terça-feira, 27 de agosto de 2013

NOVO DISCURSO DE DEFESA DO "FUNK" SUGERE RACISMO


Depois de ser obrigada a mudar o foco da retórica em defesa do "funk", da cena do Rio de Janeiro para o "funk ostentação" de São Paulo, a intelectualidade associada a essa campanha estaria causando um problema: a sutil manifestação de racismo contra o povo negro e pobre.

Através de manifestações recentes de ativistas, políticos, jornalistas e acadêmicos, a defesa do "funk" apela agora para argumentações mais agressivas. Algumas argumentações anteriores são bem conhecidas, como a falsa analogia à sociedade moderna de hoje e a sociedade moralista de cem anos atrás para atribuir suposto moralismo à rejeição do "funk", numa comparação tendenciosa a ritmos autenticamente populares como o samba e o maxixe.

Só que agora a intelectualidade pegou pesado e procura pregar a tese de que a rejeição que atinge o "funk" seria fruto de uma campanha racista e "eugenista" de quem reprova o ritmo. A alegação da intelectualidade é que a maioria dos "artistas de funk" é negra e pobre.

Mas o tiro pode sair pela culatra e o que poderia parecer, à primeira vista, a exaltação da negritude pode ser uma sutil manifestação de racismo vinda dos próprios intelectuais que defendem o "funk". A julgar pelo que o "funk" está naturalmente associado, vinculá-lo à negritude seria uma forma de promover uma imagem pejorativa do povo negro e pobre.

Não bastasse a sonoridade de qualidade duvidosa e o caráter de manipulação do poder midiático e mercadológico por trás, o "funk" é naturalmente associado à exaltação da violência, à visão machista da imagem da mulher como objeto sexual e até mesmo a valores retrógrados que envolvem, entre outras coisas, o estímulo à pedofilia.

O "funk" também é associado a uma forma de dominação social das classes dominantes, através da produção de um ritmo dançante cuja ideologia está vinculada à apologia à miséria e à ignorância, à imagem glamourizada da pobreza e uma visão domesticada, caricata e estereotipada das populações pobres, em sua maioria esmagadora negras.

A intelectualidade dominante e dita "progressista" tenta relativizar o discurso, atribuindo tais valores um sentido "positivo", numa clara demonstração de uma visão sutilmente etnocêntrica do "outro". "Pode ser que isso seja moralidade para nós, mas para o povo das periferias, isso é expressão de felicidade (sic) que vivem no seu dia a dia", é o discurso mais usual a respeito.

Mas o vínculo do "funk" à negritude, considerando tais aspectos, seria na verdade uma deturpação racista da ideia de negritude, atribuindo ao povo negro e à cultura negra em geral aspectos negativos do comportamento humano, o que significa, em outras palavras, que a intelectualidade defende a prevalência da imagem pejorativa do povo negro, associando-o ao grotesco e à imoralidade.

Segundo a Constituição Federal, racismo é considerado crime e punido com prisão em regime fechado, sem direito a fiança nem prazo de prescrição.

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