quarta-feira, 30 de outubro de 2013

LOU REED E A MEDIOCRIZAÇÃO CULTURAL NO BRASIL

LOU REED, FALECIDO ANTEONTEM, APARECE AQUI COM CAMISETA LISTRADA, JUNTO AOS DEMAIS INTEGRANTES DO VELVET UNDERGROUND.

Por Alexandre Figueiredo

Numa época de mediocrização cultural galopante, cada vez que morrem artistas de grande talento, a situação se torna mais preocupante, uma vez que não há mais a presença deles para dar um diferencial para o cenário predominantemente estéril da música contemporânea.

Anteontem faleceu Lou Reed, o cantor e guitarrista que havia começado a carreira ainda adolescente em 1957, integrando bandas de garagem, antes de se tornar conhecido como um dos membros-fundadores do Velvet Underground.

Lou foi o terceiro integrante da formação clássica do VU a falecer. Nico, a modelo que se tornou, por um período, cantora do grupo, faleceu em um acidente de bicicleta em 1988. Sterling Morrison faleceu em 1995, vítima de câncer. A morte de Reed não foi esclarecida, mas teria sido causada por complicações no fígado.


Portanto, desta formação, que gravou o "álbum da banana" em 1967 - intitulado apenas The Velvet Underground and Nico - , sobraram apenas o também guitarrista John Cale - de formação dodecafonista - e a baterista Maureen "Mo" Tucker (vocalista da música "After Hours"), ultimamente convertida em direitista, apoiando o movimento neomedieval Tea Party.

O empresário e artista plástico Andy Wahrol, ícone da pop art, faleceu em 1987. Figura ímpar da cultura nova-iorquina, ele havia sido homenageado, em 1991, por Lou Reed e John Cale, no álbum Songs For Drella, referente a um dos apelidos de Wahrol no seu meio.

Coincidência ou não, no Brasil, houve o paralelo de Caetano Veloso e Gilberto Gil homenagearem o Tropicalismo num álbum tributo chamado Tropicália 2, lançado dois anos depois de Songs For Drella.

Afinal, o Tropicalismo havia surgido na mesma época da cena alternativa diversificada do Reino Unido e dos EUA, entre 1966 e 1967, na qual o Velvet Underground foi um dos nomes mais expressivos.

O grupo seguia o estado de espírito da arte modernista, juntando rock de garagem, poesia de rua, e um movimento multimídia empresariado por Wahrol que unia artes plásticas, moda, teatro e cinema, além da música da qual o VU era um dos principais nomes.

O Velvet Underground foi um grande fracasso comercial, em seu tempo. Mas depois tornou-se influente em quase todo o rock pós-punk produzido, de Blondie e Smiths a Belle and Sebastian e Strokes. Todo o rock alternativo produzido de 1979 em diante tem, de alguma forma, influência do Velvet Underground e da carreira solo de Lou Reed.

"MODERNISMO DE RESULTADOS" SÓ VALE PELA EMBALAGEM

E ao vermos que a morte de Lou Reed choca num mundo de mediocrização cultural crescente, mesmo num contexto estrangeiro da banalização do ato de provocar causada por Miley Cyrus em suas performances recentes, ou na espetacularização organizada de Lady Gaga, no Brasil a situação ainda se torna muito mais grave.

É claro que o VU causou influência também no Brasil. Logo nos anos 60, o grupo teria em parte influenciado os Mutantes. O rock alternativo dos anos 80, sobretudo Fellini, sofreu influências da banda nova-iorquina. E, recentemente, Marisa Monte havia gravado "Pale Blue Eyes", uma das músicas do VU, num de seus discos.

No entanto, a "provocativa" intelectualidade dominante tenta criar um "modernismo de resultados" em que a rejeição e a vaia unem, forçosamente, a vanguarda alternativa e a retaguarda brega, num balaio de gatos a que se reduziu a proposta contestatória da "geleia geral" lançada pelo tropicalista Torquato Neto, sob a assistência musical de Gilberto Gil.

Daí que tentaram até mesmo criar tributos "alternativos" de Odair José e do grupo sambrega Raça Negra (!). Felizmente, não chegaram a comparar o Velvet Underground ao É O Tchan, só pela fachada "multimídia" que supostamente compararia os dois antagônicos grupos.

Aqui a cena alternativa vai aos poucos sendo substituída por bobos-alegres performáticos - tipo Felipe Cordeiro e seu Kitsch Pop Cult, ou grupos tipo Gang da Eletro, Bonde do Rolê e Vivendo do Ócio, ou poetas tipo Dudu Pererê - , já que os verdadeiros artistas alternativos não vivem da música e se concentram em seus outros empregos.

Os verdadeiros artistas alternativos são jornalistas, dentistas, taxistas, professores, servidores públicos, que apenas tratam a música como um hobby, e por isso têm seu diferencial artístico. Já os bobos-alegres da EMoPB simpáticos ao brega são apenas profissionais da música que juntam uma gororoba de informações superficiais para produzir performances "musicômicas".

Num Brasil marcado por sub-celebridades, em que qualquer siliconada posa de feminista sem motivo relevante e qualquer ídolo medíocre posa de coitadinho, fica muito complicado falar em cultura alternativa num país marcado pelo pretensiosismo.

Afinal, aqui as gerações recentes de jovens lunáticos, confiantes demais na sua overdose de informação e sem perceber a subnutrição cultural em que vivem confundindo quantidade com qualidade, acham que o hit-parade que consomem é  "alternativo" simplesmente "porque sim".

Diante de tantas tolices, tantas incoerências, tantas meias-verdades, tanto pretensiosismo, tantos mascaramentos, a mediocrização cultural, que tenta vender a retaguarda como se fosse vanguarda, e faz choradeira para promover o lixo cultural como se fosse "cultura de verdade", a morte de Lou Reed soa um fato sem importância.

Mas, para quem pensa a cultura no Brasil, é mais um exemplo estrangeiro que se vai, deixando órfã uma perspectiva cultural que é valorizada a cada dia por menos pessoas. Nas redes sociais, a morte de Lou pouco repercutiu. Se fosse um ídolo da axé-music, teria repercutido bem mais, infelizmente.

domingo, 27 de outubro de 2013

AOS 71 ANOS, MORRE LOU REED, LÍDER DO VELVET UNDERGROUND


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Um dos maiores nomes do rock dos anos 60, subestimado na época, o cantor, letrista e guitarrista Lou Reed, faleceu hoje aos 71 anos.  Ele, um dos fundadores do Velvet Underground, era o contraponto de Bob Dylan no sentido que, embora seja notável letrista do cotidiano como o outro, Lou se dedicava mais ao submundo e seus hábitos sombrios.

Lou também influenciou o pós-punk dos anos 70 e 80 sobretudo pela atitude modernista de sua banda e das associações com o espírito arrojado de Andy Wahrol, falecido artista plástico que havia empresariado o grupo. Portanto, Lou Reed deixa uma grande lacuna na história do rock. Ele deixa viúva a cantora, tecladista e performática Laurie Anderson.

Aos 71 anos, morre guitarrista Lou Reed, líder do Velvet Underground

Do Portal Terra

Morreu neste domingo (27), aos 71 anos, o guitarrista e compositor norte-americano Lou Reed, de acordo com informações da revista Rolling Stone. A causa da morte ainda não foi divulgada, mas o músico se submeteu a um transplante de fígado em maio deste ano.

Em março, Laurie Anderson, mulher do músico, falou sobre a condição de saúde do marido. "É tão sério quanto parece. Ele estava morrendo. Você não quer isso como diversão", afirmou.

"Não acho que ele vá se recuperar totalmente disso, mas certamente ele estará fazendo as coisas dele em breve", completou.

Um dos maiores nomes do rock, Reed foi um dos líderes do Velvet Underground e já foi considerando um dos melhores guitarristas de todos os tempos pela Rolling Stone, alcançando a 81ª posição no ranking.

SUPERMERCADOS EXTRA EM ICARAÍ: SEÇÃO DE PÃES CONTA COM BARATAS


Há muito se pede para os Supermercados Extra, na sua filial na Av. Sete de Setembro, em Icaraí, Niterói, sofra uma boa reforma, melhorias na logística e, sobretudo, cuidados com a higiene.

Na semana passada, é a vez da seção de pães da filial apresentar mais um problema. É que alguns filhotes de baratas foram vistos andando entre os pães armazenados para serem pegos pelos fregueses, o que pode representar um sério risco contra a saúde de todos que se servirem desses pães.

É o segundo problema relacionado à higiene na filial, depois que um bueiro que se encontra dentro do Extra Icaraí vasou, infectando a seção de pães e bolos, deixando um odor desagradável no lugar.

Os Supermercados Extra não conseguiram representar uma melhoria em relação à antiga filial dos extintos Supermercados Sendas que havia no lugar. E mesmo antigamente, quando a instalação era das Casas da Banha, a situação não era assim tão desastrosa.

Cabe à gerência adotar procedimentos mil para melhorar o local, que tem caixas mal-distribuídos (e operadores muito lentos, que mais parecem paquerar caixas registradoras), áreas sem higiene e um chão velho e com muitas rachaduras. Não é assim que se faz um supermercado renovado e moderno.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

REINALDO AZEVEDO SE JUNTA À INTELECTUALIDADE FESTIVA


A intelectualidade que luta pela bregalização do país tenta dar a impressão que é "progressista". Adotam uma postura vagamente "favorável" a causas como a reforma agrária e a regulação da mídia, da qual não defendem com firmeza ou convicção, até porque, no fundo, demonstram-se secretamente contra tais causas.

