebelde.

Curiosamente, Michael Jackson foi um dos nomes da música pop mais tocados pela Rádio Cidade, que já em 1979 dava alta rotação a músicas como "Don't Stop Til' You Get Enough", "Rock With You" e "Off The Wall". A rádio também deu todo o acompanhamento do sucesso de Thriller e mesmo na tímida fase "roqueira" de 1985-1988 não deixava de tocar as faixas do álbum Bad.

A obsessão "roqueira" matou Michael Jackson. Nem todo mundo tem vocação para ser roqueiro. Perseguir a rebeldia como um fim em si mesmo, bancar o "malvado", o "radical", não traz muita vantagem e o que se vê, na Rádio Cidade, é a mesma paranoia da falsa rebeldia adotada por Michael Jackson e uma obsessão forçada pela atitude roqueira.

Mesclando linguagem pop, a Rádio Cidade virou mera rádio de locutores e promoções. Tem departamento comercial enxuto, aumentou seu sinal de transmissão etc etc etc. Com fraca programação musical, a rádio não convence sequer quando tenta tocar bandas "alternativas", até porque, ironicamente, elas seriam muito melhor tratadas por uma OI FM.

Com rádios realmente roqueiras botando para ferver frequências afora - como a Kiss FM e Fluminense AM - , a Rádio Cidade ainda fica colada, no dial, com a emissora pop Mix FM e, ao lado desta, tem a similar Transamérica FM. As duas nem de longe acreditam que se livraram da concorrência da Rádio Cidade, até porque, em matéria de QI, a Rádio Cidade está MAIS POP do que nunca.

Nenhum alternativo e nenhum roqueiro exigente irá ouvir a Rádio Cidade. Também não cairão mais nesse papo cansativo que mais parece disco riscado que diz "pelo menos a Cidade é muito melhor que muita rádio aí...", porque esse papo de se contentar com pouco cansa com a paciência de qualquer um. Da mesma forma que os roqueiros não querem ficar ouvindo somente os "sucessos da Cidade".

quinta-feira, 27 de março de 2014

HOMENS "DE SUCESSO" FICAM BITOLADOS DEPOIS DOS 40 ANOS


Algo está muito errado entre os homens com mais de 45 anos. Empresários, profissionais liberais e executivos que nasceram sobretudo entre 1950 e 1974 estão com o comportamento completamente bitolado, apesar de não indicarem qualquer fracasso em suas vidas sociais.

À maneira de uma comida ruim que só vale pelo bom tempero, eles mostram suas personalidades monótonas, ficam pouco à vontade na hora do lazer e seu apego a formalidades e clichês de elegância e sofisticação os fazem menos "legais" e mais uns "chatos" que tentam parecer "agradáveis".

É só verificar eles na hora do lazer. No trabalho, eles são exemplares. Bons economistas, bons empresários, bons publicitários, bons médicos, bons engenheiros, bons advogados, bons chefes de jornalismo. São sinônimo de sucesso, liderança, organização e idealismo, embora na atualidade eles tenham se reduzido a meras sombras de suas primeiras aventuras profissionais.

Quando fazem palestras, isso se torna claro. Eles são apenas testemunhas dos grandes feitos que hoje não são mais capazes de fazer. Eles hoje vivem apenas para reafirmar ou sustentar o idealismo que eles deixaram para trás entre seus breves períodos, geralmente de 25 a 34 anos, de grandes façanhas.

E hoje, o que eles são? Eles tentam se justificar com clichês de elegância. Personalidade nenhuma eles têm, porque o que eles fazem é tão rotineiro e padronizado que não há um diferencial a expressar, a não ser as tais glórias passadas dos primeiros empreendimentos, das primeiras profissões, das primeiras conquistas.

Hoje eles tentam se afirmar das coisas mais triviais e, sem saber, acabam se coisificando, se tornando escravos das etiquetas, das formalidades e do dito "bom gosto". Por exemplo, um empresário deixa de ser o homem que ele é para ser apenas um paletó, um par de sapatos de verniz, uma coleção de bebidas alcoólicas, umas viagens a lugares antigos na Europa, umas festas de gala.

Quem começa a ter 60 anos torna-se mais grave ainda. Eles passam a ter um pedantismo tentando dar a impressão de que eles possuem uma vivência de gente mais velha do que eles. Além disso, boa parte deles têm um vestuário que continua preso à sisudez dos anos 70, sobretudo na insistência de usar sapatos de verniz ou de couro a qualquer situação, mesmo sacrificando seus próprios pés.

