sexta-feira, 30 de agosto de 2013

ASSÉDIO NA CBN DE CURITIBA


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: É irônico que, numa rádio que (graças à ação de "cartolas" curitibanos) ocupou o lugar da histórica emissora roqueira Estação Primeira, uma das primeiras a apostar na locução feminina, mostre um caso desses de assédio sexual.

Assédio na CBN de Curitiba

Mariana Ceccon, ex-estagiária da rádio CBN Curitiba, acusa o jornalista Airton Cordeiro de assédio sexual. A OAB PR está dando apoio à estudante

por Nádia Lapa — Blog Feminismo Pra Quê?

“Eu estou morrendo de tesão em você e ainda vou te montar, você vai ver."

Nojento, absolutamente nojento, em qualquer circunstância.

Fica pior ainda quando não existe qualquer interesse da parte que seria "montada".

É inimaginável pensar que, além de não haver qualquer reciprocidade, quem verbalizou a frase acima é seu chefe, com o triplo da sua idade, e falou tamanho absurdo durante o expediente.

Mariana Ceccon, então estagiária da rádio CBN em Curitiba, ouviu a agressão vinda do jornalista Airton Cordeiro, com quem trabalhava. Ela decidiu não deixar o assunto passar em branco; Airton já fazia comentários machistas, desrespeitosos e preconceituosos há algumas semanas. A estudante levou o assunto a outros funcionários da CBN. Com a falta de atitude da direção da empresa, José Wille, diretor de jornalismo, Marcos Tosi, chefe de reportagem e Álvaro Borba, âncora, pediram demissão. Os colegas chegaram a fazer uma greve. Na última terça-feira (27), Mariana também se desligou da rádio.

O caso tomou proporções enormes nas redes sociais. Mariana escreveu uma dolorosa carta em que relata os pormenores do acontecido. Dolorosa e corajosa: "E, por fim, é hora de tornar público porque é uma tentativa de me sentir menos humilhada e envergonhada. Está na hora de encarar as coisas de frente e assumir de uma vez por todas que sim isto aconteceu comigo. Aconteceu com várias mulheres e passar adiante a lição de que assédio sexual não é sobre sexo. É sobre poder".

Afastado da CBN em 18 de julho, o jornalista Airton Cordeiro, casado há cinquenta anos, disse ao G1 que vai processar a ex-estagiária. "Tenho pena dessa moça. A cartinha dela foi uma baixaria sem tamanho. Ela foi extremamente infeliz ao escrever esse texto".

Mariana foi infeliz, na verdade, todas as vezes em que teve que ouvir os impropérios ditos por Cordeiro. Ela relata como se sentiu em uma das ocasiões:

"Ele falou isso e eu não fiz nada. Não respondi nada. Por muito tempo eu fiquei me sentindo um lixo por causa disso. Quando tomei coragem de contar, todo mundo me dizia: “Nossa se fosse comigo eu tinha enfiado a mão na cara... Nossa e você não falou nada?”. Não, eu não falei nada. Eu sempre imaginei que se algo desse tipo acontecesse comigo eu enfiaria a mão na cara do sujeito. Mas não enfiei. Fui só vomitar. Não posso descrever ao certo o sentimento. Você se sente tão humilhado, tão lixo humano, que não arranja força alguma para responder. Você tem vontade de se esconder e se sente suja. Não quer falar pra ninguém".

A reação (ou não-reação, para alguns) de Mariana é muito comum. As mulheres são educadas para acharem que têm culpa quando são assediadas. Repensam a roupa que estão usando, se deram "brecha" para o comentário tosco. O assédio no trabalho é assustador, mas comentários abusivos são ouvidos nas ruas, com a desculpa de que são elogios, simples paquera (como se você fosse sair correndo atrás de um carro porque o motorista falou "vou chupar você todinha". Muito elogioso...).

No ambiente profissional, a situação se complica porque há muito em jogo. Incontáveis mulheres não denunciam os casos, nunca, porque precisam daquele salário e porque desconfiarão dela. É bastante comum que o assédio venha de homens bem mais velhos, com muito tempo de casa, ficando ainda mais difícil apontar a agressão. Pior: muita gente sabe que o abuso acontece, mas diminui a importância dele, como se fosse apenas uma brincadeira. Não é. É sério. Seríssimo. Destrói autoestima e atrapalha a carreira de muitas mulheres.

Justamente pela seriedade do assunto, Mariana recolheu forças e procurou a polícia. Registrou boletim de ocorrência e agora está sendo acompanhada pela Comissão de Estudos à Violência de Gênero da OAB Paraná, bem como pela Secretaria Municipal da Mulher de Curitiba.

Mariana diz estar recebendo muito apoio, fundamental para que ela siga em frente. Nem todas as mulheres assediadas contam com isso - e é preciso mudar este panorama. Se você conhece algum caso de assédio no trabalho, contra homens ou mulheres, denuncie. Não deixe o agressor continuar impune. Faça como Mariana.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

BARRETOS E AS DUAS FACES DA MOEDA DO BREGA


O brega há muito se fragmentou em tendências "populares" diversas, que não consistem na verdadeira diversidade cultural brasileira, mas são, antes de mais nada, diferentes "sabores" de um mesmo produto: a "cultura" brega.

Há, nos últimos anos, uma tentativa de polarização, no âmbito da música brega, entre tendências "tradicionais" e "comportadas" e tendências "arrojadas" e "polêmicas". Entre uma e outra, o "abraço" dos barões da grande mídia é explícito, mas no segundo caso a intelectualidade sempre arruma um jeito para justificar, mesmo de forma mentirosa, que os ritmos estão "à margem da grande mídia".

Antes era todo o brega que era promovido de forma igual por intelectuais e porta-vozes da grande mídia. De Waldick Soriano a Chitãozinho & Xororó, de Chiclete Com Banana a Mr. Catra, eram todos "pobres, excluídos e discriminados", por mais que estivessem ricos, incluídos e badalados pelo "abraço" da grande mídia.

Hoje, com alguns ídolos brega-popularescos revelando posturas nada progressistas  - de Chitãozinho& Xororó a Belo, de Zezé di Camargo & Luciano à Banda Calypso, sem falar dos irrecuperáveis É O Tchan e Latino - , o discurso de defesa da mediocridade cultural hegemônica no Brasil teve que se dividir em duas frentes: a "tradicional" e a "arrojada".

Nesta segunda forma de defesa retórica, o carro-chefe é o "funk", e agora que o cenário do Rio de Janeiro está negativamente visado - seja pelo inegável patrocínio das corporações midiáticas, seja pela repercussão negativa das baixarias e ocorrências criminais - , o foco mudou completamente para o "funk ostentação".

Mas existe o outro lado, o "mais tradicional", aquele que encontra no Domingão do Faustão sua maior arena eletrônica. E cuja ênfase está nos medalhões do neo-brega - tendência dos anos 90 que juntava o brega dos anos 70-80 com clichês da MPB pasteurizada dos anos 80 - , sobretudo ligados à axé-music, ao "pagode romântico" e principalmente ao "sertanejo".

E é aí que entrou a festa anual de Barretos, evento que junta rodeios com apresentações musicais quase sempre de ídolos bregas. Aparentemente, é o contraponto mais "família" para o "agressivo" e supostamente controverso "funk carioca", que representa o pólo "rebelde" do aparente maniqueísmo da música brega.

E aí Barretos se torna o "paraíso astral" tanto de supostos sertanejos "de raiz" quanto o chamado "sertanejo universitário", detentores de um mercado escancaradamente patrocinado por latifundiários, empresários de agronegócio e por políticos ruralistas de tal modo que nomes como Victor & Léo evitam serem fotografados ao lado da senadora ruralista Kátia Abreu.

Mas evitar isso não adianta muito, já que, em eventos como Barretos, cantores "sertanejos" e políticos ruralistas se encontram de uma forma ou de outra. E a conhecida festa do peão boiadeiro, o maior evento realizado no interior paulista, tem o claro apoio de políticos do porte de Geraldo Alckmin, conhecido pelo seu ultraconservadorismo.

Daí que não funcionou para as esquerdas médias - que querem a verdade histórica da ditadura militar, exceto para o direitista Waldick Soriano - fazer blindagem com breganejos. O caso Zezé di Camargo & Luciano e seu filme Os Dois Filhos de Francisco gerou uma chorosa blindagem intelectual, mais lacrimosa do que o dramalhão a que se transformou a biografia dramatizada dos dois cantores goianos.

Daí o constrangimento que as esquerdas médias tiveram quando, depois de obrigarem as esquerdas em geral a aceitarem a "superioridade artística" da dupla, equivocadamente associada ao esquerdismo pela superestimação de seu voto à eleição de Lula, ao verem Zezé, o principal cantor, se mobilizar contra o presidente, não bastasse o fato dele e seu irmão terem votado no "demo" Ronaldo Caiado.

Mas o remorso só se deu quando houve o aspecto patético das esquerdas médias - teleguiadas por intelectuais vindos da centro-direita - em fazer blindagem com o fenômeno "mundial" do também breganejo Michel Teló, ligado a formas "modernas" de breganejo, já ligado a uma subdivisão do "sertanejo universitário", o "sertanejo pegação".

Depois do "mico" de ter promovido como "libertário" um ídolo muito criticado por refrões vazios como "Ai, ai / Assim Você Me Mata" e que estava se expondo demais na grande mídia para ser tido como "discriminado" pela mesma, as esquerdas médias preferiram defender sua visão de "diversidade cultural" deixando de lado o mainstream da música brega.