Caindo em contradições o tempo todo, apesar da ampla visibilidade e da reputação altamente alta, a intelectualidade pró-brega - que, entre outras coisas, defende o "funk" como se fosse uma causa nobre - agora conta, num certo ponto, com um aliado um tanto incômodo: ninguém menos que Reinaldo Azevedo, o reacionário colunista da revista Veja.

Reinaldo pode não gostar de "funk" e achar ridícula a campanha das esquerdas médias em prol do ritmo, mas no caso do movimento Procure Saber ele mostrou-se solidário à mesma intelectualidade que sempre teve vergonha de em algum momento se afinar com o "pitbull de Veja".

Num de seus textos recentes, Reinaldo chega a ser enérgico com Roberto Carlos, chamando-o de "censor" e colocando-o num patamar inferior até mesmo ao do chamado "baixo clero" do Congresso Nacional, que Reinaldo, em sua ironia, disse que seria capaz de "coisas mais edificantes".

Maior aliado para Paulo César Araújo impossível. E se Araújo recorreu a ajudar o jovem Gustavo Alonso a desmoralizar Chico Buarque nas entranhas de uma biografia sobre Wilson Simonal - Quem Não Tem Swing Que Morre Com a Boca Cheia de Formiga, publicado pela mesma Record que publica livros de Reinaldo Azevedo, este fez poupar a munição do historiador dos bregas.

"Chico Buarque finge conversar só com os deuses olímpicos, mas não é burro. Percebeu o rombo que essa história está abrindo em sua reputação. (...) Chico agora decidiu recuar do seu 'Cale-se' , que compôs em parceria com Gilberto Gil, outro proibicionista. (...) Lembrar essas coisas, com efeito, é um recurso fácil, mas confronta esses senhores com a sua própria obra e com a mensagem de 'liberdade' que chegaram a encarnar.", escreveu Azevedo.

A adesão de Azevedo praticamente desnuda uma geração de intelectuais culturais que, mesmo com sua formação abertamente neoliberal - entendem a cultura brasileira não como a preservação de um patrimônio social, mas na defesa de um vale-tudo midiático-mercadológico - , tentam se vincular ao pensamento de esquerda.

São "pensadores" como Paulo César Araújo, Pedro Alexandre Sanches, Mônica Neves Leme, Alice Riff, Hermano Vianna, entre tantos outros, que tentam nos fazer crer que o socialismo chegará no Brasil através dos glúteos de uma "mulher-fruta" ou de um lamento choroso de algum "dinossauro" do cancioneiro brega.

Mas, por debaixo dos panos, há conceitos neoliberais em jogo. A "cultura transbrasileira" como paradigma cultural da "economia transnacional", principal pilar do neoliberalismo político-econômico. A "diversidade cultural" no mesmo sentido de "liberdade de imprensa" visto pelos barões da mídia e de "livre mercado" pelos chamados "gurus" do pensamento neoliberal.

E, num caminho ou em outro, há a adesão de algum figurão da mídia conservadora da qual tais intelectuais tentam se desvencilhar, sem muito sucesso. Eles não podem desmentir a herança neoliberal e, quando muito, se limitam a fazer falsos ataques aos "urubólogos da moda", do casseta Marcelo Madureira à Eliane Cantanhede da "massa cheirosa" da Folha.

Ironicamente, essa geração de intelectuais que, a pretexto dos erros (realmente) cometidos por Chico Buarque e companhia, querem apenas derrubar a MPB e colocar o brega no lugar - ignorando que o próprio Paulo César Araújo tentou censurar vídeos que comprovassem o perfil ultraconservador de Waldick Soriano - conta com um aliado "desagradável" ao seu lado.

Não bastasse aguentarem o neocon Lobão assinando embaixo em tudo que tais intelectuais escrevem em favor do "funk", agora contam com Reinaldo Azevedo para arrancar a estátua de Chico Buarque do pedestal dos medalhões "sagrados" da MPB "privatista".

Queiram ou  não queiram, Paulo César Araújo e Pedro Alexandre Sanches agora dependem do reacionário colunista e blogueiro de Veja para ajudarem a carregar a estátua de Chico Buarque, assim que ela for removida deste pedestal.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

"VÍTIMA" DE CENSURA, PAULO CÉSAR ARAÚJO TENTOU CENSURAR FACE "DESAGRADÁVEL" DE WALDICK SORIANO


"Herói" do episódio do movimento Procure Saber, pela sua oposição às posturas defendidas pelos medalhões da MPB contra biografias não-autorizadas, Paulo César Araújo, no entanto, tentou censurar a veiculação de vídeo que mostra a postura ultraconservadora do ídolo brega Waldick Soriano (1933-2008).

Waldick havia sido um dos enfocados pelo livro Eu Não Sou Cachorro, Não, que Araújo, historiador e professor da PUC do Rio de Janeiro, havia lançado em 2001. O título do livro, aliás, é o mesmo de um dos maiores sucessos de Waldick Soriano.

Um vídeo chegou a ser incluído no portal Globo Vídeos, em que uma entrevista de Waldick a Marília Gabriela, no programa TV Mulher, mostra o cantor defendendo a imagem submissa da mulher brasileira e elogiando a ditadura militar.

No entanto, o vídeo foi precocemente excluído - foi digitalizado em 2007 e sumiu pouco depois, em 2008 - , antes mesmo do prazo que o portal Globo Vídeos dá para os vídeos serem retirados de acesso, que é cerca de três anos.

Além de Araújo, o lobby foi reforçado pelo fato de Patrícia Pillar, atriz que, como diretora de documentário, fez o filme Waldick Sempre No Meu Coração, ser estrela da TV Globo, o que também influiu na retirada do vídeo.

Em ambos os casos - livro e documentário - Waldick Soriano é trabalhado como um ídolo ao mesmo tempo "sofredor" e "libertário", num esforço de fazer o cantor, cujo repertório sempre foi antiquado e conservador, parecer "moderno" para as novas gerações.

Em dados momentos, o fato de Waldick Soriano ter sido censurado era superestimado, mesmo quando sabemos que a Censura Federal censurava qualquer coisa, dependendo do julgamento de seus funcionários (que iam de donas-de-casa de classe média baixa a sargentos do exército), o que nunca poderia fazer do censurado em si uma figura "libertária" ou "transgressora".

Araújo também superestimou e levou extremamente a sério uma "pesquisa" feita em 1972 por estudantes da PUC de Belo Horizonte que se baseavam na tese surreal de que "Eu Não Sou Cachorro Não" escondia uma "mensagem de protesto" das classes trabalhadoras. Pura tese conspiratória sem fundamento mas creditada por Araújo como se fosse fato científico.

Como se não bastasse, Araújo havia também explorado uma suposta imagem de "rebelde" do cantor Odair José, outro ídolo brega (por sinal apoiado pelo mesmo Caetano Veloso hoje ligado ao Procure Saber), só porque também foi censurado e que tinha uma canção cujo tema era o uso de pílulas anticoncepcionais, "Pare de Tomar a Pílula".

O próprio Odair, numa entrevista à imprensa, reclamou da imagem de "rebelde" trabalhada por Paulo César Araújo, e afirmou que suas letras apenas cantavam sobre as relações entre homem e mulher. Odair achou exagerada a imagem "subversiva" trabalhada pelo historiador.

Odair José, assim como outros cantores como Paulo Sérgio, Fernando Mendes, Amado Batista e José Augusto, também surgiram sobre a forte influência da fase romântica de Roberto Carlos (sobretudo a pós-1975), o mesmo que censurou o livro Roberto Carlos em Detalhes de Paulo César Araújo.

São detalhes "tão pequenos" de um brega que nada tem a ver com causas libertárias e transformadoras para a cultura brasileira.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

"COROAS" GASTAM MAIS A MENTE COM "CONVERSA FORA"

BOTEQUINS SÃO UM REDUTO DO SEDENTARISMO DA VIDA ADULTA.

É muito bom reunir-se com os amigos de vez em quando para conversar em bares ou nas salas das casas. Mas o hábito cada vez mais dominante das conversas sentadas pode representar um prejuízo latente para a meia-idade.

Isso porque, além de privar os chamados "coroas" de exercer atividades físicas, pode também significar uma sobrecarga no esforço mental de planejar algum assunto ou alguma opinião para expressar para os amigos.

É só ver o hábito de pessoas com mais de 45 anos. Mesmo em festas de aniversário de crianças, adultos se limitam a sentar para conversar sobre amenidades. No geral, são assuntos colhidos na mídia consumida na véspera, de canais da TV paga ao simples jornal do dia.

Em boa parte, são assuntos pedantes, em que adultos em conversa parecem disputar para ver quem é mais inteligente e quem tem a opinião mais segura, a memória mais ativa, o raciocínio mais exato. Simulacros de debates de pessoas que nem são tão inteligentes assim.

Dentro da racionalidade da vida profissional, do estresse cotidiano e da sobrecarga de responsabilidades, os adultos perdem aquele jeito espontâneo da juventude, de aproveitar o lazer para se divertir, contemplar a natureza, agitar o corpo, rir, amar, se distrair etc.

Evidentemente, não se fala da obsessão que certas gerações juvenis têm pela "vida noturna". A obsessão por boates, pela bebedeira e pelo som frenético dos DJs também nada tem a ver com o prazer juvenil, antes fosse um consumo de "emoções baratas" que acabam cansando as mentes e trazendo, no futuro, a depressão pela vida desperdiçada pela curtição vazia.

Fala-se, sim, de pessoas indo à praia para ver o céu azul. Pessoas que se reúnem para uma inocente diversão sem planejamento prévio, apenas pelo gosto da fraternidade e da descontração. Ou então pessoas que pulam, que dançam e se agitam sem qualquer obrigação para isso.