Esses homens mais velhos não conseguem ter a sabedoria de outros sessentões de outras gerações. A geração de Millôr Fernandes, Otto Maria Carpeaux, Carlos Drummond de Andrade, Oscar Niemeyer e Tom Jobim tinha sua sabedoria, suas lições, enquanto os sessentões de hoje são apenas meras imitações, pálidas e fajutas, dos sessentões de outrora.

São pré-idosos que querem se autoafirmar com uma viagem à Roma, com um conhecimento de vinhos, com normas de etiqueta, com poses paternais, com os noticiários políticos de véspera, com paletós, sapatos de verniz, com sucessos de Frank Sinatra, ou mesmo com as revistas Senhor que, sinceramente, eles só conheceram rabiscando, na tenra infância, os exemplares comprados pelos pais.

Mas os quarentões - gente de minha geração já que, acredite, tenho 43 anos - também sucumbem a esse bitolamento. Já começam a deixar de ser homens com alguma personalidade para "terem personalidade" às custas dos vinhos que consomem, das viagens a Nova York, dos grandes edifícios modernos que frequentaram, das grifes dos paletós que usam etc etc etc.

Não dá para entender por que eles ainda são desejados pelas mulheres, porque esses homens, dos 40 aos 64 anos, são extremamente superficiais. Eles apenas possuem a habilidade de se passarem por homens refinados, fazendo-nos convencer de seu pedantismo e dos referenciais culturais que dizem apreciar, enquanto por trás disso se tornam "coisas" num mundo de elegância e glamour.

Eles são apenas bons empresários, bons profissionais liberais e bons executivos. São sinônimo de iniciativa, sucesso e riqueza. Mas, fora do âmbito profissional, não passam de homens-objeto, escravos de signos de elegância como vinhos, uísques, champanhes, sapatos de verniz, ternos, noticiários políticos, que nada nos dizem de realmente importante em suas pessoas.

O que significa que o brilho desses homens se apaga quando eles encerram mais uma semana de trabalho. Mas, por enquanto, eles são capazes de conduzir, na hora do lazer, suas chatices de uma forma que pareçam comedidos, simpáticos e admiráveis.

terça-feira, 25 de março de 2014

GWYNETH PALTROW ESTÁ SOLTEIRA!!

A atriz norte-americana Gwyneth Paltrow se separou do músico inglês Chris Martin, líder do Coldplay, depois de pouco mais de dez anos casados. O casamento gerou dois filhos, Apple e Moses, e terminou de maneira amigável.

Tudo indica que compromissos profissionais sejam um dos motivos da separação, que foi amigável. A atriz e o músico eram muito discretos no seu cotidiano e poucas vezes eram fotografados juntos, mantendo sua privacidade. A notícia da separação ocorre na época em que o Coldplay se prepara para lançar novo disco.

Gwyneth é notável pela sua beleza simples e meio nerd, pela sua graciosidade e pela sua formosura.


segunda-feira, 24 de março de 2014

"FUNK" É USADO EM ASSÉDIO MORAL NO TRABALHO, NO RIO DE JANEIRO


O lobby do "funk" contagia tanto o mercado que já existe até mesmo uma forma de assédio moral nos ambientes de trabalho, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, que empurra rapazes considerados de personalidade "pouco convencional" para assistir a "bailes funk" ou para conhecer funqueiras, sobretudo aquelas de corpo siliconado.

Embora seja uma atitude "descontraída", que muita gente vê como "sadia", ela consiste num bullying na medida em que, sob ameaças diversas - desde a gozação de colegas até a demissão do emprego - , força a barra para qualquer um gostar do "funk" e aceitar as funqueiras.

O assédio moral nos ambientes de trabalho ocorre constantemente no Grande Rio, quando colegas impõem seus pontos de vista para o colega mais "esquisito" e "quietinho". O fanatismo do futebol, por exemplo, é um dos temas de muitos assédios morais, como se houvesse uma obrigação a qualquer um de ter que torcer por algum time ou assistir a uma partida esportiva.

Mas o "funk" torna-se cada vez mais um outro tema desses assédios, o que se torna pior, vide a aura de grosserias e estupidez associadas ao gênero, e que são jogadas justamente para aqueles que nunca iriam participar de tais ciladas.

