domingo, 15 de setembro de 2013

A "BRUXA" FICOU SOLTA NO "POP-ROCK"?


"Urucubaca" no "pop-rock"? Nos últimos meses, a chamada "cultura rock" havia sofrido sérios incidentes, que muitos perguntam se não é reflexão do baixo astral que se encontram os chamados "roqueiros" de hoje em dia.

Nesta semana havia falecido, de suicídio, o ex-baixista do Charlie Brown Jr., Champignon, abalado com as lembranças de um breve período de sérias desavenças com o amigo e vocalista da banda, Chorão, morto seis meses antes. Champignon chegou a iniciar carreira com a nova banda, a Banca.

Paralelo a isso, um homicídio havia ocorrido na Galeria do Rock de São Paulo, depois que um casal havia brigado nas imediações da loja. Uma vendedora de joias foi morta a golpes de canivete pelo amigo do tatuador, este namorado dela, e fugiu até ser depois pego pela polícia.

O incidente chamou a atenção dos frequentadores do local e muita gente assistiu à perícia que policiais fizeram no local, auxiliados pelas informações dadas pelas testemunhas.

Que a cultura rock não obteve o revigoramento necessário em São Paulo, isso é verdade. O retorno da rádio 89 FM ao gênero, em dezembro passado, com o mesmo desempenho que "queimou" a emissora em 2006, foi um dos motivos dessa crise nada resolvida do gênero.

Afinal, até agora a 89 não lançou uma banda de rock de projeção nacional e diferencial artístico, porque a emissora, presa a uma mentalidade digna de uma Jovem Pan 2, só se preocupou em lançar clones de CPM 22 e Detonautas Roque Clube. Em tempos de Rock In Rio, isso é muito, muito grave, mesmo sob um raciocínio mais de mercado.

Além disso, a cultura rock vigente ficou na mesmice "feijão com arroz" de cortejar somente o rock pesado, e mesmo assim o mais "acessível" possível. Nu metal, grunge, poser metal, poppy punk ou mesmo emo - se não os "coloridos" do Restart, pelo menos os "emachos" do CPM 22 e companhia - eram o único cardápio da rapaziada.

Essa mentalidade, que tem um pouco de hit-parade, e um tanto de pragmatismo - "curte-se" rock não pela música, mas pelo efeito catártico que ele causa - , também não representaram resposta à altura para combater a imbecilização cultural trazida a SP pelo "sertanejo universitário" e pelo "funk ostentação".

Pelo contrário, por mais ridículo que pareça e por mais voltado às baixarias mais constrangedoras, o "funk ostentação" passou uma perna nos "roqueiros" com um discurso pseudo-ativista mais verossímil.

Dessa maneira, o perfil de "mauricinho raivoso" trabalhado pelo estereótipo roqueiro da 89 FM - cujos donos são aliados de Geraldo Alckmin e, como este, surgiram ligados a Paulo Maluf durante a ditadura militar - perdeu o sentido de rebeldia, mais parecendo uma patrulha juvenil reacionária.

O público realmente roqueiro continua curtindo rock como sempre curtiu, em suas casas, alheios a esse período trevoso o qual nem o Rock In Rio consegue resolver. Sem rádio que os represente com dignidade, apenas voltado à sua coleção de discos e aos referenciais culturais associados.

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