domingo, 29 de setembro de 2013

"SATÉLITE" DA MTV BRASIL, 89 FM ESTÁ VELHA E CANSADA


No mês que marca o fim da MTV Brasil, pelo menos aquela MTV de linguagem bem brasileira e relativamente independente, a rádio paulista 89 FM sofre de envelhecimento precoce e já se encontra velha e cansada na cobertura da cultura rock no Brasil.

O retorno da 89 FM ao segmento roqueiro - trabalhado, no entanto, de forma caricata e superficial - não conseguiu realizar o prometido reaquecimento da cultura rock em São Paulo, perdendo, na popularização do público jovem local, para ritmos como o hip hop, o "sertanejo universitário", o pop dançante e até mesmo o "funk ostentação".

Por ridículos e problemáticos que sejam o "funk ostentação" e o "sertanejo universitário" e por mais discutíveis e duvidosos que sejam quanto ao valor artístico e cultural atribuídos aos mesmos, eles conseguem levar vantagem pela habilidosa estratégia de marketing que possuem frente ao público juvenil, além de contar com uma estrutura empresarial organizada.

Já a cultura rock passou apenas por uma falsa revitalização devido à notícia da volta da 89 FM, mas que na realidade foi apenas fogo de palha. Além disso, a 89 FM voltou num contexto em que ela se encontra vinculada a um cenário midiático que era tido como moderno nos anos 90, mas hoje se tornou extremamente reacionário e fora da realidade.

Daí o fracasso, por exemplo, da Folha de São Paulo e da Veja, que antes gozavam de alta reputação, como a própria 89. A blindagem dos grupos Folha e Abril à suposta "rádio rock", se esforçando para absolver até os piores erros da emissora radiofônica, era visto nos anos 90 como um apoio de luxo. Hoje mais parecem um trio de moribundos tentando sobreviver a todo custo.

Além disso, a volta da 89 encontrou um público roqueiro que está mais voltado para MP3 e para coleções de discos e CDs. É um público que não aguenta ouvir a mesmice hit-parade da 89 e prefere a liberdade das seleções pessoais em suas coleções pessoais.

Acultura rock do mundo inteiro se rearticula e se renova com a revalorização de clássicos mas também de nomes pouco conhecidos e também de bandas realmente alternativas. Graças a Internet, nomes como Guess Who (banda de Randy Bachman antes de formar o Bachman Turner Overdrive) voltaram à ativa pela redescoberta dos internautas.

Outros grupos como The Zombies (do clássico dos anos 60, "Time of The Season") e Wishbone Ash também se encontram bem populares lá fora, além do extinto Gentle Giant ter álbuns inteiros disponíveis no YouTube. Uma infinidade de nomes do rock já está disponível na rede e a 89 FM simplesmente os ignora, mesmo nos seus delírios mais "alternativos" (ou quase).

Por isso, se a 89 FM era pop demais para o rock nos anos 90, e que chegou a recuar em 2006 por se tornar quase brega, hoje ela soa ultrapassada, antiga, antiquada e extremamente reacionária. Preconceituosa com o pop, com o rock, com tudo, mais parecendo um cruzamento maluco de skinheads com emos, de Menudo com Hell's Angels.

Reduzida a uma clone neurótica da Jovem Pan 2, e já retomando os mesmos vícios que bregalizaram a emissora em 2005-2006, a 89 FM não teve o charme da MTV Brasil. Nos anos 90 até se tornou "satélite" da rede televisiva, "alimentada" pelos sucessos roqueiros da MTV brasileira.

Nem mesmo o discurso de que o pior rock tocado na 89 é melhor do que "sertanejos", "pagodeiros", "menudos" e funqueiros consegue mais convencer. Até porque, observando bem, não existe diferença real, mesmo no som, entre um Bon Jovi e um Zezé di Camargo & Luciano, ou entre um Linkin Park e um N'Sync. Até no modo de cantar são todos iguais.

Hoje, com o fim da MTV Brasil - aquela MTV autônoma - , por conta da crise do Grupo Abril, a rede agora vai para o serviço de canais pagos mais vinculada à Viacom. E a 89, que aboliu o nome UOL que usou no fim do ano passado, continua com a participação acionária de Otávio Frias Filho. Mas a "rádio rock" já perdeu a sintonia dos roqueiros.

Estes, impacientes, também têm muitas outras coisas a fazer do que ouvir os mesmos sucessos da 89 e sua equipe de locutores engraçadinhos - bem no estilão Jovem Pan 2 - cujas falas tresloucadas e sem pé nem cabeça (duro ouvir o proto-emo Tatola falar que foi para um "baladão") já arranharam demais os ouvidos dos roqueiros, que preferem o mundo aberto da Internet.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

CAMPANHA DIVULGA CORREÇÕES GRAMATICAIS. A 'INTELLIGENTZIA' ESTÁ COM MEDO!!

A INTELECTUALIDADE DOMINANTE, "URUBOLOGICAMENTE", NÃO QUER QUE O POVO FALE CORRETAMENTE A LÍNGUA PORTUGUESA. MAS UM ADVOGADO REMA CONTRA A MARÉ "FAROFA-FEIRA".

A intelectualidade pró-brega está com medo. Para ela, o mundo vai acabar. Os "farofa-feiros" estão apreensivos diante do que consideram uma catástrofe: logo na terra natal de Pedro Alexandre Sanches, a cidade paranaense de Maringá, um advogado quer divulgar as formas corretas de pronúncia da língua portuguesa.

Trata-se do projeto Sinal do Saber, lançado pelo advogado Lutero de Paiva Pereira, que divulga cartazes sobre a forma correta de pronunciar as palavras, um esforço que o advogado promove para tentar diminuir os constantes erros de pronúncia cometidos na fala cotidiana.

Assim, cartazes são divulgados como o que aparece na foto acima. Eles aparecem também em forma de outdoors. A campanha é financiada através de doações de empresas, que pagam os custos de confecção dos cartazes e a remuneração dos trabalhadores envolvidos.

Lutero começou a campanha pensando nos vícios de linguagem cometidos pelas pessoas no dia a dia, enquanto jogava golfe. Ele conversou com um sócio da empresa que mantém e então decidiu iniciar a campanha, que divulga as faixas nos sinais das ruas, além de instalar faixas nas praças e outros lugares das cidades.

A intelectualidade dominante, que nem está aí para a cidadania e usa o pretexto do "popular" para promover o vale-tudo da degradação sócio-cultural que enriquece os barões da mídia, acha isso um horror, porque, para ela, a campanha Sinal do Saber é uma forma de "higienismo social" que vai contra o que entendem como "legítima oralidade popular".

A intelectualidade pró-brega prefere que o povo pobre continue falando errado, porque isso expressa o estereótipo da "pureza" que seus "pensadores" pregam a respeito das classes populares, dentro de uma concepção de glamourização da pobreza e da ignorância.

Mas o povo de Maringá, indiferente a essa "urubologia" da intelectualidade "farofa-feira", aceitou a ideia de Lutero Pereira, e a medida está fazendo tanto sucesso na cidade paranaense que já existem pedidos para que a campanha seja implantada em Curitiba e até em outros Estados, como Cuiabá, no Mato Grosso, e Presidente Prudente, no interior de São Paulo.

Lutero pretende também criar uma outra campanha para informar a população sobre a origem de muitas palavras da língua portuguesa. Ele acredita na correção gramatical como forma de promover a cidadania e melhorar, em parte, a educação do povo brasileiro.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

PREZUNIC DEVERIA APROVEITAR ASSOCIAÇÃO COM G. BARBOSA PARA VENDER FARINHA BAIANA


Estranhamente, a rede de supermercados Prezunic, do Rio de Janeiro, ligada ao mesmo grupo chileno Cencosud que controla a rede baiana de supermercados G. Barbosa - eu conheço bem as duas redes - , deixou de comercializar a marca de farinha de copioba Torradinha da Bahia.