O alvo da "brincadeira" são funcionários emergentes, geralmente de personalidade mais reservada, solitários e solteiros, de um comportamento pouco convencional. Não são muito extrovertidos, desses que chegam nos ambientes de trabalho falando como animadores de programas de auditório, e às vezes dão a impressão de que são tristonhos e infelizes, devido ao semblante constantemente taciturno.

A "brincadeira" tem o mesmo sentido dos trotes universitários. Joga-se o infeliz do colega pouco comunicativo para uma situação constrangedora, ir para um evento que ele não curte, que toca um estilo que ele não gosta e vai conhecer mulheres que ele nunca estaria a fim.

É, como nos trotes, uma situação constrangedora. Ele faz o que não gosta, como suposta prova de "trabalho em equipe", "espírito social" e "adaptação ao meio em que vive". Se aceitar tudo de bom grado, pouco importando as consequências que terá, será bem aceito no ambiente de trabalho.

Caso o rapaz não entrar no "espírito da brincadeira" ele corre o risco de ser hostilizado sutilmente pelos colegas, com aquela indiferença preconceituosa de outros que demonstram uma aversão secreta a um colega tido como "antissocial". Isso para não dizer que ele será colocado na primeira fila de supostos demitidos na hipótese de algum "enxugamento" financeiro da instituição.

Não adianta dizer que respeita o "funk" mas quer manter distância dele. Os colegas querem é que ele participe, que ele, não gostando, mesmo assim prove quantas vezes quiser, mesmo que sinta nojo, constrangimento, tristeza ou irritação. A imposição dos colegas o torna refém de um processo de ascensão sócio-profissional condicionado por tais humilhações.

Isso é muito grave. O rapaz não curte "funk", mas seus colegas o levam para um "baile funk". Ele nem está a fim de pegar funqueiras, mas ele vai ao camarim da intérprete de "funk" e é "estimulado" pelos colegas, sob risos, a beijar o traseiro da moça.

A funqueira apoia porque ela trabalha essa imagem mesmo, e tudo o que o rapazinho terá que fazer é aceitar pagar mico para ser aceito pelos colegas de trabalho. Tudo para tentar mostrar que é "social", "está de bem com a vida" e "não tem preconceitos". E isso pegando carona na ideia clichê que diz que "não é preciso gostar de 'funk', mas é preciso aceitá-lo".

DEFENSORIA PÚBLICA - A solução para funcionários que são obrigados a esse constrangimento é procurar um defensor público. É necessário ter argumentos firmes, como o próprio direito à personalidade e que não é obrigado a seguir as imposições e posturas de outros.

Dizer apenas que não se sente à vontade ou se sentiu constrangido é insuficiente para que a representação - recurso jurídico que dá entrada ao processo - seja aceita pelo advogado, porque ele entenderá que não caberá processar colegas de trabalho por causa de uma "saudável brincadeira".

Um bom argumento possível é a questão da diferença. O "funk" clama tanto pelo discurso de diversidade e pelo respeito às diferenças, mas não aceita que as diferenças sejam aceitas, no caso de pessoas que não querem ir a um "baile funk" nem se envolver num assédio a uma funqueira.

Além disso, é necessário também verificar leis trabalhistas, a Constituição Federal e outras leis, em artigos referentes a constrangimentos morais ou ao respeito à liberdade humana. O assédio moral também é considerado crime e existem recursos legais para que o processo seja bem sucedido.

E, além disso, é preciso perseverança, uma vez que em primeira instância os processos podem ser contestados, e aí é preciso uma série de recursos para que a causa seja ganha.

sábado, 22 de março de 2014

FRIENDLY FIRES, GRUPO DE ROCK ALTERNATIVO, ESNOBA "FUNK" EM ENTREVISTA


O grupo inglês de rock alternativo, Friendly Fires, deu um balde de água gelada para a imprensa brasileira que apostava em ver o "funk" reconhecido como "cultura alternativa" ou "movimento de vanguarda".

Numa entrevista dada ao canal pago Play TV, os integrantes do grupo foram perguntados pela repórter se eles conheciam o "funk". A repórter fez os habituais elogios a esse ritmo de qualidade bastante duvidosa, com todos os clichês discursivos bem conhecidos até na "choradeira" dos intelectuais "bacaninhas".

Simpático, o vocalista e baixista Ed MacFarlane respondeu à pergunta da repórter se ele sabia dançar alguns passos de "funk". Ele disse que só sabe dançar a sua música, e que deixa o assunto do "funk" para os "profissionais".

