terça-feira, 3 de dezembro de 2013

ENQUANTO BRASIL VAI DE "SERTANEJO-OSTENTAÇÃO", LUCY HALE INVESTE NA MÚSICA DE RAIZ DOS EUA


Enquanto o Brasil aposta no tal do "sertanejo-ostentação", depois de tão gasto e desgastado - e desmoralizado - rótulo de "sertanejo universitário", uma conhecida atriz norte-americana mostra seu talento de cantora e compositora apostando nas raízes da country music daquele país.

Primeiro vamos para o pior. Anteontem o jornal O Globo escalou o jornalista Sílvio Essinger - que, em outros tempos, fazia cobertura de coisas legais da música estrangeira ou do Rock Brasil - para escrever sobre a mais nova moda dos breganejos brasileiros, o tal "sertanejo-ostentação".

Numa época em que Chitãozinho & Xororó, pioneiros no empastelamento da música caipira, são acusados pela Justiça por terem explorado e depois demitido um músico de sua banda de apoio, seus herdeiros mais recentes nem fingir de caipiras ou de falsos sócios do Clube da Esquina se interessam em fazer.

E o que se vê? Músicas falando de carro, bebedeira e garotas "saradas", que, pela evocação dos modelos de automóveis nos títulos das músicas, mais parecem jingles desses carros, que a gente até pergunta se a indústria automobilística não estaria patrocinando nomes como Israel Novaes, Cristiano Araújo e Gabriel Valim, os ídolos dessa onda breganeja.

Será que a intelectualidade cultural "mais bacana", afeita a defender os ídolos bregas de todas as gerações (pode ser Waldick Soriano ou Mr. Catra), terá coragem de definir Israel Novaes como "guerrilheiro bolivariano", "gênio visionário" ou "ícone libertário do povo brasileiro"?

Talvez sim. Depois que certos intelectuais "de nome", muito badalados no seu meio, adotaram até Thiaguinho como contraponto à furiosa campanha de nossa intelligentzia para destruir a MPB autêntica, "demonizada" pelo episódio do movimento Procure Saber, imagina-se que façam qualquer coisa, até chamarem a Mulher Melancia de "nova Elis Regina".

Mas saindo desse inferno de cafonas reciclados ou repostos numa logística furiosa de reposição e multiplicação de estoques, nos EUA a coisa é diferente. Embora se tenha uma Lady Gaga insossa que só se preocupa em produzir factoides, lá fora se investe bastante em alternativas que façam diferença quando o critério é fazer música.

E uma ótima e grata surpresa está na atriz que integra o seriado juvenil Pretty Little Liars, a belíssima, deliciosa e supergracinha Lucy Hale. Geralmente não é tendência atores e atrizes se derem bem na música, mas no caso Lucy pretende fazer algo sério e consistente como cantora e compositora, eventualmente arriscando um violão.

Lucy Hale optou por fazer country music, a música rural estadunidense que faz parte das raízes culturais da potência mundial. Lucy se identifica com o country, e afirmou que pretende fazer algo que possa durar como música a ser ouvida na posteridade.

Pela amostra que se deu, Lucy se deu bem. Ela tem uma excelente voz e suas músicas expressam uma qualidade simples e agradável de se ouvir. Parece um som sem pretensões, e isso é bom. Porque assim Lucy pode fluir naturalmente como artista, e fazer somente o que seu coração manda.

Para uma música, como a country music, que andava sofrendo diluições comerciais profundas - muitas anulando as ousadias que o Nashville Sound lançou há mais de 50 anos, e que abriram caminho para o country rock - , a preocupação de Lucy Hale em recuperar a essência da música rural estadunidense é muito gratificante. As músicas são "You Sound Good to Me" e "Kiss Me".

Seja bem vinda à música, Lucy!


Nenhum comentário: