domingo, 28 de julho de 2013

CIA TERIA "PATROCINADO" LIVROS SOBRE BREGA-POPULARESCO


Edward Snowden, o ex-técnico da CIA (Central Intelligence Agency), havia dito que o Brasil é um dos países mais visados pela agência de informações estadunidense. Até pelas dimensões territoriais que rivalizam o país sul-americano com os EUA, que exercem supremacia continental.

Pois a coisa é bastante séria. Além da conhecida, difundida mas ridicularizada (pela intelectualidade dominante em tom meio "urubológico") denúncia sobre o "funk carioca", feita por artistas conceituados, dois livros parecem terem sido patrocinados pela CIA, através de financiamentos intermediados para instituições universitárias.

Dois livros que seguem a pauta de defender a decadência cultural brasileira como se fosse "o novo folclore libertário brasileiro" se originaram de teses que teriam integrado, mesmo de forma indireta, linhas de financiamento de um dos órgãos "filantrópicos" ligados à CIA.

Um é o livro Eu Não Sou Cachorro Não, do historiador e professor da PUC-RJ, Paulo César Araújo - editado em 2001 pela mesma Record que tem como contratados Merval Pereira e Reinaldo Azevedo - e outro é o livro Que Tchan é Esse, da historiadora Mônica Neves Leme, publicado em 2003 pela obscura editora Annablume.

Ambos os livros surgiram de teses de mestrado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e se afinam pela pauta de apologia ao brega-popularesco e à domesticação artístico-cultural das classes pobres, através de uma "cultura de massa" tida como "vanguardista" e "discriminada", mas trabalhada com gosto pelo poder midiático nas várias regiões do Brasil.

A UNIRIO é uma das instituições universitárias que integram o plano de investimentos financeiros da Fundação Ford, que, do contrário que se imagina, não é uma entidade necessariamente ligada à famosa companhia automobilística, embora inclua representantes desta empresa, mas envolve também outras empresas norte-americanas que atuam na America Latina.

A Fundação Ford trabalha como entidade "filantrópica" ligada à CIA e tornou-se um dos principais órgãos do projeto "poder suave", estratégia lançada em 1974 pelas autoridades estadunidenses para exercer o controle hemisférico da América Latina, através de convênios financeiros e técnicos que mantenham relações de dependência dos países latino-americanos com os EUA.

Historicamente, a Fundação Ford (Ford Foundation, em inglês) esteve ligada na assistência financeira a Fernando Henrique Cardoso, a partir de 1969, investindo nas suas teses neoliberais da Teoria da Dependência. Recentemente, a Fundação Ford, de forma assumida, é creditada como financiadora acadêmica do antropólogo Hermano Vianna (ligado a FHC) e o professor da FGV, Ronaldo Lemos.

Já os livros de Paulo César Araújo e Mônica Neves Leme - que seguem a pauta popularesca que Vianna e Lemos trabalharam, respectivamente em prol do "funk" e do tecnobrega - teriam sido patrocinados não de forma assumida, até para evitar maiores complicações sobre os trabalhos.

Mas tudo indica que os dois livros têm o dedo da CIA, através de sucessivas intermediações de ordem técnica e financeira. Mas o fato da UNIRIO ter integrado de forma explícita os convênios com a Fundação Ford já sugerem que os dois livros, que atendem a interesses comerciais ligados à indústria fonográfica e ao poderio midiático, teriam sido financiados pela entidade "finantrópica".

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