sábado, 8 de junho de 2013

INTELECTUALIDADE BRASILEIRA IMPÕE SEU "DIRIGISMO CULTURAL" EM PROL DO BREGA


A intelectualidade dominante está praticamente identificada com a visão de cultura determinada pela centro-direita. Mas quando boa parte dela tenta ser esquerdista, impondo seu proselitismo nas mídias progressistas, copiam o que há de pior na ideologia esquerdista.

Semanas atrás, houve a Virada Cultural de São Paulo e aí vieram intelectuais e jornalistas "recomendando" o que deve ser curtido como cult no evento. A imposição do "mau gosto", que eles entendem como "liberdade cultural", chega ao ponto do mais escancarado dirigismo cultural, que deixaria os chamados "cuecões" (comunistas retrógrados que pensam que o mundo vive em 1917) do Partidão boquiabertos.

Nem Mao-Tsé Tung chegou longe com sua "revolução cultural". Nas esquerdas médias, a "revolução" vai pelo caminho do brega. E sabe o que agora se tornou "alternativo" por essa intelectualidade badalada e "divinizada" por setores influentes da opinião pública? É justamente o brega que havia sido sucesso entre os anos 70 e 90 e que andou "meio esquecido" pela mídia.

Anotem-se os nomes: Odair José, Amado Batista, Michael Sullivan, Wando, Waldick Soriano, José Augusto, Luiz Caldas, Kaoma, Raça Negra, Leandro Lehart (ex-Art Popular), entre outros. Há também todo o "funk carioca", que se aproveita dos altos índices de rejeição da sociedade para se passar por "coitadinho" e fazer pose de "vítima" para fazer algum sucesso.

Algo semelhante já foi tentado com nomes mais mainstream, como Zezé di Camargo & Luciano e Banda Calypso. O "Partidão", a pretexto de Zezé e Luciano terem votado em Lula - mas também votaram no ruralista Ronaldo Caiado nas eleições daquele 2002 - , determinou que todos vissem Os Dois Filhos de Francisco e aceitassem as breguices da dupla como algo "sofisticado".

A coisa não deu certo. Nomes como esses mostraram-se reacionários além da conta. Os "progressistas" de ocasião se envergonharam com tal propaganda, vendo Zezé di Camargo no movimento Cansei (sem o irmão, que, estrategicamente, não foi junto) e Joelma do Calypso virando homofóbica, e desistiram do oba-oba.

No entanto, eles insistem em promover como "alternativos" a turma brega acima citada, e seu dirigismo se deu a ponto de "estimular" a produção de coletâneas "independentes" de tributo a Odair e ao Raça Negra. Isso se torna uma incoerência, se percebemos o contexto histórico desses ídolos bregas, sobretudo no início dos anos 90.

DESINFORMAÇÃO

Só mesmo a desinformação, aliada a um pretensiosismo e uma suposta "liberdade cultural" dos jovens de hoje para permitir que bregas de outrora, que eram o establishment do establishment do establishment, sejam vistos como "alternativos".

Afinal, lendo livros como Dias de Luta, de Ricardo Alexandre, sabe-se que esses mesmos bregas eram o que havia de mais comercial dentro do comercialismo musical. Não tem qualquer fundamento que eles virassem "alternativos" mesmo na posteridade.

Aliás, o próprio Ricardo Alexandre já definia os fãs de Kaoma como "desinformados", e os alternativos agiam em protesto contra os mesmos bregas que agora se acham "vanguarda" por motivo nenhum. Luiz Caldas na trilha de novela da Globo, Raça Negra no Domingo Legal, Kaoma sendo uma armação empresarial... Que "cultura alternativa" eles representam? Nenhuma, ora!

Que planeta os "descolados" brasileiros vivem? De tanta burrice, a intelectualidade que se vende para o mercado e para a mídia, seguindo os paradigmas comercialescos da Rede Globo e Folha de São Paulo, mas se jurando "esquerdistas", aproveita tudo isso para promover seu dirigismo cultural.

O pessoal fica achando que é "liberdade" um alternativo curtir Luiz Caldas. Não é. Ninguém é proibido de curti-lo, mas é preciso ter consciência que, se alguém se tornar fã de Luiz Caldas, não está assumindo compromisso algum com a cultura alternativa nem com a vanguarda artística, mas tão somente aderindo aos valores conservadores vinculados ao mais explícito comercialismo cultural.

Da mesma forma com os outros bregas. Se alguém quiser curti-los, esteja à vontade. Mas se forçarem a barra e acharem que tudo isso é "vanguarda" e "alternativo", aí não há liberdade de escolha, e sim estupidez e burrice.

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