Ela era a única farinha de copioba a ser comercializada no Rio de Janeiro, apesar da fabricação baiana, e seu sabor e qualidade são um diferencial, uma vez que a farinha produzida no Rio de Janeiro, limitada à mandioca, é de péssima qualidade.

Até mesmo a marca Granfino, considerada a melhor das farinhas produzidas no Rio de Janeiro, ainda deixa muito a desejar. As farinhas não têm sabor, seu refino é insatisfatório, mais parecendo areia comestível do que farinha propriamente dita.

Além disso, quando a farinha é muito crua, não é muito saudável, e, quando é cozida, fica queimada demais. Não há como competir com a farinha de mandioca e de copioba produzidas no Nordeste brasileiro, sobretudo Bahia, Sergipe e Alagoas, que possuem uma excelente técnica de refino, um equilibrado grau de cozimento e um excelente sabor.

Enquanto isso, o Prezunic continua insistindo na comercialização da marca Vascaína, farinha produzida em Santa Catarina, considerada de péssima qualidade. Pelo sabor e pela qualidade, se tem a impressão de que a farinha de mandioca produzida no Sul do país (ou, ao menos, Santa Catarina, meu Estado natal) mais parece uma farinha de trigo ruim quando torrada.

Espera-se que o Prezunic volte a comercializar a farinha Torradinha da Bahia, de forma definitiva e permanente, tomando muito cuidado com a logística, repondo sempre os estoques - tal como faz com a Granfino - , porque se trata de um produto de grande aceitação popular, a farinha de copioba, de sabor delicioso ao ser colocado na comida.

O Prezunic deveria aproveitar que é do mesmo grupo empresarial do G. Barbosa para garantir a comercialização desse produto.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

JIM PARSONS GANHA O EMMY MAIS UMA VEZ


O ator Jim Parsons ganhou pela terceira vez um prêmio Emmy, como Melhor Ator de Comédia, devido ao difícil papel que desempenha no seriado The Big Bang Theory, como o problemático Dr. Sheldon Cooper.

Sabe-se que Chuck Lorre, o criador de The Big Bang Theory, que já está na sétima temporada - a ser exibida no Brasil no mês que vem - , criou um personagem complexo, Sheldon Cooper, famoso por suas frescuras, neuroses e pela hipocondria. E encontrou em Jim Parsons um intérprete perfeito, diante desse engenhoso perfil psicológico.

Na cerimônia, Jim Parsons compareceu junto com o colega de seriado, o ator inglês Kunal Nayyar, que faz o personagem Dr. Rajesh Koothrappali, conhecido pelo bloqueio psicológico no contato com as mulheres, que aparentemente teria sido superado no final da sexta temporada.

Outros parceiros são Johnny Galecki, que faz o colega de residência de Sheldon, Dr. Leonardo Hofstadter, e Simon Helberg, que faz o engenheiro Howard Wolowitz, que só tem mestrado e se relaciona com sua mãe aos gritos, fazendo os quatro nerds que se destacam no seriado.

No núcleo principal do seriado, as mulheres são Kaley Cuoco, que faz a vizinha de Sheldon e Leonard, Penny, Mayim Bialik (famosa pelo seriado Blossom nos anos 90), que faz a Amy Fowler, e Melissa Rauch, que faz Bernadette, esposa de Howard. Mayim foi indicada para o Emmy como Atriz Coadjuvante de Comédia, mas não foi premiada.

Mas a premiação de Jim Parsons enche de moral o seriado, que não parecia ter feito para durar muito, e começou seu enredo aos poucos, chegando ao dinamismo das temporadas mais recentes. Desejamos boa sorte e longa vida ao seriado, e também longa vida e prosperidade a seus atores e equipe.

Até outubro, pessoal do TBBT!!

sábado, 21 de setembro de 2013

INTELECTUAIS CRIAM TESE PARANOICA SOBRE REJEIÇÃO DO "FUNK"

ABSURDO - Antropólogos, artistas, cineastas e jornalistas culturais que apoiam o "funk" dizem que sua rejeição remete à mesma sociedade moralista de 1910 (na foto, a Av. Rio Branco, no Rio de Janeiro da época).

A intelectualidade que defende o "funk" está em pânico. Assustada com a ampla rejeição sofrida pelo gênero, que ultrapassa os limites supostamente vinculados às elites moralistas, a intelectualidade passou a dar mais ênfase na tese de que o ritmo sofre hoje o que o samba havia sofrido na sociedade brasileira de 1910.

Nada mais patético. É como se esses intelectuais estivessem sampleando a História, querendo que se repitam fatos e situações históricas correspondentes a um contexto muito diferente de hoje, de 100 anos atrás.

A falsa analogia é uma das mais aberrantes apelações discursivas dos propagandistas do "funk", apavorados com a baixa reputação do gênero e achando que com ele pode ocorrer a mesma reabilitação do samba, a verdadeira vítima do moralismo social da época.

"FUNK" É RÍGIDO NA ESTRUTURA E NOS VALORES

A tese paranoica de que o "funk" hoje é rejeitado pela mesma sociedade moralista de 1910, criada na esperança de dar ao ritmo a mesma respeitabilidade obtida pelo samba ao longo do tempo, no entanto ignora que o próprio "funk", do contrário do samba, faz por merecer qualquer tipo de rejeição.

Em primeiro lugar, o "funk" demonstrou não ter qualquer valor cultural, uma vez que o ritmo renegou as lições do funk autêntico de outrora, eliminando quase toda sua expressividade artística e reduzindo à caricatura o ótimo funk eletrônico de Afrika Bambataa.

Estruturalmente, o "funk" eliminou completamente a figura do músico, do compositor e do arranjador, reduzindo a um DJ e um MC, e mais recentemente, um MC de apoio que fica balbuciando. O hip hop também tem estrutura DJ e MC, mas é muito mais flexível e musicalmente mais elaborado.

O "funk", não. Ele ficou prisioneiro de uma rígida estrutura e um não menos austero sistema de valores. Ele se torna vítima de seu "minimalismo" sonoro, tornando-se repetitivo independente do intérprete. Além disso, os valores de degradação sócio-cultural e moral são defendidos como se eles fossem um fim em si mesmo dos funqueiros.

Daí que o "funk" não defende a qualidade de vida e ainda vê como "único sentido" a manutenção de suas baixarias, que a intelectualidade defende sob o eufemístico nome de "discurso direto". O "funk" não é cultura porque se recusa a assumir a caraterística inerente ao processo cultural, que é a evolução de valores, de sons, de linguagem.

Até agora o "funk" só "mudou" três vezes. O ritmo surgiu em 1990 numa combinação de uma mera batida eletrônica (que fazia o som do "pum") e um vocal esganiçado. Durou 15 anos. Depois veio o "tamborzão", som de batida eletrônica que imitava batuques de umbanda, provavelmente uma dívida de DJs funqueiros pela mandinga que os permitiu abrir o sucesso entre os "bacanas".

Em seguida, veio a combinação caótica de sons eletrônicos diversos que imitavam de sirenes a galopes de cavalos, pré-gravados em um sintetizador registrado no vinil do DJ. Mas combinar tais sons ficou caro e, para piorar, o "funk exportação", o "funk de DJ" para turista ver, copiava até sons de gaita ou músicas alheias como o solo de "Baker Street", do falecido Gerry Rafferty.

