quarta-feira, 13 de novembro de 2013

BLOGUEIROS DO "FAROFAFÁ" RECORREM A ÍDOLOS "GLOBAIS" PARA CAMPANHA ANTI-MPB


Enquanto os analistas sérios de esquerda fazem duros e firmes questionamentos em relação ao poder da Rede Globo, a chamada "intelectualidade cultural média" associada às esquerdas mais frágeis adota uma postura hesitante em relação à influência da Globo na manipulação da cultura popular.

Influenciada pela intelectualidade alienígena formada nos quadros ideológicos da mídia reacionária, da qual um de seus ícones máximos é o jornalista Pedro Alexandre Sanches, essa visão destoa das críticas viscerais à "cultura de massa"que intelectuais conceituados do mundo inteiro fazem, sem poupar os tais "fenômenos populares".

Pois Pedro Alexandre Sanches e seu colega Eduardo Nunomura, responsáveis pelo blogue Farofafá - abrigado pelo portal da revista Carta Capital - , intensificando sua campanha contra a MPB por causa do episódio do Procure Saber, passaram a dar apoio a dois ídolos da atual geração brega patrocinados explicitamente pela Rede Globo, Thiaguinho e Luan Santana.

Pedro Sanches é considerado uma figura estranha no aparente esquerdismo intelectual. Dotado de posturas forçadamente progressistas, o tendencioso jornalista, cria do "higienista" Projeto Folha da Folha de São Paulo, nos anos 90, é um dos mais empenhados propagandistas da mediocrização cultural do país, a chamada "bregalização".

Tomado de posturas ora risíveis, ora bastante forçadas, do seu suposto esquerdismo, Sanches é ligado ao Coletivo Fora do Eixo, daí as bajulações ao PT (sobretudo ao Ministério da Cultura do governo petista) e a figuras tarimbadas do esquerdismo intelectual.

No entanto, muitos especialistas sérios já definem Pedro Alexandre Sanches como um neocon em potencial - "neocon" quer dizer neo-conservador - , em alusão às guinadas ideológicas que gente muito mais esquerdista que Sanches, como Marcelo Madureira, Arnaldo Jabor e Soninha Francine, tiveram em prol da direita ideológica.

O estranho Sanches, ao lado de Nunomura, passaram a definir Luan e Thiaguinho, figuras conhecidas em vários programas da Globo, como "artesãos populares", comparando-os a Odair José, ídolo da música brega endeusado pelos dois jornalistas.

O vínculo de Thiaguinho com a Globo é muito mais forte, desde quando ele foi lançado pelo programa Fama e sempre tendo ganho acesso fácil aos diversos programas da emissora. Noivo da estrela global Fernanda Souza, Thiaguinho ainda ganhou o cargo de apresentador de um programa num dos canais da Globosat e é figura conhecida sobretudo no Domingão do Faustão.

Portanto, adotar Thiaguinho como se ele simbolizasse a "música popular de esquerda" é o mesmo que promover o apresentador do Jornal Nacional, William Bonner, como patrono da campanha pela redemocratização dos meios de comunicação. Ou então transformar Ali Kamel em paraninfo do verdadeiro jornalismo investigativo dos movimentos progressistas.

A adoção de ídolos "globais" pelos dois blogueiros pseudo-esquerdistas tem como principal motivo o desespero de Sanches e outros intelectuais dominantes oriundos da Era FHC - como Paulo César Araújo - para derrubar a linhagem da MPB autêntica em ativa desde os anos 60 e instaurar a bregalização até mesmo nos redutos mais exigentes da genuína MPB.

De forma tendenciosa, Sanches costuma atrair o apoio dos chamados "malditos" da MPB ou da ala da MPB que não possui uma postura crítica enérgica em relação ao mercado, para reforçar suas teses em prol da bregalização do país.

Manipulador do discurso, Sanches tenta dar a impressão de que se opõe às forças dominantes do mercado e da mídia. No entanto, ele hoje acha que é possível manipular as forças progressistas de acordo com suas vontades.

O perigo é quando Sanches perder o controle da intelectualidade cultural e dos rumos da cultura popular brasileira - no momento afetadas pelo mercadão brega-popularesco apoiado pelos barões da mídia, pelo empresariado monopolista e até pelo latifúndio - e se tornar, no futuro, um neocon ferrenho. Por menos que isso, Arnaldo Jabor converteu-se a um reacionarismo rabugento.

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