Na racionalidade da vida adulta, as pessoas passam a ver o lazer como uma obrigação. Se desgastam e se viciam psicologicamente com a realidade do trabalho que, até para caminhar, parecem estarem pouco à vontade. Os corpos podem até praticar atividades físicas, mas as mentes continuam sedentárias com tanta apatia.

SOBRECARGA NO RACIOCÍNIO

Se deixa até de sorrir a partir dos 45 anos. Desperdiça-se o lazer e o ócio para sentar com outras pessoas e falar daquilo que julga saber e nem sabe tanto. E tem tantos médicos e empresários que têm apenas 59 ou 60 anos, mas tentam dar a impressão de que têm mais de 75 anos.

São pessoas que mostram vivências que não possuem. Mal conseguem ver algum documentário mediano sobre a Europa, e pensam que a conhecem de fundo. Mal conseguem ter um arremedo de erudição e julgam ter a sabedoria que não possuem sequer pela metade.

Com o vício dos "debates" informais na hora do lazer, o que se nota é o esforço excessivo que cria uma sobrecarga no raciocínio humano. O raciocínio de um adulto "maduro" para expor suas opiniões e informações numa simples noite com os amigos equivale ao de alguém que prepara uma palestra num seminário de alto conceito.

Os "coroas" ficam tão preocupados em "gastar energia" dançando e pulando, ou rindo alto diante de uma comédia bem engraçada na TV, mas não se preocupam da sobrecarga que fazem para expor aos amigos o que consumiram vendo nos noticiários e documentários da TV paga na véspera.

E é todo dia nas mesas de bar, nos restaurantes, nas festas dos filhinhos ou netinhos, nos almoços de associações etc, esforçando demais nos raciocínios para reclamar desde os buracos das ruas até o fracasso de um time de futebol, entre comentários pedantes sobre a Roma renascentista, sobre a geopolítica internacional ou sobre uma cultura que apenas tentam entender.

PREJUÍZOS À SAÚDE

Mesmo em contextos informais, tudo isso se torna uma formalidade. A racionalidade viciada do "mundo" do trabalho se reflete num lazer onde o prazer, apesar de rimar com a outra palavra, some por completo. Tudo se torna um rol de formalidades, até quando se tenta ser informal.

Com isso, as mentes sobrecarregam, seja para demonstrar falsa sabedoria, falsa sinceridade e falsa erudição no comportamento, entre regras de etiqueta, modos de sentar e falar, esforços de parecer bem informado, manias de dar opinião que nem se sabe se são verdadeiras ou não, tudo isso resulta em muitas mentes "queimadas" num momento em que há muito ócio e nenhuma diversão.

As mentes não se relaxam e a sobrecarga mental não é compensada com um bando de pessoas sentadas ou, se estão em pé, paradas, na "economia" de energias físicas na meia-idade. Só que o que se deixa de gastar renunciando aos entusiasmos da energia juvenil é bem menos do que se gasta em esforço mental para ser um exemplo de inteligência e educação nas reuniões sociais.

Com isso, o risco de doenças cerebrais pode ser muito maior para "coroas" do que um simples ato de dançar músicas agitadas ou rir alto diante de uma piada bastante engraçada. Muitas vezes a "irresponsável" inocência da juventude tem muito mais a ensinar para pessoas grisalhas do que sua longa experiência de vida.

domingo, 20 de outubro de 2013

O ROCK ATÉ VAI BEM... À REVELIA DAS DITAS "RÁDIOS ROCK"


Como mercado, o rock está em baixa. Como fenômeno de massa, está pior ainda. Mas dentro do público de rock, o rock continua bem como sempre esteve, já que desde os anos 90 rock virou coisa de roqueiro, sem uma mídia que o representasse de forma genuína e abrangente.

O que hoje temos, por exemplo, como "rádios rock", são quase sempre apenas emissoras POP travestidas de roqueiras, com aquelas mesmas vinhetas em que um cara parece estar arrotando quando pronuncia a palavra ROCK ou então pronuncia a palavra como se fosse um sapo dizendo CROAC.

Enquanto garotões sarados, com jeitão (e voz) de animadores de gincana infantil, tentam dar a impressão de que são "roqueirões da pesada" com informações e repertório de rock ou coisa parecida que já chegam prontos dos escritórios das gravadoras, quem realmente entende de rock e poderia estar em rádio hoje sobrevive às custas de consertos de aparelhos eletrônicos e outros bicos.

Isso fez o radialismo rock decair muito, e diante da mediocrização geral do nosso país em que alguns se atrevem a dizer que até Raça Negra e Leandro Lehart são "cultura alternativa", poucos conseguem dar conta da decadência, chamando meras "Jovem Pan 2 com guitarras de "verdadeiras rádios rock".

Embora haja muito lero-lero para dizer que as tais "rádios rock" (ou rádios-croac, vide as vinhetas típicas) estão em alta e foram elas que "trouxeram as maiores bandas de rock do mundo", elas estão tão em baixa que até agora a única banda próxima de "revelação do rock" que estourou nacionalmente foi uma tal de Pollo... Que rola fácil nas rádios de pop dançante e brega do país.

Antes que tais "rádios rock" se autopromovam às custas de concertos de rock, é bom deixar claro que, muito antes delas jogarem suas logomarcas nos anúncios promocionais desses eventos, um trabalho sério é feito por produtores culturais e assessores de comunicação sem que qualquer radialista "irado" dê seu pitaco sobre isso ou aquilo.

Além do mais, muito antes da divulgação nessas FMs, os eventos de rock já são previamente conhecidos pelos fãs, muitas vezes até com mais tempo de antecedência. Já existe, pelo menos, um sistema de comunicação entre roqueiros, além da mídia exclusiva da Internet, que estabelece contatos sobre novidades e notícias diversas, que não dependem de FM comercial para isso.

Daí Black Sabbath, Iron Maiden, Monsters Of Rock, tudo isso de conhecimento dos fãs sem qualquer influência dessas FMs comerciais que tentam parecer "nervosas" e "malvadas" - tem até locutor "engraçadinho" que formou bandinha de pseudo-punk de fazer o Billy Idol parecer Jello Biafra - , mas que no fundo pensam e agem igual que qualquer FM poperó que existe por aí.

sábado, 19 de outubro de 2013

"DO YOU WANNA DANCE" NÃO FOI UM HIT DE JOHNNY RIVERS

BEACH BOYS GRAVARAM "DO YOU WANNA DANCE" ANTES DE JOHNNY RIVERS

O Brasil provinciano ainda enche a bola de nomes pouco representativos, só porque eles tiveram mercado mais forte aqui do que nos EUA. E, entre tantas coisas que acontecem no chamado "pop adulto", tão risíveis quanto o de qualquer popinho adolescente, há uma que se relaciona à famosa canção "Do You Wanna Dance?".

A música é conhecida pelos brasileiros pela gravação do cantor Johnny Rivers, um ídolo superestimado no país, mas que na verdade corresponde a uma segunda e ainda menos expressiva geração de ídolos comportadinhos dos EUA, cuja primeira geração foi representada por Pat Boone e Bobby Darin.

Só que a gravação de Johnny Rivers, que está no imaginário saudosista de muitos brasileiros - o mesmo imaginário que, por exemplo, vê a disco music como "coisa do outro mundo" (quanto provincianismo de ver as coisas de fora como preciosidades que, na verdade, nem de longe são) - , nem sequer é de autoria do (aqui) famoso cantor, e nem sua gravação é a mais significativa.

"Do You Wanna Dance?", na verdade, é uma canção composta pelo cantor de soul music Bobby Freeman, o primeiro a gravá-la em 1958. A música foi coverizada primeiro pelo grupo inglês Cliff Richard & The Shadows (na verdade a união do cantor com o grupo instrumental mais populares do Reino Unido na pré-Beatlemania), em 1962.

Mas o maior sucesso se deu com os Beach Boys, que gravaram a canção em 1965, um ano antes da versão de Johnny Rivers que só marcou mesmo os provincianos brasileiros. A dos Beach Boys é a mais famosa lá fora, e muitos até imaginam que sua versão é a "definitiva", embora, evidentemente, a de Bobby Freeman (que está vivo e ativo até hoje) mereça muito crédito.

Nos anos 70, os Ramones gravaram a música no álbum Rocket to Russia, de 1977, o mesmo disco de "I Don't Care" (cujo acorde influenciou "Que País é Esse?" da Legião Urbana). Entre outras regravações, inclui de Raimundos a Neil Young, e até mesmo John Lennon a gravou em sua carreira solo.

Portanto, o provincianismo daqueles que acham que hit-parade é coisa de outro mundo impede que se conheça melhor os históricos de certas canções, principalmente em versão de nomes que só ganham importância no Brasil, como o crooner comportadinho Johnny Rivers.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

AMS PODERÃO MIGRAR PARA O FM: MAS DIAL FICARÁ CONGESTIONADO E AUDIÊNCIA VAI PIORAR


O Governo Federal vai autorizar em breve a migração do rádio AM para o rádio FM, já que não existe tecnologia de telefones celulares que sintonize a Amplitude Modulada.

Oficialmente, diz-se que a mudança irá aquecer o setor e que haverá aumento significativo de audiência. Mas, a julgar pela realidade que acontece nas ruas, diferente do que festeja o corporativismo da classe radiófila, a situação não representará a tão sonhada melhoria.

Pelo contrário, o rádio FM ficará congestionado, e se antes a segmentação era um sonho distante - uma boa ideia dos anos 80 que foi empastelada nos anos 90 e esquartejada depois - , ela hoje ficará morta, já que rádios sem perfil definido prevalecerão na sintonia do dial.