Daí que a festa de Barretos repercutiu apenas nos cenários da grande mídia. A "militância" que tenta nortear as esquerdas a apoiar o populismo de mercado do brega preferiu dar sua choradeira à batalha perdida de não poder mais defender com convicção o altamente rejeitado "funk" do Rio de Janeiro, apostando todas as suas lágrimas à "novidade" da cena paulista do "funk ostentação".

terça-feira, 27 de agosto de 2013

NOVO DISCURSO DE DEFESA DO "FUNK" SUGERE RACISMO


Depois de ser obrigada a mudar o foco da retórica em defesa do "funk", da cena do Rio de Janeiro para o "funk ostentação" de São Paulo, a intelectualidade associada a essa campanha estaria causando um problema: a sutil manifestação de racismo contra o povo negro e pobre.

Através de manifestações recentes de ativistas, políticos, jornalistas e acadêmicos, a defesa do "funk" apela agora para argumentações mais agressivas. Algumas argumentações anteriores são bem conhecidas, como a falsa analogia à sociedade moderna de hoje e a sociedade moralista de cem anos atrás para atribuir suposto moralismo à rejeição do "funk", numa comparação tendenciosa a ritmos autenticamente populares como o samba e o maxixe.

Só que agora a intelectualidade pegou pesado e procura pregar a tese de que a rejeição que atinge o "funk" seria fruto de uma campanha racista e "eugenista" de quem reprova o ritmo. A alegação da intelectualidade é que a maioria dos "artistas de funk" é negra e pobre.

Mas o tiro pode sair pela culatra e o que poderia parecer, à primeira vista, a exaltação da negritude pode ser uma sutil manifestação de racismo vinda dos próprios intelectuais que defendem o "funk". A julgar pelo que o "funk" está naturalmente associado, vinculá-lo à negritude seria uma forma de promover uma imagem pejorativa do povo negro e pobre.

Não bastasse a sonoridade de qualidade duvidosa e o caráter de manipulação do poder midiático e mercadológico por trás, o "funk" é naturalmente associado à exaltação da violência, à visão machista da imagem da mulher como objeto sexual e até mesmo a valores retrógrados que envolvem, entre outras coisas, o estímulo à pedofilia.

O "funk" também é associado a uma forma de dominação social das classes dominantes, através da produção de um ritmo dançante cuja ideologia está vinculada à apologia à miséria e à ignorância, à imagem glamourizada da pobreza e uma visão domesticada, caricata e estereotipada das populações pobres, em sua maioria esmagadora negras.

A intelectualidade dominante e dita "progressista" tenta relativizar o discurso, atribuindo tais valores um sentido "positivo", numa clara demonstração de uma visão sutilmente etnocêntrica do "outro". "Pode ser que isso seja moralidade para nós, mas para o povo das periferias, isso é expressão de felicidade (sic) que vivem no seu dia a dia", é o discurso mais usual a respeito.

Mas o vínculo do "funk" à negritude, considerando tais aspectos, seria na verdade uma deturpação racista da ideia de negritude, atribuindo ao povo negro e à cultura negra em geral aspectos negativos do comportamento humano, o que significa, em outras palavras, que a intelectualidade defende a prevalência da imagem pejorativa do povo negro, associando-o ao grotesco e à imoralidade.

Segundo a Constituição Federal, racismo é considerado crime e punido com prisão em regime fechado, sem direito a fiança nem prazo de prescrição.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

GEORGE SOROS PATROCINA ATÉ TECNOBREGA E "FUNK OSTENTAÇÃO"


Pesquisando sobre as verdadeiras "redes" que estão por trás do "inocente" apoio das esquerdas médias à bregalização cultural do país - há poucos dias Juca Ferreira havia feito sua "choradeira" num centro cultural em Vila Cachoeirinha, em São Paulo, na palestra inaugural de um "fórum" sobre o "funk" - , nota-se a influência, mesmo indireta, do especulador financeiro e empresário George Soros.

George Soros, sabemos, quer ser o "dono do mundo" e manipula a geopolítica internacional a seu bel prazer. E sua influência no Brasil, embora subestimada e carente de qualquer investigação oficial, torna-se muito forte, mesmo em setores estratégicos das esquerdas nacionais.

Oficialmente, a associação de George Soros ao Brasil se limita ao apadrinhamento de Fernando Henrique Cardoso e Armínio Fraga (economista ligado ao Instituto Millenium) e ao apoio à campanha eleitoral de José Serra em 2010. Ele é também associado à sua forte presença no Fórum Econômico Mundial e nas suas "apostas" para derrubar ou levantar empresas em várias partes do mundo.

Soros é dono de empresas como Soros Fund Management e Soros Open Society. Mas também é interventor financeiro de várias ações ativistas do mundo inteiro. Foi preciso um grupo ativista da Índia denunciar o patrocínio de George Soros ao Fórum Social Mundial (entidade paralela e alinhada à esquerda ao Fórum Econômico Mundial) para se alertar sobre esse "apoio" perigoso.

Recentemente, denunciou-se a participação de George Soros como sócio do portal ativista Avaaz.Org, um dos portais que se destinam ao aparente ativismo social, econômico e político de âmbito internacional. É de praxe George Soros subornar as esquerdas e centro-esquerdas do mundo inteiro para tentar domesticar as ações ativistas, do Oriente Médio à América Latina.

DESPEJANDO DINHEIRO NAS ESQUERDAS

Mas o que chama a atenção é que Soros estaria despejando dinheiro direto nas esquerdas brasileiras. E impressiona a citação do especulador financeiro em destaque num texto sobre a palestra do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva no evento de premiação "Em Busca da Paz", em Nova York, no portal do PT. Soros é definido "positivamente" como "megainvestidor e filantropo".

Manipulando o PT e o PSDB como se quisesse criar uma polarização ideológica no Brasil, aos moldes do que ocorre nos EUA entre o Partido Democrata e o Partido Republicano, George Soros é associado a diversos investimentos em instituições esquerdistas diversas, de ONG's a empresas estatais. Ele chegou a ser sócio da Petrobras nas ações do Soros Fund Management (leia aqui).

George Soros está por trás de muitas iniciativas das esquerdas médias, como as "marchas da maconha" e a divulgação do "negócio aberto". Estaria patrocinando o Coletivo Fora do Eixo e no surgimento da Mídia Ninja que vieram para desestabilizar a independência dos protestos populares por todo o país.

Se ele patrocinou as campanhas eleitorais do Partido Democrata, nos EUA, e teria também dado seu "aval" à blogueira Yoani Sanchez, no Brasil sua ação se estende desde as gorjetas ao PT e o patrocínio a pessoas como o advogado Ronaldo Lemos e o "ativista" Pablo Capilé, num tempo em que o Coletivo Fora do Eixo tenta monopolizar sua marca e imagem nos movimentos sociais.

Ronaldo Lemos, apesar de queridinho das esquerdas médias, possui trânsito na mídia tradicional, tendo sido cria da Folha de São Paulo hoje com acesso no Estadão e nas Organizações Globo. É o maior propagandista do "negócio aberto" de Soros, esquema que ainda merece uma análise mais apurada em outra ocasião.

Lemos escreveu um livro sobre o tecnobrega, intitulado Tecnobrega: O Pará Reinventando o Negócio da Música, escrito em parceria com Oona Castro. O tal "negócio" do título seria o "negócio aberto", que estaria por trás do mito do "copyleft", que combina livre mercado, comércio clandestino e flexibilização da propriedade autoral.

O tecnobrega - e, por causa, o "funk carioca" e, por consequência, o "funk ostentação", que se apoiam nos mesmos padrões ideológicos - seria uma forma de execução do "negócio aberto" de George Soros, e Oona fez uma palestra sobre o "negócio aberto", que é uma das bandeiras do Instituto Overmundo, uma das instituições que mais estabelecem vínculo com o Coletivo Fora do Eixo.

O Instituto Overmundo teve a participação do antropólogo Hermano Vianna na equipe fundadora, ele que é um dos maiores divulgadores do "funk" na intelectualidade brasileira. Mas, à primeira vista, Hermano é patrocinado diretamente não por Soros, mas pela Fundação Ford, que atua na mesma "frente" de Soros, só que de uma maneira aparentemente mais "moderada" e "menos ambiciosa".

Enquanto isso, uma casa ligada ao Coletivo Fora do Eixo em Jequié, o Coletivo Borda da Mata, havia realizado um evento de solidariedade à blogueira neocon Yoani Sanchez e o cineasta Dado Galvão, ligado ao Instituto Millenium, que fez um documentário sobre a blogueira cubana e a recebeu em sua turnê pelo Brasil.

Completando a rede "soros-positiva", há o patrocínio de Soros ao projeto Jornalismo nas Américas, o último grito do imperialismo "panamericano" em tempos democráticos pós-Kennedy, promovido pelo Centro Knight da Universidade do Texas, que, curiosamente, escaneou um livro de Pedro Alexandre Sanches, hoje blogueiro do Farofa-fá, para sua conta (acessível sob conta paga) no Google Livros.

Pedro Sanches, sabemos, é cria do Projeto Folha - projeto "higienista" de Otávio Frias Filho que expulsou antigos esquerdistas da Folha de São Paulo - , discípulo de Fernando Henrique Cardoso e Francis Fukuyama e membro militante do Coletivo Fora do Eixo, além de ser um dos "papas" da campanha pela bregalização do Brasil e pela implantação do "fim da História" na MPB.

Enquanto isso, a chorosa campanha pelo "funk" muda o foco geopolítico do Rio de Janeiro - onde o ritmo anda sendo desmascarado pela opinião pública independente - para São Paulo, onde o confuso "funk ostentação" (que mistura "proibidões" e "popozudas" numa retórica "ativista") segue sob as "generosas gorjetas" de George Soros dissolvidas junto a verbas públicas.