O comentário provavelmente é irônico, já que a reputação do "funk", lá no exterior, não é lá tão boa quanto se supõe. Ela só é cortejada por um establishment de intelectuais, artistas e turistas afinados com o mercadão popularesco, mas quem quer cultura séria lá fora vê com desconfiança todo o oba-oba em prol dos funqueiros.

Daí a lição de Ed MacFarlane que acabou com a festa da "galera descolada" que acharia que os alternativos de lá são trouxas para pagarem pau a um "baile funk". Mas tentaram até mesmo jogar Paul McCartney nessa arena, e a boataria não colou. Mais uma nota zero para os funqueiros e seus propagandistas.

quinta-feira, 20 de março de 2014

FMS DE SALVADOR "COMPRAVAM" ATÉ OUVINTES PARA FORÇAR "GRANDE AUDIÊNCIA"

EM SALVADOR, JÁ TEVE TÁXI COM JANELAS FECHADAS E O RÁDIO LIGADO...PARA NINGUÉM OUVIR.

O jabaculê não-musical das FMs brasileiras existe e não dá para desmentir. Em Salvador, então, ele se torna ainda mais escancarado, de acordo com denúncias que, nos últimos anos, envolvem o chamado "Aemão de FM" transmitido na capital baiana.

As rádios cometem diversas fraudes, inclusive aquela que utiliza falsas audiências coletivas, a partir das sintonias arranjadas mediante suborno em estabelecimentos comerciais. Uma única pessoa sintoniza uma emissora de rádio num estabelecimento comercial e a audiência é atribuída para o total de fregueses que não se dá conta do que está ouvindo da rádio sintonizada.

Isso anaboliza os pontos do Ibope em muitíssimos pontos. Um único gerente ouve a rádio que sintoniza numa loja. Às vezes nem ele ouve, o rádio é ligado só "para fazer barulho". Mas aí a loja atende uma média de, por exemplo, 50 mil fregueses e estes, somados ao gerente e seus funcionários, são atribuídos à audiência de determinada emissora.

Há rádios que não chegam a ser ouvidas por 50 pessoas numa única cidade que passam a registrar no Ibope e em outros institutos um índice de pelo menos 150 mil ouvintes, por causa da manipulação dos dados de audiências em sintonias coletivas. A audiência é calculada não pelas pessoas que ouvem, mas pelo alcance do som da rádio a qualquer pessoa numa área, independente do interesse pela sintonia.

Essa prática já começa a ser feita no rádio do Rio de Janeiro, incluindo emissoras "conceituadas" como Rádio Globo, Super Rádio Tupi, Band News Fluminense e Transamérica FM, incluindo até mesmo uma rede de supermercados cujos funcionários são obrigados a sintonizar a Rádio Globo. Bancas de jornais também estão sendo pagas para sintonizar a Band News Fluminense.

Mas, em Salvador, a prática é antiga. Rádios como Salvador FM, Piatã, Itaparica e Band FM (hoje Band News Salvador) eram conhecidas por subornar sindicatos de taxistas, porteiros de prédios, donos de botequins, entre outras práticas jabazeiras, só para forçar a audiência das emissoras.

Atualmente, a Rádio Metrópole FM "comprou" audiências em lojas de materiais de construção, vans escolares e até mesmo nas filiais das Lojas Americanas e da livraria Civilização Brasileira no Shopping Iguatemi. A Transamérica FM havia "arrendado" a sintonia de uma papelaria no Salvador Shopping, onde taxistas também foram "comprados" para sintonizar transmissões esportivas da Itapoan FM.

Não obstante, a poluição sonora das transmissões esportivas era uma estratégia comum, cometida por essas emissoras - e atualmente também por rádios como a Metrópole, Itapoan e Transamérica, entre outras - , ocorrendo até mesmo à noite, sem escrúpulos de perturbar o sono de muitos trabalhadores.

Existe até um acordo entre as emissoras de rádio e os jornais baianos de não denunciar esta prática, pois a imprensa baiana se limita a considerar como poluição sonora apenas os cultos evangélicos e as rodas de samba, deixando imunes as sintonias de transmissões esportivas, mesmo com a velocidade e o barulho incômocos do grito dos locutores esportivos.

Práticas constrangedoras chegam a serem feitas para forçar a "grande audiência" dessas emissoras. Há casos de produtores que vão para botequins subornar gerentes com pagamentos de contas de luz e de fornecimento de bebidas se tais estabelecimentos sintonizarem a FM tal durante as transmissões de partidas de futebol.

