quinta-feira, 8 de agosto de 2013

MÍDIA NINJA E A COISIFICAÇÃO DO HOMEM PELAS "NOVAS MÍDIAS"


A aparente novidade da Mídia Ninja tornou-se o modismo da temporada. Um movimento "ativista" que tenta romper com os paradigmas "tradicionais" da grande mídia, mas que no fundo não é realmente uma alternativa a ela.

O grupo apareceu nas manifestações populares fazendo uma cobertura "independente", até que seus integrantes foram detidos pela polícia. Depois, foram entrevistar o ex-prefeito carioca Eduardo Paes. E, poucos dias atrás, houve uma entrevista no programa Roda Viva, na TV Cultura.

A Mídia Ninja, liderada pelo jornalista Bruno Torturra, depois se assumiu ligada ao Coletivo Fora do Eixo (FdE) e estabelece um padrão aparente de ativismo "independente", dentro dos moldes oficialescos que, em termos ideológicos, misturam a atitude de Live Aid com a filantropia da linha G-8 / FMI e uma mentalidade tecnológica própria das grandes corporações da informática.

A MN, a princípio, é apenas financiada pelo Estado. A exemplo do FdE, a tutela se limitaria ao aparelho estatal-partidário-empresarial ligado ao Partido dos Trabalhadores. Por outro lado, porém, o FdE estaria recebendo também verbas institucionais cuja origem estaria vindo dos bolsos do bilionário George Soros.

Deve-se pôr um pé atrás no pensamento da MN porque o "novo" pensamento das mídias digitais é atraente no discurso, mas diante de uma análise bastante cautelosa, é muito perigoso, já que o grupo superestima as tecnologias digitais acima até mesmo das manifestações humanas.

A visão de "novas mídias" agora popularizada pelos integrantes da MN tenta inverter a importância das novas tecnologias como instrumento que facilita a expressão livre humana. É um discurso bem ao gosto de George Soros, este um dos grandes barões da telefonia e da Informática, e que a maioria das pessoas não consegue compreender.

Através dessa visão, as novas tecnologias passam a ser vistas como "sujeito" e não como "objeto" (instrumento) do ativismo social. Os homens, pelo contrário, passam a ser "objeto" e deixam de ser "sujeito". Daí que, nessa visão, a importância do ativismo é subordinada às novas tecnologias, quando a essência real deveria ser das iniciativas humanas.

Este é o risco. O homem passa a ser, mais uma vez, coisificado pela máquina. Exagera-se na importância das novas tecnologias como fator determinante para o ativismo social. As novas tecnologias deixam de ser vistas como instrumento de ação social do homem, o homem passa a ser visto como instrumento de transformação das novas tecnologias.

Não é surpresa, por exemplo, que o FdE (do qual vincula-se a MN) corteje ritmos como o tecnobrega e o "funk ostentação", fenômenos de imbecilização sócio-cultural cuja maior campanha publicitária está no uso de alta tecnologia. Não é a tecnologia vista como auxiliar das manifestações humanas, o homem é que "ajuda" a dar sentido "transformador" atribuído às novas tecnologias.

Isso entra em xeque quando vemos que a realidade contraria tudo isso. Afinal, as novas tecnologias de mídia não são necessariamente revolucionárias. Seus empresários não são pessoas necessariamente progressistas. E nos últimos anos, novidades como Orkut, Facebook e Twitter também mostram usuários bastante reacionários, contrariando que as "novas mídias" sejam paraíso da revolução social.

Não acredito que a Mídia Ninja seja o modelo de um novo jornalismo. O humorístico CQC também veio com essa conversa "arrojada" e "provocativa". E, deu no que deu: o antes admirável Marcelo Tas está no Instituto Millenium e o Rafinha Bastos se autopromoveu com grosserias que só ele e seus seguidores acham engraçadas.

Enquanto isso, várias pessoas ficam felizes pela oportunidade de deixarem de serem sujeitos para se tornarem coisas para as "novas mídias". É por isso que muitos usam a Internet apenas para ver bobagens, entre pegadinhas, vídeos de gafes e aberrações musicais.

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