É assim que as causas ativistas se diluem e se distorcem no Brasil, enquanto a mediocrização cultural, defendida pela intelectualidade dita "progressista", serve para as populações pobres permanecerem, domesticadas e impotentes, escravas do consumismo do entretenimento brega-popularesco que, sob o pretenso rótulo de "cultura das periferias", enriquece empresários do Brasil e até do exterior.

sábado, 24 de agosto de 2013

"FUNK" É A FINA FLOR DA DITADURA MIDIÁTICA


O "funk" possui um poderoso lobby que promove um jogo duplo na mídia e quer se prolongar no mercado estimulando a glamourização da pobreza sob o verniz do "ativismo sócio-cultural", num discurso que tanto agrada os barões da mídia quanto seduz as forças progressistas com nível contestatório ainda frágil.

Os defensores do "funk" agora adotam um discurso de que "não são de direita nem de esquerda", forjando um "universalismo" ideológico que tenta ampliar espaços. Se já era ambicioso o discurso que, a pretexto de querer preservar seus próprios espaços, quer ampliá-los a ponto de empurrar "bailes funk" até em redutos de Bossa Nova, a coisa piorou de vez.

É evidente que o "funk" tenta essa desculpa de "independência ideológica" para levar vantagem nos dois planos ideológicos. É a lei do mercado, estúpido!! Além disso, os defensores do "funk" da parte das esquerdas médias ficaram negativamente visados, sobretudo aqueles que são ligados à máquina político-econômica do Partido dos Trabalhadores.

O novo discurso dos mercadores funqueiros dá continuidade aquela retórica "socializante" em que tenta seduzir todos com referências e argumentos que, na verdade, não existem. Você ouve um antropólogo e uma cineasta dizerem que o "funk" é um caleidoscópio de referências musicais, sonoras, tecnológicas, comunicacionais, comportamentais, ativistas etc e acha tudo isso maravilhoso.

No entanto, você coloca um CD de "funk" e nada disso acontece. Somente baixarias e um amontoado de ruídos. E há gente que procura um Andy Wahrol, um Oswald de Andrade, um Antônio Conselheiro ou até um Che Guevara num "baile funk". Em vão.

Os defensores do "funk" estão tão desesperados quanto os "urubólogos" do noticiário político para fazer prevalecer seus pontos de vista. O "funk" é a fina flor da ditadura midiática. É o canto de cisne dos barões da grande mídia, uma tentativa de jogá-lo para neutralizar os efeitos das campanhas pela regulação da mídia e pela reforma agrária.

Estas duas causas, tão caras aos movimentos esquerdistas, não são defendidas para valer pelos funqueiros. Em tese, eles se pronunciam a favor, quando as duas causas se resumem a enunciados genéricos. Mas é só ir para os "finalmentes" que a coisa muda de vez.

"FUNK" ADOTA MÉTODO "CRIANÇA ESPERANÇA" DE DISCURSO "ATIVISTA"

Afinal, os empresários e DJs de "funk" alimentaram seu sucesso na mesma grande mídia que virou ninho de "urubólogos". As Organizações Globo foram decisivas no crescimento do "funk carioca" e deram ao "funk" o método de discurso "ativista" digno do Criança Esperança.

E se, no plano midiático, os funqueiros fingem que apoiam a regulação midiática enquanto dependem da Globo, Folha, Band, SBT e até de Veja e Caras para fazerem sucesso, no plano da reforma agrária os empresários do "funk", desejando comprar fazendas tal qual fez Bell Marques do Chiclete Com Banana na Bahia, são tão "$olidários" à causa quanto os "coronéis" do PSD dos tempos de Jango.

Mas por que será que o discurso funqueiro atrai tanto pessoas de relativo ativismo progressista, a ponto de até mesmo acadêmicos e integrantes de movimentos sociais "filosofarem" demais sobre o "funk", fazendo Contracultura num copo d'água?

Sabe-se que o "funk" agrada perfeitamente os interesses dos barões da grande mídia - é inútil a intelectualidade dizer o contrário ou afirmar que é "mera coincidência" - porque o ritmo, além de apostar na domesticação das classes populares, garante grandes faturamentos a partir de poucos investimentos.

Para os barões da mídia, também, o "funk" garante um simulacro de ativismo, de rebeldia e polêmica que desvia da sociedade a concentração para discussões importantes e faz com que as classes populares tenham a falsa impressão de que estariam "incomodando" as elites que, tidas como "apavoradas" com o "funk", dormem tranquilas sob o espetáculo da miséria glamourizada.

O que não dá para entender é por que as forças progressistas mais débeis insistem em defender, até com um desespero choroso, o "funk". Arrumam desculpas que viraram lugar comum: a apologia ao "mau gosto popular", a alegação de "preconceito", o suposto direito de "expressão das periferias" (o que, numa sociedade midiatizada, é bastante duvidoso) e por aí vai.

"BOM MOCISMO" TÍPICO DE LUCIANO HUCK

O que dá para inferir é que boa parte da intelectualidade ou mesmo de ativistas e acadêmicos vem de elites de classe média. Relativamente mais jovens, sua perspectiva de "cultura popular" é proveniente de valores difundidos pela ditadura midiática.

Como classe média, essas pessoas que defendem o "funk" na verdade possuem um híbrido de preconceitos elitistas contra as classes populares - ver o povo pobre como "selvagem" - e um sentimento paternalista com leves pinceladas "sociais", trazidas pelo contato com universitários e com sindicalistas.

Embora essas pessoas afirmem que se trata de uma "sincera e verdadeira" inclinação social, o bom mocismo que ronda os defensores do "funk", descontada a boa-fé de muitos deles, não é muito diferente do "bom mocismo de lata velha" do apresentador Luciano Huck.

Luciano Huck é a figura que contribuiu decisivamente para o sucesso dos funqueiros, junto à Globo Filmes. Não fosse ele e a companhia cinematográfica dos Marinho, o "funk" teria ido ao limbo, e seria inútil qualquer MC posar de guevarista para aliciar os ativistas sociais.

O próprio discurso "ecumênico" começou de cima. Antes que os ativistas sociais pensem que foi o "efeito Lula" que fortaleceu o "funk", seu discurso "ativista" foi bolado e articulado pelas Organizações Globo e pela Folha de São Paulo.

Nas OG, todos os veículos e programas possíveis tentaram criar um "consenso" em torno do ritmo, enquanto incautos imaginavam que o ritmo estava "à margem da mídia". Mas dizer que o "funk" estava "à margem da mídia" era uma lorota descrita até mesmo em reportagens da Folha de São Paulo e da Rede Globo de Televisão. A própria mídia difundia sua própria mentira.

Evidentemente, se a intelectualidade dominante não divulga a origem das verbas privadas, acha que sua defesa ao "funk", ao brega, ao tecnobrega etc é financiada pelo Estado petista e por investimentos "privados" dos quais não dão qualquer detalhe, isso torna-se mais estranho ainda.

Afinal, desconstruindo essa retórica de que ritmos como o "funk" são "movimentos libertários", pondo em xeque seu suposto "ecumenismo" ideológico, pergunta-se à intelectualidade o por que essa defesa, sem admitir mais respostas vagas e improcedentes como a apologia ao "mau gosto", a suposta "cultura das periferias" ou a questão do "preconceito".

Claro, o Brasil não é o país de Umberto Eco, Noam Chomsky e outros intelectuais que questionam desde a overdose de informações até a indústria do espetáculo. Infelizmente, isso faz com que nossos intelectuais estejam complacentes com esses problemas, até definindo-os como "solução". E criam um discurso pseudo-ativista para o "funk" que mais parece um melodrama travestido de intelectual.

Enquanto isso, os barões da grande mídia respiram aliviados, vendo que uma "torcida" pela regulação da mídia não quer uma regulação da mídia verdadeira. Os monopólios midiáticos poderão ruir, mas sua última herança, o "funk", defendido por um poderoso lobby que envolve do mercado às Universidades, garante os interesses de controle social do patronato midiático sobre as classes pobres.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

ROSANNA ARQUETTE SE CASOU. BUÁÁÁÁ!!


A semana está ingrata. Depois da âncora da CNN, Isha Sesay, é a vez da atriz Rosanna Arquette entrar no clube das casadas, com um agravante: se casou com um banco de investimentos, Todd Morgan, que, como todo profissional do ramo, é voltado a um estilo de vida mais sisudo.

Afinal, é desses estilos de vida sisudos em que o espírito de lazer simplesmente não existe. Quanto muito, torneios de tênis ou golfe, uma personalidade racional até demais - em que a emoção é anulada pelo espírito "objetivo" dos negócios - e até mesmo os pés tornam-se escravos de desconfortáveis sapatos de verniz com seus saltos incômodos que "fazem a diferença" com as doenças ortopédicas da velhice.

Rosanna, portanto, entra no mesmo "universo" social da Salma Hayek, casada com um sisudíssimo empresário francês de vestuário um tanto antiquado (na melhor das hipóteses). A essas duas atrizes, joviais e belíssimas mesmo depois dos 45 anos, reservam-se rotinas maçantes mas de grandes benefícios materiais de festas de gala, eventos "filantrópicos" chiques e passeios formais em que só mesmo as forças das circunstâncias obrigarão seus maridos a calçarem um par de tênis.

Ah, e isso vem com um "brinde": no Brasil, a estonteante atriz Lisandra Souto, depois de um tempo dizendo que não é sequer paquerada e não fazia questão de engatar um novo namoro tão cedo (pelo menos com alguém de elite), já assumiu namoro com um empresário. Oh, dia, oh, céus...

E nós, caras legais, ainda temos que ver mulheres imbecilizadas pela péssima formação cultural da grande mídia brazuca fazendo poses caricatural e grosseiramente "sensuais" em sítios de namoros no Facebook, e aguentar ver garotas de ringues do UFC se dizendo receptivas até para rapazes simples, desses que ainda moram com os pais...