Ficou "sofisticado" demais, exigindo "mais recursos", técnicos ou financeiros, e aí o "funk" adotou sua última mudança, que é a de limitar os "efeitos sonoros" a uma balbuciação de um segundo MC.

Mas tudo isso não faz o "funk" se tornar "culturalmente rico". As mudanças não foram adotadas de forma espontânea, mas visando tendências de mercado, calculadas tendenciosamente pela vontade conjunta dos DJs.

O que se conclui é que o "funk" é muito rígido em seus valores e no seu som. Embora use um discurso "libertário" e "subversivo", o ritmo é bastante conservador, quase nada contribuindo para a evolução sócio-cultural das periferias.

Moralmente, o "funk" transforma o povo pobre em prisioneiro de um sistema de valores baseado na ignorância e na supervalorização dos instintos, apostando também numa visão glamourizada da pobreza e na defesa de valores ligados à degradação sócio-cultural, como a forma grotesca de trabalhar a sensualidade feminina, onde a sedução cede terreno para a grosseria.

A intelectualidade dominante talvez esteja, ela mesma, presa aos valores de 1910. Deve achar que vivemos um quadro social da República Velha. Tudo a ver: afinal, esses intelectuais parecem acreditar ainda numa "cultura do cabresto" a domesticar as classes populares.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

VENDAS DE DISCOS DE VINIL CRESCEM EM TODO O MUNDO


Cerca de 20 anos depois da tecnologia de vinil decair no Brasil, chegou aqui, há alguns dias, a notícia de que as vendas de discos desse formato cresceram 17,7% em todo o mundo.

Sim, apesar da supremacia do CD, ou mesmo das ameaças de extinção do CD anunciada por delirantes tecnocratas, os velhos "bolachões" não só continuam em alta como também são considerados preciosidades cult por um significativo número de amantes da música.

Segundo o sítio Mashable.com, as vendas aumentaram 17,7% segundo dados levantados em 2012 comparados com os de 2011. Cerca de 4,6 milhões de discos de vinil foram vendidos no período pesquisado.

No Brasil, o mercado de discos de vinil ainda é muito tímido, mais concentrados em lojas de sebos, onde são comercializados discos usados e antigos. Existem lojas de discos e livros que vendem discos de vinil novos, incluindo de títulos inéditos, como as lojas Livraria da Travessa e Saraiva Mega Store, mas os títulos custam muito caro.

Isso ainda intimida muita gente, apesar dos discos de vinil já terem sido assimilados parcialmente pela cultura alternativa, e é necessário que se faça uma política para reduzir os preços dos discos de vinil, que, no advento do CD, chegavam a ser bem mais baratos e hoje ocorre o inverso.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

STF REABRE MENSALÃO E AUMENTAM CHANCES DE PETISTAS SE LIVRAREM DO REGIME FECHADO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A base aliada foi beneficiada com o voto de Celso de Mello aceitando os embargos infringentes que fazem agora o STF reabrir o julgamento do mensalão. A data não foi definida, mas a oposição já reage em protesto, uma vez que há a possibilidade do novo julgamento acontecer no segundo semestre de 2014, em paralelo às eleições gerais, o que pode favorecer eleitoralmente o PT.

STF reabre mensalão e aumentam chances de petistas se livrarem de regime fechado

Por Wilson Lima, de Brasília - Portal Último Segundo

Decisão que pode mudar o destino do julgamento para 12 réus recairá sobre dois novos ministros que já se manifestaram contrários ao entendimento do Supremo

Ao aceitar os embargos infringentes, o Supremo Tribunal Federal (STF) reabre o julgamento do mensalão para 12 réus. Com isso, crescem substancialmente as chances de que o ex-ministro chefe da Casa Civil José Dirceu, o ex-presidente da Câmara o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares se livrem da prisão em regime fechado. O relator dos embargos infringentes também foi sorteado hoje, a pedido do presidente da Corte, Joaquim Barbosa, e será o ministro Luiz Fux .

Em seu voto de desempate a favor dos infringentes nesta quarta-feira (18), o decano da Corte, Celso de Mello, afirmou que os julgamentos do STF não podem ser influenciados pela opinião pública e que o Supremo deve respeitar as garantias constitucionais. "A Corte age de maneira impessoal, isenta e independente”, afirmou. Ao admitir o recurso, argumentou que o regimento interno do STF é válido e que “não há outro órgão no Poder Judiciário a que a parte possa se dirigir (em processos penais que tiveram origem no Supremo, como é o caso da ação penal do mensalão)”.

As esperanças de Dirceu, Cunha e Delúbio de cumprirem prisão em regime semiaberto estão nas mãos dos ministros Luís Roberto Barroso e Teori Zavascki, que não participaram do julgamento do mensalão no ano passado. Ambos já se manifestaram contrários às condenações pelos crimes de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro durante o julgamento do mensalão. Serão justamente esses dois crimes que serão reanalisados pelo STF nos embargos infringentes.

Dirceu foi condenado no julgamento do mensalão a 10 anos e 10 meses de prisão e, caso o Supremo acate os seus embargos infringentes, ele pode ter sua pena reduzida para 7 anos e 11 meses. Cunha está condenado a 9 anos e 4 meses e pode ter sua pena reduzida para 6 anos e 4 meses. Já Delúbio pode ter sua pena reduzida de 8 anos e 11 meses para 6 anos e 8 meses.

Mas eles terão uma redução de pena somente se forem considerados inocentes pelos crimes de formação de quadrilha ou lavagem de dinheiro, itens nos quais eles obtiveram quatro votos a favor de sua absolvição. Dirceu e Delúbio terão agora direito a um novo julgamento pelo crime de formação de quadrilha. Cunha será novamente julgado pelo crime de lavagem de dinheiro.

As condenações por esses dois crimes dividiram a Corte no ano passado. Quatro ministros, durante o julgamento do mérito, entenderam que Dirceu e Delúbio não cometeram o crime de formação de quadrilha ou que não havia elementos suficientes para as condenações por esse ilícito: o vice-presidente Ricardo Lewandowski e os ministros Dias Toffoli, Rosa Weber e Carmen Lúcia. Sobre o crime de lavagem de dinheiro contra João Paulo Cunha, Lewandowski, Weber, Toffoli e o ministro Marco Aurélio Mello e o ex-ministro Cezar Peluso foram a favor da absolvição do parlamentar.

Se Barroso e Zavascki mantiverem o entendimento de serem contrários a essas condenações e se os outros ministros não mudarem suas opiniões sobre esses temas, o Supremo deve livrar Dirceu, Delúbio e Cunha do regime fechado.

Durante o julgamento do mensalão, o Supremo entendeu que uma pessoa pode ser condenada por formação de quadrilha mesmo sem ter tido participação no planejamento prévio do crime. Antes do mensalão, uma pessoa somente seria condenada por quadrilha caso tivesse ajudado a planejar o ilícito. Essa mudança de entendimento desse crime foi duramente criticada por Barroso, por exemplo. “Foi um ponto fora da curva”, disse Barroso sobre o julgamento do mensalão durante sua sabatina no Senado.

Sobre o crime de lavagem, antes do julgamento do mensalão, havia a possibilidade de absolvição desse ilícito caso não houvesse a comprovação do chamado “crime antecedente”. Ou seja, era necessário que o dinheiro “lavado” já tivesse sido obtido por meio da prática de um crime anterior, como um assalto, por exemplo. Agora, não. O Supremo entendeu que basta haver a dissimulação na destinação do dinheiro para que ocorra a condenação. Barroso também discorda dessa tese, assim como Zavascki. Este último, quando ainda estava no STJ, absolveu réus acusados de lavagem quando não ficou provado o crime antecedente.

