sábado, 24 de agosto de 2013

"FUNK" É A FINA FLOR DA DITADURA MIDIÁTICA


O "funk" possui um poderoso lobby que promove um jogo duplo na mídia e quer se prolongar no mercado estimulando a glamourização da pobreza sob o verniz do "ativismo sócio-cultural", num discurso que tanto agrada os barões da mídia quanto seduz as forças progressistas com nível contestatório ainda frágil.

Os defensores do "funk" agora adotam um discurso de que "não são de direita nem de esquerda", forjando um "universalismo" ideológico que tenta ampliar espaços. Se já era ambicioso o discurso que, a pretexto de querer preservar seus próprios espaços, quer ampliá-los a ponto de empurrar "bailes funk" até em redutos de Bossa Nova, a coisa piorou de vez.

É evidente que o "funk" tenta essa desculpa de "independência ideológica" para levar vantagem nos dois planos ideológicos. É a lei do mercado, estúpido!! Além disso, os defensores do "funk" da parte das esquerdas médias ficaram negativamente visados, sobretudo aqueles que são ligados à máquina político-econômica do Partido dos Trabalhadores.

O novo discurso dos mercadores funqueiros dá continuidade aquela retórica "socializante" em que tenta seduzir todos com referências e argumentos que, na verdade, não existem. Você ouve um antropólogo e uma cineasta dizerem que o "funk" é um caleidoscópio de referências musicais, sonoras, tecnológicas, comunicacionais, comportamentais, ativistas etc e acha tudo isso maravilhoso.

No entanto, você coloca um CD de "funk" e nada disso acontece. Somente baixarias e um amontoado de ruídos. E há gente que procura um Andy Wahrol, um Oswald de Andrade, um Antônio Conselheiro ou até um Che Guevara num "baile funk". Em vão.

Os defensores do "funk" estão tão desesperados quanto os "urubólogos" do noticiário político para fazer prevalecer seus pontos de vista. O "funk" é a fina flor da ditadura midiática. É o canto de cisne dos barões da grande mídia, uma tentativa de jogá-lo para neutralizar os efeitos das campanhas pela regulação da mídia e pela reforma agrária.

Estas duas causas, tão caras aos movimentos esquerdistas, não são defendidas para valer pelos funqueiros. Em tese, eles se pronunciam a favor, quando as duas causas se resumem a enunciados genéricos. Mas é só ir para os "finalmentes" que a coisa muda de vez.

"FUNK" ADOTA MÉTODO "CRIANÇA ESPERANÇA" DE DISCURSO "ATIVISTA"

Afinal, os empresários e DJs de "funk" alimentaram seu sucesso na mesma grande mídia que virou ninho de "urubólogos". As Organizações Globo foram decisivas no crescimento do "funk carioca" e deram ao "funk" o método de discurso "ativista" digno do Criança Esperança.

E se, no plano midiático, os funqueiros fingem que apoiam a regulação midiática enquanto dependem da Globo, Folha, Band, SBT e até de Veja e Caras para fazerem sucesso, no plano da reforma agrária os empresários do "funk", desejando comprar fazendas tal qual fez Bell Marques do Chiclete Com Banana na Bahia, são tão "$olidários" à causa quanto os "coronéis" do PSD dos tempos de Jango.

Mas por que será que o discurso funqueiro atrai tanto pessoas de relativo ativismo progressista, a ponto de até mesmo acadêmicos e integrantes de movimentos sociais "filosofarem" demais sobre o "funk", fazendo Contracultura num copo d'água?

Sabe-se que o "funk" agrada perfeitamente os interesses dos barões da grande mídia - é inútil a intelectualidade dizer o contrário ou afirmar que é "mera coincidência" - porque o ritmo, além de apostar na domesticação das classes populares, garante grandes faturamentos a partir de poucos investimentos.

