domingo, 29 de setembro de 2013

"SATÉLITE" DA MTV BRASIL, 89 FM ESTÁ VELHA E CANSADA


No mês que marca o fim da MTV Brasil, pelo menos aquela MTV de linguagem bem brasileira e relativamente independente, a rádio paulista 89 FM sofre de envelhecimento precoce e já se encontra velha e cansada na cobertura da cultura rock no Brasil.

O retorno da 89 FM ao segmento roqueiro - trabalhado, no entanto, de forma caricata e superficial - não conseguiu realizar o prometido reaquecimento da cultura rock em São Paulo, perdendo, na popularização do público jovem local, para ritmos como o hip hop, o "sertanejo universitário", o pop dançante e até mesmo o "funk ostentação".

Por ridículos e problemáticos que sejam o "funk ostentação" e o "sertanejo universitário" e por mais discutíveis e duvidosos que sejam quanto ao valor artístico e cultural atribuídos aos mesmos, eles conseguem levar vantagem pela habilidosa estratégia de marketing que possuem frente ao público juvenil, além de contar com uma estrutura empresarial organizada.

Já a cultura rock passou apenas por uma falsa revitalização devido à notícia da volta da 89 FM, mas que na realidade foi apenas fogo de palha. Além disso, a 89 FM voltou num contexto em que ela se encontra vinculada a um cenário midiático que era tido como moderno nos anos 90, mas hoje se tornou extremamente reacionário e fora da realidade.

Daí o fracasso, por exemplo, da Folha de São Paulo e da Veja, que antes gozavam de alta reputação, como a própria 89. A blindagem dos grupos Folha e Abril à suposta "rádio rock", se esforçando para absolver até os piores erros da emissora radiofônica, era visto nos anos 90 como um apoio de luxo. Hoje mais parecem um trio de moribundos tentando sobreviver a todo custo.

Além disso, a volta da 89 encontrou um público roqueiro que está mais voltado para MP3 e para coleções de discos e CDs. É um público que não aguenta ouvir a mesmice hit-parade da 89 e prefere a liberdade das seleções pessoais em suas coleções pessoais.

Acultura rock do mundo inteiro se rearticula e se renova com a revalorização de clássicos mas também de nomes pouco conhecidos e também de bandas realmente alternativas. Graças a Internet, nomes como Guess Who (banda de Randy Bachman antes de formar o Bachman Turner Overdrive) voltaram à ativa pela redescoberta dos internautas.

Outros grupos como The Zombies (do clássico dos anos 60, "Time of The Season") e Wishbone Ash também se encontram bem populares lá fora, além do extinto Gentle Giant ter álbuns inteiros disponíveis no YouTube. Uma infinidade de nomes do rock já está disponível na rede e a 89 FM simplesmente os ignora, mesmo nos seus delírios mais "alternativos" (ou quase).

Por isso, se a 89 FM era pop demais para o rock nos anos 90, e que chegou a recuar em 2006 por se tornar quase brega, hoje ela soa ultrapassada, antiga, antiquada e extremamente reacionária. Preconceituosa com o pop, com o rock, com tudo, mais parecendo um cruzamento maluco de skinheads com emos, de Menudo com Hell's Angels.

Reduzida a uma clone neurótica da Jovem Pan 2, e já retomando os mesmos vícios que bregalizaram a emissora em 2005-2006, a 89 FM não teve o charme da MTV Brasil. Nos anos 90 até se tornou "satélite" da rede televisiva, "alimentada" pelos sucessos roqueiros da MTV brasileira.

Nem mesmo o discurso de que o pior rock tocado na 89 é melhor do que "sertanejos", "pagodeiros", "menudos" e funqueiros consegue mais convencer. Até porque, observando bem, não existe diferença real, mesmo no som, entre um Bon Jovi e um Zezé di Camargo & Luciano, ou entre um Linkin Park e um N'Sync. Até no modo de cantar são todos iguais.

Hoje, com o fim da MTV Brasil - aquela MTV autônoma - , por conta da crise do Grupo Abril, a rede agora vai para o serviço de canais pagos mais vinculada à Viacom. E a 89, que aboliu o nome UOL que usou no fim do ano passado, continua com a participação acionária de Otávio Frias Filho. Mas a "rádio rock" já perdeu a sintonia dos roqueiros.

Estes, impacientes, também têm muitas outras coisas a fazer do que ouvir os mesmos sucessos da 89 e sua equipe de locutores engraçadinhos - bem no estilão Jovem Pan 2 - cujas falas tresloucadas e sem pé nem cabeça (duro ouvir o proto-emo Tatola falar que foi para um "baladão") já arranharam demais os ouvidos dos roqueiros, que preferem o mundo aberto da Internet.

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