domingo, 13 de outubro de 2013

NÃO DÁ PARA ENCONTRAR UMA NATALIE PORTMAN EM EVENTOS DE UFC


Existem mulheres e mulheres. Mesmo com o avanço das conquistas femininas, o vínculo de várias mulheres a valores machistas faz com que outras mulheres, notáveis por sua inteligência e talento, sejam muito raras de se encontrar por aí.

Boa parte das mulheres inteligentes, sabemos, é comprometida. Vide Natalie Portman, uma das mulheres mais admiráveis do mundo, hoje esposa do coreógrafo Benjamin Millepied. Natalie une beleza deslumbrante e inteligência, e é formada em Psicologia em Harvard, além de acumular à sua profissão de atriz um iniciante trabalho de cineasta.

Natalie é do tipo de mulher que lê livros, dá excelentes entrevistas, une senso de humor e sensatez, faz pesquisa se necessário para aperfeiçoar seus papéis e expressa opiniões próprias sobre diversos assuntos. Fora a beleza deslumbrante e o físico discretamente, mas admiravelmente formoso.

E aí vejo o outro lado, e me vem à mente a tal modelo e assistente de palco dos eventos de UFC (Ultimate Fight Champeonship), Arianny Celeste. Ela até tem nível universitário, formada em Nutrição e Condicionamento Físico na Universidade de Las Vegas, Nevada, EUA.

Só que isso não traz muito diferencial. Apenas faz Arianny entender apenas de forma física e nutrição, nada demais. O problema é que ela não vai além disso, e não deixa de ser daquelas musas que só se projetam na fama através do corpo.

Pior: a mídia tenta empurrar Arianny Celeste para o público nerd (o nerd autêntico, da linha The Big Bang Theory, conhecido por sua inteligência aguçada), como num vídeo que repercutiu bastante no YouTube, com a moça tirando a roupa no elevador diante de um nerd (caricato) boquiaberto.

Evidentemente que esse vídeo não passa de um bullying ideológico. Veja o físico de Arianny, de peitos e glúteos exagerados, mais parecendo silicone. E, além disso, o universo UFC é reduto de brutamontes, o que seria uma grande cilada se caso um nerd se disponha a se interessar por uma mulher dessas (normalmente nem sequer cogita isso).

Para piorar, já correu uma notícia de que Arianny havia sido acusada de agredir um homem e teria chegado a ser detida por isso. Aparentemente, segundo essa nota, o empresário de UFC que a tem como contratada teria tentado abafar a notícia. Fofoca ou não, os caras legais (nerds ou não) sentem muito receio, e até constrangimento, de admitir alguma vez admirar uma mulher dessas.

Voltando à Natalie, eis o que a senhora Millepied havia descrito sobre personagens femininas:

“Eu quero que personagens femininas tenham a permissão de serem fracas e fortes e felizes e tristes – humanas, basicamente. A falácia em Hollywood é que se você está fazendo uma história ‘feminista’, a mulher sai batendo em todo mundo e ganha. Isso não é feminista, isso é macho. Um filme sobre uma mulher fraca e vulnerável pode ser feminista se mostra uma pessoal real com quem a gente empatiza.”

Grande diferença entre uma Natalie Portman que vai adiante e fala sobre mulheres dotadas de sentimentos humanos, que buscam força mesmo na sua fragilidade, e uma Arianny Celeste que mostra plaquetas em torneios de lutas e se limita a dizer que não é bom comer pizza para quem quer ter uma barriga tanquinho.

Ficamos muito tristes por que muitas mulheres não conseguem ter um perfil diferenciado. Se limitam a ser "corpões sarados" - com muito silicone - que abrigam personalidades superficiais (para não dizer estúpidas), arrogantes e narcisistas, mas que nada têm a dizer de muito importante.

Para aumentar ainda mais o drama, é que são justamente essas moças que agora se fazem de "acessíveis". Uma musa de UFC brasileira chegou a dizer que "não namora lutadores" e que está "receptiva" a qualquer homem simples que se interessar em puxar um papo com ela.

Tudo bem. Mas o problema é a conversa. Ficar falando de coisas previsíveis, debatendo marcas de farinha de trigo, o tipo de pão mais saudável, que comida engorda ou não, ou comentar que o trânsito de carros nas cidades é muito grande, não garante diferencial algum.

Praticamente faltam mulheres com diferencial no "mercado". Elas até existem, mas são muito raras. E a maioria das mulheres com diferencial está comprometida, mesmo, já que, por também não serem muito comuns, são conquistadas pelos primeiros homens que aparecem com algum perfil marital aparentemente compatível.

No "mercado", a maioria que está disponível nem se encoraja em seguir os melhores exemplos, equilibrando beleza e inteligência. Preferem viver de mostrar o corpo e manter uma personalidade superficial, em certos casos estúpida, enquanto a vida passa sem que elas tragam alguma contribuição substancial para a humanidade.

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