O que vai haver também é a pulverização da já problemática - e não assumida - situação do rádio FM, em que emissoras na verdade possuem apenas de 1/6 a 1/40 avos da audiência oficialmente atribuída pelos institutos de pesquisa.

Com isso, a audiência já existente não aumentará nem reduzirá (ou tende mais para essa segunda opção), se espalhando para as novas emissoras existentes.

Com isso, o rádio FM brasileiro vai virar o "futebol do DJ esclerosado", em que o jabaculê cada vez mais será menos musical, garantindo lucros exorbitantes para políticos, dirigentes esportivos e seitas religiosas.

Enquanto isso, o corporativismo radiofônico comemorará uma audiência gigantesca que não haverá e o mercado publicitário sentirá na pele a pouca rentabilidade que terá com a Frequência Modulada, anunciando seus produtos a pouca gente.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

BREGA NÃO SERIA MAIS "LIBERTÁRIO" QUE O "PROCURE SABER"


A iniciativa do grupo de medalhões da MPB autêntica de criar o Procure Saber, movimento feito para tentar banir a produção de biografias de personalidades brasileiras sem a prévia autorização dos biografados ou de seus herdeiros legais, criou uma grande polêmica e fez vários jornalistas definirem os integrantes do PS como "censores".

Em muitos momentos, há até a comparação entre o passado de vítimas de censuras vivido por vários desses artistas - como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque - e o presente censor dos mesmos, e episódios como o veto de Roberto Carlos ao livro Roberto Carlos em Detalhes de Paulo César Araújo e o veto de Chico Buarque às remontagens de sua peça Roda Viva (símbolo da rebeldia cultural de 1968) foram mencionados.

A revolta intelectual tem seus momentos de coerência, quando questiona o zelo rigoroso dos artistas quanto à sua imagem, mas tem outros momentos de exagero, sem ver o outro lado, o da cobertura sensacionalista ou mesmo do zelo dos ídolos bregas - tidos como "libertários" - em relação às suas imagens.

Para aumentar a polêmica, Caetano Veloso ainda escreveu, na sua coluna do jornal O Globo, que não se considera censor, não deseja que seus descendentes lutem por uma imagem "limpa" do cantor e apenas está preocupado com o "cabo de guerra entre a liberdade de expressão e o direito à privacidade".

No entanto, em relação aos ídolos cafonas, glamourizados pela suposta associação com o "popular" - muitas vezes construídas pelo poderio midiático vigente, queiram ou não queiram os intelectuais solidários com a breguice - , as posturas deles potencialmente não seriam muito diferentes do Procure Saber, pois eles mesmos desejam uma imagem "limpa" deles mesmos.

Aqui vão alguns exemplos, dentro do âmbito da música brega, de pessoas que poderiam ou já fazem por promover uma imagem "limpa" deles mesmos, como forma de garantirem uma projeção mais agradável na posteridade:

WALDICK SORIANO - O cantor brega, focalizado entre os ídolos cafonas no livro de Paulo César Araújo, Eu Não Sou Cachorro Não, e tema do documentário dirigido pela atriz Patrícia Pillar, Waldick - Sempre No Meu Coração, havia dito, em entrevistas diversas, que defendia uma postura submissa da mulher brasileira e fazia defesas entusiasmadas à ditadura militar. Trechos de uma entrevista no programa TV Mulher, da Rede Globo, em 1983, foram tirados do ar provavelmente sob influência dos partidários de Waldick - e do lobby de Patrícia e Paulo César nas Organizações Globo - , pouco depois de digitalizados para o portal Globo Vídeos, antes que fossem vazados para o YouTube.

ZEZÉ DI CAMARGO & LUCIANO - A dupla breganeja teve uma imagem "adocicada" pela cinebiografia Os Dois Filhos de Francisco, lançado em 2005 sob um forte lobby da intelectualidade cultural dominante. A imagem da dupla, mesmo num dramalhão cinematográfico, tentou ser "idealizada" como uma dupla de cantores "sofredores", "libertários" e "progressistas", até pela aparente adesão da dupla ao PT. Mais tarde, constatou-se que o esquerdismo da dupla era falso, os dois haviam votado no rutalista Ronaldo Caiado para o deputado federal e haviam recebido até mesmo verbas do esquema financeiro de Marcos Valério.

ALEXANDRE PIRES - Pode até ser duvidoso creditar o ídolo sambrega como "gênio da MPB", mas ele entende o espírito do Procure Saber. Ele havia ameaçado processar a revista Exame Vip por conta de piadas contra ele, quando namorava a dançarina Sheila Mello, então do É O Tchan. No entanto, Pires também é conhecido por letras preconceituosas como "A Barata" e "Kong", da qual já sofreu um processo judicial por causa da música e do videoclipe.

É O TCHAN - E já que citamos o grupo baiano, ele tentou ser reabilitado por uma monografia que resultou no livro Que Tchan é Esse?, de Mônica Neves Leme, que já começava distorcendo a imagem do grupo, na verdade ícone do mais escancarado comercialismo do brega-popularesco, como integrante de uma suposta "cena alternativa e independente" de Salvador. A tese não convenceu e o livro não teve grande repercussão.

VALESCA POPOZUDA - A funqueira "ativista", quando foi gravar um documentário sobre sua vida e carreira, viajou para a Europa para fazer pequenas apresentações em boates inexpressivas alugadas pelo seu empresário. A ideia é dar a falsa impressão de que a funqueira conquistou a Europa (inclusive a Inglaterra, país normalmente desconfiado com modismos popularescos), e, dizem, o documentário, já em pós-produção, apostará até mesmo em edição de imagens, quando plateias pequenas são enquadradas num ângulo de câmera para parecerem grandes multidões.

"FUNK DE RAIZ" - Pessoas como MC Leonardo e DJ Marlboro juram pelos quatro ventos que são "transparentes" e que, em tese, não temeriam biografias não-autorizadas. Mas eles, integrantes do tal "funk de raiz" que simbolizou as primeiras deturpações do funk em 1990, quando a cena carioca rompeu com qualquer tipo de lição do funk autêntico e só ficou com o nome, não desejariam uma imagem que fuja daquela que oficialmente exibem na mídia. Por exemplo, teses que definem o "funk de raiz" como "risível" seriam desencorajadas, em prol de uma imagem "limpinha" de suposta "canção de protesto". E episódios como o enriquecimento de DJ Marlboro e as acusações de exploração sexual também não seriam encorajados a serem colocados em uma biografia, daí que os dois poderiam muito bem fazer o coro para o Procure Saber.

CHICLETE COM BANANA - A banda baiana, que cumpre agora os últimos compromissos tendo à frente o cantor Bell Marques, é conhecida pelos fãs fanáticos, pela riqueza de seus integrantes (inclusive seu futuro ex-líder), e por episódios pouco agradáveis ligados a Bell, acusado de sonegação fiscal, de maus tratos a um músico da banda gravemente enfermo e de não ter dado o devido apoio a uma cantora baiana iniciante. Tais detalhes poderiam incluir Bell no coro do Procure Saber, porque o cantor baiano não gostaria de ver essas informações pouco agradáveis em biografias que passem longe de sua autorização.

domingo, 13 de outubro de 2013

NÃO DÁ PARA ENCONTRAR UMA NATALIE PORTMAN EM EVENTOS DE UFC


Existem mulheres e mulheres. Mesmo com o avanço das conquistas femininas, o vínculo de várias mulheres a valores machistas faz com que outras mulheres, notáveis por sua inteligência e talento, sejam muito raras de se encontrar por aí.

Boa parte das mulheres inteligentes, sabemos, é comprometida. Vide Natalie Portman, uma das mulheres mais admiráveis do mundo, hoje esposa do coreógrafo Benjamin Millepied. Natalie une beleza deslumbrante e inteligência, e é formada em Psicologia em Harvard, além de acumular à sua profissão de atriz um iniciante trabalho de cineasta.

Natalie é do tipo de mulher que lê livros, dá excelentes entrevistas, une senso de humor e sensatez, faz pesquisa se necessário para aperfeiçoar seus papéis e expressa opiniões próprias sobre diversos assuntos. Fora a beleza deslumbrante e o físico discretamente, mas admiravelmente formoso.

E aí vejo o outro lado, e me vem à mente a tal modelo e assistente de palco dos eventos de UFC (Ultimate Fight Champeonship), Arianny Celeste. Ela até tem nível universitário, formada em Nutrição e Condicionamento Físico na Universidade de Las Vegas, Nevada, EUA.

Só que isso não traz muito diferencial. Apenas faz Arianny entender apenas de forma física e nutrição, nada demais. O problema é que ela não vai além disso, e não deixa de ser daquelas musas que só se projetam na fama através do corpo.

Pior: a mídia tenta empurrar Arianny Celeste para o público nerd (o nerd autêntico, da linha The Big Bang Theory, conhecido por sua inteligência aguçada), como num vídeo que repercutiu bastante no YouTube, com a moça tirando a roupa no elevador diante de um nerd (caricato) boquiaberto.

Evidentemente que esse vídeo não passa de um bullying ideológico. Veja o físico de Arianny, de peitos e glúteos exagerados, mais parecendo silicone. E, além disso, o universo UFC é reduto de brutamontes, o que seria uma grande cilada se caso um nerd se disponha a se interessar por uma mulher dessas (normalmente nem sequer cogita isso).

Para piorar, já correu uma notícia de que Arianny havia sido acusada de agredir um homem e teria chegado a ser detida por isso. Aparentemente, segundo essa nota, o empresário de UFC que a tem como contratada teria tentado abafar a notícia. Fofoca ou não, os caras legais (nerds ou não) sentem muito receio, e até constrangimento, de admitir alguma vez admirar uma mulher dessas.