O presidente do STF, Joaquim Barbosa, diante desse entendimento dos novos colegas, articulou nos bastidores o não reconhecimento dos embargos infringentes justamente com receio de uma virada em algumas condenações. Dessa frente, também fez parte o ministro Gilmar Mendes.

Ainda não há data para o início do julgamento dos embargos infringentes, mas existe a possibilidade de que ele seja realizado apenas no segundo semestre do ano que vem, em paralelo à campanha presidencial de 2014 . Somente depois do julgamento dos embargos infringentes é que será discutida a possibilidade de prisão dos réus que tem direito a esse recurso.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

JUSTIÇA DO RIO SUSPENDE TRABALHOS DA CPI DOS ÔNIBUS NA CÂMARA


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Depois de semanas de tumultos, protestos violentíssimos de grupos mascarados (ligados sobretudo aos Black Blocs), vaias contra Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho e vários acidentes de ônibus - inclusive dois com BRTs que deixaram 32 feridos na semana passada - , o Tribunal de Justiça determinou a suspensão dos trabalhos da CPI dos Ônibus até que fosse avaliado o problema da composição dos parlamentares envolvidos, já que se queixa de que essa composição prioriza justamente a base governista, ligada a Eduardo Paes, o que compromete a transparência dos trabalhos.

Justiça do Rio suspende trabalhos da CPI dos Ônibus na Câmara

Do Portal G1

A 13ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro aceitou interromper os trabalhos da CPI dos Ônibus, da Câmara de Vereadores do Rio, até o julgamento de um recurso impetrado, infornou o tribunal na noite desta segunda-feira (16). O desembargador Agostinho Vieira é o relator da decisão.

O TJ explicou que os vereadores Teresa Bergher, Eliomar Coelho, Paulo Pinheiro, Reimont, Renato Silva e Jefferson Moura entraram com recurso na segunda isntância depois que a juíza da 5ª Vara de Fazenda Pública da Capital, Roseli Nalin, não concedeu liminar que pedia a interrupção dos trabalhos. Os vereadores argumentam no recurso que a atual composição da CPI não respeita a proporcionalidade de partidos e blocos parlamentares entre governo e oposição.

No entendimento do desembargador Agostinho Vieira, a composição não obedece à representação proporcional das bancadas no Legislativo municipal.

"Penso que existe fundada dúvida sobre a validade da composição da CPI. Por isso, a continuidade de seus trabalhos pode ensejar a prática contraproducente de atos inúteis e fomentar o descrédito popular em relação ao Parlamento. Pelo raciocínio adotado para a composição atual, se o requerimento fosse de iniciativa de representante da maioria, não haveria qualquer integrante da minoria. Obviamente, foge à razoabilidade que esse posicionamento prevaleça", declarou o desembargador.

Eliomar Coelho(PSOL), autor da CPI dos Ônibus, classificou a decisão do TJ como correta:
“Fizemos tudo que era possível e impossível para tentar resolver isso na base da política, mas nada disso deu frutos. Então, tendo passado por cima dos regimentos, não nos restou alternativa a não ser a judicialização”, explicou Eliomar, que deixou claro que voltará aos trabalhos da CPI se houver uma recomposição da CPI:

“Se houver uma reconfiguração lá da Comissão, eu voltarei a participar dela. O que eu não posso é participar disso. Se o bloco do Governo tem 24 vereadores, ou 47% do total, essa composição na Comissão tem que ser de 47%, e não 100%. Se a justiça entendeu que assim não pode acontecer, aplausos para ela”, finalizou o vereador.

Sessões

Na quinta-feira (12), o secretário municipal de Transportes, Carlos Osório, participou da terceira audiência da CPI dos Ônibus e negou que haja superfaturamento nos contratos da Prefeitura com as empresas de ônibus e disse que todos os lucros passam por auditorias.
saiba mais

Os documentos relativos às licitações de transportes no Rio de Janeiro foram entregues na quinta-feira (5) no gabinete do presidente da CPI dos Ônibus na Câmara de Vereadores, Chiquinho Brazão. As mais de 30 mil páginas mostram as propostas dos consórcios Santa Cruz, Internorte, Intersul e Transcarioca.

Os documentos precisam ser analisados até a data limite da CPI, no dia 7 de dezembro, com prazo prorrogável por mais 15 dias. Após os 15 dias de prorrogação, o relatório, que deve ser elaborado a 10 mãos pelos cinco membros da CPI, terá 45 dias para ser entregue.

domingo, 15 de setembro de 2013

A "BRUXA" FICOU SOLTA NO "POP-ROCK"?


"Urucubaca" no "pop-rock"? Nos últimos meses, a chamada "cultura rock" havia sofrido sérios incidentes, que muitos perguntam se não é reflexão do baixo astral que se encontram os chamados "roqueiros" de hoje em dia.

Nesta semana havia falecido, de suicídio, o ex-baixista do Charlie Brown Jr., Champignon, abalado com as lembranças de um breve período de sérias desavenças com o amigo e vocalista da banda, Chorão, morto seis meses antes. Champignon chegou a iniciar carreira com a nova banda, a Banca.

Paralelo a isso, um homicídio havia ocorrido na Galeria do Rock de São Paulo, depois que um casal havia brigado nas imediações da loja. Uma vendedora de joias foi morta a golpes de canivete pelo amigo do tatuador, este namorado dela, e fugiu até ser depois pego pela polícia.

O incidente chamou a atenção dos frequentadores do local e muita gente assistiu à perícia que policiais fizeram no local, auxiliados pelas informações dadas pelas testemunhas.

Que a cultura rock não obteve o revigoramento necessário em São Paulo, isso é verdade. O retorno da rádio 89 FM ao gênero, em dezembro passado, com o mesmo desempenho que "queimou" a emissora em 2006, foi um dos motivos dessa crise nada resolvida do gênero.

Afinal, até agora a 89 não lançou uma banda de rock de projeção nacional e diferencial artístico, porque a emissora, presa a uma mentalidade digna de uma Jovem Pan 2, só se preocupou em lançar clones de CPM 22 e Detonautas Roque Clube. Em tempos de Rock In Rio, isso é muito, muito grave, mesmo sob um raciocínio mais de mercado.

Além disso, a cultura rock vigente ficou na mesmice "feijão com arroz" de cortejar somente o rock pesado, e mesmo assim o mais "acessível" possível. Nu metal, grunge, poser metal, poppy punk ou mesmo emo - se não os "coloridos" do Restart, pelo menos os "emachos" do CPM 22 e companhia - eram o único cardápio da rapaziada.

Essa mentalidade, que tem um pouco de hit-parade, e um tanto de pragmatismo - "curte-se" rock não pela música, mas pelo efeito catártico que ele causa - , também não representaram resposta à altura para combater a imbecilização cultural trazida a SP pelo "sertanejo universitário" e pelo "funk ostentação".

Pelo contrário, por mais ridículo que pareça e por mais voltado às baixarias mais constrangedoras, o "funk ostentação" passou uma perna nos "roqueiros" com um discurso pseudo-ativista mais verossímil.

Dessa maneira, o perfil de "mauricinho raivoso" trabalhado pelo estereótipo roqueiro da 89 FM - cujos donos são aliados de Geraldo Alckmin e, como este, surgiram ligados a Paulo Maluf durante a ditadura militar - perdeu o sentido de rebeldia, mais parecendo uma patrulha juvenil reacionária.