Voltando a Rosanna: ela foi casada antes com o cineasta Tony Greco, com o compositor James Newton Howard e com o empresário de restaurante John Side, este último gerando uma filha, que hoje tem 18 anos.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

ISHA SESAY, ÂNCORA DA CNN, SE CASOU


Uma das jornalistas mais belas do mundo está casada. A âncora da CNN, a inglesa de origem serra-leonense Isha Sesay (também famosa por sua voz deliciosamente sedutora), se casou ontem com o jornalista da mesma rede, Leif Coorlim, na noite de ontem.

Há poucos dias, outra negra de beleza deslumbrante e sedutora, a atriz Kerry Washington - de Django Livre e do seriado Scandal - , também havia se casado, com um esportista, o que mostra o quanto mulheres charmosas e de beleza encantadora quase sempre estão comprometidas.

Enquanto isso, a gente toca a vida, um tanto tristes em ver mulheres classudas assim comprometidas, embora nada tenhamos pessoalmente contra seus maridos (que até possuem afinidades pessoais com elas). O problema é que não é qualquer Isha Sesay ou Kerry Washington que aparece pelo caminho. A maioria segue a linha "rainha de Barretos 2013", "dançarina de pagodão" ou funqueira.

Cá para nós, não são estas moças apreciadoras de brega que homens diferenciados, mesmo os pouco convencionais nerds autênticos, querem. Sendo negras, morenas, louras, ruivas, orientais etc, queremos mulheres classudas, inteligentes, charmosas. Não temos preconceito de raça ou cor, só vemos na afinidade de personalidades o caminho seguro para um convívio mais harmonioso possível.

Quanto àquelas que adoram brega-popularesco, de qualquer raça ou credo, pedimos que elas limitem-se a desejar homens de seus meios, que possam se afinar melhor com suas personalidades. Ter critério faz parte da ruptura de preconceitos, porque significa decisão e consciência de desejo.

Não serão os fãs dos Smiths, leitores de Noam Chomsky, espectadores de Luís Buñuel os melhores parceiros para garotas que adoram "sertanejo", "pagode romântico", "funk" e "forró eletrônico". Até porque essas garotas já têm seus pretendentes nos seus meios, elas é que precisam perder o preconceito de namorar peões boiadeiros, funqueiros, jogadores de futebol etc.

Perder o preconceito, muito mais do que aceitar as diferenças, é aceitar as afinidades. E, no Brasil, as pessoas têm muito mais medo de encarar afinidades de personalidade do que aceitar diferenças.

sábado, 17 de agosto de 2013

PT RESOLVE MANTER APOIO A SÉRGIO CABRAL FILHO


Para quem acreditava ser possível o Partido dos Trabalhadores estar sempre ao lado dos movimentos sociais que acontecem no país, a notícia soa como uma bomba. A executiva nacional do PT, a partir de decisão do presidente do partido, Rui Falcão, decidiu manter seu apoio ao governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho.

Mesmo com 12% de aprovação nos dados dos institutos de pesquisas - há quem diga que o índice de apoio ao governador é bem menor -  , Sérgio Cabral Filho mantém-se politicamente fortalecido com a permanência do PT na base aliada, apoio que reflete também no do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.

A executiva nacional do PT não acatou a proposta do senador Lindbergh Farias, que queria que o PT saísse da base de apoio no Estado e na capital fluminense. A decisão de Rui Falcão de manter o apoio a Cabral Filho foi decidida depois de várias reuniões a respeito.

Sérgio Cabral Filho é uma das principais figuras rejeitadas pelos manifestantes que desde junho realizam protestos por todo o país. Um grupo chegou a ficar acampado em frente à residência do governador, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

Com a decisão, o Partido dos Trabalhadores estabeleceu também que a decisão de romper ou manter o apoio ao PMDB fluminense partirá da executiva nacional, e não da regional. A aliança teria sido mantida como estratégia para a campanha de 2014.

O fato de Luís Inácio Lula da Silva ter boas relações com Sérgio Cabral Filho também teria sido um dos motivos para a manutenção da aliança.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

"FUNK" É INSEPARÁVEL DA GRANDE MÍDIA

REDE GLOBO E "FUNK" - Tudo a ver.

Não faz sentido separar o "funk" da grande mídia. O chamado "pancadão" é um subproduto do poder midiático, queira ou não queira a intelectualidade dominante e sua "etnografia social de resultados". Se percebermos o caminho histórico do "pancadão", desde que surgiu em 1990, ele nada seria se não fossem os mecanismos do poder midiático e a crise de valores em que o país vive.

Da crise da Educação popular trazida pela ditadura militar e pelo fisiologismo político à farra de concessões de rádio e TV pelos dois oligarcas nordestinos, Antônio Carlos Magalhães e José Sarney, nos anos 80, ofereceram as condições para o desenvolvimento da deturpação que o outro funk, o autêntico, acabou permitindo através dos diversos jogos de interesses.

Com o tempo, os DJs que fizeram a verdadeira festa do funk autêntico - Big Boy, Cidinho Cambalhota, Messiê Limá, Ademir Lemos - faleceram e deixaram uma lacuna que os então aprendizes Rômulo Costa e DJ Marlboro não quiseram preencher. Eles, a exemplo de Fernando Henrique Cardoso em relação à antiga formação marxista-weberiana, jogaram fora as lições originais e "melaram o negócio".

O "funk carioca", como passou a se conhecer o empastelamento do antigo funk eletrônico, já deturpado a partir da mafiosa cena de Miami, foi completamente esvaziado de qualquer inclinação contestatória. Hoje falam que o tal "funk de raiz" é "música de protesto", mas observando bem essa fase não tem metade do poder contestatório que a intelectualidade atribui com persistência.

Há vários aspectos que fazem com que o "funk" seja inseparável e indissociável do contexto do poder midiático e mercadológico que vive. Até o reino mineral sabe que o "funk" é um depositário de valores conservadores ou retrógrados consequentes tanto da miséria quanto do descaso político e da manipulação político-midiática.

E quem pensa que o "funk" é uma reação a esse contexto, está mentindo ou acreditando em mentiras. Isso porque o "funk" não é a solução da crise social das periferias, mas o próprio problema em si, porque se transformou numa camisa-de-força das periferias, impedindo o povo pobre de conhecer culturas melhores e mais significativas.

Alguns motivos confirmam essa constatação de que o "funk" é inseparável do poder midiático, é expressão desse poder e não contribui em coisa alguma para a emancipação social das periferias.

1) DISCURSO LIBERTÁRIO FALSO - O discurso de que o "funk" é "expressão libertária" da juventude dasfavelas é conversa para boi dormir. Discurso para alimentar o mercado funqueiro às custas de falsas alegações sociais. Além disso, é um artifício que só serve para promover a falsa reputação "combativa" de DJs e MCs e enriquecê-los às custas da submissão do povo pobre a seu domínio.

2) POVO MANOBRADO - O povo pobre é manobrado pelo discurso funqueiro. A retórica, veiculada em tom choroso, desesperado mas imposto de forma totalitária e quase raivosa, impõe o "funk" como "livre expressão cultural das periferias", mas sufocando as demais manifestações culturais e impedindo ou dificultando outros meios de emancipação da juventude.

Por exemplo, se uma jovem da favela quiser cursar uma boa escola e quiser ser professora, terá "baixa reputação" em relação ao "ofício" de funqueira. Se ela for uma MC, será mais "prestigiada" no seu meio. O "funk" manipula as populações das favelas para tomar como "sua" uma "cultura" que só interessa às ambições financeiras dos empresários-DJs envolvidos.

3) CRISE SOCIAL - O "funk" nunca foi uma reação contra as condições miseráveis da população e o descaso político. Pelo contrário, ele se concebeu em conformidade com tais condições de dominação e se tornou ele próprio um sistema de dominação do povo pobre. Artisticamente, sofre de sérias limitações e tornou-se uma "expressão" que glamouriza a miséria e a ignorância em detrimento de oferecer novas respostas para superação da pobreza nas periferias.

Quando muito, o único apelo "real" dos funqueiros está ligado a uma sutil aversão ao policiamento, por causa da imagem generalizada da violência policial.

4) MANIPULAÇÃO MIDIÁTICA - Se no sentido da pedagogia social o "funk" é um produto da ignorância causada pelo descaso público à Educação, no sentido da formação midiática a coisa é pior ainda, porque o "pancadão" se baseia em valores duvidosos transmitidos pela televisão e rádio durante a ditadura, associados ao grotesco, ao pitoresco, ao aberrante.

Junte-se a manipulação midiática (que trabalhava uma imagem deturpada da população pobre) com a crise educacional e a transmissão de valores associados ao machismo, à violência, ao sexo obsessivo e mesmo apologias à pedofilia, à prostituição e à criminalidade. Cria-se um estereótipo de classes populares que nada tem a ver com a lógica dos movimentos progressistas.

5) PARCERIAS COM A GLOBO - A histórica parceria do "funk carioca" com a Rede Globo vem desde 1990, quando a rádio 98 FM (hoje conhecida como Beat 98) havia aberto espaço para o gênero, tomando dianteira em relação a outras emissoras que antes trabalharam o gênero na antiga fase pré-pancadão.

No entanto, a parceria tornou-se mais intensa quando os filhos de Roberto Marinho (então no final de sua vida), que administravam as Organizações Globo em 2003, fez um amplo acordo de divulgação do "funk carioca", com um discurso "etnográfico" que também foi trabalhado em parceria com a Folha de São Paulo.

DJ Marlboro foi logo contratado pela Som Livre, Luciano Huck tornou-se o porta-voz maior do ritmo e até mesmo o antropólogo Hermano Vianna, academicamente ligado a Fernando Henrique Cardoso, passou a servir abertamente ao lado dos Marinho para transformar o "funk" num "sucesso permanente" às custas de uma retórica "intelectual".

