quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

IPHAN INSISTE EM PROCURAR SERVIDORES "MATEMÁTICOS"


O cacoete continua. Desde 2007, quando o IPHAN realizou sua primeira seleção depois de 2005, seu programa de prova insiste em manter a matéria de raciocínio lógico-quantitativo para todos os candidatos, independente de qual formação do candidato envolveria tal matéria.

A seleção recente, a exemplo da de 2007, é destinada ao PAC das Cidades Históricas, que é uma parte do Programa de Aceleração do Crescimento do Governo Federal que se destina ao patrimônio histórico e cultural.

As organizadoras mudaram nesses seis anos em que o IPHAN parece querer atrair mais matemáticos do que conhecedores de patrimônio histórico, e até agora não houve um concurso como o de 2005, que, com todas suas falhas, pelo menos enfatizava o conhecimento patrimonial e não uma forma matemática de pensar as coisas (que é o tal raciocínio lógico-quantitativo).

A primeira organizadora foi a ESAF, Escola de Administração Fazendária, ligada ao Ministério da Fazenda, que independente da natureza do concurso, exige sempre matemática no seu programa de seleção.

Diz a piada que, se a ESAF realizar o concurso de Miss Brasil, incluiria conhecimentos de Matemática numa de suas etapas eliminatórias. Se a atriz e também cientista especializada em matemática Danica McKellar (do seriado Anos Incríveis) fosse brasileira, teria ganho o concurso, e não só pela sua beleza deslumbrante e sedutora.

Em 2009, foi a vez da Universa, uma organizadora iniciante e um tanto atrapalhada, e o concurso foi geral e não destinado ao PAC das Cidades Históricas. Mesmo assim, a exigência de raciocínio lógico pesou mais do que até mesmo a de conhecimentos das especialidades do IPHAN, exigidos de maneira bem superficial.

Agora é a vez do IADES, Instituto Americano de Desenvolvimento, e desta vez as áreas são mais específicas e próximas das exigências "matemáticas": logística, arquitetura e engenharia. Tudo bem. Mas a exigência ganhou outro peso: a da experiência profissional de três (logística) e cinco anos (as demais), além de titulação de pós-graduação para estas duas.

Daí que não dá para reclamar quando ocorrem casos como em Salvador, quando foi escolhido para Superintendente do IPHAN um jovem que não entendia muito de patrimônio, e que resistiu em pedir a recuperação do Centro Histórico, achando que não deveria mexer em prédios antigos, mesmo quando eles sofrem riscos de desabamento ou estão em ruínas.

É certo que os cursos de patrimônio histórico promovidos pelo IPHAN para  reciclar ou aperfeiçoar seus servidores adiantam, mas não seria melhor atrair para os quadros funcionais gente que realmente entenda de patrimônio histórico? Tem muita gente que pensa que "patrimônio imaterial" tem a ver com fantasmas e que passa no concurso porque entende de Matemática.

Seria melhor que o IPHAN se mexa e realize concursos para novos quadros de acordo com suas exigências. O concurso promovido pelo IADES termina amanhã. Resta agora planejar um novo concurso geral. Que ele não inclua Raciocínio Lógico, Matemática nem similares e que exija realmente o que interessa: conhecimento sobre patrimônio histórico e as áreas relacionadas.

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