O público realmente roqueiro continua curtindo rock como sempre curtiu, em suas casas, alheios a esse período trevoso o qual nem o Rock In Rio consegue resolver. Sem rádio que os represente com dignidade, apenas voltado à sua coleção de discos e aos referenciais culturais associados.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

CHICLETEIROS PROTESTAM CONTRA SAÍDA DE BELL MARQUES


Em situação digna de um Febeapá, o festival de besteiras narrado por Sérgio Porto, fanáticos da banda baiana Chiclete Com Banana, os chamados "chicleteiros", fecharam uma rua em Amaralina, bairro da orla de Salvador, diante do escritório central da banda e dos negócios relacionados a ela, inclusive blocos carnavalescos. O protexto ocorreu anteontem à tarde.

O motivo do protesto foi a indignação contra a saída do cantor Bell Marques da banda, anunciada esta semana, mas que se consumará depois do fim do Carnaval de 2014. A notícia causou surpresa nos bastidores da axé-music, que anda sofrendo um processo de decadência diante de muitos escândalos.

O último deles foi a acusação de uma empresária sócia da cantora Cláudia Leitte de que esta teria feito um calote e adulterado os dados para ser favorecida pelas verbas públicas do Ministério da Cultura garantidas pela Lei Rouanet. Já outro escândalo, relacionado ao estupro de duas fãs, fez outro nome do cenário baiano, o grupo New Hit, encerrar suas atividades, como afirma comunicado oficial.

Bell teria saído da banda Chiclete Com Banana, da qual era líder há 30 anos, por divergências com os demais integrantes da banda. Bell era acusado de prepotência, autoritarismo e de colocar sua imagem acima dos demais membros da banda, prática comum nos medalhões da axé-music.

Bell Marques, no passado, já era acusado de tramar a saída do antigo vocalista, Missinho, fundador da banda. Também é acusado de sonegação fiscal, de negligência à assistência do guitarrista Cacique Jonny, que hoje sofre de grave doença, e de não ter dado o devido apoio quando tentou empresariar uma jovem cantora de axé-music.

O Chiclete Com Banana, sob o comando de Bell Marques, deixou de ser um grupo mediano mas simpático, uma cópia da Cor do Som, para ser o tendencioso e medíocre medalhão baiano com suas letras monotemáticas, ligadas ao Carnaval baiano.

As letras alternavam "pegações amorosas" e letras autorreverentes, como mostra a música "Quero Chiclete": "Chiclete...Oba, oba!! Chiclete, Chiclete, quero Chiclete, Chiclete...". Aliás, o refrão "Chiclete... Oba, oba!!" é um plágio do refrão da música "Terceiro", do Ultraje a Rigor. O vocalista da banda roqueira, Roger Rocha Moreira, já foi comunicado a respeito do plagío no Twitter.

Só mesmo o poder midiático, que transforma ídolos medíocres em "semi-deuses", para fazer os fanáticos "chicleteiros" protestarem e causarem engarrafamentos sem a menor necessidade. A mediocridade cria fanáticos, porque eles não têm o equilíbrio mental necessário para aceitar os limites de talento e prestígio de seus ídolos, tratados como se fossem figuras "sobre-humanas".

Ao que se saiba, por exemplo, nenhum fã do R. E. M. realizou quebra-quebras nas cidades dos EUA depois que a banda de Michael Stipe anunciou seu fim, há dois anos atrás. Pelo contrário, os fãs se comportaram de forma respeitosa e, embora tristes com a notícia, compreenderam as razões apresentadas pelos músicos sobre o fim de suas atividades.

É outra coisa. Já os "chicleteiros" são tão piores quanto os skinheads que pregam intolerância e defendem o fascismo. O fanatismo do brega-popularesco já produziu troleiros, fãs violentos e intolerantes, que não aceitam sequer críticas construtivas. E, no caso da axé-music, tão associada à ideia de "alegria", ver que essa alegria se dissolve fácil à menor crítica é assustador.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

MÍDIA E "ATIVISTAS" DIVIDEM ESPÓLIO DA MÚSICA BREGA


Por uma questão estratégica, o inflacionado e bastante saturado mercado brega-popularesco agora se divide em duas grandes categorias de música brega: a primeira e a segunda divisões, englobando respectivamente ídolos bastante massificados e outros considerados "emergentes".

A primeira categoria, ligada ao mainstream propriamente dito da música brega, envolve tendências geralmente "comportadas" que entram fácil nos veículos da grande mídia: "sertanejo", "sertanejo universitário", medalhões da axé-music, "funk melody" e "pagode romântico", entre outros.

Esta categoria é abertamente apoiada pelas Organizações Globo, Grupo Folha e Grupo Abril, entre outros impérios midiáticos, e corresponde a ídolos com aceitação nos públicos de maior poder aquisitivo.

Exemplos dessa primeira categoria são Chitãozinho & Xororó, Alexandre Pires, Ivete Sangalo, Thiaguinho, Luan Santana, Michel Teló, Leonardo, Daniel, Chiclete Com Banana, Naldo Benny e Anitta.

Já a segunda categoria é ligada aos "emergentes" que, embora vendam uma falsa imagem de "alternativos" e "independentes", também fazem parte do mainstream, mas não de forma explícita ou estável. Geralmente são mais "polêmicos" e experimentaram momentos de ostracismo antes de serem resgatados pela intelectualidade "solidária".

Esta categoria geralmente é apoiada por produtores, jornalistas e intelectuais ligados a produtoras de eventos, organizações não-governamentais e entidades como o Instituto Overmundo, Coletivo Fora do Eixo e outros. Veículos como as revistas Cult e Trip também representam essa ala de intelectuais que apoiam a segunda divisão do brega.

São exemplos dessa segunda categoria nomes como Leandro Lehart, Odair José, Gaby Amarantos, Grupo Molejo, Raça Negra, Luiz Caldas, Negritude Jr., José Augusto, o "funk de raiz" de MC Júnior & MC Leonardo, MC Cidinho & MC Doca e os nomes do "funk ostentação", como MC Guimé.

Não que a grande mídia não apoie esses nomes, mas neste caso o apoio não se mostra explícito ou estável, o que permite que intelectuais tentem classificar tais ídolos como "discriminados pela grande mídia", um dado mentiroso, mas que parece verossímil a muita gente.

Nos últimos tempos, nomes que chegaram a ser apoiados pela intelectualidade "ativista", como Zezé di Camargo & Luciano, Banda Calypso e Mr. Catra, passaram para o apoio da grande mídia, figurando na primeira categoria. Por outro lado, apesar de transitar na grande mídia como os ídolos da primeira categoria, Gaby Amarantos ainda se situa nos chamados "emergentes".

terça-feira, 10 de setembro de 2013

FAROFA-FÁ: BLOGUEIROS BRINCAM DE "ATIVISMO" USANDO A "CULTURA DE MASSA"


Para quem entra em contato com a mídia progressista, tome muito cuidado com certos espaços de jornalismo e análise cultural nela publicados. Se eles têm como objetivo defender a "cultura" brega e seus derivados, é porque eles nada têm de progressistas.

É o caso do blogue Farofa-fá, organizado pelos jornalistas Eduardo Nunomura e Pedro Alexandre Sanches. Este último é bem conhecido, sendo considerado "filho da Folha", porque começou sua carreira aplicando os aprendizados que teve no higienista e neoliberal Projeto Folha, que o próprio empresário Otávio Frias Filho implantou diretamente na Folha de São Paulo.

Os dois brincam de "ativismo" usando a "cultura de massa" como carro-chefe. Adotam um discurso intelectualoide, supostamente militante, pretensamente "provocativo" e aparentemente "reflexivo", apenas para reafirmar o "estabelecido" na suposta cultura popular veiculada pelas corporações midiáticas e fonográficas regionais ou nacionais.