A partir dessa parceria, o "funk" passou a ter um discurso "social" que muitos pensam ser "progressista", mas a verdade é que ele foi trabalhado nos bastidores dos altos círculos da grande mídia.

Portanto, essa é a realidade acerca do "funk", seja o "funk carioca" propriamente dito, seja o "funk ostentação" ou outro que vier. Não faz sentido desvinculá-lo do poder midiático que o criou. O "funk" foi condicionado pelos elementos ideológicos do poder midiático, e se desenvolveu pelas limitações sociais e pelos mecanismos de manipulação e poder sobre as classes pobres.

O "funk" nunca foi libertário. E nem será. E essa constatação nada tem de preconceituosa nem de moralista. É fato comprovado que o "funk" é produto da grande mídia e do mercado, e na prática o ritmo apenas colabora para a manutenção das estruturas de poder e controle que afetam o povo das periferias.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

FORA DO EIXO ESTARIA DESVIANDO O FOCO DAS MANIFESTAÇÕES POPULARES


O "fenômeno" do Coletivo Fora do Eixo estaria desviando o foco das manifestações populares que, surgidas desde junho, acontecem ainda por várias partes do país. A partir de uma entrevista do grupo derivado Mídia Ninja (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação), o FdE, do qual o grupo é vinculado, estaria promovendo sua publicidade às custas dos acontecimentos recentes do país.

O desvio de foco se dá pelo perfil ideológico aparente do grupo, liderado por Pablo Capilé (foto) e cuja influência se exerce desde atividades como o blogue Farofa-fá e os festivais Abril Pro Rock, RecBeat e Rio Parada Funk até a divulgação do "negócio aberto", projeto de ideias sobre Administração, Economia e Tecnologia da Soros Open Society.

Embora o grupo seja conhecido por receber verbas públicas do Partido dos Trabalhadores a partir do aparelho estatal do Governo Federal, o Coletivo Fora do Eixo estaria também recebendo verbas privadas que, em boa parte, seriam originárias da Soros Open Society, empresa do magnata e conhecido especulador financeiro George Soros.

O Coletivo Fora do Eixo estaria causando polêmica pelo seu perfil controverso, que inclui uma reformulação do discurso neoliberal em clichês retóricos aparentemente libertários e uma metodologia de visibilidade que envolve factoides como as provocações da Mídia Ninja à polícia (similares a que o associado do FdE, o rapper Emicida, havia feito meses atrás) e um discurso aparentemente arrojado.

No entanto, o grupo, sobretudo Capilé, estaria também sendo alvo de denúncias de ex-integrantes, como a cineasta Beatriz Seigner, que num longo texto do Facebook fez denúncias sobre o personalismo e a concentração de poder em torno de Capilé, que coopta movimentos sociais e produções culturais para si mas não dá crédito nem assistência financeira aos mesmos.

Além disso, as ideias do Coletivo Fora do Eixo para novas mídias e para a cultura popular mostra pontos duvidosos, como a complacência com a mediocrização da cultura popular por rádios e TVs - como o tecnobrega e o "funk" - , que glamouriza a miséria popular, e conceitos de Informática em que as novas tecnologias são superestimadas em detrimento da ação humana, sugerindo a redução da mobilização social a um mero objeto em função das novas tecnologias.

Com sua promoção publicitária, o Coletivo Fora do Eixo, além de desviar o foco dos movimentos sociais, estaria também submetendo os mesmos à sua marca, sob a conivência das esquerdas e o oportunismo intolerante da direita, como Reinaldo Azevedo, o reacionário colunista da decadente revista Veja, que estaria se autopromovendo às custas das denúncias contra o FdE.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

INTELECTUALIDADE DOMINANTE MUDA O FOCO DO DISCURSO PRÓ-FUNQUEIRO


Depois de dez anos - oito se contarmos apenas o proselitismo nas esquerdas - de pregação a favor do "funk carioca", a intelectualidade dominante, "sem preconceitos" mas muitíssimo preconceituosa (já que aposta na domesticação das classes populares pela "indústria cultural") mudou o foco de defesa do gênero.

Deixando de lado a já desgastada e problemática cena do Rio de Janeiro - que aliás já ocupa explicitamente o mainstream - , a intelectualidade passou a concentrar seu foco de apologia ao "funk" ao cenário derivado lançado em São Paulo, conhecido como "funk ostentação", fusão das diversas posturas ideológicas do ritmo carioca com o apelo narcisista do gangsta rap dos EUA.

O principal motivo do recuo da intelectualidade em relação ao "funk" feito no Rio de Janeiro está em aspectos vinculados a contextos conservadores do cenário midiático que não foram possíveis de serem desmentidos pela intelectualidade mais articulada.

Entre eles, está a histórica associação do "funk carioca" (conhecido como "pancadão" ou "batidão", surgiu em 1990) com as Organizações Globo, o apoio entusiasmado desta e da Folha de São Paulo na elaboração do discurso "socializante" do gênero, e o apoio de figuras associadas ao conservadorismo ideológico como Luciano Huck, Lobão, Gilberto Dimenstein, Nelson Motta e William Waack.

Além disso, também influíram acusações de estímulo à violência e à pedofilia, à imagem machista da mulher, reduzida esta a um objeto sexual, além do grotesco, da repetitividade e ruindade musical do ritmo, e até mesmo a falsa solteirice de algumas "musas" (fortes rumores indicam, por exemplo, que Valesca Popozuda e Mulher-Filé têm maridos e Mulher Melancia tem namorado).

Sem ter que fazer defesa do "funk" feito no Rio de Janeiro, para evitar comparações de seus pontos de vista com os de Luciano Huck, por exemplo, a intelectualidade estaria mudando o foco para o "funk ostentação", até pelo aparato de "regionalidade" que encaixa na retórica de "diversidade cultural" pregada por essa mesma intelectualidade.

OUTRO PROBLEMA - No entanto, há outro problema a respeito do "funk ostentação" que já começa a "formigar" diante do discurso apologético da intelectualidade. O "funk ostentação" não consegue separar os contextos que o "funk" feito no Rio de Janeiro, com toda a sua mediocridade e imbecilização evidentes, conseguia separar.

O "funk" do Rio de Janeiro pelo menos poderia separar o "proibidão" para um público mais "agressivo" (inclusive a marginalidade), o "funk de raiz" para educadores e ativistas, o "funk comercial" para torcedores de futebol, machistas e jovens em geral, o "funk melody" para plateias mais comportadas e o "funk de DJ" para turistas estrangeiros.

No "funk ostentação" não existe isso. O MC faz "proibidão" posando ao lado de "popozudas", quer uma reputação "séria" como a do "funk de raiz" e se acha no direito de se apresentar até em festas infantis como no "funk melody". Não existe separação de contexto. E a choradeira intelectual é ainda mais chorosa. Até quando vai valer esse discurso?

sábado, 10 de agosto de 2013

89 FM E SUA IMAGEM SAUDOSISTA


Por Alexandre Figueiredo

Fenômeno estranho uma rádio se apoiar, no presente, pelas glórias passadas que nunca virão. Fala-se muito do saudosismo em torno da Rádio Fluminense FM, no radialismo rock, mas pouco se fala do verdadeiro saudosismo que protege o rótulo de "rádio rock" da emissora paulistana 89 FM.

A 89 FM - propriedade de uma oligarquia empresarial que se ascendeu na ditadura militar - regressou ao rótulo "roqueiro", abandonado em 2006, apoiada por uma imagem publicitária que não corresponde ao presente e nem ao futuro, mas ao passado. Com medo de virar passado, a suposta "rádio rock" se apoia justamente no passado para justificar até mesmo os erros do presente.

Famosa por uma conduta bastante duvidosa até mesmo para os parâmetros básicos do radialismo roqueiro, a 89 FM de hoje não é muito diferente de uma Jovem Pan 2 ou Mix FM, para citar emissoras de rede, ou da Energia 97 e Metropolitana, só para citar rádios jovens locais de São Paulo. E isso nada tem de desaforo, a linguagem deixa clara tais semelhanças.

É só tirar o que há de heavy ou punk no repertório da 89 e colocar no lugar nomes que variam de Madonna a One Direction, de Justin Timberlake a Double You, e substituir o grunge pelo pop dançante italiano e se terá uma rádio igualzinha às outras.

Tira-se aquelas vinhetas (bem típicas de rádios comerciais ditas "roqueiras) com um homem dizendo "wrock", quase que imitando um sapo (não seria "croac"?), e se terá uma rádio igualzinha, até nos locutores. Há milhares de clones do Tatola (um suposto punk que faria Billy Idol parecer um xiita do hardcore original) falando igualzinho nas rádios de pop dançante. Isso é fato.

Comparando os casos da Rádio Fluminense FM - em exposição e debates comemorativos dos 30 anos de surgimento da rádio niteroiense - e a "histórica" volta da 89 FM (provisoriamente sob o nome de fantasia "UOL 89 FM"), nota-se dois diferentes graus de saudosismo.

O primeiro, mais humanista, se refere aos tempos em que rádios de rock não eram questão de vinhetas alucinadas nem locutores tresloucados, mas um segmento séria e cautelosamente trabalhado, de acordo com a realidade cotidiana de seu público.

O segundo, mais arrogante, se refere a uma rádio "mais ou menos" cuja única "virtude" está longe de ser virtuosa, já que se vale não pelas qualidades a mais que não tem, mas pelos defeitos a menos, como evitar tocar pop dançante e ídolos popularescos.

Ninguém fica genial porque tem defeitos a menos, se não tem qualidades a mais. E que diferença tem um Linkin Park e um Backstreet Boys? Num mercado em que o "pop rock" e a dance music se alternam nos mesmos ídolos estrangeiros (Shakira, Demi Lovato, Pink, One Direction etc), a 89 FM nem de longe pode ser considerada uma emissora diferenciada.