Voltando à Natalie, eis o que a senhora Millepied havia descrito sobre personagens femininas:

“Eu quero que personagens femininas tenham a permissão de serem fracas e fortes e felizes e tristes – humanas, basicamente. A falácia em Hollywood é que se você está fazendo uma história ‘feminista’, a mulher sai batendo em todo mundo e ganha. Isso não é feminista, isso é macho. Um filme sobre uma mulher fraca e vulnerável pode ser feminista se mostra uma pessoal real com quem a gente empatiza.”

Grande diferença entre uma Natalie Portman que vai adiante e fala sobre mulheres dotadas de sentimentos humanos, que buscam força mesmo na sua fragilidade, e uma Arianny Celeste que mostra plaquetas em torneios de lutas e se limita a dizer que não é bom comer pizza para quem quer ter uma barriga tanquinho.

Ficamos muito tristes por que muitas mulheres não conseguem ter um perfil diferenciado. Se limitam a ser "corpões sarados" - com muito silicone - que abrigam personalidades superficiais (para não dizer estúpidas), arrogantes e narcisistas, mas que nada têm a dizer de muito importante.

Para aumentar ainda mais o drama, é que são justamente essas moças que agora se fazem de "acessíveis". Uma musa de UFC brasileira chegou a dizer que "não namora lutadores" e que está "receptiva" a qualquer homem simples que se interessar em puxar um papo com ela.

Tudo bem. Mas o problema é a conversa. Ficar falando de coisas previsíveis, debatendo marcas de farinha de trigo, o tipo de pão mais saudável, que comida engorda ou não, ou comentar que o trânsito de carros nas cidades é muito grande, não garante diferencial algum.

Praticamente faltam mulheres com diferencial no "mercado". Elas até existem, mas são muito raras. E a maioria das mulheres com diferencial está comprometida, mesmo, já que, por também não serem muito comuns, são conquistadas pelos primeiros homens que aparecem com algum perfil marital aparentemente compatível.

No "mercado", a maioria que está disponível nem se encoraja em seguir os melhores exemplos, equilibrando beleza e inteligência. Preferem viver de mostrar o corpo e manter uma personalidade superficial, em certos casos estúpida, enquanto a vida passa sem que elas tragam alguma contribuição substancial para a humanidade.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

JOVEM PAN 2 SAI DO AR HOJE, MAS CHANCES DA RÁDIO CIDADE "ROQUEIRA" VOLTAR SÃO QUASE NULAS


Segundo informações que colhi do blogue Fatos Gerais, a Jovem Pan 2 Rio sairá novamente no ar, nos 102,9 mhz, com despedida anunciada para as 19 horas. Aparentemente, a Rádio Cidade reassume o canal, mas não de forma definitiva, e não se sabe se será uma programação "roqueira" ou uma programação pop.

Provavelmente, a programação será mais pop, uma vez também que não foi acertada qualquer parceria ou projeto para o segmento rock, já que o futuro dos 102,9 mhz está incerto, e não é hora de despejar um grunge, poser metal ou um medalhão do rock pesado (tipo Iron Maiden) para preencher a lacuna da JP2.

Além disso, o segmento rock não conseguiu se reaquecer mesmo com a volta da 89 FM de São Paulo ao gênero, já que a emissora retomou toda a performance que "queimou" a emissora em 2005 e o rock já está há um tempo em baixa no mercado paulista, sem oferecer um diferencial para competir com os popularescos "funk ostentação" e o "sertanejo universitário".

Mesmo o marketing do Rock In Rio foi um fogo-de-palha que não recuperou a antiga projeção nacional da 89, já que o festival não é de todo dedicado ao rock e, ainda por cima, a atitude rock estereotipada pela publicidade do festival não passou de um modismo passageiro. E a mídia que protegia a 89, os grupos Folha e Abril, se encontram em séria crise de reputação e finanças.

O motivo da saída da JP2 é que a empresa que fazia a franquia da rádio paulista para os 102,9 mhz, a Biz Vox, entrou em falência. Mas duas hipóteses prováveis praticamente anulam a volta daquela Rádio Cidade junkie que fazia a vaidade de uma pequena parcela de jovens riquinhos que se autoproclamavam "nação roqueira".

Uma hipótese, cogitada a partir de negociações que já estão em andamento, é que, independente dos acordos se resultarem no controle acionário de Tutinha (dono da Jovem Pan 2) e da família Nascimento Brito (dona da Rádio Cidade), é que a própria Jovem Pan 2 irá voltar aos 102,9 mhz não mais como uma franquia, mas como uma afiliada da Rede Jovem Pan Sat.

Outra hipótese são as negociações com o Grupo Bandeirantes de Comunicação, que colocariam o "Aemão de FM" Bradesco Esportes FM - que anda levando surra violenta na audiência, o que resultou em várias demissões - nos 102,9 mhz, transferindo os 91,1 mhz para a rádio de brega-popularesco Band FM.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

"PROCURE SABER" REVELA PROTECIONISMO DA MPB


A notícia mais recente nos bastidores da música brasileira é a formação de um grupo, chamado Procure Saber, que reage contra uma lei que perimtirá a produção de biografias não-autorizadas de personalidades vivas e mortas.

A medida envolve vários setores da cultura brasileira, não só a música, mas a MPB é uma das interessadas na situação. E o grupo do Procure Saber é formado pelos principais cantores e compositores do mainstream da música brasileira.

O grupo é composto sobretudo por Caetano Veloso, Roberto Carlos e Erasmo Carlos, mas tem a adesão de Milton Nascimento, Djavan e Gilberto Gil, este antes um aparente defensor da quebra de regras de protecionismo artístico.

A intelectualidade cultural dominante passou então a repudiar essa elite da MPB, acusando-a de defender a censura. Vieram então classificações como "privatista" e "golpista". E agravou a postura hostil que essa intelectualidade já tinha em relação a essa elite, à qual contrapunha com um apoio cego e surreal às breguices musicais.

NÃO EXISTE MANIQUEÍSMO

Apesar de ser reprovável a censura e o protecionismo extremo às biografias, é perigoso adotar uma postura maniqueísta na qual os biógrafos são necessariamente o "bem" e o Procure Saber seja necessariamente o "mal".

É certo que os artistas de MPB envolvidos no Procure Saber querem interesses financeiros, no seu protecionismo extremo de suas imagens pessoais. Roberto Carlos é o mais paranoico deles, porque mesmo o acidente que o fez amputar uma das pernas ele se recusa a dar maiores explicações.

No entanto, há o outro lado da questão, que é a exploração sensacionalista das biografias. O popular ditado "quem conta um ponto, aumenta um ponto" é muito comum nesses casos, e num país como o Brasil, em que a chamada imprensa sensacionalista goza de uma reputação bem mais positiva do que no exterior, a situação se complica cada vez mais.

Por outro lado, o brega-popularesco também não parece ser muito flexível nas biografias. A imagem "libertária" das supostas tendências "populares", que vai de Odair José a MC Guimé, não quer dizer que seja necessariamente aberta a uma abordagem livre nas biografias.

O próprio caso de Waldick Soriano é ilustrativo. Paulo César Araújo havia escrito um livro sobre os ídolos bregas, Eu Não Sou Cachorro Não, lançado pela editora Record, do qual construiu uma imagem "libertária" do falecido cantor, ainda vivo na ocasião do livro. A atriz Patrícia Pillar dirigiu, anos depois, o documentário Waldick: Para Sempre No Meu Coração, no mesmo sentido.

Para Waldick, foi construído então um mito de um artista "libertário", um "cantor de protesto" e uma figura "progressista", que nada condiziam com a realidade. Na sua trajetória real, Waldick era um machista, um conservador e um despolitizado que no entanto expressava seu apoio entusiasmado à ditadura militar.

Mas a imagem tendenciosa de Waldick prevaleceu, enquanto o lobby de Patrícia Pillar, estrela da Rede Globo, fez vetar dois vídeos no portal da Globo Vídeos em que o ídolo brega era entrevistado por Marília Gabriela no programa TV Mulher, em 1983. Nos vídeos, Waldick defendia a imagem submissa da mulher e fazia ampla defesa da ditadura militar.

Ironicamente, a mesma intelectualidade que vocifera contra o Procure Saber apoiou as manobras por Waldick. E é também a mesma intelectualidade que embarca de carona nas campanhas pela verdade histórica da ditadura militar. Que se descubra tudo sobre os "anos de chumbo", desde que nada afete a imagem fantasiosa mas confortável do ídolo brega.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

AS FLORES DE PLÁSTICO DA MPB

EXALTASAMBA - Um dos símbolos da pasteurização da música brasileira.

COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O texto, sem crédito de autoria, foi estraído do sítio da Sana Multimídia Educação e Arte. É um texto muito longo, mas cujos argumentos são muito mais coerentes e concisos do que as confusas e "provocativas" argumentações usadas pela intelectualidade dominante em defesa da bregalização do país. Indo pela contramão, o artigo questiona justamente essa bregalização, com argumentos surpreendentemente lúcidos e que fornecem subsídios para uma análise justa da situação atual da música brasileira.

Para quem não tem paciência de ler o texto pela Internet, pode imprimi-lo e ler aos poucos na leitura diária, porque vale muito a pena.