A manobra dos dois jornalistas é misturar MPB alternativa com "cultura" brega, juntando os dois extremos, vanguarda e retaguarda, existentes na música brasileira. No entanto, seu discurso, às vezes irônico, noutras meramente festivo e noutras dramático e choroso - sobretudo quando entra no clichê do "preconceito" - , tenta classificar essas duas forças antagônicas como se fossem uma só.

Os dois exaltam a MPB autêntica que adota postura obediente à chamada indústria cultural. Tentam desconversar sobre a histórica, explícita e umbilical relação do brega e seus derivados (em especial o "funk" e o tecnobrega), achando que seus ídolos "nunca tiveram espaço na mídia" ou que fazem parte de um "mercado independente e alternativo".

Tentam afirmar que o poder midiático musical já morreu, que as grandes gravadoras estão em estado terminal e adotam uma retórica falsamente "libertária" confundindo "cultura de massa" com folclore e tomando como "realidade concreta" a imagem estereotipada do povo pobre trabalhada pela grande mídia.

Cheios de contradições, Nunomura e Sanches tentam adotar um discurso "ativista" e "libertário" para o que eles chamam de "diversidade cultural". Só que se esquecem de que este termo tem exata analogia, no direitismo ideológico, ao da "liberdade de expressão" para a imprensa reacionária e "livre iniciativa" para o capitalismo tradicionalmente excludente.

Como equivalentes do jornalismo cultural para os juristas Luís Fux e Joaquim Barbosa, Nunomura e Sanches, na verdade, pensam como economistas, achando que a "verdadeira cultura popular" é aquela que vende muito e atrai multidões, num raciocínio meramente quantitativo, por mais que falem também em "qualidade".

E, se os dois blogueiros do Farofa-fá (ou "farofa-feiros") pensam como economistas, eles argumentam como publicitários, apelando para clichês sociológicos que tentem desmentir o caráter comercial do brega-popularesco, como se ainda continuassem os vínculos e relações sociais dos tempos do folclore tradicional brasileiro. E, como em todo discurso publicitário, é apenas conversa para boi dormir.

O que se nota é que Farofa-fá nem de longe corresponde à vanguarda da imprensa cultural do país. Até porque as visões apresentadas não são muito diferentes das que se lê no Segundo Caderno de O Globo e na Ilustrada da Folha de São Paulo.

Da mesma forma, tais visões - que exaltam o brega a pretexto de incluí-lo numa suposta diversidade cultural - também encaixam em qualquer programa da Rede Globo e não causam medo sequer na turma do Instituto Millenium ou nos "caciques" do PSDB.

É sinal de que Farofa-fá é um prato muito bem vindo nas mesas da direita político-midiática. Mas que soa indigesto para um veículo progressista como a Carta Capital, que hospeda o blogue na Internet. Vide os problemas que Sanches causou na Caros Amigos de José Arbex Jr. E pensar que, meses atrás, Mino Carta fez duras críticas à mesma imbecilização cultural tratada como ouro pelo Farofa-fá.

domingo, 8 de setembro de 2013

WARNER MUSIC BRASIL JÁ ADULTEROU ANOS DOS DISCOS


Na década de 1980, a Warner Music Brasil, que então se chamava WEA Discos, tinha um terrível cacoete que incomodou muitos colecionadores de discos: o de adulterar seus anos de lançamentos nos créditos editados nos selos de seus discos de vinil.

É verdade que as grandes gravadoras, em algum momento de sua história, tiveram problemas de creditar datas em seus discos. Antes de 1964, era comum os discos serem lançados sem data, o que nos fazia recorrer a quem viveu a época de cada disco para saber qual era mesmo o seu ano de lançamento.

Mas mesmo com a obrigatoriedade de creditar os anos, as gravadoras eventualmente pecavam. A CBS (atual Sony BMG) chegava a creditar coleções inteiras com o mesmo ano. Como os discos de Roberto Carlos creditados a 1971, sobretudo os da fase Jovem Guarda. Ou os discos de Julio Iglesias creditados a 1978.

Num passado mais recente, via-se discos de David Bowie, Pink Floyd e outros da moribunda EMI - que já distribuiu seu espólio para outras gravadoras - com anos adulterados, sem dar qualquer informação do ano original de cada disco.

Mas a campeã dessas irregularidades foi mesmo a WEA, que entre 1985 e 1990 usou e abusou da adulteração de anos de lançamento dos discos, levando em conta apenas o ano da edição brasileira, fosse o ano original de cada disco.

Em 1979, a WEA já havia adulterado os anos dos discos do Led Zeppelin, que eram lançados com o crédito do ano de 1979, mesmo os títulos mais antigos. Mas foi só a partir de 1985, quando a WEA trocou a distribuição de seus discos da EMI-Odeon para a RCA Eletrônica (depois BMG-Ariola, hoje também Sony BMG) que a prática passou a ser constante.

Os discos só ganhavam os créditos de ano corretos se fossem lançados no mesmo ano do país de origem. Aí um disco como The Queen is Dead, dos Smiths, de 1986, era lançado no mesmo ano no Brasil.

Mas os Smiths foram apenas um dos nomes afetados pela adulteração do crédito do ano, através de outros títulos: Hatful of Hollow (1984, adulterado para 1986), Meat is Murder (1985, adulterado para 1986), The World Won't Listen (1986, adulterado para 1987), The Smiths (1984, adulterado para 1987) e Strangeways Here We Come (1987, adulterado para 1988).

A adulteração atingia tudo e todos. Até discos de B. B. King tinham a data adulterada. E, em certos casos, a adulteração chegava aos encartes, em que o ano original, inclusive no dado de copyright, era mudado, até de forma grotesca, vide o citado Hatful of Hollow, a coletânea Songs to Learn and Sing, do Echo & The Bunnymen (1985, adulterado para 1986) e 1999 II, de Prince (1982, adulterado pra 1985), este na verdade uma edição em separado da segunda parte do álbum original 1999.

Mesmo álbuns nacionais lançados pela WEA, quando relançados, sofriam a adulteração da data, como no caso dos álbuns Seu Espião, de Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens (hoje apenas Kid Abelha), Nós Vamos Invadir Sua Praia, de Ultraje a Rigor e Mudança de Comportamento, do Ira!, respectivamente de 1984 e (os dois últimos) 1985, adulterados para 1988 no relançamento da época.

Depois de muitas queixas de colecionadores de discos, a WEA deixou de fazer a molecagem. Mas deixou uma grande ferida e fez outras gravadoras de vez em quando relançarem discos antigos sem dar o crédito do ano original, por mais que fossem edições comemorativas ou remasterizadas.

E, além disso, fez uma PolyGram (atual Universal Music) ficar bastante confusa quando, ao adquirir da WEA o selo Island, creditou como 1986 o ano do disco The Unforgettable Fire, do U2 (1984; a WEA adulterou para 1985). A banda de Bono Vox foi uma das maiores vítimas da adulteração de datas da WEA.

Hoje, com as informações com maior trânsito na Internet, as gravadoras devem tomar muito cuidado para não omitir os anos originais dos discos antigos. Sobretudo quando lançam em vinil. Seria um erro imperdoável hoje em dia, embora sempre foi uma prática inadmissível até mesmo dos anos 80 para trás.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

NOVA ONDA DE MULHERES COMPROMETIDAS


Scarlett Johansson noiva de um jornalista francês. Kate Bosworth se casou. Zoe Saldaña com rumores de casamento. Piper Perabo está noiva de um ator e cineasta. Jeanette McCurdy namorando astro do basquete. Ariana Grande namorando um jovem cantor. Até Dakota Fanning aparece com namorado.

