terça-feira, 22 de outubro de 2013

"COROAS" GASTAM MAIS A MENTE COM "CONVERSA FORA"

BOTEQUINS SÃO UM REDUTO DO SEDENTARISMO DA VIDA ADULTA.

É muito bom reunir-se com os amigos de vez em quando para conversar em bares ou nas salas das casas. Mas o hábito cada vez mais dominante das conversas sentadas pode representar um prejuízo latente para a meia-idade.

Isso porque, além de privar os chamados "coroas" de exercer atividades físicas, pode também significar uma sobrecarga no esforço mental de planejar algum assunto ou alguma opinião para expressar para os amigos.

É só ver o hábito de pessoas com mais de 45 anos. Mesmo em festas de aniversário de crianças, adultos se limitam a sentar para conversar sobre amenidades. No geral, são assuntos colhidos na mídia consumida na véspera, de canais da TV paga ao simples jornal do dia.

Em boa parte, são assuntos pedantes, em que adultos em conversa parecem disputar para ver quem é mais inteligente e quem tem a opinião mais segura, a memória mais ativa, o raciocínio mais exato. Simulacros de debates de pessoas que nem são tão inteligentes assim.

Dentro da racionalidade da vida profissional, do estresse cotidiano e da sobrecarga de responsabilidades, os adultos perdem aquele jeito espontâneo da juventude, de aproveitar o lazer para se divertir, contemplar a natureza, agitar o corpo, rir, amar, se distrair etc.

Evidentemente, não se fala da obsessão que certas gerações juvenis têm pela "vida noturna". A obsessão por boates, pela bebedeira e pelo som frenético dos DJs também nada tem a ver com o prazer juvenil, antes fosse um consumo de "emoções baratas" que acabam cansando as mentes e trazendo, no futuro, a depressão pela vida desperdiçada pela curtição vazia.

Fala-se, sim, de pessoas indo à praia para ver o céu azul. Pessoas que se reúnem para uma inocente diversão sem planejamento prévio, apenas pelo gosto da fraternidade e da descontração. Ou então pessoas que pulam, que dançam e se agitam sem qualquer obrigação para isso.

Na racionalidade da vida adulta, as pessoas passam a ver o lazer como uma obrigação. Se desgastam e se viciam psicologicamente com a realidade do trabalho que, até para caminhar, parecem estarem pouco à vontade. Os corpos podem até praticar atividades físicas, mas as mentes continuam sedentárias com tanta apatia.

SOBRECARGA NO RACIOCÍNIO

Se deixa até de sorrir a partir dos 45 anos. Desperdiça-se o lazer e o ócio para sentar com outras pessoas e falar daquilo que julga saber e nem sabe tanto. E tem tantos médicos e empresários que têm apenas 59 ou 60 anos, mas tentam dar a impressão de que têm mais de 75 anos.

São pessoas que mostram vivências que não possuem. Mal conseguem ver algum documentário mediano sobre a Europa, e pensam que a conhecem de fundo. Mal conseguem ter um arremedo de erudição e julgam ter a sabedoria que não possuem sequer pela metade.

Com o vício dos "debates" informais na hora do lazer, o que se nota é o esforço excessivo que cria uma sobrecarga no raciocínio humano. O raciocínio de um adulto "maduro" para expor suas opiniões e informações numa simples noite com os amigos equivale ao de alguém que prepara uma palestra num seminário de alto conceito.

Os "coroas" ficam tão preocupados em "gastar energia" dançando e pulando, ou rindo alto diante de uma comédia bem engraçada na TV, mas não se preocupam da sobrecarga que fazem para expor aos amigos o que consumiram vendo nos noticiários e documentários da TV paga na véspera.

E é todo dia nas mesas de bar, nos restaurantes, nas festas dos filhinhos ou netinhos, nos almoços de associações etc, esforçando demais nos raciocínios para reclamar desde os buracos das ruas até o fracasso de um time de futebol, entre comentários pedantes sobre a Roma renascentista, sobre a geopolítica internacional ou sobre uma cultura que apenas tentam entender.

PREJUÍZOS À SAÚDE

Mesmo em contextos informais, tudo isso se torna uma formalidade. A racionalidade viciada do "mundo" do trabalho se reflete num lazer onde o prazer, apesar de rimar com a outra palavra, some por completo. Tudo se torna um rol de formalidades, até quando se tenta ser informal.

Com isso, as mentes sobrecarregam, seja para demonstrar falsa sabedoria, falsa sinceridade e falsa erudição no comportamento, entre regras de etiqueta, modos de sentar e falar, esforços de parecer bem informado, manias de dar opinião que nem se sabe se são verdadeiras ou não, tudo isso resulta em muitas mentes "queimadas" num momento em que há muito ócio e nenhuma diversão.

As mentes não se relaxam e a sobrecarga mental não é compensada com um bando de pessoas sentadas ou, se estão em pé, paradas, na "economia" de energias físicas na meia-idade. Só que o que se deixa de gastar renunciando aos entusiasmos da energia juvenil é bem menos do que se gasta em esforço mental para ser um exemplo de inteligência e educação nas reuniões sociais.

Com isso, o risco de doenças cerebrais pode ser muito maior para "coroas" do que um simples ato de dançar músicas agitadas ou rir alto diante de uma piada bastante engraçada. Muitas vezes a "irresponsável" inocência da juventude tem muito mais a ensinar para pessoas grisalhas do que sua longa experiência de vida.

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