sábado, 16 de novembro de 2013

NEO-BREGAS E A EXPLORAÇÃO DOS MÚSICOS DE APOIO


Um episódio relacionado à música brega pode fazer refletir sobre sua supremacia no mercado e faz o caso Procure Saber parecer fichinha.

Afinal, o recente caso da dupla breganeja Chitãozinho & Xororó, condenada pela Justiça a pagar indenização a um ex-guitarrista demitido sem justa causa, mostra o quanto está por trás do mercado musical dito "popular", sobretudo na ala supostamente sofisticada dos neo-bregas que fizeram muito sucesso nos anos 90.

O caso junta Chitãozinho & Xororó a outros casos, como os de Ivete Sangalo, Chiclete Com Banana e Asa de Águia, acusados de exploração de músicos de apoio, que são reduzidos a meros empregados tratados de forma subordinada e injusta.

O Chiclete Com Banana, por ora comandado por Bell Marques (o grupo já tem vocalista substituto), foi o caso mais grave, quando o guitarrista Cacique Jonny, que apesar de aparentemente integrar a banda, nem era considerado sequer músico de apoio, mas "empregado", foi deixado à própria sorte mesmo quando passou a ficar gravemente doente.

Perto das posturas protecionistas dos artistas brasileiros do movimento Procure Saber e sua campanha contra as biografias sem autorização prévia de biografados ou herdeiros legais, a exploração de músicos de apoio por ídolos popularescos é um fato muito grave, sério demais para ser minimizado pelo rótulo de "popular".

Há também casos, até agora não divulgados oficialmente, de exploração de músicos e cantores em ritmos "populares" como o "forró eletrônico", o tecnobrega, o "funk carioca" e mesmo o "sertanejo universitário".

Já no "pagodão" baiano, derivado "popular" e "sensual" da axé-music, como ocorre também no "forró eletrônico", no tecnobrega e agora no "funk brega", existem os chamados "grupos com donos", conjuntos cuja liderança não cabe a qualquer de seus integrantes, mas aos empresários que os controlam com mãos de ferro.

O mercado do "funk", ritmo tão exaltado por uma elite de intelectuais como se fosse "ativismo sócio-cultural de verdade", também existe a exploração de empresários-DJs do ritmo com grupos de MCs e dançarinas dos quais os empresários também mandam e desmandam.

Há indícios de que, para evitar encargos salariais, alguns intérpretes funqueiros teriam assinado como "de sua autoria" sucessos que, na verdade, são compostos por empresários e produtores, como um consolo para ganhar, em direitos autorais, o que não ganharia em encargos e outras remunerações de maior responsabilidade. Isso requer investigação.

Com tudo isso, fica complicada para a turma brega-popularesca assumir uma postura "favorável" às biografias não-autorizadas, diante de escândalos que fazem a ferrenha defesa da privacidade por parte de nomes como Roberto Carlos e Chico Buarque parecerem brincadeira de criança.

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