E Jessica Alba, Hilary Duff, Kate Beckinsale, Natalie Portman, Salma Hayek e outras mostrando seus maridos em sua rotina tranquila. Além disso, há ainda o impacto dos casamentos da jornalista inglesa Isha Sesay, da CNN, e das atrizes Kerry Washington e Rosanna Arquette (esta com um banqueiro sisudo).

De repente, no exterior, houve a onda de mulheres famosas comprometidas, talvez numa tendência um pouco tardia em relação a outros anos. Isso porque, geralmente, as mulheres famosas se tornam mais comprometidas em junho e julho, mas a coisa se deu entre os últimos dias de agosto e o começo deste mês.

Mas a coisa veio bem constante. Por que será? O que se sabe é que não há mulheres diferenciadas para todo mundo. Talvez na Europa haja, ou em alguns países da Ásia e África. Mas nos EUA e no Brasil, principalmente este, mulher diferenciada, aquela que é muito mais do que um corpo bonito e uma índole "simpática", virou praticamente artigo de luxo.

Solteiras há, e até que melhorou um pouquinho. No momento, ver mulheres como Deborah Secco e Eva Longoria soltas no "mercado" é gratificante, além de jornalistas de TV que parecem redescobrir a vida de solteiras depois de se desiludirem com casamentos com sisudos empresários e profissionais liberais.

E, em contrapartida, aumentou o número de mulheres associadas ao cenário vulgar do popularesco que estão comprometidas. As ex-integrantes do Big Brother Brasil já começam a se acostumar em se relacionar com homens de seus meios e passam a se casar com eles. As dançarinas de "pagodão" também já se comprometem mais, com namoros e casamentos.

E até mesmo as "falsas solteiras" do "funk" dão fortes indícios de que possuem namorados e maridos, embora nunca abram o jogo a respeito. Mas, se elas não assumem que estão namorando ou estão casadas, também não conseguem desmentir e há até caso de funqueiras inventando dengue para visitar seus maridos em suas casas, já que a suposta doença "desaparece" de uma hora para outra.

Mas o mundo não dá saltos grandes e ainda há muita, muita mulher diferenciada comprometida. E, entre as estrangeiras, ocorre o estranho fenômeno da sub-celebridade Adrienne Maloof, do "riélite" Real Housewives (que de "wives" - "esposas", em inglês - parece só ter o nome) cujo divórcio de seu marido Paul Nassif foi badalado além da conta.

Além do divórcio ter dominado durante mais de um mês a palavra-chave "husband split", agora é a vez do portal Who Dated Who "empacar" nessa notícia, na sua coluna de divórcios. É bastante estranho isso, parecendo que a mídia de celebridades tenha gostado de ver Adrienne Maloof novamente solteira.

Adrienne Maloof, no entanto, não é aquela festa. Não é feia, mas tem o rosto "esculpido" com botox. Ela tem 52 anos e tem aquela superficialidade de mulher rica combinada com a outra superficialidade de estrela de reality show, uma sub-atração que contaminou a televisão mundial nos últimos anos.

Se comparar Adrienne Maloof com, por exemplo, Rosanna Arquette, a decepção é inevitável. É só comparar o Internet Movie Data Base (http://www.imdb.com) e comparar as atividades das duas. Quanta diferença há!!

Rosanna é uma atriz experiente, com mais de 30 anos de carreira, e fez filmes de todo tipo, desde filmes de ação até produções independentes, passando por comédias comerciais. Além disso, é também cineasta e uma mulher conhecida por sua beleza sensualmente graciosa e sua inteligência.

E Adrienne Maloof? As únicas atividades que ela fez estão relacionadas ao único papel que ela fez em Real Housewives, o de ela mesma. Será até exigir demais que ela seja cineasta, ou faça trabalhos mais substanciais como atriz, ou dê entrevistas que não sejam apenas de luxo, compras e outras banalidades.

E há também as "boazudas" do momento, as ring girls que só ficam segurando plaquetas ou "conduzindo" as plateias nos eventos de UFC. No exterior, a principal estrela é Arianne Celeste, que a mídia das sub-celebridades quer empurrar goela abaixo para o público nerd autêntico (aquele que não tem a ver com "cervejão-ão-ão", "se beber não case" e outros SPOHRros), que foge de moças do tipo.

É verão no Primeiro Mundo e inverno no Brasil. Mas o clima parece frio diante de tais notícias. Enquanto isso, os brasileiros descobrem que o marido da estonteante Ticiana Villas-Boas, jornalista da TV Bandeirantes, é dono da empresa de carne bovina Friboi. Oh, dia, oh, céus...

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

REVISTA DE MAURÍCIO DE SOUZA CHAMA ÁFRICA DE "PAÍS"


Um enorme erro foi cometido pela equipe editorial do desenhista Maurício de Souza, numa página de passatempos da edição 37 do Almanaque do Cascão, publicado pela Editora Panini em janeiro passado.

Numa questão que relacionava animais e seus respectivos países de origem, a questão incluiu a África como uma das opções a serem ligadas ao animal correspondente. Só que, sabemos, a África não é um país, mas um continente, o que se torna um erro muito grave para o público infantil que lê tais revistas.

Além disso, a África não só é um continente como um verdadeiro mundo à parte. Isso porque o continente africano envolve diferentes povos, em boa parte negros, árabes e até brancos, de culturas muito diferentes entre si e uma imensa variedade de idiomas, dialetos e histórias. Por isso, a África não poderia ser considerada um país, pois, já como continente, inclui uma diversidade social muito grande.

É lamentável que uma revista dedicada a personagens carismáticos e que influem na educação e no entretenimento das crianças tenha cometido um erro desses. Já não basta a péssima formação que as emissoras de rádio e TV e o sistema social em que vivemos, dotado de uma imensa crise de valores, exerce em nossas crianças?

A necessidade de mostrar um mínimo de correção nas informações é uma forma de trazer à criançada um aprendizado coerente, que possa servir para um preparo para novos aprendizados com o passar do tempo. A veiculação de informações erradas pode influir numa compreensão confusa e desnorteada, como a própria mídia dos anos 90 já fez em prejuízo à formação intelectual da maioria dos brasileiros.

Cabe, portanto, os redatores que trabalham na Maurício de Souza Produções tomarem muito cuidado na próxima vez. Eles estão lidando com aqueles que farão o futuro de nosso país.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

A POUCOS DIAS DO ROCK IN RIO, 89 FM NÃO LANÇOU BANDA NOVA QUE DEIXASSE MARCA


Foi feito o cálculo. Com um ano de fase experimental e seis meses funcionando oficialmente, a Rádio Fluminense FM já havia lançado bandas que se tornaram bem-sucedidas em todo o país, como a Blitz, Lobão, Kid Abelha e, pouco depois, os Paralamas do Sucesso.

Com sete meses de funcionamento depois de lançada em março de 1982, a Fluminense FM já estava patrocinando um festival, o Rock Voador no Circo Voador, na Lapa, Rio de Janeiro. A Flu havia produzido uma cena roqueira que não tardou a repercutir em todo o país, em vários casos ainda naquele ano.

Já a paulista 89 FM, com 21 anos de experiência e nove meses depois da "volta" em dezembro de 2012, mesmo a poucos dias de acontecer o Rock In Rio - única razão para o retorno da dita "rádio rock", já que seus donos são amigos de Roberto Medina e a rádio ressurgiu como mera alimentadora de concertos estrangeiros - , não lançou até agora uma grande banda nacional.

O que se viu foi a colocação de marca-passos na moribunda cena roqueira no Brasil, já ultrapassada pela máquina de fazer dinheiro dos ídolos popularescos. Até mesmo os funqueiros tentam dar uma rasteira nos roqueiros em termos do aparato de rebeldia, por mais ridículo que o ritmo carioca (agora "exilado" em São Paulo, graças ao "funk ostentação" patrocinado por George Soros) seja.