Além disso, há também casos de produtores ou outros "colaboradores" dessas FMs que, durante tais transmissões, circulam pelas ruas de Salvador e estacionam diante de shoppings fechados, observando as pessoas em volta para ver se há uma receptividade delas à sintonia radiofônica.

Mas o mais absurdo está no fato de pessoas que deixam seus carros com o rádio ligado, sem que alguém se interesse em ouvi-la, só pela "obrigação" de fazer barulho ou manter a sintonia, geralmente em "programas de locutor", "resenhas esportivas" ou as transmissões de futebol.

Um táxi nos Barris chegou a ser visto com as janelas fechadas, sem gente, mas com o rádio ligado num programa de noticiário esportivo de Salvador FM, durante o horário de almoço. No passado, o dono da rádio, Marcos Medrado, havia reservado a uma liderança taxista pelega um "informativo" para o sindicato de taxistas de Salvador.

Muitas dessas práticas - como o aluguel de sintonias em estabelecimentos comerciais - se serve sob o aparato de "permutas publicitárias", mas consistem numa prática de jabaculê visando forçar uma "grande audiência" que essas emissoras não têm. Pelo contrário, o "Aemão em FM" é o que mais perde audiência em todo o país, não fazendo sucesso sequer em estádios de futebol.

E sendo isso aliado à corrupção dos dirigentes esportivos de Salvador, famosos pelos seus conchavos com rádios como Metrópole, Itapoan, Salvador, Transamérica e Piatã, mostra o quanto decadente está o rádio na Bahia, há muito naufragado na politicagem e na manipulação dos dados de audiência, sob o consentimento da imprensa mas com o repúdio do povo baiano, que prefere desligar o rádio.

quarta-feira, 19 de março de 2014

BAHIA VIVE ESCÂNDALOS ENVOLVENDO MÍDIA E ENTRETENIMENTO

NEW HIT, MÁRIO KERTÈSZ, BELL MARQUES E ABRAKADABRA - A Bahia está fervendo... De tanto escândalo.

Uma série de escândalos está abalando vários setores da mídia e do entretenimento em Salvador, atingindo figuras antes consideradas de grande prestígio, e agora envolvidas em denúncias graves que somente tenderão a crescer nos próximos tempos.

Recentemente, uma entrevista com o atual presidente do Esporte Clube Bahia, Fernando Schmidt, ele denunciou o esquema de corrupção envolvendo dirigentes do Bahia na gestão anterior de Marcelo Guimarães Filho e jornalistas e radialistas esportivos, que incluiu desde pagamento de hospedagem e passagens aéreas até pagamento de custos de transmissões e programas esportivos.

Segundo Fernando, a sujeira que está por trás do esquema é "pesada". Não é a primeira denúncia sobre tal escândalo. Outras denúncias foram divulgadas antes, e uma delas, divulgada em dezembro de 2008, fez um dos denunciados, o locutor e dono da Rádio Metrópole FM, Mário Kertèsz, sofrer um infarto, abalado com a repercussão do escândalo.

Kertèsz já é historicamente conhecido pelo episódio do final dos anos 80, quando ele, então prefeito de Salvador, criou um esquema de corrupção que desviou o dinheiro público para a compra de rádios, TV e jornal. Kertèsz se desfez de parte desse patrimônio, mas foi através do roubo de verbas públicas que uma das rádios, a antiga Rádio Cidade de Salvador, virou a atual Rádio Metrópole.

Outro "amigo" dos dirigentes esportivos, Marcos Medrado, dono e dublê de radiojornalista da Salvador FM, havia sido envolvido por um esquema de extorsão movido pelo radialista Ivan Carlos, em 2011. Medrado também havia sido incluído entre os integrantes da bancada ruralista do Congresso Nacional, ou seja, como representante parlamentar dos interesses latifundiários.

Na música baiana, a denúncia de escândalos envolve desde os mais ricos astros da axé-music a ídolos "populares" do arrocha e do "pagodão". No "alto escalão", as denúncias se relacionam à exploração cruel que cantores de axé-music fazem com os chamados músicos de apoio, obrigados a criarem "empresas fantasmas" para ganhar mais salários para desviar os cantores das obrigações com o Imposto de Renda, observados em casos como o de Asa de Águia e Ivete Sangalo.