As Flores de Plástico da MPB

Da Sana Multimídia Educação e Arte

“De onde é que vem o baião?
Vem debaixo do barro do chão.
De onde é que vem o xote e o xaxado?
Vem debaixo do barro do chão.”
(Gilberto Gil)

É preciso redescobrir de onde vem o baião, o xote, o xaxado, o lundu, o carimbó, o samba, o maracatu, o choro, o reisado, o frevo, a marujada, o boi-bumbá e todo o colorido leque que compõe o tesouro de nossa cultura popular e do nosso folclore. Todo este caudal de ritmos e gêneros musicais tem uma só origem: o coração do povo, a sua sensibilidade; e nascem da necessidade que o povo tem de expressar seus sentimentos, sua visão de mundo, sua alegria diante da vida ou sua religiosidade. Nascem naturalmente, brotam como que da terra, a céu aberto, como flores do campo que ninguém cultivou, e por isso o poeta diz que vêm de debaixo do barro do chão. É neste solo generoso que a música popular brasileira sempre se enraizou e é daí que retirou sua autenticidade e originalidade, seu viço e seu valor, que o mundo aprendeu a respeitar. E é preciso redescobrir este solo porque ele vem sendo soterrado pela camada de detritos sintéticos que a indústria fonográfica tem lançado sobre ele.

Faz tempo que temos precisado conviver com invenções batizadas com nomes antigos ou novos, como “lambada”, “axé-music”, “pagode”, “música sertaneja”, etc…. Estes novos gêneros não vêm da terra, mas dos gabinetes das gravadoras, de seus tubos de ensaio, de seus liqüidificadores de ritmos. Aí experimentadores aventureiros misturam sem nenhum critério estilhaços do folclore, cacos da MPB, ecos do pop e outros elementos das mais diversas procedências. E desta mistura podemos esperar os mais estranhos e impossíveis híbridos: o sambanejo, o forró hard-core, o pagode country, o brega-axé e sabe-se lá que outro absurdo pode estar sendo preparado para o próximo verão.

A esta altura o leitor talvez abane a cabeça lamentando nossa desinformação: então não sabemos que a música popular brasileira sempre se serviu de forma livre do material do folclore? Que a mistura de ritmos e a criação de novos gêneros sempre foi corrente e válida? O Tropicalismo não uniu rock e bossa-nova? E a bossa-nova não incorporou o jazz ao samba? E que é o samba senão a junção dos ritmos africanos com a modinha e com a canção popular de origem européia?

Tudo isto é verdade, mas que não nos venham querer justificar desta forma o atual estado da MPB, pois existe um limite bem claro entre liberdade de criação artística e oportunismo. Em qualquer tempo e em qualquer circunstância, uma coisa sempre será verdadeira sobre a arte: ela responde a uma necessidade de expressão do ser humano. A obra de arte deve expressar alguma coisa do mundo interior do homem, seja um sentimento, uma aspiração, um ideal ou uma idéia, ainda que seja uma idéia meramente estética. Mas que conteúdo expressa esta nova música brasileira? Por mais que procuremos, só vamos encontrar uns poucos e batidos clichês guardados no chamado inconsciente coletivo das massas, exagerados e martelados compulsivamente pelas novas tendências musicais, espremidos como se se quisesse tirar leite de pedra. É a tão decantada malemolência dos trópicos, levada ao ridículo e ao grotesco e empacotada para inglês ver e rebolar; é o sentimentalismo passional, pegajoso e lacrimejante dos folhetins, sabendo a uma mistura de melado e óleo de rícino; e é um inventado e fantasioso Brasil rural, cheio de rodeios e cowboys, no qual só faltam as diligências e os peles-vermelhas para ser um cenário de Western.

Estes conteúdos revelam claramente a fraude que hoje procura se revestir da aparência de manifestação legítima da cultura popular. É preciso dissipar esta aparência, e não é qualquer mero purismo musical o que nos leva a denunciar tão grosseira falsificação, mas sim o fato de que ela introduz uma falsificação do próprio caráter popular. O folclore e a cultura popular são espelhos onde o povo procura se reconhecer. Eles refletem a alma do povo, seu temperamento, sua maneira de ser. Por isso, quando uma cultura pré-fabricada toma o lugar da legítima, a artificialidade penetra na maneira de ser das pessoas, e elas se tornam sujeitas a adotar costumes e idéias que contradizem sua natureza.

Este século estabeleceu cientificamente que a repetição contínua condiciona comportamentos, embora este seja um princípio conhecido e utilizado na prática há milênios. Convença alguém a imitar um sapo durante vinte dias seguidos, e ele vai acabar achando os insetos saborosos; peça a alguém para repetir cem vezes por dia que é uma vaca, e ele em breve vai começar a mugir. É este princípio que tem atuado no terreno da música popular. Hoje em dia, o brasileiro imita irrefletidamente a mis-en-scène, o vestuário e os modos de seus ídolos musicais, além do que, repete incessantemente as letras das canções de sucesso, sem sequer se dar conta do que está dizendo. Não é então de admirar que já acredite que a passionalidade das canções de dor-de-cotovelo, a lascívia atlética e forçada das dançarinas de axé ou a rudeza machista e pecuarista do Texas estejam inscritas em seu próprio sangue.

Tão certo quanto o poder da imitação de condicionar comportamentos é o poder que a palavra tem de atrair aquilo que ela evoca. Este, porém, é um fato que a ciência ainda está longe de demonstrar (se é que um dia o fará), pois deriva de mecanismos demasiado sutis para serem detectados pelos instrumentos científicos. A natureza deu ao homem ao mesmo tempo a fala e a consciência: cabe a ele aprender a harmonizar estes dons. Somos responsáveis pelo que falamos, e as leis que governam o mundo espiritual no qual estamos inseridos não falham em cobrar esta responsabilidade, pois, neste mundo, falar é agir. Quem sabe disto fala com cuidado; quem não sabe muitas vezes joga as palavras no ar como quem se desfaz de algo inútil, e depois precisa se haver com uma chuva de acontecimentos imprevistos que ele nem imagina terem se originado em seus próprios lábios. Os que duvidam disso que tentem se recordar de quantas vezes tiveram de lamentar ter dito alguma coisa, e procurem fazer a experiência de prestar realmente atenção ao que dizem.

Vale a pena considerar a nova MPB sob este prisma. Alguém já se pôs seriamente a refletir sobre os efeitos das letras destas canções que hoje o rádio despeja incessantemente nos ouvidos incautos da população? Destas canções que mancham a tradição da música popular brasileira, marcada pela excelência de seus letristas e poetas? Para onde vão aquelas palavras, depois de proferidas e repetidas? A que espécie de pensamento elas dão nascimento? Que ações são suscitadas por estes pensamentos? Quais os efeitos delas? Avalie o leitor, por exemplo, os efeitos que podem haver derivado das palavras daquela ode ao baixo nível que foi o mega-sucesso Entre Tapas e Beijos; e veja se consegue encontrar, dentre as canções do mesmo gênero, alguma que não contenha a palavra “paixão”.

Quem faz estas reflexões com cuidado se dá conta da responsabilidade implicada por esta nobre ocupação que é a de fazer versos e quadras para o povo cantar. E se dá conta também da dignidade deste ofício, dignidade que precisa ser resgatada. Percebe que só se deve compor, e fazer arte, em geral, quando se têm realmente algo a dizer, e quando se sabe que este algo vai contribuir para tornar o público mais feliz e consciente, ou, no mínimo, para lhe proporcionar um entretenimento sadio.

E estes lembretes não valem apenas para os oportunistas da atualidade, mas mesmo também para aqueles artistas que, pelo seu talento e sua inspiração estão destinados a serem os continuadores da mais alta linhagem da MPB, pois também estes, à medida em que conquistam a merecida fama, precisam refletir sobre a influência de suas criações sobre o público.

O Tropicalismo, por exemplo, foi o movimento cultural que mais influenciou comportamentos no Brasil, com sua implícita incitação – na esteira da contra-cultura – às experiências psicotrópicas e sexuais. Este movimento deu uma contribuição inegável e definitiva à MPB, mas antes de lhe fazer o elogio total e incondicional, que hoje em dia é quase de praxe, é preciso pensar um minuto nas pessoas que foram influenciadas pela sua ideologia e talvez não tenham tido fôlego e jogo de cintura suficientes para recuperar o equilíbrio após tanta experimentação. É preciso pensar naqueles que embarcaram pesado na onda do É Proibido Proibir e hoje se vêem diante de uma situação possivelmente irreversível, sofrendo as conseqüências de alguma moléstia incurável ou de uma saúde mental e emocional gravemente comprometidas; naqueles que jogaram pela janela a chance de serem felizes por não valorizarem devidamente o esforço necessário para se construir a fortaleza que se chama família, como dizem as palavras de uma canção autocrítica de Raul Seixas.

Uma semelhante autocrítica é o que os ex-tropicalistas ainda estão nos devendo. É verdade que muitos deles atualmente se mostram distanciados das antigas causas e abandonaram todo o ar militante que carregavam há duas décadas, levando uma vida familiar que eles próprios, nos velhos tempos, provavelmente qualificariam de burguesa. Mas a verdade é que ainda não fizeram um reexame claro e objetivo da ideologia do movimento. E não estamos falando de trabalhos de cunho meramente histórico ou saudosista, mas de uma tomada de posição isenta de ambigüidades sobre as idéias do tropicalismo, um reconhecimento público de seus erros, seus excessos e suas inconsistências.

Reconhecer erros nunca foi vergonha para ninguém, e é possível que uma tal atitude viesse trazer aos ex-tropicalistas a estabilidade e constância de que tanto sua arte como suas próprias vidas carecem, tão sujeitas que têm se mostrado a oscilar entre os altos cumes e as fundas depressões.

