quinta-feira, 3 de outubro de 2013

AINDA SE TEM PRECONCEITO CONTRA COMEDIANTES FAZEREM DRAMAS


Mesmo vinte anos depois de o comediante Tom Hanks protagonizar um drama, tornando-se bem sucedido a partir de então, a indústria cinematográfica norte-americana ainda tem um grande preconceito com comediantes passarem a fazer dramas.

Dias atrás, o humorista Sasha Baron Cohen, conhecido pelos seus pseudo-documentários e marido da lindíssima Isla Fisher, havia sido convidado para fazer o papel de Freddie Mercury na biografia cinematográfica do falecido cantor. No entanto, houve desentendimentos porque alguns produtores achavam Sasha "muito engraçado" para o papel.

A notícia esfriou um pouco, mas eu pessoalmente torcia para que Sasha fizesse um papel dramático, eu acreditava que o ator pudesse se dar bem no papel, que sua adaptação a uma produção dramática fosse possível. Mas ele foi cortado da produção e um outro ator irá fazer o papel, e até o momento aparentemente não foi escolhido ainda o ator para fazer o referido papel.

Outro caso de um ator que sofre preconceito por fazer geralmente comédias é Ashton Kutcher, que no momento se destaca no elenco de Dois Homens e Meio (Two and a Half Men). Ele havia feito também dramas, como o ótimo Efeito Borboleta (The Butterfly Effect), que mistura ficção científica e drama psicológico.

Ashton é também um excelente ator de dramas e creio que ele foi convincente fazendo o papel do fundador da Apple, o falecido empresário Steve Jobs, no filme Jobs, que ainda não foi exibido no Brasil. Mas ele foi duramente criticado por alguns jornalistas, mais preocupados que estavam com a marca deixada pelos personagens Kelso (That 70's Show) e Walden (Two and a Half Men).

Não só apenas comediantes sofrem preconceito, mas também ídolos marcados por papéis juvenis. E isso até custa vidas. Foi o caso da bela atriz Brittany Murphy, que faleceu deprimida depois de contrair doenças e ingerir vários remédios. Brittany havia sido conhecida por comédias juvenis e depois comédias românticas, e pretendia diversificar seus papéis.

Em 2009, tentou se concentrar no gênero suspense, embora também tivesse vontade de gravar a sequência de Happy Feet, filme de animação infantil no qual ela fez a personagem Gloria e cantou dois covers (uma delas, por sinal, "Somebody to Love", do Queen, composta por Freddie Mercury).

Só que Brittany, que por conta de um problema cardíaco, tomava medicamentos, foi injustamente classificada por alguns executivos da Warner como "drogada", e foi cortada de fazer a Gloria em Happy Feet 2. Brittany ficou bastante magoada, e o pior que é a mesma Warner que permitia produzir desenhos com personagens neuróticos demais nos anos 90.

A indústria cinematográfica é competitiva, sua mentalidade é puramente mercadológica, embora tenha-se a ressalva de que o leque de informações que permite aos roteiristas de filmes seja muito melhor do que o do cinema brasileiro.

No cinema brasileiro, por exemplo, há restrições terríveis quanto aos temas, já que a agenda temática, que geralmente glamouriza a pobreza, é determinada pela hegemonia de cineastas vindos de agências de publicidade ou das elites intelectuais comprometidas com a bregalização do Brasil.

Mas isso é outra coisa. Nosso assunto é outro. E tem-se a notícia de que o ator Vladimir Brichta, conhecido pelo seu talento cômico, irá fazer um drama. E, em Hollywood, vemos o caso de Sean William Scott, o Stifler da série de comédias de longa-metragem American Pie, fazendo papéis dramáticos, e a oportunidade de Ben Stiller, outro comediante, também passar a fazer dramas.

Que sejam bem vindos os comediantes que queiram de verdade fazer dramas. Tendo eles talento, eles poderão se dar bem. Como foi Tom Hanks, que hoje tem um leque bem diversificado de trabalhos fora da comédia, fazendo desde náufrago até detetive que investiga enigmas ligados a obras de arte.

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