Um dos casos mais chocantes envolveu o cantor Bell Marques, que não deu a devida assistência financeira ao ex-guitarrista do Chiclete Com Banana, Cacique Jonny, que era tratado como "empregado" e não como músico da banda, só assistindo ele depois que o músico divulgou que sofria de uma grave doença.

Bell também se recusou a dar o devido apoio a uma jovem cantora que decidiu empresariar. Talvez por essas atitudes, juntamente com a prepotência de Bell sobre os demais integrantes da banda, que fez o vocalista sair do Chiclete Com Banana, que já arrumou outro cantor para a função.

No arrocha, recentemente houve o caso de Silvanno Salles (nova grafia usada por Silvano Sales), que tem apresentações agendadas no Rio de Janeiro, teve um carro seu, um Chevrolet Camaro, apreendido pela polícia por ter rodado em alta velocidade e estar com documentação irregular.

No "pagodão", ritmo popularizado nacionalmente pelo É O Tchan, Harmonia do Samba e, mais recentemente, por Parangolé ("Rebolation") e Psirico ("Lepo Lepo"), pelo menos dois grupos estiveram associados a escândalos sexuais.

O New Hit havia sido acusado de tentativa de estupro de duas jovens, numa apresentação no interior da Bahia. Os integrantes chegaram a serem presos. Já o Abrakadabra apresentou um clipe da música "Tigrão Gostoso" em que os integrantes perseguem uma jovem indefesa com a intenção de estuprá-la.

Em outros tempos, o É O Tchan havia lançado seu primeiro sucesso, "Segura o Tchan", com outra alusão ao estupro, através de versos como "Tudo que é perfeito agente pega pelo braço / Joga ela no meio / Mete em cima / Mete em baixo / Depois de nove meses / Você vê o resultado". Apesar disso, o grupo e sua estética "alegre" era impunemente exibido para o público infantil, com o apoio de muitos pais.

Junta-se a isso a crise de reputação de intelectuais locais, como os professores da UFBA Roberto Albergaria e Milton Moura, que defendiam a bregalização cultural bem antes dos delírios "provocativos" de Pedro Alexandre Sanches, Hermano Vianna, Paulo César Araújo e outros.

Albergaria repercutiu mal ao sair em defesa de um "pagodão" com letra machista, "Me Dá a Patinha", do grupo Black Style, definindo a letra como "uma brincadeira". Milton Moura, que havia defendido o "pagodão" com o ensaio "Esses Pagodes Impertinentes...", de 1996, ultimamente apareceu em situações melancólicas como fazer pálidos comentários sobre a roqueira Pitty.

Diante de tantos incidentes assim, Salvador está fervendo muito, já no fim desse verão. Só que está fervendo de escândalos, com a agonia de toda uma concepção de entretenimento e mídia que antes gozava de impunidade e alta reputação. E o pior é que esses escândalos só são o começo do que ainda está mais por vir.

segunda-feira, 17 de março de 2014

EM 25 ANOS, ROQUEIROS SE AFASTARAM DAS RÁDIOS COMERCIAIS "DE ROCK"

AGORA É A VEZ DOS FÃS DE FOO FIGHTERS E PEARL JAM SE AFASTAREM DAS DITAS "RÁDIOS ROCK" MAIS COMERCIAIS.

A realidade é um tabu para colunistas de rádio e pode ser considerada absurda para muitos internautas. Mas a verdade é que, nos últimos 25 anos, as rádios comerciais que usam o rótulo de "rádios rock", com todo o pretensiosismo de serem "para sempre roqueiras", só conseguiram afastar o público roqueiro ao longo dos anos.

Os retornos da 89 FM, em São Paulo, e da Rádio Cidade, no Rio de Janeiro, apesar do aparente sucesso, apontam para essa tendência. Seus ouvintes estão muito mais interessados em ouvir piadas, game shows e coisas que eles estavam acostumados a ouvir, tipo Charlie Brown Jr., Guns N'Roses, CPM 22, Offspring e Mamonas Assassinas do que os verdadeiros nomes do rock.

A maioria dos comentários daqueles que comemoraram a volta das duas rádios se voltava mais para a irreverência de programas como "Sobrinhos do Ataíde", "Hora dos Perdidos" e "Pressão Total" do que por alguma volta do repertório roqueiro.