E a falta desta autocrítica é o que provavelmente tem impedido estes artistas de se posicionarem criticamente – como conviria a pessoas que ocupam posição tão importante na história da música popular brasileira – em relação às novas tendências musicais que hoje pegam uma carona oportunista nos últimos ecos do liberalismo anárquico que eles professaram no passado. Um deles, por exemplo, recentemente usou da velha retórica anti-repressiva do “é preciso liberar” para defender certo modismo rebolante da atualidade; e foi estranho ver alguém com conhecimentos tão sólidos sobre o folclore e sobre a história da música popular brasileira (como também sobre as manipulações e invenções das gravadoras) parecer acreditar que o referido gênero musical seja expressão genuína da sensibilidade popular. Mas é possível que tudo isto seja realmente apenas retórica, e ele não tenha de fato caído neste novo conto da carochinha da indústria fonográfica; tanto é que julgou necessário apelar para um argumento extremo: esta música cria empregos! Como? Não é isso que também as indústrias tabagista, alcoólica e armamentista afirmam em sua defesa? Que criam empregos? Ora, criar empregos! Meu amigo, isto até o governo faz…

domingo, 6 de outubro de 2013

MARCO ENTRE A DITADURA E A DEMOCRACIA, CONSTITUIÇÃO DE 1988 COMPLETA 25 ANOS


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A Constituição Federal de 1988 foi, depois da Constituição de 1946, a legislação maior promulgada em regime democrático nas últimas décadas. Entre uma e outra houve apenas uma constituição outorgada pela ditadura, a de 1967, e uma "constituição" de 1969, na verdade adaptação da de 1967 ao AI-5.

É verdade que a Constituição de 1988 já foi alterada em muitos pontos, mas atualmente seu conteúdo ainda faz sentido em sua maioria para os dias de hoje. Entre os marcos da atual Carta Magna, está o fim da Censura Federal, consolidando a redemocratização do país.

Marco entre a ditadura e a democracia, Constituição de 1988 completa 25 anos

Por Iolando Lourenço e Ivan Richard - Agência Brasil

Brasília - “Declaro promulgado o documento da liberdade, da democracia e da justiça social do Brasil”, disse há 25 anos o então presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Ulysses Guimarães, ao promulgar a nova Constituição Federal, em vigor até hoje. O Brasil rompia de vez com a Constituição de 1967, elaborada pelo regime militar que governou o país de 1964 até 1985.

O trabalho que resultou na “Constituição Cidadã” começou muito antes da Assembleia Constituinte e o fim da ditadura. A luta para acabar com o chamado “entulho autoritário” ganhou força com a derrota da Emenda das Diretas-Já, ou Emenda Dante de Oliveira, rejeitada por faltarem 22 votos, no dia 25 de abril de 1984.

Passadas duas décadas dos militares no Poder, com a restrição de vários direitos e depois da derrota na votação que instituiria o voto direto para presidente da República, lideranças políticas, como Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Luiz Inácio Lula da Silva, Miguel Arraes, Fernando Henrique Cardoso e muitos outros percorreram o Brasil para tentar unir a sociedade com o ideal de pôr um fim ao regime autoritário.

Com a impossibilidade de eleições diretas, o então governador de Minas Gerais, Tancredo Neves, passou a articular a disputa da eleição presidencial no Colégio Eleitoral, formado por deputados e senadores. Até então, só os militares participavam do processo. Tancredo convenceu os aliados, deixou o governo de Minas e se tornou o candidato das oposições. Uma das suas promessas de campanha era a convocação da Constituinte. Na disputa, o ex-governador mineiro venceu Paulo Maluf, candidato oficial dos militares.

Com a eleição de Tancredo, estava cada vez mais próxima a possibilidade do país deixar para trás os anos de ditadura e avançar para o regime democrático. Mas o sonho, no entanto, se viu ameaçado com a impossibilidade de Tancredo tomar posse em 15 de março de 1985, em virtude de uma crise de diverticulite. Internado às pressas no Hospital de Base do Distrito Federal, o presidente eleito fez uma cirurgia de emergência. No dia seguinte à sua internação, subiu a rampa do Palácio do Planalto o vice-presidente José Sarney. Com a morte de Tancredo, em 21 de abril de 1985, Sarney foi efetivado e deu andamento ao processo de transição.

Em 28 de junho de 1985, Sarney cumpriu a promessa de campanha de Tancredo e encaminhou ao Congresso Nacional a Mensagem 330, propondo a convocação da Constituinte, que resultou na Emenda Constitucional 26, de 27 de novembro de 1985. Eleitos em novembro de 1986 e empossados em 1º de fevereiro de 1987, os constituintes iniciaram a elaboração da nova Constituição brasileira. Ao todo, a Assembleia Constituinte foi composta por 487 deputados e 72 senadores.

A intenção inicial era concluir os trabalhos ainda em 1987. No entanto, as divergências entre os parlamentares, especialmente os de linha conservadora e os considerados progressistas, quase inviabilizaram o resultado da Constituinte e provocaram a dilatação do prazo. Foram 18 meses de intenso trabalho, muita discussão e grande participação popular até se chegar ao texto promulgado em 5 de outubro de 1988, por Ulysses Guimarães. Foi a primeira vez na história do país que o povo participou efetivamente da elaboração da Constituição. Além da apresentação direta de sugestões, a população acompanhou da galeria do plenário da Câmara os trabalhos dos constituintes.

A participação popular neste momento histórico da política brasileira pode ser traduzido em números: foram apresentadas 122 emendas, dessas 83 foram aproveitadas na íntegra ou em parte pelos constituintes na elaboração do texto final da Constituição. As emendas foram assinadas por 12.277.423 de brasileiros.

sábado, 5 de outubro de 2013

NET MÃO-DE-VACA. SÓ NÃO BLOQUEIA O CANAL RURAL NO PACOTE BÁSICO


A operadora de TV por assinatura NET decidiu ser mão-de-vaca. Bloqueou, para os assinantes de serviço básico - que são aqueles que outrora só tinham acesso à TV aberta - , canais diversos como o Sony Spin, BBC World News e não libera o canal português SIC, em total descumprimento à reciprocidade entre brasileiros e portugueses prevista em lei no nosso país.

Sim porque os portugueses conhecem a fundo o Brasil, mesmo a "cultura" brega-popularesca. E lá eles enxergam a "cultura de massa" brasileira com olhos mais críticos, mas, por outro lado, recebem bem a cultura de qualidade brasileira, com seus talentosos atores, músicos, escritores e outras personalidades.

A falta de visão dos executivos da NET - do lema "O mundo é dos NETS" - é tanta que um dos canais que permanecem incólumes no corte de transmissão nos pacotes básicos é o Canal Rural, cuja programação interessa mais aos latifundiários e, nas zonas urbanas, só umas poucas pessoas com maior poder aquisitivo se interessam a ver. Pouquíssimas, raras.

Ora, o que vai interessar para mim, morador de zona urbana, membro de classe média, ver leilões de gado transmitidos pelo Canal Rural? E seus programas musicais, que são um horror? Só pouca coisa no Canal Rural salva, como informativos e dicas para cuidados nas plantações e criação de animais, mas não dá para entender por que as operadoras mantém sempre o CR no pacote básico.

Esse canal é que deveria estar num pacote avançado. Será que as operadoras não sabem que existe um custo de produção dos programas do Canal Rural que não é abatido? Mantém-se o canal no pacote básico, de preço mais barato, para que praticamente NINGUÉM o veja, porque eu não vou comprar gado em leilão e trazer para o apartamento onde moro. Isso é ridículo.

As operadoras de TV por assinatura acabam jogando a coisa no prejuízo. Uns poucos exóticos que se interessam em ver o Canal Rural e seus leilões por algum fetiche, nas zonas urbanas, não é suficiente para justificar a permanência do canal no pacote básico. E é um público com condições perfeitas para comprar pacotes mais avançados e mais caros.

Perdemos de aprender inglês nos noticiários da BBC. Boa parte dos filmes mais interessantes não podemos ver. Seriados como Parker Lewis e South Park não podemos ver. Mas apresentações de ídolos brega-popularescos, reality shows estrangeiros e sem graça, televendas e leilões, leilões de gado, podemos ver!!

Dá vontade de chamar os meninos do South Park para invadirem sem dó os enfadonhos leilões do Canal Rural, que nada servem para o cidadão urbano de classe média, para bagunçarem o evento. Iria ser o maior bafafá. Será que os "coronéis" iriam chamar os capatazes para "eliminar" o Kenny?

Não bastasse o desserviço da NET de fazer manutenção sem avisar a seus assinantes, que eventualmente são pegos de surpresa com a TV paga desligada e, às vezes, até seu serviço de Internet desativado, tem essa política de bloqueios e liberação de canais que transforma a TV paga numa coisa mais tediosa e repetitiva do que a antiga TV aberta dos idos de 1959-1964.

E logo quando eu estava ouvindo o inglês britânico através do canal BBC World News. Tenho agora a opção da CNN, e esperar que uns poucos âncoras (como Isha Sesay e Richard Quest, compatriotas da BBC que trabalham na rede norte-americana) apareçam. Ou, pelo menos, sonhar que um outro profissional, por exemplo, pronuncie REALITY e não REALIRY.

Até parece que, para a NET, os assinantes do pacote básico são gado. Coisas boas e úteis são vetadas aos assinantes desse plano. Enquanto isso, inutilidades como o Canal Rural, que só servem para a turma do agronegócio, não são bloqueadas nem mandadas para o pacote avançado, mesmo precisando de mais grana para custear o sinal do CR na TV paga.

Ou seja, a NET, além de atrapalhar, não ajuda. Talvez com o Canal Rural no pacote avançado, bloqueado para os assinantes básicos, permita que um custo maior de assinatura custeie o canal, que será apenas visto por aqueles que realmente se interessam em vê-lo e possuem maior poder aquisitivo que não deixaria o CR no prejuízo.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

AINDA SE TEM PRECONCEITO CONTRA COMEDIANTES FAZEREM DRAMAS


Mesmo vinte anos depois de o comediante Tom Hanks protagonizar um drama, tornando-se bem sucedido a partir de então, a indústria cinematográfica norte-americana ainda tem um grande preconceito com comediantes passarem a fazer dramas.

