segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

PATRÕES TÊM MENOS PREPARO PARA O LAZER DO QUE SEUS EMPREGADOS AO TRABALHO


A denúncia pode parecer sem importância, mas é de extrema gravidade. Executivos, empresários e profissionais liberais, que geralmente adotam posições de comando na vida profissional, exercendo liderança e capacidade de organização, são mais despreparados para o lazer do que seus subordinados estão para funções de trabalho.

É só perceber como se comportam os homens de negócio, médicos, advogados, engenheiros, diretores de jornalismo, economistas e similares quando estão fora de sua carga horária de trabalho. Como numa reunião social de fim de semana ou mesmo numa festa infantil associada aos filhos desses indivíduos.

A situação parece normal, mas é um grande desastre. Empresários, executivos e profissionais liberais, além de seus respectivos cônjuges, se limitam a sentar e conversar alguma coisa, sem se preocuparem com a diversão que poderia revigorar suas mentes para uma nova semana de trabalho.

Em vez do espírito recreativo, homens e mulheres nessas condições chegam mesmo a "queimar demais" suas mentes para darem a impressão de que são pessoas boas e inteligentes. As conversas variam entre queixas menores de fatos cotidianos - como buracos nas ruas, por exemplo - ou conhecimentos genéricos consumidos na imprensa e na mídia de poucos dias atrás.

Quando há um contexto para a diversão, ela se perde em dois contextos inúteis para o revigoramento das emoções, da capacidade de raciocínio e até mesmo para o desempenho da criatividade. Geralmente o lazer desses profissionais não é participativo, mas meramente contemplativo, ou, quando muito, um lazer coadjuvante, feito mais para agradar pessoas mais jovens, como os filhos de fulano etc.

A maior parte das atividades de lazer é meramente contemplativa, como turismo e assistir a partidas esportivas. Mas mesmo o lazer participativo como jogar baralho ou praticar tênis não ajuda muito, porque são atividades que não afetam muito o espírito sisudo dessas pessoas, antes ajudassem no desenvolvimento do raciocínio sem no entanto estimular o relaxamento e a criatividade mentais.

Um exemplo constrangedor é ver que tais adultos, acostumados com a liderança autônoma no trabalho, precisam da "ajuda" de crianças ou adolescentes para participar de alguma brincadeira. Os adultos não brincam por conta própria, eles precisam sempre da presença de crianças e adolescentes, sobretudo seus filhos pequenos, para se divertirem dessa forma, e geralmente só para agradar a garotada.

Mesmo as caminhadas são feitas com a mente sedentária. É só observar muitos desses profissionais, quando caminham nos calçadões das praias, apresentam um semblante pesado, como se estivessem acabados de sair de uma reunião de negócios ou da consulta com um cliente, sócio ou paciente. Nem o céu azul representa um estímulo para tais pessoas derem algum sorriso.

Outros eventos, como festas de gala, reuniões formais e passeios em lanchas ou navios - incluindo cruzeiros marítimos, embora esses estejam cada vez mais banalizados com a adesão dos "novos ricos" - , também não ajudam no "arejamento" espiritual de empresários, executivos e profissionais liberais, que, sem saber, podem estar sobrecarregando demais suas mentes nos horários de lazer.

Isso só não parece uma violenta gafe porque, aparentemente, várias pessoas se solidarizam com a mesma prática. Mas é um tipo de lazer constrangedor, que se torna inútil para a recuperação das energias desses profissionais, perdidos entre "a busca da adrenalina" e da "agilidade motora" que estejam dentro de seus limites da sisudez e da formalidade adultas.

Só que esse procedimento, além de ser vergonhoso diante da capacidade de seus subordinados estarem tão mais preparados para o lazer e para o trabalho, pode representar, no futuro, um desgaste mental violento para empresários, executivos e profissionais liberais.

É justamente o seu desempenho medíocre e sofrível na hora do lazer que, a longo prazo, traz doenças como os males de Halzeimer e Parkinson e agrava os efeitos causados pelos vários tipos de câncer. Além disso, a pouca intimidade com o lazer é um grande despreparo para a rotina de vida que se espera na aposentadoria, o que faz com que o lazer futuro se torne tedioso e cansativo.

Com isso, pessoas consideradas "de sucesso" acabam tendo, na verdade, um estilo de vida completamente sem graça e cuja vida futura, na aposentadoria, estará longe de representar qualquer avanço na qualidade de vida. Infelizmente, a "melhor idade" é uma letra morta na vida amadurecida das pessoas de liderança e "sucesso".

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