Em compensação, a cada dia internautas que defendem a 89 FM e a Rádio Cidade passaram a esculhambar os clássicos do rock, como Beatles, Who e Led Zeppelin, usando a desculpa de que "preferem rock novinho" que não cola sequer em músicos contemporâneos como Dave Grohl, Eddie Vedder, Noel Gallagher e James Hetfield, admiradores confessos do rock mais antigo.

ÊXODO ENVOLVEU DO ROCK DA BARATOS AFINS AOS BEATLES

Desde 1989, quando veio a onda de rádios comerciais rotuladas de "rock", quando várias emissoras pop embarcaram na onda e, sem fazer qualquer adaptação de perfil nem de linguagem, mudaram a planilha musical para o rock, limitando-se aos sucessos empurrados pela indústria fonográfica.

A suposta disposição dessas rádios em tocar bandas alternativas ou mais seminais ou viscerais de rock se dissolveu quando o espaço ao rock que não faz sucesso nas paradas era restrito a programas semanais de uma hora,  afastou muitos fãs de rock que já se sentiram constrangidos com a linguagem pop adotada pelos locutores e pelas vinhetas das emissoras.

Em 1994, a debandada envolveu muitos fãs de rock alternativo mais acessível, como Sonic Youth, Jesus and Mary Chain e Dinosaur Jr., o que fez a 89 FM - que tentou ser um arremedo de college radio entre 1993 e 1994, devido ao auge do modismo grunge - mudar a orientação, sem largar o rótulo "roqueiro", preferindo um "rock mais pop", entre um Offspring e um Guns N'Roses.

A 89 FM já havia sofrido, em 1988, o êxodo dos fãs de rock independente - Violeta de Outono, Fellini, Mercenárias e Voluntários da Pátria - depois que a emissora rompeu o acordo de divulgação das gravadoras independentes, como a Baratos Afins, só trabalhando com as grandes distribuidoras fonográficas.

Foi a grande debandada sentida nas rádios comerciais, depois que várias delas que irradiavam pelo resto do país - como a 96 FM, de Salvador, a Atalaia FM, de Aracaju e a primeira afiliada da 89 FM, em Recife - abandonaram o gênero, devido à baixa audiência.

Depois, ao longo dos anos 90, foi a vez das bandas mais antigas, como Deep Purple, Doors, Jethro Tull e Led Zeppelin estarem envolvidas no êxodo de ouvintes, juntamente com nomes oitentistas como Smiths, Siousxie and The Banshees e, pouco depois, Cult.

A debandada ainda se avançou quando fãs de Beatles, Rolling Stones e Who também pularam fora. Isso já no começo dos anos 2000. Isso enfureceu os produtores da 89 e Cidade, que passaram, na Internet, a esculhambar os clássicos do rock e a brigar com o público roqueiro, o que custou os mais de cinco anos de "suspensão" da programação "roqueira" das duas rádios.

Atualmente as duas rádios voltaram como meras alimentadoras de concertos internacionais de rock, mais pelo departamento comercial e pelas boas relações de seus donos com Roberto Medina e outros chefões da indústria de promoção de eventos internacionais do que por algum valor que elas tinham para a cultura rock que, sinceramente, é nenhum.

Apesar do aparente sucesso - se bem que abaixo do noticiado, num contexto em que rádios FM só conseguem ter, no máximo, 1/5 da audiência declarada no Ibope e outros institutos - , a 89 e a Cidade só estão sendo conhecidas mais pelos seus programas de humor, pelas promoções e pelos programas de jogos e perguntas.

Depois do alarde dado à reprise do programa "Invasão da Cidade", com a Legião Urbana, gravado em 1992, nada mais foi comentado de importante a respeito da volta da Rádio Cidade "roqueira". Em São Paulo, a 89 FM não consegue colocar o rock como principal referencial musical para a juventude, que continua mais voltada ao "funk ostentação" e ao "sertanejo universitário".

AGORA, O ÊXODO ATINGE OS FÃS DE NIRVANA, FOO FIGHTERS E PEARL JAM

E, agora, espera-se uma nova debandada. Além dos fãs de nomes como Iron Maiden, Metallica, Ramones, Clash e AC/DC saírem de fininho e romperem com as duas rádios, agora é a vez de fãs de bandas que eram carros-chefes das rádios comerciais "roqueiras" de 1989-1993, como Nirvana e Pearl Jam, caírem fora de vez.