Dias atrás, o humorista Sasha Baron Cohen, conhecido pelos seus pseudo-documentários e marido da lindíssima Isla Fisher, havia sido convidado para fazer o papel de Freddie Mercury na biografia cinematográfica do falecido cantor. No entanto, houve desentendimentos porque alguns produtores achavam Sasha "muito engraçado" para o papel.

A notícia esfriou um pouco, mas eu pessoalmente torcia para que Sasha fizesse um papel dramático, eu acreditava que o ator pudesse se dar bem no papel, que sua adaptação a uma produção dramática fosse possível. Mas ele foi cortado da produção e um outro ator irá fazer o papel, e até o momento aparentemente não foi escolhido ainda o ator para fazer o referido papel.

Outro caso de um ator que sofre preconceito por fazer geralmente comédias é Ashton Kutcher, que no momento se destaca no elenco de Dois Homens e Meio (Two and a Half Men). Ele havia feito também dramas, como o ótimo Efeito Borboleta (The Butterfly Effect), que mistura ficção científica e drama psicológico.

Ashton é também um excelente ator de dramas e creio que ele foi convincente fazendo o papel do fundador da Apple, o falecido empresário Steve Jobs, no filme Jobs, que ainda não foi exibido no Brasil. Mas ele foi duramente criticado por alguns jornalistas, mais preocupados que estavam com a marca deixada pelos personagens Kelso (That 70's Show) e Walden (Two and a Half Men).

Não só apenas comediantes sofrem preconceito, mas também ídolos marcados por papéis juvenis. E isso até custa vidas. Foi o caso da bela atriz Brittany Murphy, que faleceu deprimida depois de contrair doenças e ingerir vários remédios. Brittany havia sido conhecida por comédias juvenis e depois comédias românticas, e pretendia diversificar seus papéis.

Em 2009, tentou se concentrar no gênero suspense, embora também tivesse vontade de gravar a sequência de Happy Feet, filme de animação infantil no qual ela fez a personagem Gloria e cantou dois covers (uma delas, por sinal, "Somebody to Love", do Queen, composta por Freddie Mercury).

Só que Brittany, que por conta de um problema cardíaco, tomava medicamentos, foi injustamente classificada por alguns executivos da Warner como "drogada", e foi cortada de fazer a Gloria em Happy Feet 2. Brittany ficou bastante magoada, e o pior que é a mesma Warner que permitia produzir desenhos com personagens neuróticos demais nos anos 90.

A indústria cinematográfica é competitiva, sua mentalidade é puramente mercadológica, embora tenha-se a ressalva de que o leque de informações que permite aos roteiristas de filmes seja muito melhor do que o do cinema brasileiro.

No cinema brasileiro, por exemplo, há restrições terríveis quanto aos temas, já que a agenda temática, que geralmente glamouriza a pobreza, é determinada pela hegemonia de cineastas vindos de agências de publicidade ou das elites intelectuais comprometidas com a bregalização do Brasil.

Mas isso é outra coisa. Nosso assunto é outro. E tem-se a notícia de que o ator Vladimir Brichta, conhecido pelo seu talento cômico, irá fazer um drama. E, em Hollywood, vemos o caso de Sean William Scott, o Stifler da série de comédias de longa-metragem American Pie, fazendo papéis dramáticos, e a oportunidade de Ben Stiller, outro comediante, também passar a fazer dramas.

Que sejam bem vindos os comediantes que queiram de verdade fazer dramas. Tendo eles talento, eles poderão se dar bem. Como foi Tom Hanks, que hoje tem um leque bem diversificado de trabalhos fora da comédia, fazendo desde náufrago até detetive que investiga enigmas ligados a obras de arte.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

INTELECTUALIDADE SÓ DEFENDE MPB QUE É "OBEDIENTE" AO MERCADO

OSCAR CASTRO NEVES - Recém-falecido, compositor e músico não fazia parte da ala obediente da MPB.

Num país mergulhado na supremacia da breguice que contamina o mercado, a intelectualidade associada, com seus jornalistas culturais, antropólogos, sociólogos, historiadores, cineastas, artistas e celebridades que apostam na bregalização do Brasil, a MPB é que é vítima de preconceitos e injustiças.

Temos a supremacia de uma elite "pensante" que pensa que a bregalização é a única salvação para as classes populares, que mostraram não desejar qualquer tipo de melhoria sócio-cultural para as classes populares a não ser pelas vias do paternalismo acadêmico-estatal e da aceitação passiva e acrítica da sociedade brasileira.

Portanto, a intelectualidade dominante não quer que a opinião pública mexa nos valores de degradação sócio-cultural que assolam subúrbios, roças e favelas. Estes, segundo o discurso intelectual predominante, devem ser preservados como "valores do outro", como uma "outra cultura" que só mesmo o apoio intelectual e as verbas do MinC resolverão com o tempo.

Apostando também na redução da Música Popular Brasileira a uma gororoba que mistura, num só balaio, "malditos" da MPB alternativa e o pior do brega brasileiro, a intelectualidade dominante só aprova a MPB autêntica quando ela adota uma postura condescendente com o mercado, seja subordinando-se às trilhas de novelas, seja compactuando com os ídolos bregas.

Recentemente, perdemos Oscar Castro Neves, um dos mais geniais músicos de Bossa Nova de sua História. Ele trabalhava as influências jazzísticas de forma peculiar, abrasileirando-as. Foi famoso por formar um quarteto bossa-jazzista com seus irmãos. E era um nome que colocava a criatividade acima de qualquer condicionamento com o mercado.

Oscar era tão injustiçado que na Internet praticamente não existem fotos dele na época do movimento bossanovista, entre o final dos anos 50 e o começo dos anos 60. E ele era um dos nomes tão atuantes quanto Tom Jobim e Vinícius de Moraes, Roberto Menescal, Carlinhos Lyra, Sylvia Telles e outros nomes consagrados.

A intelectualidade pró-brega prefere, do elenco bossanovista, defender nomes como Marcos Valle, que tem também o seu grande talento e um mérito inegável, mas que depois se compactuou com o mercado, gravando músicas para ginástica aeróbica nos anos 80 e cujo parceiro e irmão, Paulo Sérgio Valle, foi, em busca de uns trocados, ser letrista do ídolo brega José Augusto.

Para a intelectualidade pró-brega, junta-se de forma demagógica os dois extremos da música brasileira - a ousada MPB "maldita" e o conservador brega - , sobretudo aproveitando o fato de que nomes como Itamar Assumpção não estão aí para reclamar.

Como havia sofrido Raul Seixas - que hoje em dia é melhor respeitado por um norte-americano como Bruce Springsteen do que por brasileiros como Chitãozinho & Xororó - , Itamar Assumpção agora é explorado pela intelectualidade mais festiva e jogado para assinar embaixo até mesmo das piores breguices como o insosso Leandro Lehart ou mesmo o ridículo "funk ostentação".

Mas mesmo nomes como Inezita Barroso, Rui Maurity, Renato Teixeira, Quinteto Violado e outros bons nomes, são inseridos num contexto que permite que eles sejam confortavelmente parasitados por ídolos neo-bregas (como os próprios Chitãozinho & Xororó) nas suas aventuras "pedantes", quando fazem a tal "MPB de mentirinha" para enganar a opinião pública.

Só que lembrar da MPB obediente, sobretudo evocando nomes que vão de Lupicínio Rodrigues a Wilson Simonal, não resolve o problema do baixo acesso da MPB autêntica ao grande público. As regravações pelos neo-bregas de sucessos da MPB não faz o grande público conhecer os artistas originais, até porque ele pensa que as covers foram originalmente feitas pelos neo-bregas.

Nomes como Luciana Mello, como Renato Teixeira, como Flávio Venturini são praticamente desconhecidos do grande público. Somente medalhões como Jorge Ben Jor, Zé Ramalho, Paulinho da Viola, Djavan ou os megaconsagrados Caetano Veloso (tal como sua irmã, Maria Bethânia) e Gilberto Gil, são mais conhecidos. Ou então nomes como Maria Rita Mariano, filha de Elis Regina.

Mas de resto a MPB autêntica é desconhecida do "povão". Se mesmo a MPB autêntica que o grande público conhece lhe soa estrangeira, como se nem brasileira fosse, imagine então os nomes pouco conhecidos, mesmo numa facção da MPB que não quer brigar com o mercado.

Já a MPB que briga com o mercado, então, é castigada com o semi-ostracismo. Não aparece sequer em rádios de MPB, mal consegue ter um artigo nos cadernos culturais da grande imprensa, e ainda por cima é capaz de ser ridicularizada por internautas das "redes sociais", como muita gente fez com o genial Turíbio Santos, discípulo de Villa-Lobos.

É essa MPB que sofre muito mais preconceito que os breguinhas que choramingam um lugar ao Sol e pensam que a sigla MPB é um título de nobreza a ser obtido de forma clientelista.  São músicos como Oscar Castro Neves que sofrem o desprezo do reacionarismo na Internet, sob o comando de uma campanha intelectualoide lamentável.

Daí os ataques a uma figura ímpar como Chico Buarque, capaz de dar entrevistas substanciais que um ranzinza Leandro Lehart - espécie de Merval Pereira do sambalanço - não é capaz de fazer. Porque a MPB de verdade, com cara e coragem, é a verdadeira discriminada pelo mercado, pela mídia e pela intelectualidade, porque não lota plateias e não se vende para a TV nem para os bregas.