Da mesma maneira, o roqueiro autêntico que é capaz de comprar uma raridade de rock na Internet, não vai sintonizar os 89,1 mhz para ouvir poser metal e bandas emo "menos andróginas" (da linha CPM 22 ou Tihuana) na esperança vã de um dia ouvir Frank Zappa na programação diária.

No entanto, a visão saudosista da 89 FM - a da rádio que tocou Frank Zappa, Violeta de Outono, Violent Femmes e a turma da Baratos Afins - , além de ter sido superestimada, não era assim tão real quanto o discurso deixou registrado. Até porque a imprensa musical geralmente escutava a 89 FM nas altas horas da noite, e era aí que a programação era melhor cuidada.

Até hoje há esse saudosismo. Mesmo quando se acha impossível que o rock da Baratos Afins um dia volte a ser tocado pela 89. Sempre tem esse papo de aceitar até mesmo os "micos" da 89, até o Tatola falando que nem o Rui Bala da Rádio Transamérica, na esperança de ouvir os alternativos novamente na rádio.

No entanto, a 89 FM não era Frank Zappa, Violeta de Outono e companhia o tempo todo. Na boa, o cardápio básico da 89, na sua melhor fase (a única e irrecuperável de 1985-1987, e ainda assim inferior e menos ousada que a fase mediana da Fluminense de 1986-1990), era U2, Duran Duran, Kid Abelha, Titãs, B-52's e sucessos mais acessíveis de Police e Clash.

A divulgação de alternativos não era tanta assim na programação normal e nem era tão ousada quanto se imagina. Apenas encontrava-se um parâmetro próximo ao da Estácio FM, com alguma inserção de nomes alternativos para divulgação de selos especializados. A Estácio foi uma rádio da carioca Universidade Estácio de Sá especializada em rock alternativo e tecnopop.

Perto do que a Fluminense FM fazia, tocando Rose Of Avalanche, Monochrome Set e Weather Prophets na programação normal, sem qualquer garantia de lançamento no Brasil, a 89 FM era bem menos corajosa, só tocando um Plasticland (banda neo-psicodélica dos anos 80) depois que a RGE garantiu que iria lançar no Brasil.

Além disso, se a 89 FM só tocou as bandas independentes, tipo Violeta de Outono, Fellini e Akira S e As Garotas que Erraram, do final de 1985 até 1988, a Fluminense FM continuou tocando todos eles de 1984 até 1990, quando os últimos vínculos com a linha original da rádio foram cortados.

A própria duração e qualidade da fase áurea difere. A Fluminense FM, em sua fase áurea, durou de 1982 até 1985 e, mesmo sem o vigor e o brilhantismo anteriores, segurou a onda até 1990. Portanto, foram oito anos mantendo um mínimo de qualidade.

Já a 89 FM só viveu uma boa fase entre o final de 1985 (quando surgiu) até 1987, quando passou a adotar, por definitivo, um perfil hit-parade e gradualmente isolou os alternativos em programas noturnos até expulsá-los de vez em 1994. No conjunto da obra, foram apenas três anos, os primeiros da rádio.

Felizmente, esse saudosismo parte de críticos musicais, músicos e alguns especialistas que ainda sonham ver a 89 FM de 1985. O público roqueiro em geral já não confia mais no esclerosado rádio FM que, no âmbito do rock, acha até Bon Jovi sinônimo de "rock clássico" e cujos locutores usam as mesmas gírias clubber de qualquer FM "poperó".

Passando longe desse besteirol todo, a maior parte dos roqueiros prefere MP3, CDs e maior liberdade de garimpar canções e artistas de rock que não precisam ser sucessos comerciais nem serem muito famosos, mas necessariamente precisam ter um mínimo de qualidade musical, algo que os interesses meramente comerciais do rádio FM menospreza até com certo radicalismo.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

MÍDIA NINJA E A COISIFICAÇÃO DO HOMEM PELAS "NOVAS MÍDIAS"


A aparente novidade da Mídia Ninja tornou-se o modismo da temporada. Um movimento "ativista" que tenta romper com os paradigmas "tradicionais" da grande mídia, mas que no fundo não é realmente uma alternativa a ela.

O grupo apareceu nas manifestações populares fazendo uma cobertura "independente", até que seus integrantes foram detidos pela polícia. Depois, foram entrevistar o ex-prefeito carioca Eduardo Paes. E, poucos dias atrás, houve uma entrevista no programa Roda Viva, na TV Cultura.

A Mídia Ninja, liderada pelo jornalista Bruno Torturra, depois se assumiu ligada ao Coletivo Fora do Eixo (FdE) e estabelece um padrão aparente de ativismo "independente", dentro dos moldes oficialescos que, em termos ideológicos, misturam a atitude de Live Aid com a filantropia da linha G-8 / FMI e uma mentalidade tecnológica própria das grandes corporações da informática.

A MN, a princípio, é apenas financiada pelo Estado. A exemplo do FdE, a tutela se limitaria ao aparelho estatal-partidário-empresarial ligado ao Partido dos Trabalhadores. Por outro lado, porém, o FdE estaria recebendo também verbas institucionais cuja origem estaria vindo dos bolsos do bilionário George Soros.

Deve-se pôr um pé atrás no pensamento da MN porque o "novo" pensamento das mídias digitais é atraente no discurso, mas diante de uma análise bastante cautelosa, é muito perigoso, já que o grupo superestima as tecnologias digitais acima até mesmo das manifestações humanas.

A visão de "novas mídias" agora popularizada pelos integrantes da MN tenta inverter a importância das novas tecnologias como instrumento que facilita a expressão livre humana. É um discurso bem ao gosto de George Soros, este um dos grandes barões da telefonia e da Informática, e que a maioria das pessoas não consegue compreender.

Através dessa visão, as novas tecnologias passam a ser vistas como "sujeito" e não como "objeto" (instrumento) do ativismo social. Os homens, pelo contrário, passam a ser "objeto" e deixam de ser "sujeito". Daí que, nessa visão, a importância do ativismo é subordinada às novas tecnologias, quando a essência real deveria ser das iniciativas humanas.

Este é o risco. O homem passa a ser, mais uma vez, coisificado pela máquina. Exagera-se na importância das novas tecnologias como fator determinante para o ativismo social. As novas tecnologias deixam de ser vistas como instrumento de ação social do homem, o homem passa a ser visto como instrumento de transformação das novas tecnologias.

Não é surpresa, por exemplo, que o FdE (do qual vincula-se a MN) corteje ritmos como o tecnobrega e o "funk ostentação", fenômenos de imbecilização sócio-cultural cuja maior campanha publicitária está no uso de alta tecnologia. Não é a tecnologia vista como auxiliar das manifestações humanas, o homem é que "ajuda" a dar sentido "transformador" atribuído às novas tecnologias.

Isso entra em xeque quando vemos que a realidade contraria tudo isso. Afinal, as novas tecnologias de mídia não são necessariamente revolucionárias. Seus empresários não são pessoas necessariamente progressistas. E nos últimos anos, novidades como Orkut, Facebook e Twitter também mostram usuários bastante reacionários, contrariando que as "novas mídias" sejam paraíso da revolução social.

Não acredito que a Mídia Ninja seja o modelo de um novo jornalismo. O humorístico CQC também veio com essa conversa "arrojada" e "provocativa". E, deu no que deu: o antes admirável Marcelo Tas está no Instituto Millenium e o Rafinha Bastos se autopromoveu com grosserias que só ele e seus seguidores acham engraçadas.

Enquanto isso, várias pessoas ficam felizes pela oportunidade de deixarem de serem sujeitos para se tornarem coisas para as "novas mídias". É por isso que muitos usam a Internet apenas para ver bobagens, entre pegadinhas, vídeos de gafes e aberrações musicais.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

ALEX MARIANO E O LADO HUMANO DO RADIALISMO ROCK


Na noite de ontem, morreu assassinado num assalto o comerciante Alex Mariano Franco. Ele encerrava o expediente de sua loja Fênix, na Rua Visconde de Sepetiba, no Centro Norte de Niterói, quando foi rendido e depois baleado por assaltantes. O Centro Norte é considerado uma das áreas mais perigosas de Niterói.

Mas ele seria apenas um dos cidadãos covardemente mortos pela violência urbana se não fosse o fato de que, nos anos 80, Alex Mariano tivesse sido um dos integrantes da equipe fundadora da Rádio Fluminense FM. É a terceira morte entre os membros fundadores, depois de Samuel Wainer Filho, morto em acidente de carro em 1984, e Carlos Lacombe, também vítima de assalto, em 2002.

Alex vivia o espírito da época, quando jovens brasileiros ainda sentiam o gosto da Contracultura dos anos 60 que, naquele Brasil sufocado pela ditadura militar, foi tragada aos poucos, só acabando às vésperas do Rock In Rio, em 1984.

Mas o aparente atraso, no entanto, revelava uma criatividade. Afinal, tivemos mentes brilhantes que fizeram o Rock Brasil, o cinema juvenil brasileiro, o radialismo, o teatro e as artes plásticas que marcaram a década de 80. Se os jovens brasileiros ainda eram meio hippies quando até o punk parecia passado na Inglaterra, eles tinham jogo de cintura o bastante para se manterem modernos e atualizados.

E a Fluminense FM mostrava esse espírito, o lado humano do radialismo rock que hoje é apenas um baú de recordações. É pena que hoje o radialismo rock, reduzido a uma piada de dois números consecutivos (89), é mais uma questão de logotipo, de departamento comercial e parcerias promocionais do que um estado de espírito, impossível de ser assumido por locutores imbecilizados de fala tresloucada.