Percebendo que o tempo comprovou a importância de grupos como Pearl Jam, Nirvana / Foo Fighters e Oasis, e pelo fato de que seus integrantes são admiradores de rock antigo e amigos de muitos veteranos - como a amizade de Dave Grohl com o ex-beatle Paul McCartney - , os fãs de rock dos anos 90 já começam a evitar as rádios comerciais "roqueiras".

Isso é tão certo que, certa vez, no Facebook, um engraçadinho lançou um "meme" - espécie de mensagem simplificada em arquivo de imagem - em que ficava surpreso com a semelhança entre o baterista do Nirvana e o cantor e guitarrista do Foo Fighters, ignorando o fato óbvio de que se trata exatamente da mesma pessoa.

Já dá para perceber que, daqui a cinco anos, até os fãs da Legião Urbana se esquecerão dessas rádios. Até porque o ouvinte-padrão da 89 e Cidade prefere o Charlie Brown Jr. que já tem seus mortos para admiração. E durante muito tempo os fãs de Charlie Brown Jr. esculhambaram a Legião Urbana, para só depois embarcar na saudade por Renato Russo.

E o Rock Brasil hoje migrou para rádios de MPB, coisa que só agora começa a ser parcialmente revertida com um programa sobre rock brasileiro veiculado pela Kiss FM, o programa BR 102, mas mesmo assim restrito aos nomes das grandes gravadoras.

Se os ouvintes da 89 e Cidade também acham que até Mamonas Assassinas é "puro rock'n'roll", já dá para perceber então qual será a próxima debandada. Só sobrará nos cardápios dessas "rádios rock" um Capital Inicial que atualmente está mais pop e se apresenta até em eventos com ídolos brega-popularescos.

sábado, 15 de março de 2014

ANTIGAMENTE GRUPO VOCAL ERA "CONJUNTO", NÃO "BANDA"


Preocupa a crescente estupidificação cultural brasileira, que se multiplica feito tumor maligno nas mídias sociais. E isso inclui tantas coisas, que só mesmo um jogo de cintura para combater todo tipo de irregularidade, aceitando o preço de sofrer "arranhões" pelo reacionarismo de muitos internautas.

Eu estava numa loja de discos de Copacabana e vi um disco de um grupo chamado The Diamonds, um grupo vocal dos anos 60. Não vou comentar aqui sobre o grupo, mas a verdade é que na capa do referido LP, fotografado pelo meu celular, há o termo escrito em destaque, em cor vermelha e caixa alta: "O mais estilizado conjunto vocal da América".


Nesta segunda imagem, eu fotografei o detalhe e, numa edição do Corel Photo Paint, destaquei a palavra "conjunto vocal", portanto o vendedor do disco não precisa se assustar com a marca, que só existe digitalmente aqui.

Hoje se chama conjunto vocal de "banda", numa grande amostra de bitolamento cultural de muitas pessoas. Se é um amontoado de pessoas envolvidas numa atividade musical, tudo virou "banda". Até um cantor e uns dançarinos que mal conseguem fazer um coro.

Isso, eu não canso de frisar, é um grande desrespeito às classes dos músicos, já que banda é, em português bem claro, coletivo de músicos, e portanto se refere a um conjunto musical que, pelo menos, tenha metade de seus integrantes como instrumentistas.

A burrice reinante que chama todo mundo de "banda", sobretudo por parte de pessoas que acham que todo coletivo de gente é "galera", cria verdadeiras aberrações, que se multiplicam em sítios consecutivos na Internet, vários deles bastante visitados por internautas.

Mesmo a deturpação do termo inglês band - que neste caso se refere a "bando", "grupo", num quase falso cognato, já que aqui o termo não se traduz como "banda" - parece desnortear muitos dos internautas metidos a sabichões mas cuja compreensão de inglês não vai além de um precário cursinho feito às pressas.

O vício de linguagem beneficiou até mesmo o Menudo, grupo vocal cujos integrantes não compunham, não arranjavam nem tocavam instrumentos. Fiquei estarrecido porque até um avoado crítico da revista de rock pesado Roadie Crew (?!) havia chamado o Menudo de "banda". Imagine então as Capricho e Atrevida da vida...

A falta de discernimento é generalizada, a gente reclama dessa situação grave e há quem não goste. Tem gente que acha que ser idiota é ser feliz. Em outros tempos, até o cidadão mais rasteiro sabia ter alguma capacidade de percepção. Hoje tem até universitário que comete burrices constrangedoras. Assim fica muito complicado viver neste país!!