sexta-feira, 25 de outubro de 2013

REINALDO AZEVEDO SE JUNTA À INTELECTUALIDADE FESTIVA


A intelectualidade que luta pela bregalização do país tenta dar a impressão que é "progressista". Adotam uma postura vagamente "favorável" a causas como a reforma agrária e a regulação da mídia, da qual não defendem com firmeza ou convicção, até porque, no fundo, demonstram-se secretamente contra tais causas.

Caindo em contradições o tempo todo, apesar da ampla visibilidade e da reputação altamente alta, a intelectualidade pró-brega - que, entre outras coisas, defende o "funk" como se fosse uma causa nobre - agora conta, num certo ponto, com um aliado um tanto incômodo: ninguém menos que Reinaldo Azevedo, o reacionário colunista da revista Veja.

Reinaldo pode não gostar de "funk" e achar ridícula a campanha das esquerdas médias em prol do ritmo, mas no caso do movimento Procure Saber ele mostrou-se solidário à mesma intelectualidade que sempre teve vergonha de em algum momento se afinar com o "pitbull de Veja".

Num de seus textos recentes, Reinaldo chega a ser enérgico com Roberto Carlos, chamando-o de "censor" e colocando-o num patamar inferior até mesmo ao do chamado "baixo clero" do Congresso Nacional, que Reinaldo, em sua ironia, disse que seria capaz de "coisas mais edificantes".

Maior aliado para Paulo César Araújo impossível. E se Araújo recorreu a ajudar o jovem Gustavo Alonso a desmoralizar Chico Buarque nas entranhas de uma biografia sobre Wilson Simonal - Quem Não Tem Swing Que Morre Com a Boca Cheia de Formiga, publicado pela mesma Record que publica livros de Reinaldo Azevedo, este fez poupar a munição do historiador dos bregas.

"Chico Buarque finge conversar só com os deuses olímpicos, mas não é burro. Percebeu o rombo que essa história está abrindo em sua reputação. (...) Chico agora decidiu recuar do seu 'Cale-se' , que compôs em parceria com Gilberto Gil, outro proibicionista. (...) Lembrar essas coisas, com efeito, é um recurso fácil, mas confronta esses senhores com a sua própria obra e com a mensagem de 'liberdade' que chegaram a encarnar.", escreveu Azevedo.

A adesão de Azevedo praticamente desnuda uma geração de intelectuais culturais que, mesmo com sua formação abertamente neoliberal - entendem a cultura brasileira não como a preservação de um patrimônio social, mas na defesa de um vale-tudo midiático-mercadológico - , tentam se vincular ao pensamento de esquerda.

São "pensadores" como Paulo César Araújo, Pedro Alexandre Sanches, Mônica Neves Leme, Alice Riff, Hermano Vianna, entre tantos outros, que tentam nos fazer crer que o socialismo chegará no Brasil através dos glúteos de uma "mulher-fruta" ou de um lamento choroso de algum "dinossauro" do cancioneiro brega.

Mas, por debaixo dos panos, há conceitos neoliberais em jogo. A "cultura transbrasileira" como paradigma cultural da "economia transnacional", principal pilar do neoliberalismo político-econômico. A "diversidade cultural" no mesmo sentido de "liberdade de imprensa" visto pelos barões da mídia e de "livre mercado" pelos chamados "gurus" do pensamento neoliberal.

E, num caminho ou em outro, há a adesão de algum figurão da mídia conservadora da qual tais intelectuais tentam se desvencilhar, sem muito sucesso. Eles não podem desmentir a herança neoliberal e, quando muito, se limitam a fazer falsos ataques aos "urubólogos da moda", do casseta Marcelo Madureira à Eliane Cantanhede da "massa cheirosa" da Folha.

Ironicamente, essa geração de intelectuais que, a pretexto dos erros (realmente) cometidos por Chico Buarque e companhia, querem apenas derrubar a MPB e colocar o brega no lugar - ignorando que o próprio Paulo César Araújo tentou censurar vídeos que comprovassem o perfil ultraconservador de Waldick Soriano - conta com um aliado "desagradável" ao seu lado.

Não bastasse aguentarem o neocon Lobão assinando embaixo em tudo que tais intelectuais escrevem em favor do "funk", agora contam com Reinaldo Azevedo para arrancar a estátua de Chico Buarque do pedestal dos medalhões "sagrados" da MPB "privatista".

Queiram ou  não queiram, Paulo César Araújo e Pedro Alexandre Sanches agora dependem do reacionário colunista e blogueiro de Veja para ajudarem a carregar a estátua de Chico Buarque, assim que ela for removida deste pedestal.

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