Há trinta anos atrás - e eu, aos 12 anos, começava a "mergulhar" fundo nas audições da Fluminense FM - , Alex Mariano dava seu sangue junto a Luiz Antônio Mello, Mylena Ciribelli, Monika Venerabile, Amaury Santos, Sérgio Vasconcellos, Liliane Yusim, Selma Boiron, Maurício Valladares, o citado Carlos Lacombe, entre outros.

Tempos em que rádios de rock tinham locutores que falavam feito gente, tinham inteligência e não arrogância, e respeitavam o rock antigo e o rock novo. Nada a ver com os tempos boçais de hoje, de uma 89 FM que tanto ignora os Beatles quanto o Beady Eye e acha que tudo que Mark Knopfler fez na vida foi "Sultans of Swing" e o álbum Brother In Arms.

E as rádios de rock eram mais abrangentes. Os vários produtores da Fluminense FM, com um pouco de sua bagagem musical, contribuíram para o vasto repertório que a "Maldita" tocava, e a anos-luz da Internet, havia muito mais liberdade de repertório roqueiro do que hoje, tempos de informação globalizada. Luiz Antônio Mello marcou não só pelo seu grande talento de coordenador, mas também pela cumplicidade de uma equipe que compartilhava com ele esse talento, amor e dedicação à rádio.

É porque, entregue à mesmice empresarial e aos interesses meramente comerciais, o radialismo rock hoje é um hit-parade robotizado e acéfalo montado praticamente pelas gravadoras, já que basta apenas ao programador hoje "distribuir" as músicas previamente lançadas.

Não há mais amor nas "rádios rock", não há mais espontaneidade nem talento nem criatividade. Há até ódio e rancor nas rádios ditas roqueiras hoje. Muita arrogância, muito fascismo, baseado apenas na "virtude" de não tocarem grupos vocais adolescentes e ídolos do "pagode romântico" e "sertanejo". Mas ter defeitos a menos não é o mesmo que ter qualidades a mais.

Alex Mariano entendia de tropicalismo e música brasileira. Mas também apreciava o rock clássico, e como coordenador da Fluminense FM logo após a saída de Luiz Antônio Mello em 1985, ele adotou essa linha. E um episódio ficou célebre envolvendo a briga entre Alex e Maurício Valladares.

Por causa do Rock In Rio, Maurício Valladares, fotógrafo, jornalista e divulgador e amigo de bandas como Paralamas do Sucesso e Legião Urbana, apresentava o Rock Alive (a princípio, junto com Liliane Yusim), pensava que a Fluminense FM deveria mudar seu rumo para a soul music, funk autêntico e world music.

Era uma época em que a etnografia musical não era corrompida pelo canto da sereia brega-popularesco pois hoje, em nome do "mundialismo cultural", misturam-se alhos com bugalhos enfiando o joio do "funk carioca", tecnobrega, axé-music no trigo da diversidade folclórica terceiro-mundista. Como deixou claro Hermano Vianna, antropólogo que surgiu como discípulo de Valladares.

MauVal, como era conhecido, chegou aos estúdios da Fluminense FM, no mesmo centro de Niterói que viu Alex Mariano morrer na noite passada, e, encontrando ele no seu trabalho, criticou a programação roqueira da emissora. Mariano não gostou das críticas, e afirmou que a linha da Fluminense era aquela, rock'n'roll, e MauVal, irritado, decidiu dar fim ao Rock Alive, que, reformulado, hoje corresponde ao programa Ronca Ronca.

Alex Mariano, através do episódio tardiamente divulgado na Internet, foi injustamente tido como radical e xiita. Mas ele apenas havia sido fiel ao caminho que a Fluminense FM tomou, que, do contrário que se imagina, ainda manteve a programação musical em bons termos até 1990, já que entre 1986 e 1988 a emissora chegou mesmo a divulgar novos nomes do rock alternativo estrangeiro, alguns inéditos até hoje no mercado brasileiro, como Weather Prophets e Rose Of Avalanche.

A imagem de radical vinha em tempos trevosos de 2001, quando a ditadura midiática estava no auge e, no lugar do brilhantismo da Fluminense, o radialismo rock era (muito mal) representado pelo reacionarismo de tinturas extremo-direitistas da Rádio Cidade (que um dia foi uma rádio pop boa), que transformou até Monika Venerabile em caricatura de si mesma (hoje, "castigada", ela apresenta programas popularescos na Nativa FM carioca, franquia de rádio dos mesmos donos da 89 FM).

Foi uma luta para mim, que escrevia textos sobre radialismo rock na Internet, provar que o radialismo rock representado pela 89 e Cidade era fajuto, quando a tendência (equivocada) era de muita gente acreditar que a Fluminense FM de 1986 que ousava tocar Durutti Column na programação normal era "pior" do que a Rádio Cidade de 1996 que tinha medo de tocar até Beck Hansen (sucesso na MTV na época).

Muito da relembrança da Rádio Fluminense FM se deveu nos meus textos da Internet, que apresentavam às gerações recentes caraterísticas que as ditas "rádios rock" hoje não têm, e pude expandir a recordação da emissora niteroiense que Luiz Antônio Mello descreveu no livro A Onda Maldita.

Hoje a Fluminense FM não existe mais, mas até mesmo a 89 FM de 1985-1987 está morta para sempre, e olha que nessa época a 89 estava mais para uma sub-equivalente paulistana da Estácio FM, perdia até para a Fluminense de 1986-1990. É de se lamentar que muitos apoiem a 89 FM e sua fórmula "Jovem Pan com guitarras" esperando, em vão, ouvir Frank Zappa e Violeta de Outono até na hora do almoço, enquanto seus ouvidos sangram ao som de bandas poser, emo e pós-grunge.

Há muito Alex Mariano não estava mais no radialismo rock. Foi sua opção pessoal largar o ramo. Tinha outros projetos. Gostava da cultura de povos primitivos, como os Maias, Incas e Astecas, adorava viajar e gostava muito de ler sobre Economia e transporte aéreo. E, até o lamentável desfecho de ontem, também adorava manter a loja Fênix.

Ver que, no país atolado pela medriocridade galopante (até a boa publicação Carta Capital se vende para um bando de jornalistas culturais que glamourizam a breguice cultural que arrasa com o Brasil) uma pessoa como Alex Mariano morrer da forma que morreu, é desesperador.

E nem tanto por apenas ele ter sido um grande profissional de rádio. Mas como figura humana e um exemplo para os tempos de hoje, movidos pelo mero pragmatismo das conveniências. Amigos, familiares e parceiros sentirão muita falta do convívio diário de Alex Mariano, deixando uma sombra na Fênix que nem se sabe se renascerá das cinzas da violência urbana.

Eu mesmo passava nas minhas andanças pelo centro niteroiense pela Rua Visconde de Sepetiba e não tinha a menor ideia que Alex Mariano trabalhava numa loja de lá. Só soube depois da tragédia. Se soubesse antes, quem sabe eu pudesse conhecê-lo e trocar ideias e conversar sobre vários assuntos na vida. Lamentavelmente, meu quase xará faleceu relativamente cedo, aos 59 anos de idade.

O que resta agora é a polícia identificar e prender os assassinos de Alex Mariano. Depoimentos estão sendo feitos neste sentido por diversas testemunhas. Quanto ao legado do radialismo rock, Alex já faz parte da história. E, sem uma rádio à altura da Fluminense FM, num dial FM que, em todo o Brasil, sofre uma crise catastrófica - até agora não-assumida por colunistas de rádio - , quem curte rock está a anos-luz longe da 89 FM e asseclas e monta sua seleção pessoal por MP3.

São outros tempos. Creio que mais sombrios.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

MTV BRASIL SE APROXIMARÁ DO PERFIL DA MATRIZ

A MTV Brasil vive uma fase de transição desde que deixou de ser franquia do Grupo Abril para estar vinculada diretamente à Viacom, empresa norte-americana que passou a controlar a emissora através de sua filial brasileira.

A programação remanescente dos tempos do Grupo Abril - que agora começa a eliminar revistas e demitir profissionais, num "enxugamento" empresarial diante de sua grave crise - continuará no ar até o final de setembro, quando entrará no ar a nova programação.

MARIDO DE CAROLINA DIECKMANN AJUDARÁ A FAZER NOVA MTV - Para o cargo de vice-presidente de programação, foi designado Tiago Worcman, marido da atriz Carolina Dieckmann. Com experiência como diretor, roteirista e produtor - recentemente, ele havia dirigido o programa Alternativa Saúde, do canal GNT - ele deixou o cargo de gerente de programação do canal da Globosat para assumir o novo cargo na MTV Brasil.

Através da função, Tiago ajudará a formatar o novo formato da MTV brasileira, que aliará uma linguagem local com a mentalidade da MTV matriz, já que, nos tempos da Abril, a MTV brasileira possuía uma relativa autonomia em relação à emissora norte-americana surgida há 32 anos.

 Até agora não há uma informação oficial sobre como será a programação brasileira, uma vez que, fechados, estão programas importados dublados e adaptações de programas que já estão no ar na MTV matriz. O que está cogitado é o trabalho de parcerias com produtoras independentes, para diminuir custos.

A sede da MTV Brasil também mudou, deixando o bairro do Sumaré, onde foi a sede da TV Tupi de São Paulo e foi tombada pelo patrimônio histórico estadual (Condephaat - órgão que chegou a ser presidido pelo ex-presidente do IPHAN, Antônio Augusto Arantes), para o escritório da Viacom do Brasil no bairro da Barra Funda.

Na fase de transição da MTV "Abril" para a MTV Brasil da Viacom, estão previstos para este mês programas como Mochilão, com Titi Muller (irmã da atriz Tainá Muller) e o "My MTV", com depoimentos de ex-profissionais da emissora.

