sexta-feira, 13 de setembro de 2013

CHICLETEIROS PROTESTAM CONTRA SAÍDA DE BELL MARQUES


Em situação digna de um Febeapá, o festival de besteiras narrado por Sérgio Porto, fanáticos da banda baiana Chiclete Com Banana, os chamados "chicleteiros", fecharam uma rua em Amaralina, bairro da orla de Salvador, diante do escritório central da banda e dos negócios relacionados a ela, inclusive blocos carnavalescos. O protexto ocorreu anteontem à tarde.

O motivo do protesto foi a indignação contra a saída do cantor Bell Marques da banda, anunciada esta semana, mas que se consumará depois do fim do Carnaval de 2014. A notícia causou surpresa nos bastidores da axé-music, que anda sofrendo um processo de decadência diante de muitos escândalos.

O último deles foi a acusação de uma empresária sócia da cantora Cláudia Leitte de que esta teria feito um calote e adulterado os dados para ser favorecida pelas verbas públicas do Ministério da Cultura garantidas pela Lei Rouanet. Já outro escândalo, relacionado ao estupro de duas fãs, fez outro nome do cenário baiano, o grupo New Hit, encerrar suas atividades, como afirma comunicado oficial.

Bell teria saído da banda Chiclete Com Banana, da qual era líder há 30 anos, por divergências com os demais integrantes da banda. Bell era acusado de prepotência, autoritarismo e de colocar sua imagem acima dos demais membros da banda, prática comum nos medalhões da axé-music.

Bell Marques, no passado, já era acusado de tramar a saída do antigo vocalista, Missinho, fundador da banda. Também é acusado de sonegação fiscal, de negligência à assistência do guitarrista Cacique Jonny, que hoje sofre de grave doença, e de não ter dado o devido apoio quando tentou empresariar uma jovem cantora de axé-music.

O Chiclete Com Banana, sob o comando de Bell Marques, deixou de ser um grupo mediano mas simpático, uma cópia da Cor do Som, para ser o tendencioso e medíocre medalhão baiano com suas letras monotemáticas, ligadas ao Carnaval baiano.

As letras alternavam "pegações amorosas" e letras autorreverentes, como mostra a música "Quero Chiclete": "Chiclete...Oba, oba!! Chiclete, Chiclete, quero Chiclete, Chiclete...". Aliás, o refrão "Chiclete... Oba, oba!!" é um plágio do refrão da música "Terceiro", do Ultraje a Rigor. O vocalista da banda roqueira, Roger Rocha Moreira, já foi comunicado a respeito do plagío no Twitter.

Só mesmo o poder midiático, que transforma ídolos medíocres em "semi-deuses", para fazer os fanáticos "chicleteiros" protestarem e causarem engarrafamentos sem a menor necessidade. A mediocridade cria fanáticos, porque eles não têm o equilíbrio mental necessário para aceitar os limites de talento e prestígio de seus ídolos, tratados como se fossem figuras "sobre-humanas".

Ao que se saiba, por exemplo, nenhum fã do R. E. M. realizou quebra-quebras nas cidades dos EUA depois que a banda de Michael Stipe anunciou seu fim, há dois anos atrás. Pelo contrário, os fãs se comportaram de forma respeitosa e, embora tristes com a notícia, compreenderam as razões apresentadas pelos músicos sobre o fim de suas atividades.

É outra coisa. Já os "chicleteiros" são tão piores quanto os skinheads que pregam intolerância e defendem o fascismo. O fanatismo do brega-popularesco já produziu troleiros, fãs violentos e intolerantes, que não aceitam sequer críticas construtivas. E, no caso da axé-music, tão associada à ideia de "alegria", ver que essa alegria se dissolve fácil à menor crítica é assustador.

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