sábado, 5 de outubro de 2013

NET MÃO-DE-VACA. SÓ NÃO BLOQUEIA O CANAL RURAL NO PACOTE BÁSICO


A operadora de TV por assinatura NET decidiu ser mão-de-vaca. Bloqueou, para os assinantes de serviço básico - que são aqueles que outrora só tinham acesso à TV aberta - , canais diversos como o Sony Spin, BBC World News e não libera o canal português SIC, em total descumprimento à reciprocidade entre brasileiros e portugueses prevista em lei no nosso país.

Sim porque os portugueses conhecem a fundo o Brasil, mesmo a "cultura" brega-popularesca. E lá eles enxergam a "cultura de massa" brasileira com olhos mais críticos, mas, por outro lado, recebem bem a cultura de qualidade brasileira, com seus talentosos atores, músicos, escritores e outras personalidades.

A falta de visão dos executivos da NET - do lema "O mundo é dos NETS" - é tanta que um dos canais que permanecem incólumes no corte de transmissão nos pacotes básicos é o Canal Rural, cuja programação interessa mais aos latifundiários e, nas zonas urbanas, só umas poucas pessoas com maior poder aquisitivo se interessam a ver. Pouquíssimas, raras.

Ora, o que vai interessar para mim, morador de zona urbana, membro de classe média, ver leilões de gado transmitidos pelo Canal Rural? E seus programas musicais, que são um horror? Só pouca coisa no Canal Rural salva, como informativos e dicas para cuidados nas plantações e criação de animais, mas não dá para entender por que as operadoras mantém sempre o CR no pacote básico.

Esse canal é que deveria estar num pacote avançado. Será que as operadoras não sabem que existe um custo de produção dos programas do Canal Rural que não é abatido? Mantém-se o canal no pacote básico, de preço mais barato, para que praticamente NINGUÉM o veja, porque eu não vou comprar gado em leilão e trazer para o apartamento onde moro. Isso é ridículo.

As operadoras de TV por assinatura acabam jogando a coisa no prejuízo. Uns poucos exóticos que se interessam em ver o Canal Rural e seus leilões por algum fetiche, nas zonas urbanas, não é suficiente para justificar a permanência do canal no pacote básico. E é um público com condições perfeitas para comprar pacotes mais avançados e mais caros.

Perdemos de aprender inglês nos noticiários da BBC. Boa parte dos filmes mais interessantes não podemos ver. Seriados como Parker Lewis e South Park não podemos ver. Mas apresentações de ídolos brega-popularescos, reality shows estrangeiros e sem graça, televendas e leilões, leilões de gado, podemos ver!!

Dá vontade de chamar os meninos do South Park para invadirem sem dó os enfadonhos leilões do Canal Rural, que nada servem para o cidadão urbano de classe média, para bagunçarem o evento. Iria ser o maior bafafá. Será que os "coronéis" iriam chamar os capatazes para "eliminar" o Kenny?

Não bastasse o desserviço da NET de fazer manutenção sem avisar a seus assinantes, que eventualmente são pegos de surpresa com a TV paga desligada e, às vezes, até seu serviço de Internet desativado, tem essa política de bloqueios e liberação de canais que transforma a TV paga numa coisa mais tediosa e repetitiva do que a antiga TV aberta dos idos de 1959-1964.

E logo quando eu estava ouvindo o inglês britânico através do canal BBC World News. Tenho agora a opção da CNN, e esperar que uns poucos âncoras (como Isha Sesay e Richard Quest, compatriotas da BBC que trabalham na rede norte-americana) apareçam. Ou, pelo menos, sonhar que um outro profissional, por exemplo, pronuncie REALITY e não REALIRY.

Até parece que, para a NET, os assinantes do pacote básico são gado. Coisas boas e úteis são vetadas aos assinantes desse plano. Enquanto isso, inutilidades como o Canal Rural, que só servem para a turma do agronegócio, não são bloqueadas nem mandadas para o pacote avançado, mesmo precisando de mais grana para custear o sinal do CR na TV paga.

Ou seja, a NET, além de atrapalhar, não ajuda. Talvez com o Canal Rural no pacote avançado, bloqueado para os assinantes básicos, permita que um custo maior de assinatura custeie o canal, que será apenas visto por aqueles que realmente se interessam em vê-lo e possuem maior poder aquisitivo que não deixaria o CR no prejuízo.

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