TV PAGA - A MTV Brasil tem como principal mudança o fato de que seu sinal se limitará à TV paga. Até agora, alguns canais, como em Salvador (canal 13 VHF), são exibidos na TV aberta. Isso tende a acabar, segundo a lógica da nova emissora, assim que terminar setembro. Até agora não foi divulgado o destino de cada afiliada da TV aberta, sobretudo a MTV Salvador, a mais destacada.

sábado, 3 de agosto de 2013

89 FM: DEPARTAMENTO COMERCIAL FORTE, PERFIL ROCK FRACO

ROBERTO MEDINA, AO LADO DE EIKE BATISTA - Verdadeiro motivo da volta da 89 FM é só alimentar a indústria corporativa de eventos do pop internacional.

A rádio paulista 89 FM largou o nome UOL de sua marca, adotado quando a emissora voltou ao perfil "roqueiro" - prestem atenção nas aspas - no final do ano passado. Mas a parceria continua, pois o contrato vai até dezembro próximo e, ao que tudo indica, Otávio Frias Filho continuará sendo sócio da emissora.

Observando a conduta da 89 FM - que retomou exatamente a mesma performance que "queimou" a rádio em 2006 - , nota-se que o forte da emissora é pura e simplesmente o departamento comercial, e as boas relações que tem com os empresários de grandes eventos internacionais realizados no Brasil, além dos grandes anunciantes.

Isso vem desde o fato de que um dos donos da 89, o patriarca José Camargo, era ligado a Paulo Maluf e amigo de José Maria Marin (hoje presidente da CBF). Atualmente, José Camargo, filiado ao DEM, apoia o governador paulistano Geraldo Alckmin.

Há indícios de que um dos motivos da "volta" da 89 seria criar uma base de apoio juvenil para o PSDB paulistano, que perdeu as eleições municipais de SP, já que o dono do UOL, Otávio Frias Filho, é um grande colaborador do PSDB. A 89 voltaria para trabalhar um estereótipo conservador e ao mesmo tempo reacionário e pouco contestador do "rebelde" urbano brasileiro.

O que se nota na 89 é tão somente o departamento comercial forte. Só isso. Há muitos projetos publicitários, festas, parcerias com promotoras de eventos, a 89 sorteia carros, viagens, equipamentos de som, computadores etc.

Mas isso não faz a emissora se fortalecer como rádio de rock, porque a emissora nunca teve, mesmo nos bons momentos, o estado de espírito e a mentalidade necessárias para ter uma boa reputação no público de rock (de rock mesmo).

A programação da 89, nesses meses todos, está fraquíssima. O sucesso da emissora - que até existe, mas é bem menos do que os "100 mil ouvintes por minuto" que o Ibope registra - se deve mais a um público menos radical que curte o cardápio subnutrido do rock noventista, entre o grunge, o poser metal e o poppy punk e da "cena" brasileira de Charlie Brown Jr., CPM 22 e Mamonas Assassinas.

Nada que seja uma cultura rock de verdade, séria, relevante, autêntica. Esqueçam isso. Se a Fluminense FM de 1982-1985 não volta mais, a 89 FM de 1985-1987 já está muito bem sepultada. Quem quer ouvir Frank Zappa, Violent Femmes e Violeta de Outono que vá para lojas de discos ou arrume arquivos de MP3 para ouvir. É essa a realidade.

Desde que a 89 FM adotou uma linguagem pop, há 25 anos, a emissora descarrilou. Embora, em termos publicitários, a emissora se destacou como "rádio rock", em termos de público especializado, a 89, que nem sequer fez parte da primeira divisão de rádios de rock (das quais a representante paulista era a 97 FM, ou 97 Rock), praticamente "queimou" o filme.

O que se vê hoje é uma "Jovem Pan 2 com guitarras" com locutores engraçadinhos - que contamina até o coordenador Tatola, suposto cantor punk com sua locução "putz-putz" - e um repertório só de sucessos comerciais.

Há mais ênfase em bandas pouco representativas para o rock como Creed, Live, Smash Mouth, Outfield e o brasileiro Mamonas Assassinas - convenhamos, os finados Mamonas estão mais para grupo de humor do que para banda de rock (cujo som é muito chinfrim para o gênero) - do que para bandas que fizeram história, mas que o preconceito oitentanovista define como "ultrapassados".

Afinal, é um horror ver que adeptos e profissionais de uma rádio que quer ser considerada "de rock" façam ataques violentos a Led Zeppelin e Who, que falem mal do que entendem por "rock velho" e ainda ignoram completamente efemérides como a lembrança dos 70 anos de nascimento do ex-beatle George Harrison.

Mas, em relação ao rock mais novo, há a divulgação um tanto hipócrita de umas meia-dúzia de músicas de grupos como Smiths (cujo ex-vocalista, o solitário por opção Morrissey, é tratado como se fosse uma tresloucada drag queen pelos ouvintes-padrão da 89) e há a ignorância até mesmo da existência de grupos como Beady Eye.

Para quem não sabe, o Beady Eye é o Oasis sem Noel Gallagher, que já tem um bom repertório de autoria de seus integrantes, que antes eram ofuscados pela predominante produção autoral de Noel. Nada contra, e o "racha" foi positivo, pois há um grande artista como Noel e uma grande banda como o Beady Eye do irmão e desafeto Liam Gallagher.

Só que a 89 ainda permanece nos tempos do Oasis, tocando "Wonderwall", "Don't Look Back in Anger" e alguns outros sucessos surrados pelas rádios comerciais. O que mostra que a emissora, em termos de rock novo, anda também muito fraca, preferindo lançar como "novidades" bandas novas que imitem o som do Evanescence, do Nickelback ou do Linkin Park.

De nacionais, então, enquanto os saudosos da 89 FM de 1985 (que, com todas suas virtudes, perdia até para a Fluminense FM fase segurando-os-trancos de 1986-1990) esperam em vão que apareça um Violeta de Outono e um Fellini, a dura realidade mostra que as "novas" bandas não vão muito além do que já fizeram CPM 22, Detonautas Roque Clube, Natiruts, NX Zero e, sobretudo, Charlie Brown Jr..

Portanto, como rádio de rock a 89 FM não é para ser levada muito a sério. Até porque o público realmente roqueiro prefere montar seleções próprias em MP3, para não se limitar aos hits. Segundo, porque a emissora segue a lógica "popirroque", o que sua programação deixa bem claro em linguagem e mentalidade.

Para a 89, "rock" é muito mais questão de marketing do que de cultura e estado de espírito.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

JUSTIÇA CONDENA A GLOBO POR REPORTAGEM EM UNIDADE DE CONSERVAÇÃO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O showrnalismo do Esporte Espetacular cometeu uma grave irregularidade, associando uma estação ecológica à prática de esportes radicais, que contrariam as finalidades de preservação ecológica da região do Jalapão, onde se situa a cachoeira da Fumaça, afetada pela propaganda anti-ecológica do programa da Rede Globo, que através da representante jurídica Globopar, junto com a empresa de turismo Quatro Elementos, foi condenada a uma indenização no valor de R$ 500 mil e a veiculação de uma reportagem dedicada ao turismo sustentável, veiculada no mesmo horário da reportagem do EE, veiculada três anos atrás mesmo com a proibição do órgão responsável pela área, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.

Justiça condena Globo por reportagem em Unidade de Conservação

Da Assessoria de Comunicação da Justiça Federal - Reproduzido também no portal Vermelho e no Blog do Miro

A Justiça Federal no Tocantins condenou a emissora Globo Comunicação e Participações S/A e a empresa Quatro Elementos Turismo Ltda a repararem o dano causado à Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins pelo uso indevido de imagem durante a veiculação de uma reportagem exibida no programa Esporte Espetacular do dia 25 de abril de 2010, que associa a imagem da cachoeira da Fumaça à prática de rafting esportivo, prática esta, incompatível com os objetivos das estações ecológicas.

A sentença proferida pela titular da 1ª vara, juíza federal Denise Dias Dutra Drumond, julgou procedente a ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal e condenou as empresas ao pagamento de indenização ao Meio Ambiente no valor de 500 mil reais e a reparação do dano por meio da produção de uma reportagem, previamente autorizada, com o tema “Turismo Sustentável na Região do Jalapão”, que deverá ser exibida em horário semelhante e com a mesma duração da anterior.

Consta nos autos que a reportagem exibida foi feita mesmo com o pedido de autorização negado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), autarquia federal que administra a área. De acordo com o relatório do ICM, a equipe foi avisada sobre o impedimento de realizar gravações com foco na prática de esportes radicais naquela área, tendo em vista que a Instrução Normativa do IBAMA 05/2002 determina que as matérias jornalísticas realizadas em Estações Ecológicas e Reservas Biológicas não deverão fomentar atividades que não sejam de caráter científico e preservacionista.

Em sua fundamentação a magistrada ponderou que a Estação Ecológica foi criada para evitar a exploração turística e econômica desordenada. Para isso a legislação proíbe a visitação pública, exceto quando com objetivo educacional ou científico. “Em outras palavras, a Estação Ecológica tem em seu anonimato um de seus grandes trunfos, pois fica assim protegida da curiosidade leiga e da depredação que a atividade turística em massa e desordenada promove. Logo, a exposição em si mesma da Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins como área propícia à prática esportiva, diversa portanto de sua finalidade legal específica, já configura o dano ambiental” constatou.

Na defesa, as empresas alegaram inexistência de dano ambiental e a Globo Comunicações alegou ofensa a liberdade de imprensa. Argumento este, afastado pelo juízo federal durante a fundamentação. Para a magistrada, não se pode permitir abusos no desfrute da plenitude de liberdade de imprensa e este direito não está imune à obrigação de indenizar caso haja lesão à bem jurídico de terceiros.