Nada aconteceu, o mercado roqueiro, do contrário da grande mídia, continua apático até em São Paulo. O "sertanejo universitário" atrai mais público juvenil. E a 89 FM, com sua linguagem "Jovem Pan 2 com guitarras", não fez outra coisa senão fazer os fãs de One Direction, Thiaguinho, Luan Santana e, acima de tudo, Restart, brincarem de ser "roqueiros radicais" de vez em quando.

Mesmo o programa "Temos Vagas", apresentado pelo pseudo-punk e "pai dos emos" Tatola Godas, que fala cada vez mais parecido com Rui Bala da Rede Transamérica, só se preocupou em lançar bandas que soem iguaizinhas a CPM 22, Detonautas Roque Clube, Charlie Brown Jr., Raimundos e Tihuana, ou, quando muito, versões bastante pioradas de O Rappa e Los Hermanos.

Até agora, nenhuma banda nova lançada pela 89 FM teve talento e fôlego suficiente para deixar uma marca nacional e alimentar seu carisma para as vésperas do Rock In Rio. Nove meses não são desculpa para a demora da rádio "trabalhar" uma nova cena de rock, ou mesmo um grande sucesso nacional. Os bobos-alegres dos Mamonas Assassinas fizeram sucesso estrondoso durante oito meses.

Além disso, no contexto de uma grande mídia decadente, com as Organizações Globo, Grupo Bandeirantes e Grupo Abril vivendo uma séria crise, e com as informações cada vez mais sofisticadas na Internet, a 89 FM hoje soa datada e anacrônica, além de não ter personalidade de rádio de rock, já que sua linguagem e mentalidade são "poperó" e seu repertório meramente hit-parade.

Com tantas bandas e tendências do rock correndo fora e bem longe dos 89,1 mhz paulistas, a 89 FM anda comendo poeira, numa São Paulo em que o mercado juvenil se concentra mais nos breguíssimos mas rentáveis "sertanejo universitário" e "funk ostentação", que são um lixo, mas foram favorecidos pela arrogância descerebrada e "mauriçola" da dita "rádio rock" de São Paulo.

domingo, 1 de setembro de 2013

A GLOBO RENEGA AGORA O GOLPE MILITAR


Em comunicado publicado ontem, o jornal O Globo, anunciando seu Memorial O Globo, que envolve arquivos digitalizados do antigo conteúdo publicado em sua história, disse ter sido um "erro" ter apoiado o golpe militar de 1964. O trecho correspondente inclui as seguintes alegações:

“Desde as manifestações de junho, um coro voltou às ruas: 'A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura'. De fato, trata-se de uma verdade, e, também de fato, de uma verdade dura. Já há muitos anos, em discussões internas, as Organizações Globo reconhecem que, à luz da História, esse apoio foi um erro.”

É muito cômodo as Organizações Globo renegarem posturas quando o tempo dá o seu veredito. Mas, no passado, essas posturas eram muito mais do que impulsos da vontade, eram decisões tidas como acertadas e convictamente adotadas. Quando convinha, as OG apoiaram abertamente a ditadura militar, tornando-se fiel a ela até mesmo nos seus momentos de agonia.

É só verificar os episódios. As OG participaram da tal "Rede da Democracia", um pastiche da Rede da Legalidade lançada por Leonel Brizola. A Rede da Legalidade envolvia várias emissoras de rádio que pregavam a defesa da posse constitucional de João Goulart, vice-presidente da República, como chefe do Executivo federal depois da renúncia de Jânio Quadros, em 1961.

A Rede da Democracia fazia o inverso. Comandada pelas Organizações Globo, pelo Sistema Jornal do Brasil e pelos Diários Associados, mas com o "discreto" apoio do grupo O Dia, Grupo Bandeirantes, Grupo Folha e Editora Abril, entre outros, o grupo pregava a derrubada de João Goulart por um golpe militar, medida já discutida por vários de seus porta-vozes, já no segundo semestre de 1963.

Era o começo da "novela" das Organizações Globo e seu apoio à ditadura militar. Com a Rede Globo sendo "esboçada" a partir de uma emissora carioca financiada ilegalmente pelo grupo Time-Life. E é bastante curioso que a Rede Globo surgiu sem uma programação previamente planejada - a TV Tupi, pelo menos, teve o inaugural TV na Taba, de variedades, em 1950 - e tinha audiência fraquíssima.

A Globo cresceu apoiando a ditadura militar. Roberto Marinho se aproveitou da crise financeira das Organizações Victor Costa (nome de um falecido ex-produtor da Rádio Nacional carioca, que havia se lançado como empresário paulista de comunicação) e comprou seu espólio, o que incluiu a TV Paulista, modesta mas relativamente popular (lançou Sílvio Santos) e que virou TV Globo São Paulo.

Vinte anos depois, a Globo ainda estava solidária ao generalato, se recusando a fazer cobertura das manifestações pela volta das eleições diretas no Brasil. E o que ela fez em prol da ditadura militar e em prol de seu poder na época é muito mais para ser definido como "erro" ou "equívoco", tamanhos os prejuízos causados para os brasileiros.

Chegou-se a um ponto em que a Globo monopolizava o mercado jornalístico, o mercado televisivo e ela criou um modelo de informação jornalística e até de cultura popular completamente fora da realidade cotidiana brasileira. Pior: a Globo chegou mesmo a escravizar a realidade, até mesmo as periferias tornaram-se escravas de seus paradigmas.

A Globo interferiu até nas gírias juvenis, popularizando, através de seu astro Luciano Huck e em parceria com a rádio Jovem Pan 2, a gíria clubber "balada", pondo a juventude brasileira ao ridículo diante dos jovens do resto do mundo que, só em inglês, investem no bom e velho "I go to the party with my friends" ("Eu vou para a festa com meus amigos"), sendo bem mais modernos que os brasileiros que falam "Eu vou pra balada c'a galera", sem medir escrúpulos para o cacófato.

As Organizações Globo comandaram o coro de jornalistas políticos reacionários. Na redemocratização, tentou manipular as eleições presidenciais, para garantir as vitórias eleitorais dos candidatos da famiglia Marinho, num processo fraudulento lançado em território nacional pelo então influentes Jornal Nacional.

A Globo tinha uma certa imunidade nos círculos do poder político que tinha boas relações com autoridades norte-americanas e durante muito tempo cometeu sonegação fiscal, acreditando na impunidade, apesar das quase 800 notificações que recebeu da Receita Federal.

Hoje a Globo perde sua hegemonia, embora sua última herança, a cultura brega-popularesca, e sobretudo o apoio mais do que explícito que a emissora deu ao "funk carioca", que encaixava nos paradigmas domesticadores e estereotipados de "cultura popular" defendidos pelas OG, tente ser mantida de pé pela intelectualidade associada, a partir do antropólogo Hermano Vianna, colunista de O Globo e produtor e consultor musical da Rede Globo.

A própria intelectualidade que defende a bregalização do país, antes da própria atitude da Globo, também renega seu passado de valores culturais aprendidos da Rede Globo e da Folha de São Paulo, e da associação desses mesmos intelectuais com o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, cujas duas eleições presidenciais tiveram o patrocínio informal das Organizações Globo.

A decadência da Globo pode ser mais lenta que a da Abril. E, relativamente mais flexível que o império dos Civita, o império dos Marinho continua anestesiando a opinião pública e a intelectualidade dominante com suas visões domesticadoras da "cultura popular", com sua visão caricata e inócua do povo pobre. O "canto de cisne" da Globo sairá da voz de um MC de "funk".