sábado, 30 de novembro de 2013

ANTIGA BANDA DO DJ FATBOY SLIM NÃO TOCAVA SÓ "A MELÔ DO PAPEL"

O GRUPO BRITÂNICO HOUSEMARTINS, COM NORMAN COOK, O DJ FATBOY SLIM, NO ALTO À DIREITA.

Mais uma das gafes das rádios de pop adulto, aquelas que levantam a bandeira da "boa música", do "bom gosto" e do "requinte cultural", mas que só tocam o hit-parade mais mofado, independente da qualidade musical de seus sucessos.

Desta vez, é a divulgação do excelente grupo The Housemartins, uma das brilhantes bandas de rock alternativo do Reino Unido, de brevíssima existência - durou de 1983 a 1988 - e que teve um LP lançado no Brasil, o segundo deles, The People Who Grinned Themselves To Death, de 1987.

O grupo é conhecido pela música "Build", jocosamente apelidada de "A melô do papel", por causa do refrão que inclui a vocalização "Pa-pa-pa-pa-pel", mas é injusto reduzir o grupo a essa música e defini-lo, na cara dura, como one hit wonder.

Além do LP lançado no Brasil, o grupo teve outro LP, London 0 Hull 4, de 1986. Os Housemartins tiveram sua formação centralizada nos guitarristas Paul Heaton, também vocalista, e Stan Cullimore.

Mas o baixista da segunda formação, Norman Cook, é figura muitíssimo conhecida através de seu pseudônimo, como DJ, Fatboy Slim. Através desse projeto, ele se apresentou no Brasil e esteve presente até mesmo em Salvador. Mas, como integrante dos Housemartins, Cook também era um brilhante baixista, além de arriscar nos vocais de apoio.

Os Housemartins eram um ícone do chamado regressive rock, movimento inglês que resgatou elementos do rock melodioso da primeira metade dos anos 60. O Wedding Present, que havia sido extinto em 1997 e voltou à ativa em 2004, sempre com David Gedge à frente, também é outro ícone dessa tendência.

Em sua breve existência, os Housemartins eram comparados frequentemente aos Smiths, pela qualidade melódica impressionante. Norman Cook tocava baixo com a mesma agilidade criativa de Andy Rourke, o ex-Smiths que também hoje é DJ (mas mantendo o nome artístico dos tempos da banda de Morrissey e Marr).

Os Housemartins eram também influenciados no vocal doo wop, e algumas das canções eram cantadas em coral por todos os membros. Além de "Build", outras canções marcantes da banda são "We're Not Deep", "Five Get Over Excited" e "Me and the Farmer".

A Fluminense FM tocava "Build", mas também divulgava essas e outras músicas dessa banda da cidade inglesa de Hull, pouco conhecida fora do Reino Unido. Além do segundo LP, a discografia brasileira dos Housemartins se limita também a uma coletânea lançada em 2004, The Best of Housemartins.

Portanto, para quem se "delicia" - se é que passividade significa deleite - com o já mofado rádio FM brasileiro, e pensa que as rádios de pop adulta são o supra sumo da cultura elevada, é bom deixar claro que tais rádios cometem muita injustiça, superestimando muitas porcarias e subestimando verdadeiras preciosidades. Se isto é "alto nível", então algo está errado.

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