domingo, 8 de setembro de 2013

WARNER MUSIC BRASIL JÁ ADULTEROU ANOS DOS DISCOS


Na década de 1980, a Warner Music Brasil, que então se chamava WEA Discos, tinha um terrível cacoete que incomodou muitos colecionadores de discos: o de adulterar seus anos de lançamentos nos créditos editados nos selos de seus discos de vinil.

É verdade que as grandes gravadoras, em algum momento de sua história, tiveram problemas de creditar datas em seus discos. Antes de 1964, era comum os discos serem lançados sem data, o que nos fazia recorrer a quem viveu a época de cada disco para saber qual era mesmo o seu ano de lançamento.

Mas mesmo com a obrigatoriedade de creditar os anos, as gravadoras eventualmente pecavam. A CBS (atual Sony BMG) chegava a creditar coleções inteiras com o mesmo ano. Como os discos de Roberto Carlos creditados a 1971, sobretudo os da fase Jovem Guarda. Ou os discos de Julio Iglesias creditados a 1978.

Num passado mais recente, via-se discos de David Bowie, Pink Floyd e outros da moribunda EMI - que já distribuiu seu espólio para outras gravadoras - com anos adulterados, sem dar qualquer informação do ano original de cada disco.

Mas a campeã dessas irregularidades foi mesmo a WEA, que entre 1985 e 1990 usou e abusou da adulteração de anos de lançamento dos discos, levando em conta apenas o ano da edição brasileira, fosse o ano original de cada disco.

Em 1979, a WEA já havia adulterado os anos dos discos do Led Zeppelin, que eram lançados com o crédito do ano de 1979, mesmo os títulos mais antigos. Mas foi só a partir de 1985, quando a WEA trocou a distribuição de seus discos da EMI-Odeon para a RCA Eletrônica (depois BMG-Ariola, hoje também Sony BMG) que a prática passou a ser constante.

Os discos só ganhavam os créditos de ano corretos se fossem lançados no mesmo ano do país de origem. Aí um disco como The Queen is Dead, dos Smiths, de 1986, era lançado no mesmo ano no Brasil.

Mas os Smiths foram apenas um dos nomes afetados pela adulteração do crédito do ano, através de outros títulos: Hatful of Hollow (1984, adulterado para 1986), Meat is Murder (1985, adulterado para 1986), The World Won't Listen (1986, adulterado para 1987), The Smiths (1984, adulterado para 1987) e Strangeways Here We Come (1987, adulterado para 1988).

A adulteração atingia tudo e todos. Até discos de B. B. King tinham a data adulterada. E, em certos casos, a adulteração chegava aos encartes, em que o ano original, inclusive no dado de copyright, era mudado, até de forma grotesca, vide o citado Hatful of Hollow, a coletânea Songs to Learn and Sing, do Echo & The Bunnymen (1985, adulterado para 1986) e 1999 II, de Prince (1982, adulterado pra 1985), este na verdade uma edição em separado da segunda parte do álbum original 1999.

Mesmo álbuns nacionais lançados pela WEA, quando relançados, sofriam a adulteração da data, como no caso dos álbuns Seu Espião, de Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens (hoje apenas Kid Abelha), Nós Vamos Invadir Sua Praia, de Ultraje a Rigor e Mudança de Comportamento, do Ira!, respectivamente de 1984 e (os dois últimos) 1985, adulterados para 1988 no relançamento da época.

Depois de muitas queixas de colecionadores de discos, a WEA deixou de fazer a molecagem. Mas deixou uma grande ferida e fez outras gravadoras de vez em quando relançarem discos antigos sem dar o crédito do ano original, por mais que fossem edições comemorativas ou remasterizadas.

E, além disso, fez uma PolyGram (atual Universal Music) ficar bastante confusa quando, ao adquirir da WEA o selo Island, creditou como 1986 o ano do disco The Unforgettable Fire, do U2 (1984; a WEA adulterou para 1985). A banda de Bono Vox foi uma das maiores vítimas da adulteração de datas da WEA.

Hoje, com as informações com maior trânsito na Internet, as gravadoras devem tomar muito cuidado para não omitir os anos originais dos discos antigos. Sobretudo quando lançam em vinil. Seria um erro imperdoável hoje em dia, embora sempre foi uma prática inadmissível até mesmo dos anos 80 para trás.

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