domingo, 3 de novembro de 2013

PUNKS NÃO ESCONDERAM REACIONARISMO DE JOHNNY RAMONE. E OS BREGAS, QUANTO A WALDICK?


Grande vergonha para os defensores da música brega que queriam esconder o conservadorismo de Waldick Soriano, em nome de uma suposta imagem do cantor brega de "ícone libertário e sofredor", trabalhada por biografias sobre ele.

Isso porque o punk rock, com todo o seu espírito libertário e associado a uma rebeldia mais combativa do que a da Contracultura dos anos 60, nunca se preocupou em esconder a postura reacionária de um de seus músicos mais prestigiados.

Pois ninguém menos que Johnny Ramone (1948-2004), um dos membros-fundadores dos Ramones, seminal banda punk norte-americana, terminou sua vida elogiando o então presidente norte-americano George W. Bush e assumindo um perfil bastante reacionário e direitista. Perto dele, só a ex-Velvet Underground Maureen "Mo" Tucker apoiando o neo-medieval Tea Party.

E isso é claramente mostrado, sem qualquer receio, mesmo dentro de cenários musicais associados a causas libertárias, à ousadia juvenil, às experimentações musicais e ao vanguardismo cultural. Apesar de tudo isso, ninguém esconde quando alguns de seus artistas se tornam pessoas bastante reacionárias.

Aqui no Brasil, o brega, que nasceu num contexto bastante reacionário, numa concepção de comunidades pobres desenhada pelo poder coronelista, que controlava rádios locais e até serviços de auto-falantes, seus defensores ficam cheios de dedos quando seus ídolos assumem posturas conservadoras.

Daí o medo de que repercutam vídeos em que Waldick Soriano aparece em entrevista defendendo posturas conservadoras sobre a posição da mulher na sociedade e a defesa da ditadura militar, que Waldick apoiava com entusiasmo.

E, o que é pior, é justamente uma esquerda média - que a direita jocosamente chama de "esquerda-caviar" - , com seus membros pedindo a verdade histórica da ditadura militar e suas integrantes engajadas em algum ativismo feminista.

Querem a verdade histórica dos "anos de chumbo", desde que não mexam em Waldick. As feministas condescendentes com o machismo de Waldick, enquanto condenam Chico Buarque com suas letras feministas...

Portanto, é uma grande incoerência. O brega sempre foi um cenário musical e comportamental bastante reacionário. No fundo, sempre foi uma visão coronelista da cultura popular, queiram ou não queiram os intelectuais "bacaninhas" de hoje.

Não há como esconder os conservadores no brega. Há uma grande linhagem deles, de Odair José a Alexandre Pires. Se no subversivo punk rock e no rock de garagem dos anos 60, seus defensores admitiam haver gente reacionária como Johnny Ramone, por que os defensores do brega querem que seus ídolos sejam vistos falsamente como "libertários"?

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