terça-feira, 10 de setembro de 2013

FAROFA-FÁ: BLOGUEIROS BRINCAM DE "ATIVISMO" USANDO A "CULTURA DE MASSA"


Para quem entra em contato com a mídia progressista, tome muito cuidado com certos espaços de jornalismo e análise cultural nela publicados. Se eles têm como objetivo defender a "cultura" brega e seus derivados, é porque eles nada têm de progressistas.

É o caso do blogue Farofa-fá, organizado pelos jornalistas Eduardo Nunomura e Pedro Alexandre Sanches. Este último é bem conhecido, sendo considerado "filho da Folha", porque começou sua carreira aplicando os aprendizados que teve no higienista e neoliberal Projeto Folha, que o próprio empresário Otávio Frias Filho implantou diretamente na Folha de São Paulo.

Os dois brincam de "ativismo" usando a "cultura de massa" como carro-chefe. Adotam um discurso intelectualoide, supostamente militante, pretensamente "provocativo" e aparentemente "reflexivo", apenas para reafirmar o "estabelecido" na suposta cultura popular veiculada pelas corporações midiáticas e fonográficas regionais ou nacionais.

A manobra dos dois jornalistas é misturar MPB alternativa com "cultura" brega, juntando os dois extremos, vanguarda e retaguarda, existentes na música brasileira. No entanto, seu discurso, às vezes irônico, noutras meramente festivo e noutras dramático e choroso - sobretudo quando entra no clichê do "preconceito" - , tenta classificar essas duas forças antagônicas como se fossem uma só.

Os dois exaltam a MPB autêntica que adota postura obediente à chamada indústria cultural. Tentam desconversar sobre a histórica, explícita e umbilical relação do brega e seus derivados (em especial o "funk" e o tecnobrega), achando que seus ídolos "nunca tiveram espaço na mídia" ou que fazem parte de um "mercado independente e alternativo".

Tentam afirmar que o poder midiático musical já morreu, que as grandes gravadoras estão em estado terminal e adotam uma retórica falsamente "libertária" confundindo "cultura de massa" com folclore e tomando como "realidade concreta" a imagem estereotipada do povo pobre trabalhada pela grande mídia.

Cheios de contradições, Nunomura e Sanches tentam adotar um discurso "ativista" e "libertário" para o que eles chamam de "diversidade cultural". Só que se esquecem de que este termo tem exata analogia, no direitismo ideológico, ao da "liberdade de expressão" para a imprensa reacionária e "livre iniciativa" para o capitalismo tradicionalmente excludente.

Como equivalentes do jornalismo cultural para os juristas Luís Fux e Joaquim Barbosa, Nunomura e Sanches, na verdade, pensam como economistas, achando que a "verdadeira cultura popular" é aquela que vende muito e atrai multidões, num raciocínio meramente quantitativo, por mais que falem também em "qualidade".

E, se os dois blogueiros do Farofa-fá (ou "farofa-feiros") pensam como economistas, eles argumentam como publicitários, apelando para clichês sociológicos que tentem desmentir o caráter comercial do brega-popularesco, como se ainda continuassem os vínculos e relações sociais dos tempos do folclore tradicional brasileiro. E, como em todo discurso publicitário, é apenas conversa para boi dormir.

O que se nota é que Farofa-fá nem de longe corresponde à vanguarda da imprensa cultural do país. Até porque as visões apresentadas não são muito diferentes das que se lê no Segundo Caderno de O Globo e na Ilustrada da Folha de São Paulo.

Da mesma forma, tais visões - que exaltam o brega a pretexto de incluí-lo numa suposta diversidade cultural - também encaixam em qualquer programa da Rede Globo e não causam medo sequer na turma do Instituto Millenium ou nos "caciques" do PSDB.

É sinal de que Farofa-fá é um prato muito bem vindo nas mesas da direita político-midiática. Mas que soa indigesto para um veículo progressista como a Carta Capital, que hospeda o blogue na Internet. Vide os problemas que Sanches causou na Caros Amigos de José Arbex Jr. E pensar que, meses atrás, Mino Carta fez duras críticas à mesma imbecilização cultural tratada como ouro pelo Farofa-fá.

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