Para os barões da mídia, também, o "funk" garante um simulacro de ativismo, de rebeldia e polêmica que desvia da sociedade a concentração para discussões importantes e faz com que as classes populares tenham a falsa impressão de que estariam "incomodando" as elites que, tidas como "apavoradas" com o "funk", dormem tranquilas sob o espetáculo da miséria glamourizada.

O que não dá para entender é por que as forças progressistas mais débeis insistem em defender, até com um desespero choroso, o "funk". Arrumam desculpas que viraram lugar comum: a apologia ao "mau gosto popular", a alegação de "preconceito", o suposto direito de "expressão das periferias" (o que, numa sociedade midiatizada, é bastante duvidoso) e por aí vai.

"BOM MOCISMO" TÍPICO DE LUCIANO HUCK

O que dá para inferir é que boa parte da intelectualidade ou mesmo de ativistas e acadêmicos vem de elites de classe média. Relativamente mais jovens, sua perspectiva de "cultura popular" é proveniente de valores difundidos pela ditadura midiática.

Como classe média, essas pessoas que defendem o "funk" na verdade possuem um híbrido de preconceitos elitistas contra as classes populares - ver o povo pobre como "selvagem" - e um sentimento paternalista com leves pinceladas "sociais", trazidas pelo contato com universitários e com sindicalistas.

Embora essas pessoas afirmem que se trata de uma "sincera e verdadeira" inclinação social, o bom mocismo que ronda os defensores do "funk", descontada a boa-fé de muitos deles, não é muito diferente do "bom mocismo de lata velha" do apresentador Luciano Huck.

Luciano Huck é a figura que contribuiu decisivamente para o sucesso dos funqueiros, junto à Globo Filmes. Não fosse ele e a companhia cinematográfica dos Marinho, o "funk" teria ido ao limbo, e seria inútil qualquer MC posar de guevarista para aliciar os ativistas sociais.

O próprio discurso "ecumênico" começou de cima. Antes que os ativistas sociais pensem que foi o "efeito Lula" que fortaleceu o "funk", seu discurso "ativista" foi bolado e articulado pelas Organizações Globo e pela Folha de São Paulo.

Nas OG, todos os veículos e programas possíveis tentaram criar um "consenso" em torno do ritmo, enquanto incautos imaginavam que o ritmo estava "à margem da mídia". Mas dizer que o "funk" estava "à margem da mídia" era uma lorota descrita até mesmo em reportagens da Folha de São Paulo e da Rede Globo de Televisão. A própria mídia difundia sua própria mentira.

Evidentemente, se a intelectualidade dominante não divulga a origem das verbas privadas, acha que sua defesa ao "funk", ao brega, ao tecnobrega etc é financiada pelo Estado petista e por investimentos "privados" dos quais não dão qualquer detalhe, isso torna-se mais estranho ainda.

Afinal, desconstruindo essa retórica de que ritmos como o "funk" são "movimentos libertários", pondo em xeque seu suposto "ecumenismo" ideológico, pergunta-se à intelectualidade o por que essa defesa, sem admitir mais respostas vagas e improcedentes como a apologia ao "mau gosto", a suposta "cultura das periferias" ou a questão do "preconceito".

Claro, o Brasil não é o país de Umberto Eco, Noam Chomsky e outros intelectuais que questionam desde a overdose de informações até a indústria do espetáculo. Infelizmente, isso faz com que nossos intelectuais estejam complacentes com esses problemas, até definindo-os como "solução". E criam um discurso pseudo-ativista para o "funk" que mais parece um melodrama travestido de intelectual.

Enquanto isso, os barões da grande mídia respiram aliviados, vendo que uma "torcida" pela regulação da mídia não quer uma regulação da mídia verdadeira. Os monopólios midiáticos poderão ruir, mas sua última herança, o "funk", defendido por um poderoso lobby que envolve do mercado às Universidades, garante os interesses de controle social do patronato midiático sobre as classes pobres.

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