terça-feira, 3 de setembro de 2013

A POUCOS DIAS DO ROCK IN RIO, 89 FM NÃO LANÇOU BANDA NOVA QUE DEIXASSE MARCA


Foi feito o cálculo. Com um ano de fase experimental e seis meses funcionando oficialmente, a Rádio Fluminense FM já havia lançado bandas que se tornaram bem-sucedidas em todo o país, como a Blitz, Lobão, Kid Abelha e, pouco depois, os Paralamas do Sucesso.

Com sete meses de funcionamento depois de lançada em março de 1982, a Fluminense FM já estava patrocinando um festival, o Rock Voador no Circo Voador, na Lapa, Rio de Janeiro. A Flu havia produzido uma cena roqueira que não tardou a repercutir em todo o país, em vários casos ainda naquele ano.

Já a paulista 89 FM, com 21 anos de experiência e nove meses depois da "volta" em dezembro de 2012, mesmo a poucos dias de acontecer o Rock In Rio - única razão para o retorno da dita "rádio rock", já que seus donos são amigos de Roberto Medina e a rádio ressurgiu como mera alimentadora de concertos estrangeiros - , não lançou até agora uma grande banda nacional.

O que se viu foi a colocação de marca-passos na moribunda cena roqueira no Brasil, já ultrapassada pela máquina de fazer dinheiro dos ídolos popularescos. Até mesmo os funqueiros tentam dar uma rasteira nos roqueiros em termos do aparato de rebeldia, por mais ridículo que o ritmo carioca (agora "exilado" em São Paulo, graças ao "funk ostentação" patrocinado por George Soros) seja.

Nada aconteceu, o mercado roqueiro, do contrário da grande mídia, continua apático até em São Paulo. O "sertanejo universitário" atrai mais público juvenil. E a 89 FM, com sua linguagem "Jovem Pan 2 com guitarras", não fez outra coisa senão fazer os fãs de One Direction, Thiaguinho, Luan Santana e, acima de tudo, Restart, brincarem de ser "roqueiros radicais" de vez em quando.

Mesmo o programa "Temos Vagas", apresentado pelo pseudo-punk e "pai dos emos" Tatola Godas, que fala cada vez mais parecido com Rui Bala da Rede Transamérica, só se preocupou em lançar bandas que soem iguaizinhas a CPM 22, Detonautas Roque Clube, Charlie Brown Jr., Raimundos e Tihuana, ou, quando muito, versões bastante pioradas de O Rappa e Los Hermanos.

Até agora, nenhuma banda nova lançada pela 89 FM teve talento e fôlego suficiente para deixar uma marca nacional e alimentar seu carisma para as vésperas do Rock In Rio. Nove meses não são desculpa para a demora da rádio "trabalhar" uma nova cena de rock, ou mesmo um grande sucesso nacional. Os bobos-alegres dos Mamonas Assassinas fizeram sucesso estrondoso durante oito meses.

Além disso, no contexto de uma grande mídia decadente, com as Organizações Globo, Grupo Bandeirantes e Grupo Abril vivendo uma séria crise, e com as informações cada vez mais sofisticadas na Internet, a 89 FM hoje soa datada e anacrônica, além de não ter personalidade de rádio de rock, já que sua linguagem e mentalidade são "poperó" e seu repertório meramente hit-parade.

Com tantas bandas e tendências do rock correndo fora e bem longe dos 89,1 mhz paulistas, a 89 FM anda comendo poeira, numa São Paulo em que o mercado juvenil se concentra mais nos breguíssimos mas rentáveis "sertanejo universitário" e "funk ostentação", que são um lixo, mas foram favorecidos pela arrogância descerebrada e "mauriçola" da dita "rádio rock" de São Paulo.

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